segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Mauro Santayana: O PRESIDENCIALISMO E A CONSPIRAÇÃO VERMELHA.


Sanguessugado do Mauro Santayana


 

(Jornal do Brasil) - Informações publicadas pelo jornal O Estado de São Paulo, na semana passada, dão conta de que a Procuradoria Geral da República teria enviado ao STF pedido de reversão da decisão do Ministro Teori Zavascki, de afastar da órbita da Operação Lava Jato, ações que não pertencem à sua jurisdição, como a relacionada à Eletronuclear, já encaminhada para o Juiz Marcelo Bretas, da Sétima Vara Federal, no Rio de Janeiro.

O pedido estaria baseado em duas justificativas, a de que “aponta “ação” (sic) de uma “sistemática” (sic) criminosa igual à investigada na Petrobrás” e a de que “um esquema único de “compra” de apoio político teria nascido na Casa Civil em 2004, com o objetivo de garantir a governabilidade e a permanência no poder. Para isso, segue o texto, “teriam sido distribuídos cargos em diferentes áreas do governo, gerando uma “máquina” “complexa” e estruturada de desvios para financiar partidos, políticos e campanhas eleitorais.”

Ora, se a questão é a “sistemática” ser igual, todos os crimes de latrocínio, por exemplo, deveriam ser investigados por um mesmo grupo e julgados pelo mesmo magistrado, já que têm uma mesma mecânica e um mesmo resultado.

Um único juiz ficaria responsável por todos os crimes de tráfico de drogas do país; a outro, seriam encaminhadas todas as ações relacionadas a estelionato, e vários inquéritos, envolvendo corrupção e financiamento indireto de candidatos e partidos, como o Mensalão “Mineiro”, o escândalo dos trens de São Paulo, e dezenas de outros, ainda dos tempos das privatizações, nos anos 90, também deveriam ser encaminhados ao Juiz Sérgio Moro, se – como demonstra a sua atuação no Caso Banestado – ele viesse a agir com o mesmo “rigor” e “empenho” com que está agindo agora.      

Neófitos em política – ou exatamente o contrário – os procuradores que encaminham o pedido ao STF (segundo a matéria, “ligados” ao Procurador Geral da República, Sr. Rodrigo Janot); assim como os seus colegas e o juiz que estão envolvidos com a “Operação Lava Jato” tentam, já há tempos,  transformar, aos olhos do país,  em uma sofisticada e acachapante conspiração, o que nada mais é do que o velho Presidencialismo de Coalizão em seu estado puro.

Um sistema com todos os defeitos e eventuais problemas de uma democracia em funcionamento pleno, que se desenvolve – como em qualquer lugar do mundo - na base da negociação de interesses de indivíduos, grupos de pressão, partidos políticos, funcionários públicos de confiança e de carreira e empresas estatais e privadas.

Sem obras – casas, pontes, estradas, refinarias, usinas hidrelétricas, ferrovias, navios, plataformas de petróleo - não há desenvolvimento e  não existem votos.

Desde que o mundo é mundo, e não desde 2004, como quer nos fazer acreditar a Operação Lava Jato, votam-se verbas para obras – aí estão as emendas parlamentares que não nos deixam mentir – indicam-se diretores de estatais, loteiam-se cargos entre partidos aliados, apresentam-se empreiteiras para a sua execução, realizam-se os projetos e as empresas – preventivamente - para evitar ficar de fora das licitações, ou antipatizar-se com gregos e troianos, financiam partidos e candidatos de todas as cores e de todos os matizes, porque não têm como adivinhar quem vai ganhar que eleição, ou qual será a correlação de forças que sobrevirá a cada pleito.

Esse esquema funciona, assim, desde os tempos do Império e da República Velha e se repete nos Estados, com as Assembléias Legislativas, e nos municípios, com os executivos e câmaras municipais, e, se o PT conspirou ou conspira para “manter-se no poder”, na essência e na lógica da atividade política, ele não faz mais do que faria qualquer outro partido;

Ou há alguém que acredite existir agremiação política que tenha como “objetivo” programático o abandono do poder?

Nisso, o PT, e os outros partidos, fazem o que sempre fizeram os chefes tribais, desde que deixamos de ser coletores e caçadores e nos reunimos em comunidades, ou os políticos gregos, ou os imperadores romanos, ou os reis medievais, ou os partidos e forças que antecederam a ascensão do próprio Partido dos Trabalhadores ao Palácio do Planalto, que, para manter-se nele, chegaram até mesmo a mudar o texto da Constituição Federal, para passar no Congresso – em polêmica e questionável manobra - o instituto da reeleição.

A Democracia - e o Presidencialismo de Coalizão, ou o Parlamentarismo, em que muito menos se governa sem negociação e conciliação de interesses - pode ter defeitos, mas ainda é o melhor sistema conhecido de governo.

Tendo, no entanto, problemas – e sempre os terá, em qualquer país do mundo, pois que se trata mais de um processo do que de um modelo acabado - cabe à classe política, que, com todas as suas mazelas, recebeu a unção do voto – todo poder emana do povo e em seu nome será exercido, ou já nos esquecemos disso? – resolvê-los e não ao Ministério Público, ou a um juiz de primeira instância fazê-lo.

E, muito menos, inventar com esse pretexto, uma teoria conspiratória cujo único objetivo parece ser o de garantir que se lhe transfira, a ele e ao seu grupo, cada vez mais poder e força.

Até mesmo porque, como todos os cidadãos, os jovens procuradores da PGR, assim como os da Operação Lava Jato e o juiz responsável por ela, têm, como qualquer brasileiro, suas preferências políticas, simpatias ocultas, idiossincrasias, seu time de futebol do coração, sua confissão religiosa, seu piloto preferido de Fórmula Um.

Afinal, como diz o ditado, o que seria do azul, se todos gostassem do amarelo?

O que não se pode esquecer é que, se quiserem fazer política, devem candidatar-se e ir atrás de votos e de um lugar no Parlamento, e não misturar alhos com bugalhos, ou querer exercer atribuições que não têm, e que não podem ter, nesta República, pois que não lhes foram conferidas por mandato popular.

Deve, portanto, quem está à frente da Operação Lava Jato, limitar-se, sem paixão, parcialidade, vaidade ou messianismo, tecnicamente, ao seu trabalho, que pode ser exercido por quaisquer outros policiais, procuradores ou juízes, em outros  lugares do país, respeitando-se a jurisdição, as regras e os limites impostos à sua atuação, porque nem mesmo a justiça pode se colocar - como muitos parecem ter se esquecido nos últimos tempos - acima da Lei e da Constituição, cujo maior guardião é, como reza o seu próprio nome, o Supremo Tribunal Federal.

