sábado, 7 de maio de 2016

Não me digam que é afegã: Uma nova epidemia de heroína abala os Estados Unidos

GilsonSampaio

A matéria omite uma informação básica: a produção de papoula afegã cresceu geometricamente após a invasão americana àquele país.

Via El País


A onda de vícios ao opiáceos entram na campanha para as presidenciais de 2016

Marc Bassets

Uma epidemia de heroína e drogas similares avança sobre os Estados Unidos. Ao contrário de há algumas décadas, as vítimas não vivem em zonas urbanas degradadas, mas em bairros residenciais brancos. Não são mais estigmatizadas. Insolitamente, nos debates da campanha para as eleições presidenciais os candidatos não discutem políticas repressivas, mas reabilitação. As mortes por overdose quase quadruplicaram desde 2000. No país morrem mais pessoas de overdose —desta e de outras drogas— do que de acidentes de trânsito.

Durante anos a epidemia de heroína e opiáceos foi sendo gestada em silêncio, longe dos focos políticos e midiáticos de Washington. Agora é uma prioridade da Casa Branca e dos candidatos às eleições de novembro. “Esta crise tira vidas. Destrói famílias. Destroça comunidades em todo o país”, disse em outubro o presidente Barack Obama, durante uma visita à Virgínia Ocidental, um dos Estados mais afetados.

Em 2014 morreram nos EUA mais pessoas de overdose de drogas (47.055) do que em qualquer outro ano registrado, segundo o Centro para o Controle e a Prevenção de Doenças. Cerca de 60% morreram por overdose de opiáceos, que incluem medicamentos que podem ser adquiridos com receita, e heroína.


“Muitos começaram usando e abusando de opiáceos com receita médica”, diz Westwood. “O que as pessoas não sabem é que essas substâncias atuam no cérebro da mesma forma que a heroína”.

O auge dos analgésicos legais está na origem da atual epidemia, segundo os especialistas. As vendas dispararam na década passada, quando alguns médicos começaram a receitar opioides com facilidade, muitas vezes subestimando seus efeitos viciantes. Em 2012, foram passadas 259 milhões de receitas para estes medicamentos, uma média de quase uma por habitante do país. O debate sobre o papel de médicos, farmácias e farmacêuticos levou a um controle maior. Os viciados encontraram na heroína uma alternativa barata vinda do México. “Uma história que ouvimos com frequência é que jovens começam com receitas e passam para a heroína”, diz Westwood.

O novo viciado é branco

Uma novidade da epidemia é o perfil do viciado. Nos anos setenta sua imagem pública era igual à de um viciado em crack, negro, associada à violência. A resposta dos poderes públicos era a mão de ferro: prisão e encarceramento. O viciado de 2015 é diferente. Cerca de 90% dos novos usuários na última década são brancos. Vivem em cidades pequenas e nos subúrbios, os bairros residenciais de classe média nos arredores das grandes cidades. A violência não está associada aos viciados: o aumento da adição coincidiu com uma queda nos índices de criminalidade. E não suscitam condenação, mas compaixão. À direita e à esquerda, os políticos pedem prevenção e tratamento, não repressão. Os viciados já não são junkies: são doentes que sofrem de “desordem por abuso de substâncias”.

“Muitas pessoas se surpreenderiam se vissem como são os viciados em heroína”, diz Westwood. “É preciso desestigmatizar o debate. São nossos filhos, nossos vizinhos, nossos irmãos, nossas irmãs”. Westwood constata uma presença significativa de brancos de classe média, mas acrescenta que entre as vítimas há pessoas de todas as etnias.

Os candidatos do Partido Democrata à Casa Branca abordaram o problema no último debate, em 19 de dezembro em New Hampshire. “Por todo o Estado conheci avós que estão educando crianças que perderam o pai ou a mãe por overdose”, disse Hillary Clinton.


Para alguns candidatos, o vício é uma questão pessoal. Uma filha do candidato republicano Jeb Bush foi detida em 2002, quando seu pai era governador da Flórida, por comprar medicamentos com receita falsificada e passou dez dias na prisão por esconder crack em seus sapatos. “Viveu um inferno”, disse Bush em uma entrevista recente. “E sua mãe e seu pai também”.

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