segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O segredo sueco e os delatores contra a Petrobras ou Os lesa pátria

Sanguessugado do GGN

O segredo sueco e os delatores contra a Petrobras

 

André Araújo

O SEGREDO SUECO E OS DELATORES CONTRA A PETROBRAS - A Suécia passou pela Segunda Guerra como um dos cinco países neutros da Europa (com a Suíça, Portugal, Espanha e Turquia), mas cometeu um pecado. Em 1940, deixou tanques alemães passarem por suas estradas para entrarem na Noruega pelo norte, a Noruega passou a guerra como território conquistado pelos alemães desde Abril de 1940. A Inglaterra jamais perdoou esse deslize da neutralidade sueca. Em 1965, o ex-Ministro de Relações Exteriores da Suécia, Bjoern Pritz, fez uma declaração sensacional. A Suécia deixou os alemães passarem por seu território porque achou que a Inglaterra, em Junho de 1940, estava negociando um armistício com a Alemanha.  Mas como isso seria possível tendo o guerreiro Churchill como Primeiro Ministro? O sueco então explicou: em 18 de junho de 1940 foi chamado ao Foreing Office pelo Vice Ministro Richard Butler um deputado do Partido Conservador em grande ascensão e com enorme prestígio político.

Butler pediu ao Embaixador da Suécia que era Bjoern Pritz a intermediação junto à Alemanha para saber as condições de um armistício. O sueco cumpriu a missão e procurou em Berlim Ribbentrop que ficou encantado, era o que mais a Alemanha queria, um acordo com a Inglaterra, o verdadeiro objetivo do Terceiro Reich era tomar a URSS e não a Inglaterra.

Quando Churchill soube da demarche de Butler ficou furioso e o desautorizou. Butler só teve esse atrevimento porque seu chefe direto, o Ministro do Exterior Lord Halifax era do grupo pacifista de Chamberlain, Churchill não conseguiu compor todo o gabinete e tinha que tolerar a presença dos apazigaudores. Esse episódio passou batido, a Suécia ficou com a má fama e não pode explicar o porque de ter aberto as portas aos alemães, a demarche de Butler fez ela entender que a fraqueza da Inglaterra mostrou que era melhor a Suécia estar bem com a Alemanha. O peso dessa atitude ruim da Suécia pesava na alma de Pritz e ele resolveu contar o que tinha acontecido para justificar a atitude da Suécia.

A revelação explicou então um mistério. Butler deveria ter sido o sucessor de Churchill no Partido Conservador e como tal o futuro Primeiro Ministro conservador e não Anthony Eden. Butler tinha mais votos para ser Primeiro Ministro mas a Rainha Elizabeth II mandou avisar o Partido Consrvador que não homologaria uma indicação de Butler. A Rainha sabia da tentativa de acordo de Butler com os alemães e a Casa Real jamais aceitou isso.  Butler fez tudo para manter seu ato em absoluto segredo mas quem devia saber soube. Terminou aí a carreira política de Butler.

Agora, o sueco Pritz explicou a razão. Elizabeth sabia da abordagem de Butler para um acerto com a Alemanha e considerava isso um ato de alta traição, Butler jamais poderia ser Primeiro Ministro sob seu Reinado.

"Entendimento com o inimigo" é ato que nenhum País com noção de Pátria pode tolerar.

O episódio me vem à mente com a espantosa notícia de que delatores brasileiros da operação Lava Jato vão aos EUA, ajudar a processar a PETROBRAS, com apoio da Justiça brasileira. É impressionante como esse fato não desperta nenhuma indignação na mídia nacional, passa em branco. É a completa perda da noção de PÁTRIA.

A Justiça de um País NÃO PODE ajudar a Justiça de outro País a processar uma empresa do próprio Estado de que faz parte. Nesse momento o Brasil é adversário dos EUA, a relação nesse caso é de litígio entre dois Estados soberanos, não importa as razões do processo, estão em jogo interesses nacionas definidos, os EUA querem extrair da Petrobras e portanto do Brasil o máximo de dinheiro e a Pertrobras e seu acionista controlador, o Estado brasileiro, querem não pagar nada ou pagar o mínimo possivel. Quanto mais forte estiver a acusação pior para o Brasil.

E não venham com essa historia de "acordo de cooperação judiciária". Acordos desse tipo se destinam a combater o crime organizado, o tráfico de drogas e armas, o terrorismo, NAÕ SE PRESTAM A UM ESTADO PROCESSAR O OUTRO, como um Estado (e a Justiça brasileira faz parte de um Estado) pode ajudar outro Estado a PROCESSA-LO? O Procurador brasileiro quando viaja aos EUA tem sua passagem paga pelo Estado brasileiro, vai lá ajudar a processar o Estado que lhe paga a Passagem? Não faz nenhum sentido. Po incrível que pareça, ninguém na mídia achou isso estranho.

Em nome de uma causa, a Justiça, não se pode vender a Pátria, que está acima da Justiça. A Petrobras é parte do Estado brasileiro, processá-la é processar o Brasil, a conta desses processos vai doer em nossos bolsos e não será pequena.

O Departamento de Justiça pensa em um minimo de US$1,6 bilhão de multa, a SEC em um valor um pouco menor, os acionistas minoritarios, que agora terão a colaboração da ex-gerente da Petrobras Venina Venosa como testemunha contra a Petrobras, pensam em um mínimo de US$2,5 bilhões para as seis ações coletivas, todas a cargo de advogados abutres especializados e que vão aparelhar suas ações com os processos criminais no Brasil e nos EUA.


A Monarquia britânica tem mil anos porque está nela entranhada a noção de Pátria, Butler teve a audácia de contactar com o inimigo em nome da Paz, mas a Pátria vem antes da Paz, a Pátria vem antes de causas internacionalistas, porque a Pátria é uma só e as causas são muitas. Quando os EUA caçam Snowden pelo mundo não é por pouca coisa. Traição à Pátria é coisa séria nos Estados Unidos, tão séria como é no Reino Unido e em todo País que se dá ao respeito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.