quinta-feira, 30 de abril de 2015

Leitora: Assalto à Previdência do Paraná será repetido em outros estados

Sanguessugado do Viomundo

da leitora Luiza, em comentário

O ataque à Previdência dos servidores do Paraná não tem nada a ver com a credibilidade da Dilma e nem saiu da cabeça do governador do Paraná.

O confisco da Previdência tem a ver é com o endividamento do estado do Paraná com bancos privados, porque isso faz parte do “sistema de retroalimentação da dívida pública”.

Como funciona isso? Há uma lei federal absurda que foi intencionalmente criada para proibir que o próprio governo federal, ou seja, a União, possa emprestar o dinheiro necessário para que os seus estados federados utilizem nas suas necessidades (investimento ou pagamento de dívida), obrigando, dessa forma, que esses estados busquem recursos emprestando dos bancos privados nacionais ou internacionais.

Emprestando, os estados se endividam. Só que o recurso para satisfazer o pagamento do empréstimo dos estados não pode sair da União, então a saída é retirar de onde ainda há dinheiro ou partir para privatização de patrimônio público.

Pior ainda, os credores dessa dívida contraída pelos estados — os bancos que emprestaram — fazem com que os estados tomem atitudes como essa para saldar apenas os juros dessa dívida toda, porque o valor total é impossível de ser saldado, o que faz com que a dívida sempre exista e cobre o seu preço.

E o pior de tudo, o fiador de todas as dívidas internas brasileiras, que são as dívidas contraídas pelos estados, É O TESOURO NACIONAL,OU SEJA, TODOS NÓS BRASILEIROS!

Por isso é que se diz que o endividamento dos estados faz parte do sistema de retroalimentação da dívida pública, tanto a externa quanto a interna, porque ambas tem como fonte pagadora o mesmo devedor, o Tesouro Nacional – que é composto por TODO o dinheiro arrecado por todos nós brasileiros, ou seja, o nosso Orçamento é que paga essa dívida, ou melhor, acaba pagando só os juros dela.

Esse vídeo deveria ser transmitido em cadeia nacional para que os brasileiros entendessem o real problema do Brasil e tomassem uma decisão para a solução definitiva, porque há solução para esse problema. Qual é a soluçao? É fazer a AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA — interna e externa — porque ambas estão conectadas, têm a mesma origem legal fraudulenta e ilegal.

Só o clamor público é que obrigará essa Auditoria a ser feita e resolver, de vez, o nosso verdadeiro problema, caso contrário o Brasil morrerá pobre.

Por favor, assistam ao vídeo e entendam de uma vez a gravidade dessa situação.

Voces terão as respostas assistindo, mais precisamente a partir dos 8 minutos. Assista ao vídeo inteiro e entenda a dimensão do problema que ocorre com os estados e a complexidade da coisa. É o endividamento do estado do Paraná que origina esse confisco, mas pode e vai acontecer com todos os estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, a Previdência dos servidores já foi entregue ao setor privado, a SPPrev.

O infame Beto Richa, governador do Paraná

GGN - indicação de Lino Lorenzetti

O que Richa fez foi apenas externar, com atos, a virulência desmedida da cara do partido, os Aloysios Nunes, Aécios Neves, Carlos Sampaios, Josés Serras.

Luis Nassif

O governador Beto Richa (PSDB), do Paraná, é o retrato doloroso do que se transformou o principal partido de oposição no país.

O partido fundado por Franco Montoro, Mário Covas, que abrigou a generosidade de Sérgio Motta, a sensibilidade social de Bresser-Pereira, e até a temperança de um José Richa, a esperança de uma socialdemocracia moderna, tornou-se um valhacouto do que pior e mais rancoroso a política brasileira exibiu nos últimos anos.

A usina de ideias e propostas que parecia brotar do partido no inicio dos anos 90 foi substituída por uma cloaca interminável, um lacerdismo sem talento, um samba de uma nota só desafinado.

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Derrotado em Minas Gerais, restaram ao partido dois estados para mostrar, até 2018, um mínimo de políticas inovadoras: São Paulo e Paraná.

De São Paulo não se espere nenhuma pró-atividade. Por aqui, definham institutos de pesquisa, aparelho cultural, universidades e, especialmente, as ideias.

Hoje haverá audiência pública para a extinção da Fundap (Fundação de Desenvolvimento Administrativo) e da Cepam (Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal).

Hoje em dia, há uma disputa ferrenha para definir o governo mais medíocre: se o de Dilma ou de Alckmin.

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Mas nada se equipara ao desastre completo que se observa no Paraná.

O massacre que a Polícia Militar impôs, ontem, aos professores que manifestavam contra o governo entrará para a história política contemporânea como o dia da infâmia.

200 pessoas feridas, 15 em estado grave, uma covardia sem fim, cujo único gesto nobre foi o de 17 policiais que se recusaram a atacar os manifestantes – e foram punidos por isso.

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É apenas o desfecho de uma gestão desastrosa, que quebrou o estado. Mas reflete um estado de espírito que se apossou do partido, quando substituiu os intelectuais por pitbulls de baixíssimo nível.

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Nos últimos anos, a reboque da mídia, a única bandeira que o partido cultivou foi o antipetismo – como se fosse possível se tornar alternativa de poder sendo apenas anti.

Hoje em dia definha o PT e definha o governo Dilma, o país está rachado ao meio, há um ódio permanente no ar. A política econômica procede a aumentos sucessivos da taxa Selic, com a atividade econômica agonizante. E o governo patina sem um projeto de país para oferecer.

Seria o momento de se apresentarem os mediadores, os que conseguissem ser a síntese das políticas sociais do PT com a visão de mercado do velho PSDB desenvolvimentista.

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Mas a miopia reiterada dos seus gurus, a falta de visão estratégica, o personalismo absurdo de uma geração geriátrica que se aboletou no poder, impediu a renovação do PSDB e permitiu que o infame Beto Richa se tornasse a cara do partido.

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O que Richa fez foi apenas externar, com atos, a virulência desmedida da cara do partido, os Aloysios Nunes, Aécios Neves, Carlos Sampaios, Josés Serras.

Não foi à toa que, nas últimas eleições, a parcela mais moderna do empresariado paulista saltou fora do bonde do PSDB e tentou fazer alçar voo a candidatura de Marina Silva.

O espaço político está vago para aventureiros políticos, porque a geração das diretas acabou.

O ponto sem retorno

GilsonSampaio

A quem envergonha a exibição das cenas de troglodices exibidas pelo mundo afora? Estamos chegando a um ponto sem retorno.

Assalto ao fundo de previdência dos professores aposentados paranaenses e espancameto, bombas e balas de borracha.

Os Correios também preparam o mesmo assalto.

Precarização do trabalho.

Juros para a canalha bancária.

etc…

"Em um concurso de cérebros, talvez o pitbull vença comparado ao do governador do Estado" - COMENTÁRIO DO ÂNCORA DO JORNAL DA BAND RICARDO BOECHAT

Posted by Douglas Santucci on Quarta, 29 de abril de 2015

Realmente, tá foda meu amigo!

GilsonSampaio

Na troca de email com um velho amigo recebo esse desabafo cansado. Troquei os nomes para preservar as personagens.

Carantóin,
Na atual conjuntura acho que tenho que me refazer ideologicamente, não estou ameaçando endireitar. Isso, nunca.
Tudo está insuportável.
Tô numa sinuca de bico: ou me refaço ideologicamente ou me alieno. Como o meu tempo não já não é lá essas coisas, a preferência seria pela alienação.
Tá foda, meu amigo.
Abraço
Bastião

Bastião,

Há muito que estou mais ou menos alienado. Não dá mais, como você disse, nosso tempo já não é mais lá essas coisas.

Atualmente, leio o que interessa, mas dificilmente compartilho minhas opiniões. Não raro, alguém chega e diz: Li na Veja, escutei o Sardenberg, o Demétrio Magnoli, Míriam Leitão e por aí vai e, depois, chega àquelas conclusões que você já sabe. Adianta argumentar?

Família da Magathachter, que você conheceu, adora me provocar, ou adorava. Se argumento contra, eles dizem que sou Petista,...justo quem? Ainda estou com ela, mas não frequento mais a casa de parentes e amigos. Se tem qualquer evento, não vou, e pronto...Normalmente são uns cinco ou seis contra um. As tais cinco ou seis foram na passeata Fora Dilma. O que que dá para fazer? As imbecis discordam, até mesmo, de dados fornecidos pelo IBGE e FGV, como o valor do PIB, só porque alguém disse na TV que é diferente do que eu informei.

Outro dia, uma dentista babaca, amiga da família, argumentou comigo sobre o balanço da Petrobrás. Disse a ela que o Resultado Operacional era muito bom e que o resultado negativo advinha dos acertos efetuados por conta de incompetência e da Lava Jato. Mas, insisti, o balanço demonstrava, cabalmente, que a Petrobrás continuava uma grande empresa e não teria nenhum problema em continuar sendo uma grande empresa, com um baita corpo técnico reconhecido no mundo e que não tem nada a ver com os desmandos da Lava Jato e, portanto, deveria ser preservada. Ainda, que quem mais atrapalhava eram, exatamente, os que, em nenhum momento fizeram qualquer alusão ao bom desempenho do resultado operacional, preferindo pregar um terrorismo que só beneficiava especuladores. Endividou-se mais que o devido, está certo, vai pagar juros mais altos, também está certo, vai ficar menor vendendo ativos, também estão certos, mas discutir que o Resultado Operacional não foi bom, é, ou má fé, ou não entendem porcaria de contabilidade. E a babaca ainda disse que a minha leitura do Balanço era petista e muito diferente do Sardenberg, por exemplo. A babaca é babaca, age de má fé e não entende nada de contabilidade. E foi na tal passeata.