Ninguém discute a necessidade de se combater a corrupção, de preferência - como nem sempre tem ocorrido – a de todos os partidos.

Ninguém também vai querer botar a mão no fogo com relação a partidos que, depois de chegar ao poder, deixaram entrar toda espécie de oportunistas, oriundos de outras agremiações, ou nomeados por governos anteriores, que depois fizeram falcatruas no cargo que estavam ocupando.

Como quase todos os partidos políticos, o PT teve seus acertos e também seus eventuais erros nos últimos anos, e deve enfrentá-los de frente, até mesmo porque a imensa maioria de seus militantes é correta, nacionalista, mão entrou no partido de pára-quedas e não andou por aí prestando "consultorias". 

O que não se pode aceitar é pôr ao alcance de apenas uma pessoa, de um único juiz, um imenso universo de milhares de empresas que realizaram negócios com o governo federal nos últimos anos, em qualquer lugar ou circunstância, colocando automaticamente sob suspeição qualquer pessoa que tiver, em princípio, feito negócios com qualquer uma dessas empresas.

Também não se pode agir, como se partidos de oposição não tenham estado envolvidos, antes e depois de 2004, em alguns dos maiores escândalos de corrupção da história recente, dos mais antigos, como o do Banestado, passando pelos mais simbólicos, como o do Mensalão “Mineiro”, aos mais novos, como o do Trensalão Paulista – cujo inquérito está completando seu primeiro aniversário na gaveta do Ministério Público de São Paulo - todos abafados, ou conduzidos de forma a prescreverem, ou não se punirem os seus principais envolvidos, não lhes acarretando - por parte da justiça, ou da mídia, até agora - quase que nenhuma conseqüência.

Também não se pode acreditar que só o governo federal possa corromper, porque, como explicam os que acreditam nessa fantasiosa teoria conspiratória, é a União que teria a "caneta".

Como, se, por acaso, a oposição também não tivesse a sua, em alguns dos principais estados e municípios do país, como é o caso, emblemático, de São Paulo, unidade da Federação na qual arrecada – e administra - aproximadamente 150 bilhões de reais por ano em impostos, há mais de duas décadas.

Não podemos agir como se a corrupção, no Brasil, tivesse sido inaugurada com o estabelecimento de uma espécie de Protocolo dos Sábios do Sião, do PT, ao urdirem uma conspiração nordestino-bolchevista internacional, com estreitas ligações com o "bolivarianismo", e o "perigosíssimo" Foro de São Paulo, para dominar a América Latina, e, quem sabe - como o "Pink" e o "Cérebro" do desenho animado - o mundo.

Uma conspiração “comunista” que passou o país da décima-terceira economia do mundo, em 2002, para a oitava maior, agora; que pagou, rigorosamente, sem contestar, toda a dívida que tínhamos com o FMI; que emprestou generosamente – e por isso também tem sido acusada – dinheiro do BNDES para empresas privadas, não apenas nacionais, mas também multinacionais; que acumulou mais de 370 bilhões de dólares em reservas internacionais, aplicando-as majoritariamente em títulos do seu, teoricamente, arqui-inimigo,  Estados Unidos da América do Norte; que deu aos bancos alguns dos maiores lucros de sua história; que praticamente duplicou a porcentagem de crédito na economia; e diminuiu a dívida líquida pública pela metade nos últimos 13 anos.         

Como se, anteriormente, partidos não negociassem alianças e coligações, nem as financiassem, como fez o PT, no caso da Ação 470, ajudado em um empréstimo, pago, depois, a um banco, obtido pelo Sr. Marcos Valério, que, claro, para o Ministério Público, ao que parece, é como se nunca tivesse trabalhado para o PSDB antes.

Como se os 12 Sábios do Sião do PT, reunidos, bebendo cachaça, em algum boteco do ABC, tivessem resolvido, inédita e insidiosamente, em certo encontro secreto, primitivo e clandestino, corromper a pobre classe política nacional - tão ingênua e impoluta como um bando de carneiros - e também o empresariado brasileiro.

Como se, anteriormente, nenhuma empreiteira fizesse doação de campanha, ninguém fosse a Brasília para conseguir obras, não existisse lobby nem Caixa 2, políticos e ex-políticos não prestassem “consultorias” a empresas particulares, e nem se montasse a  negociação de partidos para aprovação de medidas provisórias, ou de emendas, como, por exemplo, lembramos mais uma vez, a da reeleição do Sr. Fernando Henrique Cardoso.

E a Nação dormisse, inocente e serena, sonhando com flores e passarinhos em berço esplêndido, e tivesse sido despertada violentamente, de repente, por um emissário do inferno, vermelho e barbudo como o diabo, que chegou do Nordeste de pau de arara, para acabar com o seu sono e conspurcar-lhe, covarde e impiedoso, a virginal moralidade que ostentava antes.

Finalmente, se formos nos deixar dominar pela imaginação e pelo delírio conspiratório, qualquer um poderá pensar e afirmar o que quiser.

Até mesmo que pode haver, mesmo, uma conspiração em curso.

Mas não para entregar o Brasil ao PT ou ao comunismo.

Mas para derrubar, usando como biombo uma campanha  anticorrupção pseudo moralista, seletiva,  dirigida e  paranoica, um governo legitimamente eleito há pouco mais de um ano.

Trabalhando deliberadamente para chegar, de qualquer forma, e o mais depressa possível, à Presidente da República, na tentativa de tirá-la do Palácio do Planalto da forma que for possível, com um jogo escalado e proposital de prisões sucessivas e de “delações”.



Uma espécie de “corrente” no qual uma pessoa é presa – seja por qual motivo for (na falta de provas, muitos podem imaginar que se estejam produzindo “armadilhas”, suposições, ilações, combinações) e delata outra, que também é presa e passa a participar, obrigatoriamente, da trama, delatando também o próximo da “fila” – ou o novo degrau de uma escada que até mesmo no exterior já se imagina aonde vai chegar - sob pena, caso se recuse, de permanecer anos e anos na cadeia sem nenhuma garantia ou perspectiva real de proteção por parte do direito ou da justiça, enquanto bandidos apanhados com contas de milhões de dólares no exterior vão sendo, paulatina e paradoxalmente, soltos.

