sexta-feira, 11 de março de 2016

Veja e o croqui da bomba que Bolsonaro iria explodir contra a Adutora do Guandu, que abastece o Rio

Matéria publicada em 10 de abril de 2011.


Sanguessugado do Mello

Em sua edição de 28 de outubro de 1987, a revista Veja publicou uma reportagem denunciando que o capitão Jair Messias Bolsonaro e um outro identificado apenas como Xerife iriam explodir bombas "em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras, em Resende, no interior do Rio de Janeiro, e em vários outros quartéis".

Bolsonaro criticou o ministro do Exército da época Leônidas Pires Gonçalves, a quem chamou de incompetente e racista por ter chamado os militares de "uma classe de vagabundos mais bem remunerada do país". Bolsonaro concordou em parte com a crítica do ministro e disse: "Só concordamos em que ele está realmente criando vagabundos". A parte salarial era a questão de fundo do seu descontentamento.

Ele afirmou à repórter que iriam explodir bombas para "mostrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro Leônidas".

A reportagem é que caiu como uma bomba no colo do ministro. O general procurou pelos dois conspiradores, mas Bolsonaro e Xerife negaram tudo e tentaram jogar a bomba no colo da repórter. O ministro convocou a imprensa e afirmou:

"Os dois oficiais envolvidos, eu vou repetir isso, negaram peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho, qualquer veracidade daquela informação."

Só que Bolsonaro cometeu um erro. Havia desenhado peremptoriamente, da maneira mais veemente, por escrito, do próprio punho o croqui da bomba que seria colocada na Adutora do Guandu, que abastece de água o Rio de Janeiro. E a repórter ficou com o croqui.

 

A revista entregou o material ao ministro e este, após quatro meses de investigação, concluiu que a reportagem estava correta e os capitães haviam mentido.

A revista se vingou da fonte colocando foto de Bolsonaro ilustrando o reconhecimento do ministro, com a seguinte legenda: "Bolsonaro: mentira".



O caso foi entregue ao Superior Tribunal Militar. A expectativa era de que Bolsonaro seria expulso do Exército, segundo um oficial do STM declarou à revista. Mas, contra todas as provas, Bolsonaro foi absolvido.

Por que absolvido? Pelo mesmo motivo que o tornou conhecido, que o elegeu e elege até hoje: a luta por melhores salários e pensões para os militares. É também por esses votos que ele dá as declarações que dá. E adora a repercussão.

- Não estou em campanha, mas se a eleição fosse hoje, teria 500 mil votos.


Um comentário:

  1. O MINISTRO FOI CONIVENTE COM BOLSONARO, o que as forças armadas deveria fazer era vigia-lo e quando fossem perpetrar o ataque o exercito fuzilava ele e os outros conspiradores. Por acaso o exercito teve benevolencia com os que lutaram contra a ditadura? Pelo que sei houve uma filha de um general que foi para o paredao de fuzilamento, entao porque Bolsonaro escapou?Será porque ele era a unica voz que gritava por melhores salarios nas forças armadas? Com certeza esse foi o motivo,mais nao justifica. traíçao é traíçao.

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