Não adianta explicar coisas do tipo: se diminui a taxa de desemprego no mês, a mídia vai comparar com o mês do ano passado. Se também diminuiu em relação ao mês do ano passado, vão comparar com o mês do ano retrasado, e assim por diante, até, finalmente, arrumar um resultado negativo. Se não acharem o resultado negativo, na manchete vão argumentar que a "tendência" para os próximos meses é de aumento do desemprego.

Também ninguém entende a coisa mais óbvia do mundo, qual seja, os juros pagos a bancos são a principal causa do deficit público e não servem para, em absoluto, diminuir a inflação. Mas se a Míriam Leitão diz que sim, quem sou eu para discordar.

Um dia eu perguntei para um bando de gente, quais as razões do José Dirceu estar preso e o Maluf solto, apenas para argumentar que, no Brasil, a tal Justiça tem dois pesos e duas medidas. Não fui defender o Zé Dirceu, ressalto. Teve gente que disse que o Maluf roubava, mais fazia, outros, que a prisão do Zé Dirceu inexiste com as tais prisões domiciliares, outros, que o Lula e todo o PT deveriam ir para a cadeia, mas ninguém, ninguém mesmo, sabia o mínimo sobre escândalos em compras dos trens do Metrô de São Paulo, muito menos da Operação Zelote, muito menos ainda, das tais contas na Suíça ou HSBC. Classe média adora um rico, se espelha neles e, se tiverem oportunidades, fazem as mesmas merdas. Ultimamente ando duvidando que são desinformados. Acredito mais que seja um problema de caráter. É mais fácil ficar batendo em pobres adolescentes assaltantes do que em golpistas milionários que frequentam Paris.

Essa coisa que brasileiro bonzinho é pura falácia. Foi-se o tempo. O mau caratismo está espalhado por toda a população. Não tem jeito, parece que não muda nunca... 

Dá para ficar aqui contando um monte de histórias escabrosas sobre o papel da mídia e da elite branca nesse país e, infelizmente, chegar a conclusão que vc está chegando, qual seja, infelizmente, não tem jeito...

A tal classe média, que forma opiniões e decide eleições, está, agora, até achando que a Marta Suplício fez um bom governo aqui na Prefeitura de São Paulo, depois de execrá-la durante anos. Ainda, acham que ela é vítima. Dá para aguentar? A análise dos "analistas" diz que o confronto vai ser entre o Haddad, a Marta e o Russomano, cada um vendendo o seu cacique eleitoral a peso de ouro. Deve ser verdade e vou ter que anular, novamente, meu voto no segundo turno, como venho fazendo há anos. Eu escuto essas coisas todo dia; aqui na empresa aparecem fornecedores e clientes, gente bem formada e, antigamente, meu filho me convidava para um café ou almoço com essa raça. Pedi a ele que não me chame mais. Ou alguém quer discutir a escalação do Curintias no próximo clássico, ou alguém quer falar da Lava Jato baseado na leitura semanal da Veja.

Se tá certo Bastião. Não dá mais para investir 30 anos de nossas vidas tentando mudar alguma coisa e, no final, aguentar o Eduardo Cunha e o Renan sendo tratados pela mídia e classe média como heróis nacionais combatendo os corruptos petistas. Vamos morrer antes.

A propósito, nossos ídolos estão todos morrendo, já o Sarney, foi na festa de aniversário da Marta Suplício, e muito vivo. Também ninguém sabe que em São Paulo não tem uma única viela com o nome do Getúlio Vargas. Eles dizem que a CLT é uma merda e acreditam que a "Revolução" de 32 foi um ato heroico dos paulistas em defesa da Constituição.

Realmente, tá foda meu amigo! Mas continua, e sempre, o convite. Se quiser dar uma alienada e vir morar por aqui ganhando um salariozinho e morando no meu apartamento, estarei sempre a disposição. Mas não discuta nos elevadores, tampouco na padaria da esquina. O bairro é dominado pela elite branca e ninguém vai entender nada se você explicar que tem um blog independente.

Telefono

Carantóin

A informação internacional também é multipolar

Via Rebelión

Pascual Serrano

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

eldiario.es

Na década dos anos 80, o único canal 24 horas de notícias que existia no mundo era o norte-americano CNN. Hoje há mais de uma centena. Dentre eles, há de se destacar alguns com grande cobertura e orçamento, curiosamente de propriedade pública: Rússia, China, Qatar, Irã ou Venezuela. Não negam que seu objetivo é apresentar uma alternativa ao predomínio da mensagem ocidental, e são conscientes de que um grande setor da opinião pública mundial se nega a depender exclusivamente da mensagem monocórdia dos meios ocidentais e quer conhecer a interpretação do outros atores da arena internacional.

De fato, muitas da televisões internacionais de notícias recorrem ao pensamento anti-CNN para se identificar. Isso levou a Secretária de Estado Hillary Clinton a afirmar que “as grandes redes de televisão norte-americanas estão perdendo espaços diante da russa RT, da chinesa CCTV e da  Al Jazeera, do Qatar”. Vejamos quais são essas vozes que tanto preocupam Hillary Clinton e que estão permitindo que a comunicação global seja multipolar.

RT


Propriedade do Estado russo, é também conhecida como Russia Today. Começou a funcionar em 2005, com um orçamento de 30 milhões de dólares, hoje dez vezes maior, 313 milhões. Incorporou a agência estatal RIA Novosti. Emite em inglês (além disso, tem uma programação específica para o Reino Unido, com 2 milhões de expectadores, sendo a terceira rede de notícias em audiência; nos Estados Unidos, é a segunda televisão estrangeira mais assistida), em espanhol (desde 2009) e árabe, e está previsto que dentro em breve comece a fazê-lo em francês e em alemão. Na América Latina, mais de 900 operadoras de TV paga transmitem o sinal.   

Nesses países, as pessoas estão cansadas da agenda ditada pelos canais espanhóis da CNN e BBC e da imagem parcial do mundo, preferindo um conteúdo televisivo de alta qualidade, uma  alternativa á corrente principal ocidental”, afirma a redatora-chefe da RT, Margarita Simonián. 

A RT deu um golpe de efeito em 2013, quando contratou Larry King, uma estrela do jornalismo americano, para sua edição naquele país. King era internacionalmente conhecido entre 1985 e 2010 pelo seu programa noturno de entrevistas na CNN, e reconheceu que hoje trabalha em RT com total liberdade.

Televisão Central da China


A China dedica um gasto anual de bilhões de dólares para a expansão internacional de seus meios de comunicação na África subsahariana e na América Latina, onde tem dez escritórios (a CNN tem três). A Televisão Central da China (CCTV) tem programas em árabe, francês, russo e espanhol, enquanto a Xinhua, a agência estatal de notícias do país, está se estendendo por todo o mundo.

O presidente da China, Xi Jinping, deixou clara sua concepção do papel dos jornalistas no seu primeiro discurso após ser nomeado secretário geral do Partido Comunista: “Amigos da imprensa, a China necessita aprender mais do mundo, e o mundo também precisa aprender sobre a China. Espero que continuem esforçando-se para se aprofundarem nesse entendimento mútuo”.

A Televisão estatal chinesa CCTV é um dos principais instrumentos para esse fim. Sua expansão internacional começou em 2001, e hoje conta com departamentos que administram as versões em inglês, espanhol, francês, russo, coreano e árabe, e três grandes redações em Pequim, Nairobi e Washington. O objetivo é ‘que pessoas de outros países conheçam o mundo  por  uma perspectiva chinesa”, descreve Chen Yongqing, do Departamento de Difusão e Desenvolvimento no Exterior dessa televisão. “A CCTV está comprometida a construir um meio internacional de primeira categoria, e isso passa por continuar desenvolvendo-se nos mercados estrangeiros”, explica. 

A publicidade cobre quase totalmente os 2,108 bilhões de euros de seu generoso orçamento, que permite dispor de meios excepcionais para suas coberturas e contratar profissionais estrangeiros de renome, especialmente para o canal em inglês, o que goza de maior autonomia.

Press TV e HispanTV


O Irã lançou a televisão por satélite PressTV em 2007. O novo canal em inglês se transformou no projeto-estrela da IRIB, a Radiotelevisão da República Islãmica do Irã, com o objetivo declarado de expandir seu alcance global. Seu orçamento em 2009 era de seis milhões de euros, segundo a agência de notícias iraniana Mehr.

Seu canal em espanhol é HispanTV, que conta com 800 funcionários. O canal em inglês tem 1200. Segundo assinalam, a HispanTV “foi concebida para ser uma ponte de integração e mostrar os aspectos culturais e sociopolíticos entre o Irã e os falantes em espanhol”, e sua missão é “trabalhar sob o férreo compromisso como meio de comunicação para incentivar a aproximação entre os povos do Irã, da Hispanoamérica  e do Oriente Médio, considerando além disso a necessidade de criar uma maior aproximação entre todos os povos da América Latina.

Al Jazeera


Provavelmente foi o primeiro fenômeno de televisão internacional de notícias á margem do predomínio do Ocidente. Nascida em 1996 por decreto do emir do Qatar, revolucionou a informação no mundo árabe com toda uma utilização de recursos  técnicos e humanos, incluídas grande figuras do jornalismo anglo-saxão.

“A Al Jazeera foi a primeira televisão independente do mundo árabe”, assinala por correio um porta-voz ao jornal El País. “Seu enfoque jornalístico global e em profundidade, juntamente com seu compromisso de dar voz aos sem voz, a fez merecedora de inúmeros prêmios”, assinala. Segundo a rede, conta com uma audiência “de 250 milhões de lares em 130 países de seis continentes”.

Telesur


Foi criada em 2005 por iniciativa do então presidente da Venezuela Hugo Chávez. Pela primeira vez, vários países se agrupam para criar uma televisão internacional de notícias. Fazem parte dela, juntamente com a Venezuela, Cuba, Argentina, Brasil, Bolívia, Equador e posteriormente Uruguai e Nicarágua. Ela se declara “um multi-meio  de comunicação latino-americano com vocação social, orientado para liderar e promover os processos de união entre os povos do Sul”. Da mesma forma, a rede reconhece trabalhar “para a construção de uma nova ordem comunicacional”.

