sábado, 9 de abril de 2016

Bielorrússia: 1% de desemprego graças ao controle estatal da economia


Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

No contexto de uma crise econômica sem precedentes na Europa, com altos índices de desemprego, demissões em massa tanto no setor privado como no serviço público e uma deterioração alarmante das condições de vida da classe trabalhadora, surpreende encontrar um país com uma taxa de desemprego de tão somente 1%.[1].

Trata-se da República da Bielorússia, com quase 10 milhões de habitantes e presidida atualmente por Alexander Lukashenko.  Esse país fez parte da União das Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS) até 1991.

Depois da desintegração da União Soviética, a Bielorússia se declarou independente e manteve o controle estatal da maioria da economia. Por exemplo, os bancos estrangeiros  estão praticamente excluídos dopais, os bens e serviços básicos estão subvencionados pelo Estado, os preços de venda no varejo estão controlados e  o governo continua apostando nas empresas estatais.  De fato, 51,2% dos bielorussos trabalham em empresas estatais, 47,4% são empregados de empresas privadas nacionais e 1,4% trabalham para empresas de capital estrangeiro instaladas no país.

O próprio semanário britânico The Economist,  fazendo referência a um relatório sobre Liberdade Econômica da Heritage Foundation diz, em um de seus artigos, que “Lukashenko continua com uma política de intervenção do Estado, onipresente na economia”, e que “o governo nega os direitos de propriedade sobre os bens comuns, conservando os recursos naturais como água, florestas e terras sob controle público. [2]

O Washington Post, por sua parte, informa que “a economia da Bielorússia continua sendo controlada pelo Estado, e que os alimentos da nação são cultivados em granjas coletivas.” [3]

Ao que parece, esse conjunto de políticas de redistribuição de renda seria responsável peles exitosos níveis de igualdade na sociedade bielorussa.

Segundo informações do jornal ucraniano Rabochaya Gazeta, o percentual de população da Bielorússia com renda inferior ao  limite que assinala o umbral da pobreza, diminuiu em sete vezes no período compreendido entre 2001 e 2008, passando de 41,9% para 6,1%. A renda real da população nesse período triplicou.  A correlação entre os 10% mais acomodados da população e entre os 10% mais desfavorecidos foi de 5,9 pontos em 2009 (na Rússia chega aos 34%. Também é um índice  significativamente inferior  ao que outros países da antiga União Soviética registram.

Antonius Broek, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento  (PNUD) declarou, durante a apresentação do Relatório sobre Desenvolvimento Humano de 2011, que “na Bielorússia praticamente não há pobreza” Broeck esclareceu que, segundo o índice internacional de pobreza, na Bielorrúsia  esse índice está  quase em zero
Esses dados contrastariam com os altos índices de pobreza e desigualdade social  que outras ex-repúblicas soviéticas mantém, como a Polônia, Hungria, Ucrânia, Romênia ou Letõnia, que realizaram uma “transição” para o capitalismo.

Um mau exemplo a seguir

Esses dados socioeconômicos são censurados nos meios de comunicação de massas que se encontram controlados pelo grande capital, e que evidentemente respondem a interesses  capitalistas.

Os Estados Unidos e a Europa vêem a República da Bielorrússia como um mau exemplo a ser seguido por seus países  vizinhos.  Trata-se da ainda vigente batalha ideológica entre o Capitalismo e o Socialismo.  Não é casualidade que, frequentemente a imprensa capitalista qualifique como “ditador“ ou “autoritário” o Presidente Lukashenko. De fato, o Departamento de Estado dos EUA foi ainda mais longe e em 2011 financiou cinco partidos políticos e a 566 ativistas da oposição bielorussa, e apoiou a formação de mais de 70 organizações da sociedade civil, 71 jornalistas anti-governamentais e 21 meios de comunicação opositores.  

Contudo, independentemente da manipulação midiática e do assédio de Washington, é importante deixar claro que a Bielorússia é uma democracia pluripartidária com sufrágio universal. Desde o ano de 2007, 98 dos 110 membros da Câmara de Representantes da Bielorússia não estão alinhados a nenhum partido político, e dos outros doze membros, oito pertencem ao PartidoComunista da Bielorrússia, três ao Partido Agrário da Bielorússia e um ao Liberal Partido Democrático da Bielorússia. A maioria dos não alinhados a partidos representa um amplo leque de organizações sociais de trabalhadores, associações públicas e organizações da sociedade civil.

Notas

[1] CIA World Factbook, 1 de janeiro de 2011.

[2] The Heritage Foundation, 2007 “Índice de Liberdade Econômica”.

[3] The Washington Post, 23 de setembro de 2005.
Fonte: http://www.elespiadigital.com/index.php/noticias/politica/12706-bielorrusia-1-por-ciento-de-desempleo-gracias-al-control-estatal-de-la-economia


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