quinta-feira, 24 de março de 2016

O QUE SE ESCONDE POR TRÁS DOS ATOS DE GANGSTERISMO?

via feicibuqui da Regina Schmitz .


 Francisco Costa

Ontem a opinião pública brasileira, e o mundo, foram surpreendidos por mais uma inesperada atitude do Juiz Sérgio Fernando Moro.

Já tarde da noite, Moro liberou para a mídia uma lista enorme, apreendida na casa de um dos diretores da Odebrecht, com mais de duzentos nomes de políticos, logo a seguir colocando-a sob sigilo de justiça.

Vamos ver se eu entendi: primeiro deu a conhecer ao mundo e depois transformou em segredo.
Será que esse cidadão tem algum problema mental ou se diverte conosco?

Sobre a lista divulgada, afirmou que investigará, o que quer dizer que todo mundo ali é suspeito e não necessariamente culpado.

Então porque expor à execração pública, à destruição da imagem pública, pessoas sobre as quais não há culpa formada, com o agravante de que todas estão identificadas por apelidos, a maioria deles depreciativos, expondo homens públicos ao ridículo?

Mistério maior: porque, até agora tendo blindado correligionários seus, fazendo ouvidos de mercador a denúncias feitas em sua presença, e os vídeos abundam, no Youtube, para consulta pública, fingindo não ter ouvido “dei cento e cinqüenta milhões de dólares a fulano”, “sicrano recebia um terço das propinas”, “beltrano fazia uso sistemático do jatinho executivo do doleiro”... Subitamente os denuncia a todos?

Com que intenções? Com que propósitos? O que se esconde por trás?

Se esta lista está em poder do juiz há mais de um mês, sem ter sido sequer apensada aos autos do processo, porque só agora passou a fazer parte do processo?

Com que finalidade reteve documentos, imitando Joaquim Barbosa, no chamado Mensalão?
Porque a maioria dos nomes constantes na lista são de correligionários seus? Porque pretendia usar como peça de chantagem?

Se esta lista tem relevância para as apurações da Lava Jato e o juiz a reteve em seu poder, fora dos autos do processo, impedindo ou pelo menos retardando investigações, isto caracteriza manipulação do processo e no processo, no mínimo obstrução da justiça.

Não estou defendendo ladrões, quero-os todos responsabilizados, presos, mas tendo a justiça como sustentáculo das penalizações, a lei como instrumento, a razão como norteador.

Mesmo para os adversários e inimigos quero justiça e não vingança.

Ontem fui dormir pensando, buscando justificativas para o intempestivo e contraditório ato do juiz, chegando à conclusão que, se não óbvia, a mais plausível.

Moro está ruindo como um castelo de cartas, sofrendo críticas de praticamente todos os juristas conceituados, a maioria deles conservadores, antipetistas, mas profissionais e conhecedores do que estão falando.

A opinião pública começa a entender toda a manipulação da mídia, a partir de escândalos produzidos por esse juiz.

Seu modus operandi, arbitrário e pessoal, já extrapolou fronteiras, provocando críticas das maiores autoridades jurídicas do mundo e de organizações governamentais e não governamentais de outros países.

Sua máscara caiu. Como todo justiceiro, é um fora da lei.

A ele só restava então o apoio e a blindagem dos seus correligionários, dos seus protegidos, o que não aconteceu e nem está acontecendo, e por um motivo muito simples: instrumento do golpe, só uma peça no golpe, embora a mais importante, Moro já cumpriu a sua missão, estando só no bagaço, como toda laranja, chupada pelo ilícito, pelo imoral, pelo criminoso,

Preocupados com os próprios destinos, já que denunciados nos depoimentos da Lava Jato e vendo no golpe a única saída, o passaporte para as fugas das cadeias, seus ex-cúmplices o abandonaram e, coerente com o seu comportamento, ele se vinga, jogando bosta no ventilador, exatamente como fez Eduardo Cunha no Legislativo.

Vale o que sempre afirmei, desde o início da Lava Jato: o juiz Sérgio Fernando Moro é o Eduardo Cunha do Judiciário, um Eduardo Cunha no Judiciário.

Resta saber até onde vai esta semelhança ou identidade, o que passa por investigá-lo também.

Que seja substituído por um juiz de verdade: probo, justo, honesto, isento, imparcial, apartidário... Sem prejuízo da continuidade da operação Lava Jato, porque os maiores ladrões, os mais periculosos, já estão identificados, mas ainda não investigados e denunciados.


Francisco Costa

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.