Tem correspondentes em praticamente todos os países latino-americanos, além de Washington, Madri e Londres. Manteve coberturas míticas, como no golpe de Estado em Honduras, na guerra da Colômbia ou nos Foros Sociais Mundiais, onde quer que estes fossem realizados. Com isso, demonstrou apostar em uma nova visão internacional da atualidade desde uma perspectiva hispano falante.

Em julho de 2004, inaugurou um canal em inglês dirigido aos Estados Unidos, que emite de             Quito. Nesse canal, conta com a colaboração de figuras como Noam Chomsky, Oliver Stone e Tariq Ali.

Curiosamente, os meios predominantes do ocidente, que em seus países fazem da liberdade de expressão e dos meios como bandeira democrática, qualificam esses meios não ocidentais  como ferramenta a favor de ditaduras e contra a democracia. Inclusive, tem sido feitas várias tentativas de proibi-los; o regulador do mercado televisivo no Reino Unido considerou a RT como culpável por violar o código ético por sua “parcialidade” na cobertura da crise da Ucrânia em março de 2014, e ameaçou com a retirada da sua licença. O organismo advertiu ao canal que, se fossem realizadas mais violações desse código, poderia perder sua licença.

O governo espanhol, com a desculpa de algumas sanções econômicas da União Européia, proibiu em dezembro de 2012 a difusão na Espanha e na América Latina, através do satélite Hispasat, de duas redes de televisão iranianas, Press TV e Hispan TV. Em junho deste ano, a Secretaria de Estad0 para as Telecomunicações mudou de opinião  e decidiu autorizar Hispasat a fazer a difusão da Hispan TV. O motivo: o secretário de Estado norte-americano John Kerry, emitiu quatro meses antes “uma autorização para que as empresas europeias pudessem novamente transmitir os canais iranianos sem correr o risco de serem sancionadas pelos EUA”.

Por que a mudança de postura dos norte-americanos? Segundo o The Wall Street Journal, é porque Teheran não impedirá a difusão na região da BBC e da Voz da América em farsi.

Em julho de 2013, Press TV e outros canais iranianos foram retirados de vários satélites europeus e americanos (entre outros, de Eutelsat e Intelsat), supostamente em função das sanções contra o Irã, apesar de um porta-voz da UE ter afirmado ao canal que essas sanções não se aplicam aos meios de comunicação.

Em 2012, o regulador dos meios de comunicação com sede em Munich, Bayeriche Landeszentral für neue Medien (BLM) anunciou a retirada da licença à Press TV para emitir através do satélite Astra. A equipe jurídica da televisão iraniana recorreu e os tribunais alemães deram-lhe razão, podendo assim ser restabelecida  a emissão.

Os diretores da Fundação Nacional para Democracia (NED), com sede em Washington não gostam dessa pluralidade informativa. Christopher Walker, diretor executivo do Forum  Internacional de Estudos Democrátivos, afirma em El País, que “regimes autoritários, como China e Rússia, utilizam os meios de comunicação para minar a democracia além de suas fronteiras e preservar seu estilo de governo”. Walker os acusa de “inibir a difusão da democracia”. E continua: “Os regimes autocráticos com mais recursos constituíram grandes grupos de meios de comunicação que lhes permitem projetar essas mensagens  ao mercado mundial das ideias. Esse amplo e crescente arsenal de meios informativos que opera a serviço do Estado autoritário dá a esses regimes a capacidade de introduzir ideias de forma sistemática no debate mundial.    

Para os que não a conhecem, a NED se apresenta como uma organização privada, mas quase todos os seus fundos são governamentais. O próprio The New York Times chegou a afirmar que ela foi criada em 1983 “para levar a cabo publicamente o que subreticiamente a Central Intelligency Agence (CIA) tem feito durante décadas. Gasta 30 milhões de dólares  por ano para apoiar regimes políticos, sindicatos, movimentos dissidentes e meios informativos em dúzias de países.

É curioso que, a partir do  país que glorifica a liberdade de expressão possam considerar que algumas redes de televisão, ao não ser norte-americanas, sejam ferramentas para conter a democracia no mundo. Um grande paradoxo é que as bombas da OTAN levem democracia ao Iraque, Afeganistão ou Iugoslávia, e a difusão de ideias por redes de televisão chinesas ou russas o impeçam.

O que é indiscutível é que graças à RT podemos conhecer outra versão da crise da Ossétia, Geórgia ou Ucrânia, e com a Telesur outra realidade das mudanças políticas na América Latina,  através da HispanTV o verdadeiro rosto de Israel ou, por meio da Al Jazeera, a voz dos palestinos. Provavelmente a televisão chinesa não seja neutra informando sobre o Tibet, a Telesur sobre a inflação venezuelana, RT sobre a crise do petróleo ou Al Jazeera das primaveras árabes.

Sem dúvidas, esses meios estão contaminados por interesses geopolíticos de seus proprietários, mas o hipócrita é denunciar isso quando se fala deles e desconhecer o assunto quando se trata da Fox, financiada pelo Partido Republicano norte-americano, ou Telecinco, propriedade de Berlusconi. Minha experiência pessoal  é que tenho visto os jornalistas da Al Jazeera informar com valor e rigor em Bagdá e Beirute; os da HispanTV e RT com absoluta independência em Caracas, e tenho comprovado a valentia e a veracidade dos profissionais da Telesur como enviados especiais na Síria e, evidentemente, na América Latina.

Walter Isaacson, sendo presidente da Broadcasting Board of Governors, a agência governamental que administra os meios com os quais os EUA projetam sua propaganda no mundo (A Voz da América, Rádio Europa Livre, entre outros), já assinalou, diante do crescimento dos meios citados, que “não podemos permitir  que nossos inimigos levem vantagem sobre nós”, para justificar a necessidade de mais orçamento. Esse é o problema.

Sequestram seus direitos trabalhistas e você nem pensa em pegar uma panela!

Via UOL 

Viu Wagner Moura e Camila Pitanga falando contra a terceirização? Vídeos de 2013 com atores criticando projeto de lei voltam a ser divulgados após aprovação na Câmara http://bit.ly/1FGjbDf

Posted by UOL Notícias on Quinta, 9 de abril de 2015

O massacre contra os professores

Sanguessugado do Cinema & Outras Artes

Mauricio Caleiro

Mais um espetáculo de covardia e desrespeito ao ser humano, desta vez protagonizado pela PM do Paraná, agredindo com extrema violência professores desarmados.

As imagens mostram dezenas de homens e mulheres banhados em sangue, com hematomas pelo corpo, alguns com feridas abertas, outros desmaiados.

E isso está longe de configurar novidade: nos últimos anos - um período de plena democracia, reza a lenda - tornou-se rotina a repressão violenta e desproporcional contra manifestantes pacíficos, que exerciam o direito constitucional ao protesto.

E por que os professores paranaenses apanham? Por se manifestarem contra a tentativa do governo de Beto Richa (PSDB) de usar a previdência dos aposentados com mais de 73 anos para pagar a dívida pública, em mais um caso flagrante de violação de direitos.

E antes que os fanáticos de lado a lado tentem partidarizar a violência, convém lembrar que, se um governo tucano é o carrasco de hoje, em 2011 tal função foi desempenhada por DIlma, responsável pela violência oficial contra professores, massacrados em frente ao MEC.

E, nos últimos anos, no histórico do uso da violência contra manifestantes pacíficos, aparecem vários governantes desses dois partidos cada vez mais indistinguíveis entre si, farinha do mesmo saco.

Pátria Educadora?
Políticos só exaltam a Educação no momento de pedir votos. No resto do tempo, os professores são desprezados pelo poder, humilhados e mal pagos.

Agora, querem calá-los a ponta de baioneta. Haverá um limite para o autoritarismo e a falta de sensibilidade social dos atuais governantes brasileiros?

quarta-feira, 29 de abril de 2015

‘Dinheiro tem, mas vai para o lugar errado’

Via Correio da Cidadania

Raphael Sanz

“Sua subjetividade se configura sobre a base da dívida. Você sobrevive se endividando, e vive sob o peso de sua responsabilidade em relação à dívida. Você é controlado pela dívida. Ela disciplina seu consumo, impondo-lhe austeridade e muitas vezes o submetendo a estratégias de sobrevivência.” Michael Hardt e Antonio Negri

No próximo dia 29, às 18h, em frente à sede o Banco Central em São Paulo, uma manifestação foi chamada para reavivar um velho debate que continua extremamente atual: a auditoria da dívida pública brasileira. Por trás da manifestação que exige a queda dos juros e a própria auditoria da dívida, está o grupo denominado Auditoria Cidadã da Dívida, que estuda a questão e é coordenado pela auditora fiscal Maria Lúcia Fatorelli. A auditora já auxiliou o governo Rafael Correa a auditar a dívida pública no Equador e recentemente foi à Grécia participar do processo de auditoria da dívida.

Em tempos de crises vindas de todas as direções, na educação, na saúde, no abastecimento de água, de energia, na segurança e, principalmente, de grave crise política, econômica, social e institucional,  debater a questão da dívida pública se faz essencial. No âmbito orçamentário, a Auditoria Cidadã quer mostrar à população que o país tem, sim, dinheiro para investir nas áreas hoje em crise, mas esse dinheiro tem sido destinado para o pagamento de juros – muitas vezes juros sobre juros – e amortização de dívidas que sequer foram auditadas, como prevê a Constituição Federal.

“Nosso grande foco na articulação com outros movimentos é mostrar que dinheiro temos para investir nas diversas áreas hoje em crise, mas está sendo desviado para o sistema da dívida”, afirma Fepa Santander, do grupo de trabalho de articulação e militância do núcleo paulista da Auditoria Cidadã.