Tragédia no Chile x Tragédia no Brasil

GilsonSampaio




"Essa não é uma tragédia que aconteceu sem aviso. Em 2013, o Ministério Público de MG avisou num documento, que é quase uma profecia, que Bento Rodrigues estava sob ameaça terrível. E nenhuma providência foi tomada. Nem sequer as sirenes para avisar a população estavam instaladas. Foram instaladas dois dias depois do desastre. É uma piada pronta", criticou Laura Capriglione.A jornalista ainda comparou a atuação do governo chileno no resgate dos mineiros com a do governo na tragédia em Mariana. Confira o Observatório da Imprensa na íntegra: http://bit.ly/1lKAZIl
Posted by TV Brasil on Sexta, 27 de novembro de 2015

Boca de caçapa dá vexame internacional

GilsonSampaio




A carteira de Netanyahu

Sanguessugado do Informação Incorrecta  



Max 


Benyamin Netanyahu ficou zangado.


Coitadinho.

A razão é a decisão da União europeia de rastrear os produtos israelitas oriundos dos territórios ocupados, quais a Cisjordânia e o Golã: na prática, os territórios fora das fronteiras de 1967. São os territórios ocupados ilegalmente, subtraídos com a força aos Palestinos.

Mas israel vai além disso: não apenas ocupa e envia colonos, como também afasta os donos originários e a seguir explora os recursos. Os produtos assim obtidos são vendidos como made in israel. É o famoso "direito à defesa" tanto proclamado por Tel Avive.

A decisão da União tenciona informar os consumidores europeus com uma rotulagem que identifica toda a cadeia de abastecimento dos produtos assim obtidos, desde o fabricante até o importador e o vendedor ao varejo. Tais produtos ficam excluídos dos benefícios aduaneiros.

É uma boa ideia (até desconfio que não tenha nascido em Bruxelas: é demasiado inteligente) porque atinge os interesses económicos do País ocupante e revela uma prática ilegal: aquela dos bens made in israel obtidos nas terra palestinianas. Mas Netanyahu não apreciou: provavelmente não tem sentido de humor.

Quando a proposta foi aprovada, há algumas semanas, o líder israelita tinha afirmado o seguinte:
A União Europeia deveria ter vergonha: a iniciativa europeia mostra um duplo padrão e apenas contra Israel, em vez que contra as 200 outras disputas ao redor do mundo.
Que podemos traduzir assim: "dado que o mundo está cheio de problemas, nós temos o direito de continuar a fazer o que nos apetece". Um ponto de vista interessante, por acaso parecido com aquele da Alemanha de 1939. A única diferença é que os nazis pelo menos não utilizavam os problemas do mundo como álibi.

Mas Netanyahu não está interessado nos recursos históricos e continua:
A UE tomou uma decisão em nome do partido que faz ataques terroristas.
Tanto para não confundir as coisas: com a expressão "partido que faz ataques terroristas" Netanyahu fala aqui de Hamas, não do seu próprio partido. Mas o líder de israel aparentemente nem liga a certas coisas:
A economia israelita é forte e pode lidar com isso, aqueles que serão afectados serão os palestinos que trabalham em fábricas israelitas.
Bingo! A medida da União afinal é um boomerang: quem paga são os escravos que trabalham nas empresas dos colonizadores. Pelo menos em teoria. Porque a prática diz que não, dado que ontem Netanyhau voltou à carga: o Ministério israelita da Educação não recomendou as viagens dos estudantes na Europa, excepto para a Polónia, onde vão continuar as visitas de estudo nos campos de concentração nazistas (no Holocausto não se mexe!).

Admitimos: como medida de retaliação não é particularmente assustadora. Também Netanyahu deve ter percebido isso. Pelo que, o líder anunciou também quer pretende "rever" a cooperação com a União: israel continuará a manter "contactos diplomáticos com Países europeus como Alemanha, França e Grã-Bretanha, mas não com as instituições europeias". A medida interessará sobretudo o papel da Europa no processo de paz entre israel e a Palestina.

Isso sim que é aterrador. Netanyahu ameaça continuar a fazer o que sempre faz: ignorar as contribuições num processo de paz que não existe. Após esta notícia é difícil que os cidadãos europeus consigam dormir à noite.

Como referido, até hoje os produtos dos colonatos em territórios ocupados eram rotulados como sendo made in israel: mas estas trocas comerciais, que em 2014 representaram 154 milhões de Euros, são todas ilegais segundo o direito internacional. O montante envolvido é reduzido, mas o que importa aqui é o sinal. É isso que preocupa israel.

Sabemos que o simpático Netanyahu não é um especialista em direito internacional, sobretudo quando o direito é aquele dos outros: mas a União Europeia limita-se a aplicar medidas em linha com o tal direito. Alguns Países europeus já tinham introduzido autonomamente leis no mesmo sentido (Grã Bretanha, Dinamarca e Bélgica): agora esta regra irá abranger todos os Países da União.

Aos Estados é deixada a escolha se publicar ou menos todo o percurso dos bens (fabricante-importador-varejista), mas a indicação do local de produção (os territórios ocupados) é obrigatória desde hoje.

Uma boa medida, que pode ser incompleta, mas não deixa de ser boa: se queres enerva-los, mexes-lhes na carteira.


Ipse dixit.


Fonte: Il Correire della Sera, La Repubblica

Putin e Hollande vão atrás da gambiarra de Erdogan.

Sanguessugado do Btpsilveira             

E como pode ninguém entre os componentes do COF – em especial os (norte)americanos – nada terem feito para impedir “Mirim” e outros da mesma laia de na realidade financiar o Estado Islâmico através dessa gambiarra por tanto tempo? A CIA, claro, sabia de tudo isso e muito mais, dado os satélites geoestacionários trabalhando em regime de tempo integral sobre o “Siriaque”.


Pepe Escobar         
tradução mberublue                

28 de novembro de 2015 "Information Clearing House" - "RT" – A coisa toda começou quando o presidente da França, Monsieur François Hollande, logo após os ataques em Paris, teve a ideia temerária de trabalhar lado a lado com a Rússia, naquela mesma coalizão que luta de verdade contra o Estado Islâmico na Síria.


O presidente da Turquia, Sr. Recep Tayyip “sem desculpas” Erdogan pensou que a estas alturas, a OTAN e a Rússia já estariam um na garganta nuclear do outro, uma espécie de Guerra Fria 2.0, já que Washington rebateu a ideia de Hollande com a costumeira pletora de platitudes e distorções.

