quinta-feira, 16 de junho de 2016

Impeachment de Janot? O gran finale para a ópera bufa da moralidade?

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Brito


renanbico1



Dificilmente se concretizará, mas dificilmente é palavra  que se concretiza cada vez mais facilmente no Brasil.

Renan Calheiros, diz o Estadão, fala abertamente em aceitar um dos cinco pedidos de impeachment do Procurador  Rodrigo Janot que há em sua mesa, na presidência do Senado.

Alguém aí tem um descrição mais adequada a uma crise institucional daquelas “instituições que estão funcionando”?

Trama, aliás, com o traço picaresco de ter se dado em diálogos numa festa junina, depois de uma reunião na casa de outro dos alvos da Janot, José Sarney.

A obra de demolição dos parâmetros mínimos de institucionalidade no Brasil não apenas está trincada como se desmancha celeremente.

O julgamento de Dilma Rousseff no Senado é, para quem tenta assistir às sessões, um mero trâmite formal – e sem, sequer, elegância – de um linchamento.

O procurador geral da República pede a prisão do presidente do Senado por, basicamente, tê-lo chamado de mau-caráter – os atos de corrupção, graves, são alegações a provar-se – e o presidente do Senado reage ameaçando “impixá-lo”.

Aí está ao que se reduz o “moralismo marqueteiro”, que coloca uma súcia de ladrões a juntar lenha aos pés de uma mulher honesta para incinerá-la.

Não é preciso ser nenhum gênio político para ver que um país do tamanho e da complexidade do nosso não pode conviver com tal situação política.

Eu disse política?


Vai se aproximando o clímax imaginado pelo genial Machado de Assis com seu alienista Simão Bacamarte: depois de internar a todos como loucos, descobriu que deveria, sim, era internar a si mesmo.

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