O trabalho da Auditoria Cidadã é bem diversificado. Além dos quatro livros publicados sobre o tema – o último, Auditoria Cidadã da Dívida: Experiências e Métodos, já traduzido para o espanhol e em vias de ser passado a outros três idiomas –, a associação ainda tem analisado as dívidas regionais em todos os estados nos quais possui núcleos. No caso paulista, por exemplo, tem se empenhado em compreender o processo de endividamento do município de São Paulo. Um relatório sobre a dívida paulistana está sendo produzido este ano, enquanto também se aprofundam na análise da dívida estadual. Segundo apuração da Auditoria, a dívida paulistana foi assumida pela União, no ano 2000, por R$ 11 bilhões e, apesar de já terem sido pagos R$ 26 bilhões, o município ainda deve mais de R$ 60 bilhões. “É escandaloso. Mas o sistema da dívida não age sem o auxílio da grande imprensa e seu silêncio ensurdecedor, além dos políticos financiados pelos bancos e grandes lobistas”, denuncia Santander.

A Auditoria Cidadã ainda organiza diversos eventos e dois seminários – um nacional e outro internacional – todo ano, além de marcar presença em eventos, palestras, seminários, manifestações de rua e audiências públicas em geral.

O grupo existe desde 2001 e é o principal legado do plebiscito realizado em setembro de 2000 por dezenas de movimentos sociais, sindicatos e entidades da sociedade civil, que consultaram a população a respeito das relações do país com o Fundo Monetário Internacional e a realização de uma auditoria da dívida pública, prevista na Constituição de 1988.

“Apesar dos quase 6 milhões de votos colhidos, dentre os quais mais de 90% se declararam contrários à continuidade dos pagamentos da dívida e ao FMI sem que se fizesse a auditoria prevista na Constituição, o plebiscito foi deliberadamente desconsiderado pelos órgãos públicos e pela grande mídia”, conta Santander. “Assim, alguns organizadores da iniciativa se reuniram e resolveram dar continuidade ao processo com a auditora fiscal aposentada Maria Lúcia Fatorelli, à frente da associação”, explica. Em linhas gerais, a Auditoria Cidadã tem analisado as dívidas públicas brasileiras e o chamado “sistema da dívida”, termo cunhado pela própria associação, como se verá adiante.

Conversamos com três voluntários do núcleo paulista da Auditoria Cidadã da Dívida para trazer à luz as ideias, pautas e um pouco da história da iniciativa. Além de Fepa Santander, também falaram ao Correio da Cidadania Ivan Carvalho, do Grupo de Trabalho (GT) de articulação, e Fernando Moura, do GT de comunicação.

O Plebiscito de setembro de 2000


Entre os dias 2 e 7 de setembro de 2000, foi realizado um plebiscito que avaliava a opinião popular a respeito da necessidade de se fazer uma auditoria da dívida pública brasileira. Aproximadamente 5 milhões e 700 mil brasileiros votaram nessa consulta, dos quais 93,81% se colocaram contra a manutenção do acordo até então vigente entre governo brasileiro e FMI; 98,41% marcaram opinião contrária ao pagamento da dívida externa sem que houvesse uma Auditoria Pública nos moldes como prevê a Constituição de 1988; e 95,86% disseram que os governos federal, estaduais e municipais não deveriam continuar usando parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores.

Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na época o principal líder de oposição ao neoliberalismo do governo FHC, publicou um artigo na edição 209 deste Correio, intitulado Soberania Nacional, no qual questionava o então ministro da economia Pedro Malan e o próprio presidente FHC sobre o por quê de se mostrarem tão ostensivamente contrários à demanda colocada pelo plebiscito.

“Por que o governo teme tanto esse Plebiscito? O que se esconde por trás da irritação de Malan? Por que o governo não providenciou uma auditoria da dívida antes de renegociá-la, como determina a Constituição? Por que não revelou até hoje todos os termos do acordo com o FMI? Por que não divulgou também as cláusulas de condicionalidades desse acordo? Será que Malan está temeroso por ter sido ele o negociador da última reestruturação da dívida? Será por que ele e FHC aceitaram de olhos fechados os números apresentados pelos próprios banqueiros?”, questionara Lula.

Na ocasião, Lula ainda declarou que o PT apoiava o Plebiscito e que não estava propondo o calote das dívidas externa e interna “como falseia o governo”, disparou. “Nós queremos, sim, a auditoria da dívida externa, que já deveria ter sido feita. Queremos saber para onde foi o dinheiro. Defendemos que um governo legítimo e soberano tem o dever de fazer esse esclarecimento e dar essa satisfação à sociedade”, concluiu.

O curioso é que em 12 anos e quatro meses com o PT à frente do governo federal, sendo 8 deles com Lula como presidente, pouco se avançou e nenhuma dívida pública foi auditada - pelo contrário, a pauta, que sempre foi uma bandeira histórica do PT e da esquerda em geral, se viu jogada para escanteio e o discurso lulista de oposição, baseado na soberania nacional, parece ter ficado no passado, assim como seu artigo, perdido em arquivos de jornal de uma década e meia atrás.

À época, José Dirceu, Luci Choinacki e Marta Suplicy – todos petistas – se declararam favoráveis à auditoria da dívida externa para este jornal. Além deles, o indomável Leonel Brizola, do PTB, o então governador de Minas Gerais Itamar Franco e o prefeito de Belo Horizonte Célio Castro também se mostraram favoráveis. Quinze anos depois, como que por um passe de mágica, os partidos políticos de maior representatividade vão além de simplesmente ignorar o debate: formulam políticas públicas e aprovam orçamentos sem sequer levantar a questão – constitucional – da auditoria.

O Sistema da Dívida ou o “Bolsa Banqueiro”

Para aqueles que cunharam o termo, o sistema da dívida é uma deturpação na gestão pública que permite o direcionamento de porcentagens consideráveis do orçamento público para destinatários majoritariamente privados, especialmente banqueiros, especuladores e organismos multilaterais. No caso do orçamento federal, a Auditoria Cidadã denuncia que mais de 45% do dinheiro disponível em 2014 acabou destinado para o pagamento dos juros e amortização das dívidas. O prognóstico para 2015 é bem semelhante – e pode chegar à casa dos 48% -, enquanto somente 3,7% do orçamento federal deste ano está previsto para a educação, mesmo com o Plano Nacional da Educação aprovado e prevendo uma meta de 10% do PIB para a área em uma década. Curiosamente, outra pauta histórica da esquerda, ironicamente acompanhada pelo slogan eleitoral da presidenta Dilma Rousseff: “pátria educadora”.

Fazer dívidas é, no geral, uma prática bem comum e por vezes necessária, afirmam os militantes, contanto que essa dívida tenha sido contraída para desenvolver o país e em prol da população. “Teoricamente, o Estado deveria tomar dinheiro emprestado para financiar suas ações e projetos de longo prazo, com benefícios para a sociedade. No entanto, a dívida pública tem servido para o contrário: surrupiar os orçamentos públicos e usar a dívida como chantagem para imposição de contrarreformas e privatizações”, denunciou Santander.

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A avaliação de Santander faz bastante sentido se levarmos em consideração que, em 2007, o presidente equatoriano Rafael Correa e sua coalização de governo conseguiram promover a abertura da Comissão de Auditoria Integral do Crédito Público em seu país, convocando a participação da sociedade civil, dos movimentos sociais e especialistas equatorianos e estrangeiros.

Da delegação estrangeira, Maria Lucia Fatorelli foi nomeada para integrar a Subcomissão da Dívida Comercial. E foi justamente esse grupo de trabalho que conseguiu provar a ilegalidade de cerca de 70% da dívida mobiliária equatoriana com os bancos comerciais, invertendo a lógica perversa do sistema da dívida - que acaba por se tornar um mecanismo de subtração de recursos públicos - e revertendo o excedente em mais investimentos sociais e infraestrutura.

Tanto que em 2008, um ano depois de feita a auditoria, os gastos sociais no Equador superaram em aproximadamente 30% o orçamento destinado ao pagamento dessa dívida e, em 2011, os gastos sociais já representavam pouco mais que o dobro da verba orçamentária destinada ao sistema da dívida (veja o gráfico abaixo).

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Fepa Santander ainda dá um exemplo de “dívida odiosa”, como aquelas que foram anuladas no Equador, mas que talvez ainda estejamos pagando por aqui. “Estudamos o período de 1964 em diante. Antes disso já havia dívida. Bom, durante o regime militar temos apenas 20% dos contratos transparecidos. Ou seja, temos aí 80% da dívida pública dessa época que não sabemos em que foi gasta. Para ser feita uma dívida pública, ela tem que ser publicizada para a cidadania. Tem de ter um retorno social. O problema é que, se temos 80% dos contratos não publicizados, podemos entender que muito desse dinheiro, dessa dívida, foi para a máquina repressora. E se a dívida é utilizada na máquina repressora com fins de perpetuar um grupo no poder ou no enriquecimento ilícito dos governantes daquele período, ela se torna uma 'dívida odiosa', portanto, passível de anulação. Em qualquer lugar do mundo é dessa forma”, explica.

Outra questão interessante foi colocada por Ivan Carvalho. Os pagamentos infinitos de juros sobre juros, para ele, podem ter indicativos de “dívidas odiosas”, portanto, passíveis de anulação. “Quando se analisa, de um lado, os montantes que foram tomados emprestados e, de outro, tudo o que foi pago, não tem cidadão que não fique indignado com o resultado. Mas a indignação maior é saber em quanto está o saldo depois de anos pagando religiosamente as prestações”, disse.