Pois em menos de 17 segundos o Primeiro Ministro turco Ahmet “eu mesmo dei a ordem” Davutoglu tinha autorizado a derrubada do bombardeiro russo SU-24 – apenas algumas horas antes de Hollande se encontrar com o presidente Obama.


Tudo parecia se encaixar às mil maravilhas. Nada parecia indicar uma nova détente entre as potências atlanticistas e a OTAN. Pelo contrário. Erdogan já tinha como favas contadas que havia sabotado uma reunião produtiva tête-à-tête entre Putin e Hollande em Moscou.


Devagar com o andor, Sultão.


A Rússia e a França não serão separadas, afirmaram em Moscou Hollande e Putin. O chefe de Estado Francês declarou: “Nós concordamos, e isso é o que importa, que atacaremos apenas os terroristas e o Estado Islâmico e não as forças que lutam contra o terrorismo. Trocaremos informações e dados sobre quem atacar e quem não atacar.”


A emoção se revela conforme se descortina o horizonte. Na seção “atacar” nós Já podemos colocar tranquilamente o Estado Islâmico e a Jabhat al-Nusra, também conhecida como al Qaeda na Síria, ambas já definidas como organizações terroristas pelas negociações em Viena.


Considerando então que a al-Nusra tenha absorvido, cooptado ou instrumentalizado uma vasta gama de outras organizações salafistas, “moderadas”  ou não, parece claro que não será muito difícil para os russos convencer os franceses sobre quais são os alvos legítimos.


É também muito significativo que a França pode aumentar seu apoio aos “rebeldes” que estão combatendo o Estado Islâmico no terreno; o que significa o código para denominar os sírios curdos do YPG – uma das Nêmesis de Erdogan, ao lado do PKK.


Dessa forma, o investimento de risco do Sultão na derrubada de jatos russos não está dando os lucros esperados. E quem se importa se Hollande vier com a velha cantilena dos Estados Unidos de que “Assad tem que sair” enquanto Putin reafirma que “o destino do presidente da Síria deve ser colocado em mãos do povo da Síria”? Todos já sabem que a prioridade das conversações em Viena não era esta. Como foi declarado explicitamente pela declaração de guerra embutida na resolução 2249 CSNU – a prioridade principal é esmagar o Estado Islâmico.


Para coroar o bolo com uma enorme cereja, Putin e Hollande chegaram a um consenso: deve acontecer uma dura barragem de bombardeios contra os comboios de caminhões tanques que transportam petróleo roubado na Síria pelo Estado Islâmico através dos territórios controlados pelo Estado Islâmico demandando a Turquia.


Os bombardeios transformarão em cinzas a lucrativa gambiarra do filho do “Sultão”, Bilal Erdogan, também conhecido como “Erdogan mirim” um dos três acionistas da empresa de transporte marinho BMZ.


Mandem os Sukhois!


Putin mandou um míssil de cruzeiro recheado de sarcasmo quando disse que, afinal de contas, era “teoricamente possível” que o governo em Ancara realmente não soubesse que havia petróleo sírio roubado entrando em território turco por pontos controlados pelo Estado Islâmico, mas acrescentou que era difícil acreditar.


Para não ficar no terreno das teorias, um dos sistemas de mísseis de defesa S-400 AA já foi instalado e está pronto para combate na base aérea de Hmeymim, e outro está a caminho.


O “Sultão” não pode mais dizer que não foi avisado: A partir de agora a Rússia tem três prioridades principais:


1) – Uma zona real de exclusão aérea já efetiva no sul da fronteira entre a Turquia e a Síria, reforçada por S-400s. Ancara já está se assustando até com corujas e corvos.


2) –  Também já efetivos: A Rússia vai atingir – duramente – qualquer coisa que se mova de maneira suspeitosa em cada corredor de transporte dentro e fora do território turco. Os comboios “humanitários” turcos que transportam – o que mais? – armas, foram pulverizados  em Azaz, a qual fica a apenas cinco quilômetros da fronteira com a Turquia. Outros pontos de distribuição de caminhões também foram bombardeados peto de Raqqa.


3) – Já funcionando: a Rússia vai bombardear de forma maciça toda aquela ampla região onde os operadores da CIA transitam por uma auto estrada para entregar numerário e armamento ao FSA (Exército Livre da Síria) e para os “inocentes” turcomenos. A Rússia iniciou um bombardeio de tapete na área turcomena de Jabal logo após o resgate do tenente-coronel Oleg Pershin, piloto russo abatido com o SU-24.


Como eu já detalhei aqui, não há ninguém “inocente” em toda essa maldita zona de guerra cheia de milícias turcomenas ligados por laços de amizade à al Qaeda.


E tem mais:


A Rússia não só vai destruir as conexões entre as milícias Islamo-Fascistas Turcas/Chechenas/Usbeques/Turcomenas na província de Latakia; vai também destruir até os alicerces a farra do roubo de petróleo que é a fonte dos lucros do “Erdogan Mirim”, com um bônus extra: esmagará também os navios tanques no mar. François Hollande concorda.


Assim, o “Erdogan Mirim” faria melhor se buscasse refúgio em Dubai. Mas pera aí, como vai fazer para evitar um “acidente” qualquer na noite selvagem da cidade?


Autoestrada para o inferno


Por enquanto, Erdogan e seu “Mirim” devem ter tomado conhecimento da mensagem. Eles pensavam que estavam a coberto quando derrubaram o SU-24, que aliás não “violava” nada a não ser a super lucrativa gambiarra com petróleo roubado que enchia de dinheiro, entre outros, o “Mirim”. Livrar-se de uma operação de venda de petróleo que abastece os programas do Estado Islâmico desafiando o embargo de petróleo da OTAN? Esta é uma oferta que a Rússia não pode recusar...


Ao menos duas questões importantes ficam sem resposta. Como é que pode a coalizão liderada pelos Estados Unidos, a “Coalizão de Oportunistas Finórios – COF”, nunca, em mais de um ano – e a palavra correta é esta: nunca – conseguiram bombardear ao menos uma das rodas da máquina de roubar petróleo na Síria?


E como pode ninguém entre os componentes do COF – em especial os (norte)americanos – nada terem feito para impedir “Mirim” e outros da mesma laia de na realidade financiar o Estado Islâmico através dessa gambiarra por tanto tempo? A CIA, claro, sabia de tudo isso e muito mais, dado os satélites geoestacionários trabalhando em regime de tempo integral sobre o “Siriaque”.


