domingo, 24 de janeiro de 2016

As diferentes armas do Império

Via Diário Liberdade

Adriano Benayon - Publicado em Sexta, 22 Janeiro 2016 22:00


1. Neste final de ano [1], temos, no planeta, cenário preocupante, tal como em nosso subcontinente sulamericano.

2. Quanto à economia resumimos, em artigo anterior, a raiz estrutural da crise, que se afigura profunda no Brasil e que se pode acentuar, em função dos reflexos de novo colapso financeiro mundial.

3. No mundo, há uma luz no fim do túnel, em virtude do ressurgimento do poder militar da Rússia e da ascensão da China ao status de superpotência em todos os terrenos.

4. Isso coloca elementos de equilíbrio na balança do poder mundial, o que sempre foi condição necessária à autonomia de países que, de outro modo, ficam à mercê da potência hegemônica.

5. Há mais de 350 anos, o centro capitalista (financeiro) principal têm sido a City de Londres, controlada por poucas famílias, entre as quais a família real britânica.

6. O fato de terem os EUA galgado à condição de maior potência econômica e militar do planeta não significou mudança significativa nesse quadro, uma vez que a oligarquia britânica logrou ter como associados os maiores capitalistas norte-americanos, desde os Rockefeller, no Século XIX, e manter o comando das bases da finança expatriada (offshore).

7. Em suma, o império americano recebeu o bastão do império britânico e ambos juntos continuaram fomentar conflitos divisivos em todos os continentes, inclusive as duas Guerras Mundiais do Século XX, como antes fazia sozinha a Grã-Bretanha.

8. Dessas guerras, inesperadamente, formaram-se bases de poder distintas, na União Soviética – URSS (1917) e China (1949). Esta apenas começava nessa data, enquanto aquela se fossilizava, a partir dos anos 60, mas ainda evoluía em campos como a ciência e a indústria de defesa.

9. De qualquer modo, no período da Guerra Fria (1945-1990), o poder soviético assegurou a independência de vários países, como Índia e outros da Ásia e do Norte da África.

10. Isso não funcionou no continente americano, onde o caso de Cuba, foi exceção, que não chegou a incomodar muito o império, além de servir-lhe como vitrine das deficiências do sistema socialista.

11. Em geral, prevaleceu a situação exemplificada pelo México: próximo demais dos EUA e, portanto, longe demais de Deus, como lamentam patriotas daquele país.

12. O pior é que, com o desenvolvimento das tecnologias dos transportes e das comunicações, isso ficou valendo também para o Brasil, objeto de constante intervenção do império angloamericano, não só através de golpes militares (1945, 1954 e 1964).

13. O quadro mundial agravou-se ainda mais de 1990 a 2015, quando o poder angloamericano se tornou absoluto, com a derrocada da União Soviética, de seu poder no Leste da Europa e de sua influência no Oriente.

14. Isso viabilizou os massacres genocidas - com bombas de urânio lançadas do ar e teleguiadas de mísseis - que devastaram Sérvia, Afeganistão, Iraque e Líbia. Ademais, servindo-se do Iraque, arranjaram uma guerra contra o Irã, alvo até de armas químicas fornecidas pelos EUA, um dos pretextos para depois arrasar o Iraque.

15. Na Líbia, seu líder revolucionário realizara transformações que implicavam criar uma nação, onde antes havia somente tribos nômades e petróleo explorado pelas companhias ocidentais.

16. As divisas do petróleo passaram a ser empregadas no desenvolvimento humano e na infraestrutura do País, simbolizada pelo Grande Rio Artificial, base para o assentamento de povo em terras antes sáfaras.

17. Por isso e mais coisas, como a busca por liberar a Líbia da dependência ao dólar, Ghadafi tornou-se alvo de violenta agressão da França, EUA e demais "aliados" da OTAN, que destruiu completamente o país, tal como haviam feito no Iraque. Também, por ter confiado em negociações com os imperiais, renunciando a armamentos estratégicos.

18. Agora, a Rússia, graças a avanços tecnológicos aplicados à defesa, está evitando seja concluída a destruição da Síria, encetada há três anos, por meio de terroristas estipendiados pelos ocidentais e seus aliados como Turquia, Arábia Saudita e outros.

19. O desfecho desse embate será determinante para o futuro da humanidade.

20. No que nos diz respeito, continuamos sofrendo a pressão das armas, com a IV Frota estadunidense no Atlântico Sul e enorme número de bases militares em todas nossas fronteiras. Além disso, o estímulo a mitos como democracia e eleições livres, conspurcadas pela corrupção midiática e de outros tipos, inclusive a incidente sobre ocupantes dos poderes e instituições.

21. É sob esse fundo que se desenrola o conflito farsesco dos políticos no Congresso que se engalfinham por, tomando de assalto o governo, intermediar mais negócios antinacionais e embolsar as vantagens dessa vil corretagem.

Nota:


[1] artigo postado no dia 10/12/15 no site Dom total.

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