Para os membros da Auditoria Cidadã, não se trata de dar um calote nas dívidas, como muitas vezes a dita “grande” imprensa dá a entender. “A Folha já fez uma matéria desmerecendo o trabalho da Auditoria Cidadã. O Globo também; quando a Maria Lucia Fatorelli voltou do Equador, fez uma matéria de 3 páginas desacreditando-a. Insinuou que ela defendia um calote e que, para dar um calote, deveria contratar um auditor da receita brasileira. Ela entrou na justiça contra o Globo e a justiça brasileira deu ganho de causa para o Globo”, conta Ivan Carvalho.

Para Fepa, tal reação dos grandes meios de comunicação é um “indicativo de que estamos no caminho certo. Estamos provocando justamente os setores que são favorecidos por esse sistema da dívida”, emendou.

A argumentação dos auditores permeia, principalmente, a questão da transparência. “Queremos transparência total nos gastos orçamentários e atacamos a raiz do problema, ou seja, se precisa de dinheiro para a educação, faça auditoria da dívida pública, se quer dinheiro para a saúde, auditoria da dívida pública. Porque dinheiro tem, só que vai tudo para o bolso dos banqueiros”, explica Ivan carvalho. Ele considera essa dinâmica “bizarra”. “Ainda pagamos contas já provadas que são fraudes, como por exemplo os precatórios do Maluf aqui em São Paulo”, exemplifica.

Com duras críticas aos governos petistas, a Auditoria Cidadã defende que programas sociais como, por exemplo, o Bolsa Família não são exemplos de redistribuição de renda. “Seria um programa de redistribuição de renda se houvesse taxação sobre grandes fortunas. Até porque, proporcionalmente, quem paga mais impostos são os mais pobres, de modo que o Bolsa Família acaba sendo uma transferência dos pobres para os mais pobres. Acontece que, do jeito que a elite critica o programa, acabamos invertendo a lógica e chamamos o sistema da dívida de Bolsa Banqueiro”, conclui.

O curioso é que o Bolsa Família é uma política pública que gasta 0,5% do PIB e causa todo o alvoroço que vimos em algumas manifestações, enquanto a chamada Bolsa Banqueiro consome 48% do orçamento. “Só de juros e amortização da dívida são gastos em torno de 250 bilhões”, completa Santander.

Enfrentando a crise

Em linhas gerais, quase a metade do orçamento federal vai para o pagamento da dívida pública. Enquanto, seguramente, mais de 45% desse montante está previsto para 2015, podendo chegar a 48%, como no ano passado, para a habitação foi destinado apenas 0,01% em 2014, podendo  chegar a 0,02% em 2015. Desse montante destinado ao pagamento da dívida pública, que se situa entre 45% e 48% do orçamento, uma parcela se destina ao pagamento de juros - despesa que é paga a partir do que se determina como superávit primário, que são as receitas menos as despesas, excluídos os juros. A outra parcela   se volta aos refinanciamentos e amortizações que, grosso modo, trazem juros embutidos, ou juros sobre juros – ilegais de acordo com decisão definitiva do próprio STF.

A partir dessa lógica, o auditores veem a Auditoria Cidadã muito mais como uma ferramenta a ser utilizada pelos movimentos sociais do que como um movimento social em si, uma vez que a questão da dívida se relaciona com todos os setores políticos, econômicos e sociais. “Levando em conta que metade do nosso orçamento vai para a dívida, se, hipoteticamente, a gente descobre que 100% da dívida é ilegítima, mesmo com os governantes distribuindo mal o dinheiro, teríamos no mínimo o dobro para cada área. A dívida se relaciona, portanto, com a má qualidade da educação, o caminhar lento demais de otimização do SUS – que é um bom programa, mas sua otimização é muito lenta –, além da precariedade habitacional. Temos cálculos pelos quais conseguiríamos terminar o déficit habitacional em 3 ou 4 anos redistribuindo nossos recursos de uma forma um pouquinho melhor”, explica Santander.

Em decorrência da crise mundial, que agora atingiu o Brasil em cheio, estamos em face do ajuste fiscal a ser promovido pelo governo federal e também da nova lei de terceirização, em tramitação no Congresso Nacional, e que promete ser uma facada certeira no coração dos direitos trabalhistas. A lógica da Auditoria Cidadã permite questionar uma série de cortes feitos, por exemplo, na aposentadoria e INSS, despesas que poderiam ficar intactas em prol dos trabalhadores, dedicando alguns ajustes à dita Bolsa Banqueiro.

O mesmo pode se aplicar em relação ao déficit habitacional ou à histórica demanda do MST por reforma agrária. Por que vemos fatias enormes do bolo destinadas ao agronegócio, enquanto a reforma agrária anda paupérrima? Para os militantes da Auditoria Cidadã, muitos desses problemas orçamentários poderiam ser facilmente resolvidos se, mais uma vez, fosse feita a auditoria da dívida prevista na Constituição. “Dinheiro tem, mas está indo para o lugar errado, para os banqueiros”, resume Ivan Carvalho.

“Não temos a pretensão de ser um movimento de 10 milhões de pessoas na rua gritando pela auditoria como um fim, mas, sim, de ser uma ferramenta para todos os movimentos que existam na sociedade, que possam utilizar a questão da dívida pública como uma ferramenta para discutir suas pautas”, explica Fepa Santander. Um bom exemplo do uso dessa ferramenta foi feito pelo MPL no início deste ano. Quando o prefeito Haddad chamou – nas redes sociais – o MPL de “truculento”, “avesso ao diálogo”, e afirmou que a pauta da tarifa zero estava fora de alcance, o MPL, como resposta, se apropriou do trabalho da Auditoria Cidadã da Dívida para dizer que há dinheiro para o transporte público.

Finalmente, quanto ao mais recente processo de auditoria da dívida grega, levado a cabo pelo governo do Syriza, e no qual Maria Lucia Fatorelli está envolvida, os militantes da Auditoria Cidadã são cautelosos. “Há semelhanças (com o Brasil), até pelo contexto global em que vivemos, mas é bom pontuar que a Grécia é um país periférico da zona do euro e muito menor do que o Brasil”, pondera Ivan.

Fepa Santander pede calma: “muita gente está criticando o Syriza, dizendo que eles vão muito devagar no enfrentamento da dívida e da crise, até um herói nacional grego disse estar arrependido de haver composto com o Syriza. Mas, na minha visão pessoal, eles estão pisando em ovos para não desandar o bolo, ou seja, a receita. Vale um pouco mais de paciência com o Tsipras para ele tentar conduzir primeiro a auditoria cidadã da dívida grega. E ele tem uma visão parecida com a nossa, que não é necessariamente de soberania nacional, mas de mais investimento social com o dinheiro que poderia ser retirado do sistema da dívida”.

Raphael Sanz é jornalista.

Enquanto isso no país promotor de democracia pelo mundo a fora a base de drones…

Via CubaDebate

Baltimore: Desigualdad y crimen, combustible para el estallido

El último adiós a Freddie Gray, el joven afroamericano que murió el 19 de abril bajo custodia policial en Baltimore, Maryland, se convirtió este lunes en un nuevo clamor contra los prejuicios y abusos de la policía de Estados Unidos contra la población negra. Foto: Boston Globe

El último adiós a Freddie Gray, el joven afroamericano que murió el 19 de abril bajo custodia policial en Baltimore, Maryland, se convirtió este lunes en un nuevo clamor contra los prejuicios y abusos de la policía de Estados Unidos contra la población negra. Foto: Boston Globe

Baltimore, la ciudad que inspiró los poemas de Edgar Allan Poe y la célebre serie “The Wire”, es una urbe dividida en dos: un núcleo revitalizado que busca recuperar su antiguo papel como motor económico y un cóctel combustible de pobreza y crimen que apenas necesitaba una chispa para estallar.

Los graves disturbios del lunes en Baltimore, que resultaron en 20 policías heridos y más de 200 arrestos, han devuelto a las portadas periodísticas la imagen de una ciudad al borde del colapso que popularizó “The Wire”, una crónica de la violencia, la corrupción y el auge de las drogas en esa ciudad que se convirtió en serie de culto la década pasada.

En ese retrato televisivo cabe solo una parte de la compleja realidad de Baltimore, una ciudad de 622.000 habitantes en el estado de Maryland, noreste de EE.UU., que se ha convertido en escenario de los mayores disturbios en el país desde los registrados en agosto pasado en Ferguson (Misuri).

Aunque la muerte de un joven negro a manos de la policía fue el detonante de los disturbios en ambas ciudades, “Baltimore no es Ferguson, y sus principales problemas no son raciales”, tal y como recordó hoy Michael A. Fletcher, un periodista que lleva más de tres décadas viviendo en esa ciudad, en el diario “The Washington Post”.

En Baltimore, el 63% de la población es negra, como también lo son la mitad de su fuerza policial y su alcaldesa, heredera de una larga tradición de políticos y activistas de los derechos civiles afroamericanos en la ciudad.

Pero la desigualdad en Baltimore es una de las más marcadas de Estados Unidos, con un 23,8% de personas viviendo por debajo del umbral de la pobreza entre el 2009 y el 2013, un índice muy superior a la media del estado de Maryland, del 9,8 %, según la Oficina del Censo.

Esas bolsas de pobreza se concentran en los barrios del este y el oeste de la ciudad, muchos de ellos vigilados durante años por cámaras cuyos destellos azules servían a los residentes para identificar las calles que se consideraban peligrosas, donde la falta de empleo arrastraba a muchos jóvenes a la droga y el crimen.

Esa imagen contrasta con la de un puerto renovado, lleno de restaurantes, oportunidades de ocio y viviendas de lujo, que las autoridades locales presentan como escaparate de una ciudad que, por primera vez en más de medio siglo, puede presumir de crecimiento demográfico y de nuevas inversiones económicas.

Fundada en 1729, Baltimore fue, después de Nueva York, la segunda ciudad del país en alcanzar los 100.000 habitantes, amparada en un cotizado puerto y una pujante industria del acero, pero el declive de la actividad manufacturera en Estados Unidos tras la Segunda Guerra Mundial golpeó especialmente duro en la localidad.