Bom. Temos que levar em consideração que a CIA estava por demais ocupada rodando para lá e para cá nas rodovias através das montanhas turcomenas para entregar armas e dinheiro, para que se preocupasse com meras operações de petróleo contrabandeado.


Acontece que agora a Rússia está indo atrás de tudo isso. Da rodovia de entrega de armas da CIA, a rodovia colocada à disposição pela Turquia para os jihadistas, a rodovia de escoamento de petróleo roubado Estado Islâmico/Turquia. O Sultão e seu “Erdogan Mirim” que se preparem para rodar por uma autoestrada que leva direto ao inferno.


Pepe Escobar - é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna no Asia Times Online; é também analista de política de blogs e sites como:  Sputinik, Tom Dispatch, Information Clearing House, Red Voltaire e outros; é correspondente/ articulista das redes Russia Today e Al-Jazeera.



Pequena nota aos leitores, pelo tradutor: a partir desta publicação, nós traduziremos ISIL/ISIS/Daesh sempre como “Estado Islâmico”. Embora sabendo que não se trata de um Estado na forma como entendemos a palavra nem é islâmico na forma que os adeptos reais do Islã entendem, é a forma como ficou conhecida a organização terrorista que leva este nome. Para a boa compreensão dos textos, a partir de agora sempre mencionaremos a organização terrorista como “Estado Islâmico”.

Dono do BTG pagou R$ 45 milhões a Eduardo Cunha por MP dos bancos, diz Janot

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Britoc


Agora há pouco a Folha divulgou que, entre os papéis apreendidos na casa do banqueiro André Esteves, do Banco BTG Pactual, há o registro do pagamento de R$ 45 milhões a Eduardo Cunha, a serem repartidos com outros deputados do PMDB, pela votação de alterações numa Medida Provisória que tratava de créditos tributários devidos pelo sistema bancário.

Cunha, claro, nega e diz que “parece armação”.

Janot escreve em sua petição pela manutenção da prisão de Esteves, o que foi deferido por Teori Zavascki, que “em troca de uma emenda à medida provisória nº 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de 45 milhões de reais”,segundo a Folha. Teriam participado da operação Carlos Fonseca, diretor do BTG e um certo Milton Lira, que poderia ser Milton Lyra, acusado de negócios em favor de Renan Calheiros.

Embora pudesse parecer, até pouco tempo atrás, inverossímil que se fosse deixar registros tão evidentes de tal tipo de negociata, depois das gravações de Delcídio Amaral não se pode duvidar de nada.


E começa a mostrar como Cunha montou a sua “base de apoio” para conquistar a Presidência da Câmara.

domingo, 29 de novembro de 2015

Delcídio para nós


Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Jânio Freitas


As dúvidas sobre a propriedade da prisão de Delcídio do Amaral, decretada por cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, vão perdurar por muito tempo. Assim como a convicção, bastante difundida, de que a decisão se impôs menos por fundamento jurídico e equilíbrio do que por indignação e ressentimento com a crença exposta pelo senador, citando nomes, na flexibilidade decisória de alguns ministros daquele tribunal, se bem conversados por políticos.

Às dúvidas suscitadas desde os primeiros momentos, estando o ato do parlamentar fora dos casos de prisão permitida pela Constituição, continuam tendo acréscimos. O mais recente: Delcídio planejou a obstrução judicial que fundamentou a prisão, mas não a consumou. E entre a pretensão ou tentativa do crime e o crime consumado, a Justiça reconhece a diferença, com diferente tratamento.

A sonhadora reunião de Delcídio até apressou a delação premiada de Nestor Cerveró, buscada sem êxito pela Lava Jato há mais de ano. Ali ficou evidente que seu advogado Edgar Ribeiro estava contra a delação premiada. Isso decidiu o ex-diretor da Petrobras, temeroso, a encerrar aceitá-la, enfim.

Em contraposição às dúvidas sem solução, Delcídio suscitou também temas e expectativas que tocam a preocupação ou a curiosidade de grande parte da população. Sabe-se, por exemplo, que Fernando Soares, o Baiano, ao fim de um ano depositado em uma prisão da Lava Jato, cedeu à delação premiada. O mais esperado, desde de sua prisão, era o que diria sobre Eduardo Cunha e negócios com ele, havendo já informações sobre a divisão, entre os dois, de milhões de dólares provenientes de negócios impostos à Petrobras.

Informado dos depoimentos de Baiano, eis um dos comentários que o senador faz a respeito: ele “segurou para o Eduardo”. Há menções feitas por Baiano que não foram levadas adiante pela escassa curiosidade dos interrogadores. Caso, por exemplo, de um outro intermediário de negociatas citado por Baiano só como Jorge, sem que fossem cobradas mais informações sobre o personagem e seus feitos. Mas saber tudo o que há de verdade ou de fantasia em torno do presidente da Câmara é, neste momento, uma necessidade institucional e um direito de todo cidadão.

Se Fernando Baiano “segurou para Eduardo Cunha”, a delação e os respectivos prêmios -a liberdade e a preservação de bens- não coincidem com o que interessa às instituições democráticas e à opinião pública. E não se entende que seja assim.

Entre outras delações castigadas de Delcídio, um caso esquisito. Investigadores suíços confirmaram, lá por seu lado, que Nestor Cerveró tinha dinheiro na Suíça. Procedente de suborno feito pela francesa Alstom, na compra de turbinas quando ele trabalhava com Delcídio, então diretor Gás e Energia da Petrobras em 1999-2001, governo Fernando Henrique. A delação do multipremiado Paulo Roberto Costa incluiu o relato desse suborno. Mas a Lava Jato não se dedicou a investigá-lo e o procurador-geral da República o arquivou, há oito meses. Os promotores suíços foram em frente.

Na reunião da fuga, Delcídio soube com surpresa, por Bernardo, que Cerveró entregara o dinheiro do suborno ao governo suíço, em troca de não ser processado lá. É claro que a Lava Jato e o procurador-geral da República estiveram informados da transação. E contribuíram pela passividade. Mas o dinheiro era brasileiro. Era da Petrobras. Foi dela que saiu sob a forma de sobrepreço ou de gasto forçado. Não podia ser doado, fazer parte de acordo algum. Tinha que ser repatriado e devolvido ao cofre legítimo.

A Procuradoria Geral da República deve o esclarecimento à opinião pública, se fez repatriar o dinheiro do suborno ou por que não o fez. E, em qualquer caso, por que não investigou para valer esse caso. Foi ato criminoso e os envolvidos estão impunes. Com a suspeita de que o próprio Delcídio seja um deles, como já dito à Lava Jato sem consequência até hoje.