Baltimore ha perdido un tercio de su población desde 1950, cuando su nutrida clase media empezó a emigrar en busca de empleos, y apenas comenzó a recuperarla en el 2012, el primer año en más de medio siglo en que el Censo estadounidense constató un crecimiento demográfico en la ciudad, con unos 1.100 habitantes nuevos.

La droga pronto se abrió paso entre los barrios más pobres de la ciudad, que según el Gobierno federal tiene la mayor concentración de adictos a la heroína del país, y comenzaron a multiplicarse los arrestos por narcotráfico y posesión de estupefacientes entre la población negra.

El índice más alto de personas encarceladas en el estado de Maryland se registra en el barrio donde vivía Freddie Gray, el joven negro que murió a raíz de lesiones sufridas cuando estaba bajo custodia policial y cuyo caso ha desatado los disturbios.

En ese barrio, el de Sandtown-Winchester, más de la mitad de los hogares ingresan menos de 25.000 dólares al año, y más del 20% de la población adulta está desempleada, según un informe oficial del Departamento de Salud de Baltimore en el 2011.

La ciudad también se hizo famosa por su alta tasa de homicidios, que en las décadas de 1980 y 1990 llegó a ser de unos 300 al año, y que en los primeros cuatro meses de este año ha sumado 68, según un recuento que lleva el diario local The Baltimore Sun.

En ese entorno, la policía de Baltimore capeó múltiples denuncias de corrupción, acusaciones de uso injustificado de la fuerza letal y de propinar palizas a sospechosos.

Esas mismas impresiones han motivado las mayores protestas en Baltimore desde 1968, cuando los disturbios generados tras el asesinato del líder de los derechos civiles Martin Luther King provocaron también el despliegue de la Guardia Nacional.

Pese a que las estadísticas siguen jugando en su contra, son muchos los residentes que creen en las perspectivas de la urbe en la que Edgar Allan Poe escribió su famoso poema “El cuervo” y que, durante casi toda la década pasada, se atrevió a llevar el eslogan de “La mejor ciudad de Estados Unidos”.

La jornada del lunes en Baltimore, que había comenzado de forma pacífica, acabó derivando en fuertes disturbios por parte de un grupo de violentos manifestantes, en su mayoría jóvenes. Foto: Boston Globe.

La jornada del lunes en Baltimore, que había comenzado de forma pacífica, acabó derivando en fuertes disturbios por parte de un grupo de violentos manifestantes, en su mayoría jóvenes. Foto: Boston Globe.

Al menos 15 agentes resultaron heridos en los incidentes que se empezaron a registrar tras el sepelio de Gray. Foto: Boston Globe

Al menos 15 agentes resultaron heridos en los incidentes que se empezaron a registrar tras el sepelio de Gray. Foto: Boston Globe

El gobernador del Estado de Maryland, Larry Hogan, declaró el estado de emergencia. Foto: Boston Globe

El gobernador del Estado de Maryland, Larry Hogan, declaró el estado de emergencia. Foto: Boston Globe

Rozando la medianoche, buena parte de Baltimore comenzaba ya a parecer una ciudad sitiada por la policía -más de 5.000 agentes han sido desplegados- que se hacía fuerte en las calles y avenidas principales. Foto: Boston Globe

Rozando la medianoche, buena parte de Baltimore comenzaba ya a parecer una ciudad sitiada por la policía -más de 5.000 agentes han sido desplegados- que se hacía fuerte en las calles y avenidas principales. Foto: Boston Globe

Al caer la noche, vehículos policiales patrullaban las calles, mientras que helicópteros vigilaban desde el aire. Foto: Boston Globe.

Al caer la noche, vehículos policiales patrullaban las calles, mientras que helicópteros vigilaban desde el aire. Foto: Boston Globe.

Aunque en algunos puntos de la ciudad continuaban los disturbios y se registraban incendios aislados, en el centro histórico y comercial los principales edificios estaban vallados y la presencia policial era fuerte. Foto: Boston Globe

Aunque en algunos puntos de la ciudad continuaban los disturbios y se registraban incendios aislados, en el centro histórico y comercial los principales edificios estaban vallados y la presencia policial era fuerte. Foto: Boston Globe

Según el portavoz de la policía de Baltimore, Eric Kowalczyk, un grupo de "intolerables criminales", predominantemente jóvenes, comenzaron en horas de la tarde a atacar "sin provocación previa" a los agentes, que sufrieron lesiones "de consideración”. Foto: Boston Globe

Según el portavoz de la policía de Baltimore, Eric Kowalczyk, un grupo de “intolerables criminales”, predominantemente jóvenes, comenzaron en horas de la tarde a atacar “sin provocación previa” a los agentes, que sufrieron lesiones “de consideración”. Foto: Boston Globe

Se decretó un toque de queda a partir de la noche del martes que durará una semana. La medida regirá entre las 10 de la noche y las 5 de la mañana. Además, las escuelas permanecerán cerradas. Foto: Boston Globe

Se decretó un toque de queda a partir de la noche del martes que durará una semana. La medida regirá entre las 10 de la noche y las 5 de la mañana. Además, las escuelas permanecerán cerradas. Foto: Boston Globe

En el funeral de Gray también participaron el congresista afroamericano Elijah Cummings. Foto: Boston Globe

En el funeral de Gray también participó el congresista afroamericano Elijah Cummings. Foto: Boston Globe

Escuelas, oficinas y centros comerciales cerraron antes de tiempo ante los rumores de que el funeral de Gray podía acabar en protestas violentas. El equipo local de béisbol, los Baltimore Orioles, también decidió posponer el partido contra los White Sox que se iba a celebrar en su estadio el lunes. Foto: Boston Globe

Escuelas, oficinas y centros comerciales cerraron antes de tiempo ante los rumores de que el funeral de Gray podía acabar en protestas violentas. El equipo local de béisbol, los Baltimore Orioles, también decidió posponer el partido contra los White Sox que se iba a celebrar en su estadio el lunes. Foto: Boston Globe

Flanqueando el féretro blanco abierto donde Gray recibió el último adiós no solo de familiares y amigos, sino también de miles de personas que se acercaron hasta la iglesia baptista de Baltimore donde se celebró su funeral, un mensaje luminoso se proyectaba en las paredes del templo: “Black lives matter, all lives matter”, las vidas negras importan, todas las vidas importan. Foto: Boston Globe

Flanqueando el féretro blanco abierto donde Gray recibió el último adiós no solo de familiares y amigos, sino también de miles de personas que se acercaron hasta la iglesia baptista de Baltimore donde se celebró su funeral, un mensaje luminoso se proyectaba en las paredes del templo: “Black lives matter, all lives matter”, las vidas negras importan, todas las vidas importan. Foto: Boston Globe

Este es el lema de un creciente movimiento nacional de protesta ante la oleada de casos de brutalidad policial contra afroamericanos que, aunque venía de antes, comenzó a copar las portadas de la prensa estadounidense tras la muerte a tiros del adolescente negro desarmado Michael Brown en Ferguson, Misuri, a manos de un agente blanco, el verano pasado. Foto: Boston Globe.

Este es el lema de un creciente movimiento nacional de protesta ante la oleada de casos de brutalidad policial contra afroamericanos que, aunque venía de antes, comenzó a copar las portadas de la prensa estadounidense tras la muerte a tiros del adolescente negro desarmado Michael Brown en Ferguson, Missouri, a manos de un agente blanco, el verano pasado. Foto: Boston Globe.

“Shut up” na USP: não é racismo nem luta de classes

Sanguessugado do Revista Forum

Na USP, professor defende tese de que negros africanos tem QI menor que europeus

 

Na USP, professor defende tese de que negros africanos tem QI menor que europeus

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Utilizando um artigo considerado ultrapassado e falando em inglês para dificultar a compreensão, um professor da pós-graduação da USP deu uma aula racista nessa semana, mas foi surpreendido pela presença de estudantes do coletivo Ocupação Preta; “Shut up”, dizia o docente quando alunos e alunas negras tentavam intervir

Por Ivan Longo

Se fosse no começo do século XX, o episódio ainda seria aceito sem maiores problemas. Mas, por ter acontecido em pleno ano de 2015, a anacrônica aula do professor britânico Peter Lees Pearson, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), não passou despercebida. Na última quarta-feira (22), Pearson ministrou  aula para uma turma de pós-graduação e sua tese conotou conceitos extremamente ultrapassados e racistas.

Usando como base o artigo “James Watson’s mostly inconvenient truth: Race realism and moralistic fallacy”, de autoria de J. Philippe Rushton e Arthur R. Jensen, o professor começou a explicar, “cientificamente”, como testes de QI “comprovavam” que os negros africanos têm uma capacidade cognitiva menor que europeus ou asiáticos, por exemplo.

Se o Ocupação Preta –  coletivo de alunos e alunas negras da USP que luta pela ampliação da presença negra na universidade – não estivesse presente, a possibilidade de haver qualquer tipo de confronto com as ideias do professor seria praticamente nula. Além de propor uma discussão “conjunta” para uma turma com 19 pessoas brancas e apenas 1 negro, o docente não apresentou qualquer outro autor que fizesse um contraponto às teses que apresentava.

Essas teses, porém, já foram rechaçadas pela Academia inúmeras vezes. Watson foi, inclusive, exonerado de seu cargo de conselheiro no Spring Harbor Laboratory (CSHL) em Nova Iorque em virtude de suas afirmações sobre a inferioridade cognitiva de pessoas negras.

“Entendemos que era necessária a ocupação dessa aula primeiramente porque quase todos(as) estudantes matriculados eram brancos(as). Dentre 20 pós-graduandos(as) presentes, apenas um era negro. Este fato por si só já choca e evidencia o caráter elitista e racista da USP e dos cursos ministrados nela. Há um número irrisório de negros e negras nas salas de graduação e pós-graduação da tão reconhecida Universidade de São Paulo”, afirmaram alunas que fazem parte do coletivo.

E assim o fizeram. Aos poucos, dezenas de negros, ao ficarem sabendo da aula que estava sendo dada, começaram a ocupar a sala para fazer o contraponto aos conceitos racistas que estavam sendo levantados por Pearson. Muitos começaram a intervir e expressar sua opinião, mas o debate não fluía pois o professor, de acordo com os estudantes, adotava uma postura ainda mais elitista que sua própria aula: ele só se comunicava em inglês.

“Quem não sabe falar em inglês, que fique sem se expressar”, chegou a afirmar. Em diversos momentos, de acordo com membros do coletivo, o professor ainda fazia escárnio dos alunos e alunas “extras” na sala de aula e muitas vezes chegava a – literalmente – mandá-los calar a boca, com um clássico “shut up”.

“O mais chocante certamente foi a posição do professor: impediu diversas vezes que mulheres pretas falassem, mandou os negros calarem a boca – literalmente! – incontáveis vezes, insistiu que não éramos capazes de compreender, ora pela língua, ora pela ciência. Constrangeu os próprios alunos os obrigando a se manterem na posição que ele escolhia. Além disso riu, fez escárnio e ironias várias vezes. É uma postura inaceitável, porque a posição clara de poder que ele ocupa diante dos alunos não deveria ser permissão para atitudes abusivas. Mas foi o que aconteceu”, explicaram os membros do grupo, que optaram por responder coletivamente aos questionamentos da Fórum.

De acordo com o Ocupação Preta, a ideia de entrar na sala de aula era a de firmar a presença negra na universidade e trazer à tona algumas perguntas, como: “Por que, em 2015, ainda é necessário dispensar esforços para combater tal artigo que expressa tão obviamente o racismo, quando poderíamos, nas mais variadas áreas, estar refletindo sobre assuntos produtivos à comunidade paulista que sustenta a Universidade de São Paulo?”; “Qual o significado político de uma discussão de tal artigo dentro de uma universidade composta por uma maioria branca elitizada?”; “É possível discutir se o artigo é racista ou não sem a presença dos sujeitos vítimas do racismo, no caso os negros?”.

E é por meio desse tipo de questionamento e da ocupação, firmando a presença negra na universidade, que os alunos e alunas que compõem  o coletivo pretendem mudar a realidade “branca” e “elitista” da Universidade de São Paulo.

Procurado para se posicionar quanto às declarações dos estudantes, o professor Pearson não deu retorno até a publicação desta matéria.

Confira a íntegra da nota do grupo Ocupação Preta.

Nota de Repúdio ao Racismo Pseudocientífico Defendido na USP

Ontem a Ocupação Preta esteve presente em uma aula da pós-graduação do Instituto de Biociências da USP. O propósito da aula era debater o artigo “James Watson’s mostly inconvenient truth: Race realism and moralistic fallacy”, de autoria de J. Philippe Rushton e Arthur R. Jensen, indicado pelo professor para “discussão em conjunto”.Entendemos que era necessária a ocupação dessa aula primeiramente porque quase todos(as) estudantes matriculados eram brancos(as). Dentre 20 pós graduandos(as) presentes, apenas um era negro. Este fato por si só já choca e evidencia o caráter elitista e racista da USP e dos cursos ministrados nela. Há um número irrisório de negros e negras nas salas de graduação e pós graduação da tão reconhecida Universidade de São Paulo.

Mais do que esta triste realidade uspiana (a inexistência de representatividade negra nas salas de aula), o que também nos motivou a fazer a intervenção na aula do Professor Peter Lees Pearson foi o conteúdo extremamente racista e ofensivo do material proposto. O artigo propõe análises comparativas de QI entre populações africanas, européias e asiáticas, sugerindo uma inferioridade intelectual do povo africano com base em estudos de James Watson. Os estudos de Watson foram rechaçados pela academia por serem baseados em estudos de cefalometria (herdeira cientifica da frenologia, um ramo pseudocientífico que serviu de base pra diversas atrocidades no meio médico e sobretudo psiquiátrico-manicomial) e análises de aplicações de testes de QI sem análises psicossociais. Watson foi inclusive exonerado de seu cargo de conselheiro no Spring Harbor Laboratory (CSHL) em Nova Iorque em virtude de suas afirmações sobre a inferioridade cognitiva de pessoas negras.Compreendemos que a escolha do artigo feita pelo professor foi infeliz, pois o texto apresenta racismo puro, explícito e além de não trazer dados concretos, foi apresentado sem autores(as) que fazem críticas a ele, endossando ainda mais o racismo de forma determinista. O desconforto a qualquer leitor(a) que respeite a dignidade humana é assegurado!

O ataque ao povo africano e à sua descendência é bastante claro. E esse ataque não passou despercebido desta vez. Contestamos, nos manifestamos contrários a escolha do artigo e fomos enegrecer a discussão com nossos posicionamento de negras e negros que somos, estudantes das mais diversas áreas da universidade que sentem o racismo todos os dias, resistindo e combatendo com muita força. O que nos surpreendeu foi a postura extremamente racista do professor que defendeu subjetivamente o texto e que não valorizava o diálogo, diversas vezes batendo palmas em cima da falas dos estudantes negros, dizendo “Shut up!” e se recusando a fazer a discussão em português, mesmo sabendo que havia estudantes que não entendiam inglês e por isso, não podiam se defender. O professor começou uma discussão sobre um artigo que ressaltava e queria provar a inferioridade intelectual negra, acusando as “pessoas extras” que estavam presentes de “não saberem ciência”.

A Ocupação Preta repudia esse tipo de método de aula, nas quais há a defesa de textos ultrapassados que remetem a pensamentos eugenistas.Repudiamos ainda a inflexibilidade da Universidade (em todos os níveis) em refletir assuntos que dizem respeito ao povo negro com os próprios sujeitos negros que se apresentam para discutir.Seguiremos resistindo e lutando para transformar e enegrecer a Universidade de São Paulo e todos os outros espaços que julgarmos necessários. E que a cada dia juntem-se a nós mais e mais pessoas negras que estudam na universidade se apoderando e ocupando espaços a nós historicamente negados.Queremos uma USP com menos “racist classes” e com mais cotas raciais que insiram a comunidade negra para transformar e guiar o conhecimento científico.

Dentro e fora da Universidade, RACISTAS NÃO PASSARÃO!

Foto: Jornalistas Livres

False Flag Collection

Sanguessugado do Informação Incorrecta

False flag: existem?

Max 

Operações false flag.
Será que existem de verdade? Ou são apenas o fruto das mentes paranoicas dos conspiracionistas?
Wikipedia:

Operação de falsa bandeira (false flag em Inglês) são operações conduzidas por governos, corporações, indivíduos ou outras organizações que aparentam ser realizadas pelo inimigo de modo a tirar partido das consequências resultantes. O nome é retirado do conceito militar de utilizar bandeiras do inimigo. Operações de bandeira falsa foram já realizadas tanto em tempos de guerra como em tempo de paz.

Se até Wikipedia, o site mais negacionista do universo, admite isso, então podemos afirmar que sim, as operações false flag existem mesmo. Afinal trata-se duma táctica de guerra bastante antiga, cujo nome deriva da atitude mantida no âmbito das batalhas navais (utilizar a bandeira do inimigo para conseguir aproximar-se à frota dele) e considerada aceitável sempre que, na iminência do ataque, a falsa bandeira fosse retirada e substituída pela verdadeira. Coisas do outros tempos.

A táctica do false flag é utilizada em vários níveis: pode ser uma acção de sabotagem perpetrada pelos serviços secretos dum País, mas pode também ser algo que encontramos nas nossas ruas.

A versão portuguesa da enciclopédia online reporta quatro casos acontecidos no século passado: 1931, 1939, 1953 e 1954. Só isso? Só isso. E é esquisito, pois as operações false flag são muitos mais frequentes. E não apenas tão antigas.

A seguir, eis 50 exemplos, todos amplamente comprovados, tanto perceber a importância desta táctica e o seu utilizo bastante comum. Estas não são "todas" as operações false flag: são apenas uma amostra.

1931

Tropas japonesas causaram uma pequena explosão ao longo duma linha ferroviária e acusaram a China para justificar a invasão da Manchúria. Este evento é conhecido como "O Incidente de Mukden" ou "Incidente da Manchúria". O Tribunal Militar de Tóquio concluiu que muitos dos participantes do plano, incluindo Hashimoto (um alto oficial do exército japonês) em várias ocasiões reconheceram as suas responsabilidades e declarou que o incidente tinha sido criado para ter uma desculpa para a ocupação da Manchúria por parte do exército Kwantug. (1 2 3 4)

1933

O general nazista Franz Haider testemunhou em Nuremberg que o líder Hermann Goering admitiu ter provocado o incêndio do parlamento alemão (Reichstag) para acusar os comunistas de incêndio criminoso (6)
1939

Um alto grau da SS nazista admitiu no julgamento de Nuremberg que, por ordem do chefe da Gestapo, ele e outros colegas criaram ataques contra o seu próprio povo para culpar os polacos e justificar a invasão da Polónia. (5)

1939

O líder soviético Nikita Khruschev admitiu por escrito que o exército russo tinha bombardeado a aldeia russa de Mainila para acusar a Finlândia e lançar a "Guerra de Inverno". O Presidente Yeltsin admitiu que a Rússia foi "um agressor na Guerra de Inverno" (7)

1940

No parlamento russo, Putin e o ex-líder Gorbachev admitiram que Joseph Stalin tinha ordenado que a "polícia secreta matasse 22.000 oficiais do exército polaco" e, em seguida, que fossem acusados os nazistas do massacre. (8)