Mas não tenhamos esperanças. Estamos no Brasil e, pior, porque a ministra Cármen Lúcia, no seu discurso de magistrada ferida, terminou com este brado cívico: “Criminosos não passarão!” [toc-toc-toc, esconjuro] Foi o brado eterno de La Passionaria em Madri, que não tardou a ser pisoteada pelos fascistas de Franco. De lá para cá, em matéria de ziquizira, só se lhe compara aquele [ai, valei-me, Senhor] “o povo unido jamais será vencido”, campeão universal de derrotas.

sábado, 28 de novembro de 2015

Como o PT blindou o PSDB e se tornou alvo da PF e do MPF



O governo Lula profissionalizou a Polícia Federal, mas não fez o mesmo com a política


Luis Nassif 


Mais do que questões partidárias, a motivação maior da Operação Lava Jato é a revanche de duas operações anteriores que foram sacrificadas pelo jogo político: a Satiagraha e a Castelo de Areia. E é um exemplo eloquente dos erros de Lula e do PT em relação à Polícia Federal.

No primeiro governo Lula, o Ministro Márcio Thomas Bastos mudou a face da PF e do combate ao crime organizado no país. O reaparelhamento da PF, a criação da Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência), o preparo de procuradores e policiais federais para, junto com técnicos da Receita e do Banco Central, entender os becos intrincados do sistema financeiro, tudo isso fez parte de um processo que mudou o patamar de competência tanto da PF quanto do MPF.

Tinha-se, agora, pela primeira vez no país um sistema de combate ao crime organizado e, ao lado, um modelo político ancestral trafegando na zona cinzenta da legalidade, cujos exemplos anteriores foram as revelações trazidas pelas CPIs do Banestado e dos Precatórios.

Estimulados, os agentes e procuradores saíram a campo para enfrentar o maior desafio criminal brasileiro: desbastar a zona cinzenta onde circulavam recursos do narcotráfico, de doleiros, de corrupção pública e privada, de esquentamento de dinheiro, das jogadas financeiras, e por onde passavam as intrincadas relações entre política e negócios que estavam na base da governabilidade do país.

Quando calhava de delegados e procuradores encontrarem um juiz justiceiro de primeira instância, colocava-se em xeque todo o sistema de blindagem historicamente praticado no país.

Duas das mais expressivas operações - a Satiagraha e a Castelos de Areia - pegavam o coração da máquina tucana.

A primeira centrava fogo em Daniel Dantas, do Banco Opportunity, principal beneficiário do processo de privatização, sócio da filha de José Serra, administrador dos fundos do Instituto Fernando Henrique Cardoso, pessoalmente favorecido por ele, quando presidente da República,  em episódios que se tornaram públicos - como seu jantar no Palácio do Alvorada, cuja sobremesa foi a cabeça de dirigentes de fundos de pensão que se opunham a ele.

A segunda, a Castelo de Areia, pegava na veia os acordos de empreiteiras com os governos José Serra e Geraldo Alckmin. Quem leu o inquérito garantia haver provas robustas, inclusive, dos acertos para tirar das costas dos presidentes de empreiteiras a responsabilidade criminal pelas mortes no acidente com o Metrô.

Satiagraha foi abortada pela ação conjunta do Ministro Gilmar Mendes - defendendo o seu grupo político - e do próprio Lula, afastando Paulo Lacerda da Abin e os policiais que conduziam a operação, depois dos factoides plantados pela Veja e por Gilmar. E também devido às investidas da operação sobre José Dirceu.

Foi a primeira chaga aberta nas relações da PF com o PT e Lula.

No caso da Castelo de Areia, a alegação foi de que a investigação começou a partir de uma denúncia anônima. Especialistas que analisaram o inquérito, do lado das empreiteiras, admitem que não havia erro processual. O inquérito era formalmente perfeito. Terminou no STJ de forma estranha, negociado pelo ex-Ministro Márcio Thomas Bastos, na condição de advogado da Camargo Correia.

Foi assim que o PT, através de seus Ministros e criminalistas, livrou o PSDB dos seus dois maiores pepinos, mas ficou com uma conta alta espetada nas costas.

A revanche veio no pacto da Lava Jato, entre PF, MPF e o sucessor de Fausto De Sanctis: Sérgio Moro - que teve papel central não apenas na Lava Jato mas na AP 470, do mensalão, como assessor da Ministra Rosa Weber.

A rebelião da primeira instância

A anulação da Satiagraha e da Castelo de Areia nos tribunais superiores produziu intensa revolta entre juízes de primeira instância, MPF e PF.

Tome-se o caso da Satiagraha.

A lei diz que decisão de juiz de primeira instância precisa passar primeiro pela segunda e terceira instância até chegar ao STF (Supremo Tribunal Federal). No controvertido episódio da concessão de dois habeas corpus, Gilmar Mendes atropelou a lei e as próprias decisões do juiz Fausto De Sanctis e mandou soltar os detidos.

Houve abusos, sim. O show midiático com a TV Globo, a prisão do ex-prefeito Celso Pitta, já doente terminal e outros. Mas também foi  divulgada uma conversa de Dantas afirmando que o desafio seria passar pela primeira instância, pois nas instâncias superiores havia "facilidades".

Conseguiu não apenas os dois HCs de Gilmar, como sua participação em dos factoides criados para a revista Veja e, depois, trancar a ação no STJ (Superior Tribunal de Justiça), de onde até hoje não saiu.

Todo o desgaste da Satiagraha e da Castelo de Areia, perante a opinião pública transformou-se em blindagem para a Lava Jato. Com o agravante de, no Ministério da Justiça, encontrar-se o mais inodoro Ministro da história da República.

Se os alvos fossem tucanos e o Ministro relator do STF Gilmar Mendes, não haveria problemas. Gilmar atropelaria a lei e concederia os HCs. E o Ministro Cardozo agiria valentemente em nome do “republicanismo”.

Agora, tem-se na relatoria do STF um Ministro técnico, formalista, sem vinculações partidárias. No Ministério da Justiça, um Ministro anódino, incapaz de conter os abusos “em nome do republicanismo”. Na Procuradoria Geral da República, um procurador geral empenhado com a sua reeleição tendo como principal opositor um colega que critica sua "leniência" (!!!) na Lava Jato. Finalmente, uma imprensa que ajudou a liquidar com a Satiagraha pelas mesmas razões que, hoje em dia, defende a Lava Jato.

Como é um jogo de poder, procuradores, delegados, Moro não se pejam em montar alianças com grupos de midia claramente engajados no jogo de interesses políticos e comerciais, alguns deles em aliança com o crime organizado.

O jogo poderia ter se equilibrado um pouco se o PGR aplicasse a lei e atuasse contra vazamentos de inquéritos sigilosos ou pelo menos aceitasse a denúncia contra Aécio Neves. Seria uma maneira de mostrar isenção e impedir a exploração política do episódio.

Mas hoje em dia a corporação MPF é fundamentalmente anti-PT. A ponto de fechar os olhos quando um ex-PGR, Antonio Fernandes dos Santos, livrou Dantas do mensalão e, logo depois, aposentado, ganhou um mega-contrato da Brasil Telecom, quando ainda controlada pelo banqueiro.


Enfim, o PT colhe o que plantou. E o PSDB planta o que não colheu.

A luta de classe de Gilmar Mendes




Agora, carta aberta ao ministro Gilmar Mendes, do STF

Nessa mesma linha o senhor não titubeou em aprovar as candidaturas dos fichas sujas José Roberto Arruda e Paulo Maluf, homens que desbotam e desonram a política brasileira.

Dom Orvandil

 Imagem desse bloguezinho mequetrefe
 


Prezado ministro Gilmar Mendes


Certamente o senhor conhece a enorme repercussão social da infeliz e classista manifestação da ministra Carmen Lúcia na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral, cujo discurso foi objeto de uma carta aberta minha (o senhor pode relê-la aqui).


Nesta sexta feira o senhor completou o colorido sombrio de casa grande sobre o País da senzala.


Numa associação de advogados em São Paulo no dia 27 de novembro deste ano o senhor afirmou, para meu estarrecimento e o de milhões de irmãos brasileiros, porque fora de qualquer exercício da magistratura e do juízo de qualquer processo, algo de impressionar pelo caráter de seu compromisso ideológico, costumeiramente negado, como é de praxe entre pessoas de sua tez política: “Nessa campanha, a presidente Dilma disse, como candidata: nós fazemos o diabo para ganhar a eleição. O presidente Lula disse, em algum momento, na presença da candidata Dilma: eles não sabem o que nós somos capazes de fazer para ganhar a eleição. Agora a gente sabe o que eles podem fazer para ganhar a eleição, mas não na urna, em outro campo”.


Ora ministro, o senhor é um homem culto (no sentido de sua qualificação acadêmica com um curso de graduação em direito, dois mestrados e um doutorado) e sabe muito bem que até numa roda de cerveja com amigos as falas das pessoas são contextuais e pertencem a um universo amplo. O que o senhor citou de uma fala do ex-presidente Lula e outra da Presidenta Dilma, candidata a reeleição em 2014, fora dos devidos contextos, onde se encontram o sentido do que disseram, o senhor não as refere.


Ao não contextualizar o discurso alheio o senhor dá novo significado, que diversam extremamente do que as duas personalidades disseram. Isso em metodologia científica e do ensino superior é chamado de desonestidade intelectual.


A partir daí o senhor infere, para mim movido de extraordinária má-fé, que os dois – um fazendo o diabo para ganhar a eleição, a outra de que os inimigos do povo, a direita, os fascistas, não sabem de que somos capazes para ganhar a eleição – de que os tais candidatos compraram de votos e que suas respectivas eleições são produtos da corrupção praticada por eles.


É o que senhor diz ao afirmar: “A gente fica imaginando (o senhor realmente é dotado de fantástica imaginação) a captação do sufrágio como a compra do eleitor via distribuição de telha, saco de cimento, tijolo. Na verdade, em termos gerais, dispõe-se da possibilidade de fazer políticas públicas para aquela finalidade. Aumentar Bolsa Família em ano eleitoral, aumentar o número de pescadores que recebem a Bolsa Defeso. Em suma, fazer este tipo de política de difícil impugnação inclusive por parte dos adversários. A Justiça Eleitoral será que estaria preparada para este tipo de debate? O que resulta disto é um déficit de R$ 50 bilhões estimado pelo TCU (Tribunal de Contas da União)” (veja mais aqui).


Quer dizer, ministro Gilmar, para o senhor o Estado assumir a responsabilidade, com projetos aprovados e amparados pelo Congresso Nacional, pelas mazelas que durante anos e séculos a classe dominante, pelo senhor defendida e aplaudida, jogando famílias brasileiras aos milhões na miséria e na pobreza, é compra de votos?


Para o senhor retirar seres humanos da extrema desumanidade numa sociedade que se acostumou e até acha normal passar por filas de desempregados, por crianças, mulheres e homens mendigando nos semáforos, é comprar eleitores?


Para o senhor acolher os direitos à cidadania por parte de negros, negras e indígenas jogados ao lixo como seres de terceira classe, é comprar votos?


Dar direito ao voto aos pobres e abraçá-los nas eleições para que ajudem a redesenhar a democracia, antes somente privilégio de brancos, de ricos e de proprietários mandantes dos famosos votos a cabresto, é compra de sufrágios e corrupção?


O senhor “imagina” que o direito de votar dos pobres não é conquista assegurada pela Constituição Federal, mas invenção de Lula – fazedor de diabos – e de Dilma – que, segundo o seu discurso, “faz qualquer coisa” para vencer pleitos – e não do povo composto por trabalhadores, pobres, jovens sem oportunidade de estudar e de crescer, que nem pensavam em quem votar?


O senhor, com sua afirmação sobre a Bolsa Família, respeitada mundialmente, inclusive pela ONU, e da proteção dos direitos dos pescadores, sempre abandonados às intempéries depois de fartas pescarias entregues aos restaurantes frequentados por quem se quer se lembra de seu sofrimento, considera que tudo foi feito pelo Estado brasileiro como política pública para arrebatar votos?


O senhor avalia que os pobres, os miseráveis, os esquecidos não merecem solidariedade, dr. Gilmar Mendes? Pelo contrário, que eles devem ser, como sempre o foram desde que se vota neste País, apenas sufrágios cabresteados e manipulados com dinheiro e esmolas em vésperas de eleições?


Sinceramente juiz Gilmar, sua postura gera muitas tristezas, instabilidade política no País e no acirramento dos ânimos, jogando irmãos contra irmãos.


Sou professor do ensino superior e todas as semanas me deparo com alunos e alunas que somente comem do pão cultura graças ao Pró Uni e até ao Bolsa Família. Talvez se o senhor imaginasse menos e convivesse mais com o povo, com os pobres e com os trabalhadores acabaria por entender da mesma maneira que eu.
Mas o entendo, dr. Mendes. Aliás, muita gente entende o senhor e o que faz neste País para desgraçar nossa paz.


Nosso povo na sua imensa sabedoria define bem a biografia do senhor, quando afirma: “dize-me com quem andas e te direi  quem és”.


O noticiário deste ano é farto em fatos ruins e de pessoas indecentes. Pois o senhor se reuniu com algumas destas, notórios golpistas, e elas sim fisiológicas, fichas sujas e mau caráter. Reuniu-se para fazer o que o povo diz no seu ditado para dizerem o que são. Cito a notícia literalmente: “O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tratou com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e com o deputado Paulinho da Força (SD-SP) a crise política e o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff” (aqui).


As pessoas que o acompanham são realmente ativas no poder e nos desfrutes da casa grande, adoradas também por Eduardo Cunha e Paulinho da Força, manifesto pelego que envergonha a classe trabalhadora. Aqui mais um exemplo: “Gilmar Mendes foi nomeado para o Supremo pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso”. Como o Brasil e o mundo sabem, o seu amigo presidente, a respeito de quem o senhor “não fica a imaginar” nada como no caso do ex-presidente Lula e da Presidenta Dilma, de quem o senhor sofre urticantes instintivos, é exuberante privatista e neoliberal, regime moderno dos que, na casa grande, usufruem do trabalho, que o senhor consideraria indignos de votar, dos que votam sem pensar porque as políticas públicas funcionariam como meio de comprar suas “debilitadas” consciências.


Em 2008 o senhor, depois de empossado na presidência do STF tomou atitude que estarreceu o País em defesa de um amigo, daqueles que nosso povo apelida de “amigo da onça”. “À frente do Supremo, gerou enorme polêmica ao conceder um habeas corpus para o banqueiro Daniel Dantas preso pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, que investigava o desvio de recursos públicos, entre outros delitos.” (Mais aqui).


Os integrantes do regime da casa grande não têm preconceito na escolha de suas amizades, desde que não sejam trabalhadores, pobres, negros e indígenas. O senhor também não se limita a essas coisas de não dar tempo e investir em amizades poderosas, como revela o site Pragmatismo: “Escutas interceptadas pela PF e divulgadas nesta segunda-feira levantam a suspeita de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, “pegou carona” em um jatinho fornecido por Cachoeira, no dia 25 de abril de 2011, quando teria retornado da Alemanha ao Brasil, na companhia do senador Demóstenes Torres” (ex-DEM-GO).


Nessa mesma linha o senhor não titubeou em aprovar as candidaturas dos fichas sujas José Roberto Arruda e Paulo Maluf, homens que desbotam e desonram a política brasileira.


Os efeitos da amizade dos da casa grande, como o senhor e os seus amigos, atuam danosamente com forças destrutiva, desalojante e desorganizativamente desproporcionais da vida dos da senzala, dos mais extremamente desprotegidos dos campos, das matas e das cidades. A repórter da Agência Brasil, Ana Luiza Zenker, escreveu sobre isso no dia 06/03/2009, quando informa da nota da CPT “que o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges, acusou o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de ser parcial no tratamento da questão dos conflitos agrários.” “O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra em Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras” (aqui).


Dom Xavier denunciou que o senhor considerava que recursos públicos investidos em instituições que defendem o povo, como os Sem Terra, são ilícitos.


Coerente com seu pensamento e com o das elites, que acham lícito privatizar, entregar os bens públicos para particulares e para estrangeiros lucrarem com nossas estatais do que vê-las produzindo para o bem de nosso povo.


O jornalista Maurício Dias  assegura que o senhor é homem frio, tipo calculista, que não se inibe em ligar para ministros de Estado e chefes importantes para pedir vagas e privilégios para seus amigos.


Discordo de Maurício. Penso que o senhor não é homem frio. Pelo contrário, o senhor é tremendamente emotivo e demonstra isso na sua voz e tons controlados, até para ameaçar e tentar inibir.


Quando o vejo falar no tribunal do STF ou em entrevistas pela TV percebo um homem intenso de ódio e de rancor. Seus olhos parecem faiscar e sua boca espuma de raiva dessa gente que sufraga presidente operário e Presidenta ex-guerrilheira, que sua gente adora apelidar de bolivarianos e de ideologia cubana.


O grande jornalista Luis Nassif, que o senhor ardorosamente odeia, confirma a intensidade de sua personalidade de homem da elite dominante, que aqui, tomando emprestado o simbolismo do antropólogo Gilberto Freyre, chamo de casa grande, lugar dos senhores escravocratas, que nadavam nas riquezas produzidas pelos escravos, que eles odiavam.


Num artigo publicado pela Carta Capital Nassif conta sobre as ironias rancorosas numa seção plenária do STF que, segundo ele, o senhor fez contra aquele competente jornalista: “Certamente quem lucrou foram os blogs sujos (esse é nome dado aos blogs críticos e diferentes da mídia tradicional por seu companheiro de partido, José Serra), que ficaram prestando um tamanho desserviço. Há um caso que foi demitido da Folha de S. Paulo, em um caso conhecido porque era esperto demais, que criou uma coluna ‘dinheiro vivo’, certamente movida a dinheiro (…) Profissional da chantagem, da locupletação financiado por dinheiro público, meu, seu e nosso! Precisa ser contado isso para que se envergonhe. Um blog criado para atacar adversários e inimigos políticos! Mereceria do Ministério Público uma ação de improbidade, não solidariedade”.


Como se demonstra aí, o senhor, além de odiar quem trabalha, não gosta da crítica democrática, saudável e que ajuda a crescer.


De modo que, ministro Gilmar Mendes, o senhor consegue uma unanimidade considerável em relação ao seu ódio e arrogância contra os pobres, que o senhor ofendeu profundamente ao considerá-los imbecis que trocam votos por telhas, sacos de cimentos e de tijolos.


Tem razão Dom Xavier ao afirmar que o senhor causou a matança de pequenos agricultores, de indígenas e de posseiros com suas decisões em favor dos grandes proprietários.


Com sua palestra em São Paulo certamente o senhor alimenta o fundamentalismo irracional, os preconceitos contra negros e pobres e ameaça a democracia.


• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.


• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.