1946/1948

O governo britânico admitiu ter bombardeado cinco navios de transporte de judeus que tentavam escapar do Holocausto para encontrar salvação na Palestina. A responsabilidade foi atribuída a um grupo inexistente chamado "Defensores da Palestina Árabe" (9) (10) (11) (12)

1954

israel admitiu que uma sua célula terrorista operou no Egipto instalando bombas em vários edifícios, incluindo as instalações diplomáticas dos EUA, e que a culpa foi atribuída aos árabes (as bombas explodiram prematuramente, o que permitiu que os egípcios identificassem os responsáveis e muitos israelitas confessaram) (13) (14) (15)

1950

A CIA admitiu ter recrutado pessoal iraniano para fazê-lo passar por comunistas e provocar assim explosões no Irão: a intenção era que o povo se revoltasse contra o seu primeiro ministro, democraticamente eleito. (16)

1955

O primeiro-ministro turco admitiu que o governo de Ankara bombardeou um consulado turco na Grécia com o objectivo de culpar Atenas e incitar a violência. (17)

1957

O primeiro-ministro britânico admitiu que o seu secretário da Defesa, em colaboração com o então presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, aprovou um plano para realizar ataques na Síria e culpar o governo local. O objectivo era conseguir uma mudança de regime. (18)

Décadas de '50/'60/'70/'80

O ex-primeiro ministro italiano, um juiz e um ex-chefe da contra-espionagem italiana admitiram que a NATO, com a ajuda do Pentágono e da CIA, levaram a cabo ataques terroristas na Itália e em outros Países europeus a partir dos anos '50 para culpar os comunistas; isso com o fim de levar as pessoas a pedir aos seus governos para combater o comunismo. Os ataques terroristas aconteceram nos seguintes Países: Italia, França, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Holanda, Noruega, Portugal, Reino Unido, Espanha.

Entre os falsos ataques:
1960: assassinato dum ministro turco
1966: bombas em Portugal
1969: massacre de Piazza Fontana, em Italia
1971: ataques terroristas na Turquia
1972: ataque de Peteano, na Italia
1974: ataque em Brescia e comboio Italicus em Italia
1977: massacre de Atocha em Espanha
1978: sequestro e assassinato do primeiro-ministro italiano Aldo Moro
1980: massacre da estação de comboio de Bolonha, em Italia
1985: massacre de 28 civis no Brabant, na Bélgica
(19) (20) (21) (22) (23) (24) (25)


1960

O senador americano George Smathers argumentou que os EUA lançaram umfalse flag em Guantanamo Bay como uma desculpa para derrubar Fidel Castro (26)

1961

Documentos oficiais do Departamento de Estado dos EUA mostram que o Chefe do Estado Maior e outros altos funcionários discutiram a possibilidade de explodir um consulado na República Dominicana para justificar a invasão daquele País. No entanto, os planos não foram postos em prática. (27)

1962

Como admitido pelo governo dos EUA, documentos recentemente desclassificados mostram que altos graus da Defesa assinaram um plano para explodir aviões americanos e cometer actos terroristas em solo americano, para depois culpar os cubanos e justificar assim a invasão de Cuba (28) (29) (30)

1963

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos escreveu um documento que promovia ataques contra Países que fazem parte da Organização dos Estados Americanos, como Trindidad e Tobago ou a Jamaica, para depois culpar Cuba (31)

1963

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos propôs também subornar alguém no governo Castro para atacar os EUA, especificamente a base de Guantanamo (32)

1964

A NSA admitiu ter mentido sobre o que realmente aconteceu no Golfo de Tonkin: manipulou os dados para fazer parecer que barcos norte-vietnamitas dispararam contra um navio norte-americano, a fim de criar uma falsa justificativa para a Guerra do Vietnam (33) (34) (35)

Décadas de '50/'60/'70

Um comité do Congresso dos EUA admitiu que, como parte da campanha Cointelpro (operação encoberta para desestabilizar grupos de protestos, da esquerda, activistas e dissidentes políticos dentro dos Estados Unidos), o FBI utilizou muitos provocadores para realizar violentos actos e atribuí-los a activistas políticos (36)

1970

Um general turco admitiu que as forças da Turquia queimaram uma mesquita em Chipre e a seguir culparam o inimigo (a parte grega da ilha). Explicou que "Na guerra especial certos actos de sabotagem são encenados e o inimigo é culpado para aumentar a resistência do público. Fizemos isso no Chipre: queimámos uma mesquita. (37) (38) (39)

1973

A CIA, em documentos desclassificados, revela um programa de treino para polícias e tropas estrangeiras para construir armadilhas explosivas e simular actos e investigações terroristas.
A CIA oferecia sessões de treino da seguinte forma:
- fornecia conhecimentos básicos no uso de bombas incendiárias, de demolição e militares
- fornecia conhecimentos acerca dos materiais comercialmente disponíveis e das técnicas de laboratório caseiras, utilizadas para a fabricação de explosivos e incendiários por parte de terroristas ou sabotadores
O programa fornecia aos estagiários amplas oportunidades para desenvolver conhecimentos básicos e usar de forma rentável, através da manipulação, preparação e aplicação de vários explosivos, agentes incendiários, técnicas de terrorismo e sabotagem. (40) (41)

1978

O Governo alemão admitiu que o serviço secreto alemão detonou uma bomba na parede exterior duma prisão e permitiu a fuga dum prisioneiro da organização terrorista Rote Armee Fraktion, que foi sucessivamente culpada do acto. (42) (43)

1979/'90

Um manual da CIA acerca de operações psicológicas, preparado para os rebeldes Contras na Nicarágua, revela o valor do assassinato de sujeitos amigos para criar "mártires" da causa.
O manual é "autenticado pelo governo dos EUA e divulgado pela Associated Press e outros meios de comunicação" e apresentado por Reagan durante um debate presidencial em 1984 (51) (52) (53)

1984

Um agente do Mossad, admitiu ter implementado um transmissor de rádio no gabinete de Khaddafi em Trípoli, na Líbia; este difundia falsas transmissões terroristas registadas pelo Mossad, com o fim de fazer crer que o líder da Líbia apoiasse o terrorismo. (44)

1989

O African Truth Sud e o Conselho de Reconciliação concluiu que o Departamento de Cooperação Civil (um ramo segredo do African National Congress, o ANC) abordou especialistas em explosivos para pedir que participassem numa operação para desacreditar o ANC, atacando um veículo da polícia e, em seguida, culpar do homicídio o ANC (45)

1990

Um diplomata e vários oficiais do exército da Argélia admitiram que o exército tem muitas vezes massacrados civis para depois atribuir a responsabilidade aos militantes islâmicos (46) (47)

1994

Uma publicação do Exército dos EUA, em seguida atualizada em 2004, recomenda o uso de terroristas e false flag para desestabilizar regimes de esquerda na América Latina. Falsos ataques foram realizados no continente e em outras regiões como parte da "guerra suja" da CIA. (48) (49) (50)

1988

A equipa de investigação indonésia que analisou os violentos distúrbios que ocorreram no País determinou que "elementos das forças armadas estavam envolvidos nos confrontos, alguns dos quais foram deliberadamente provocados". (54)

1999

Oficiais da intelligence e do exército admitiram que o russo KGB fez explodir prédios no território da Rússia para culpar os tchetchenos e justificar um ataque contra a Tchetchenia (55) (56)

2001

Oficiais da policia admitiram que em ocasião da Cimeira do G8 em Génova (Italia) utilizaram duas bombas Molotov e encenaram o esfaqueamento dum policial, a fim de justificar uma violenta repressão contra os manifestantes (60) (61)

2001

Os EUA têm acusado falsamente o Iraque de estar envolvido nos acontecimentos de 11/09, como evidenciado por uma nota do secretário de Defesa, para justificar o início da guerra no Iraque. Os mais altos funcionários do governo dos EUA admitem agora que a guerra tinha sido lançada para o petróleo, não para eliminar as inexistentes armas de destruição em massa (62) (63) (64) (65) (66) (67) (68) (69)

2001

O l'FBI admite agora que os ataques de antrax foram realizados por um ou mais cientistas do governo dos EUA; também um alto funcionário do FBI afirma que a agência, através da Casa Branca, teve a tarefa de culpar Al-Qaeda. Os funcionários do governo também confirmaram que a Casa Branca tem tentado vincular o antrax ao Iraque para justificar uma mudança de regime naquele País (70) (71) (72)

2002

Conforme relatado pela BBC, o New York Times e a Associated Press, oficiais da Macedónia têm admitido que o governo já matou imigrantes inocentes a sangue frio, alegando serem soldados de Al Qaeda que tentavam assassinar policiais macedónios para promover o terrorismo (57) (58) (59)

2002

De acordo com o Washington Post, a polícia indonésia admitiu que o exército indonésio matou professores americanos em Papua e atribuiu os assassinatos a um grupo separatista da ilha (73)

2002

O ex-presidente da Indonésia, Wahid, admitiu que o governo provavelmente teve um papel nos atentados em Bali (74)

2003

Na reunião da União Europeia em Atenas, a polícia colocou uma bomba molotov nas mãos dum activista pacifista (75)

2005

O advogado John Yoo, ex-Departamento de Justiça, sugeriu que os EUA atacassem Al-Qaeda através da criação dum falso grupo terrorista; em seguida, os ataques teriam criado confusão nas fileiras de Al Qaeda (76)

2005

O professor John Arquilla, analista da Defesa, pediu a criação dum falso grupos terroristas. Segundo o jornalista Seymour Hersh, vencedor do Prêmio Pulitzer, a estratégia já se encontrava em acto. (77) (78)

2005

Em Junho a United Press International informa que revoltosos no Iraque utilizam armas Beretta com números de série apagados e, segundo os analistas, isso significa que estas organizações terroristas eram apoiadas pelo governo dos EUA (79)

2005
Um soldado israelita sem farda admitiu ter atirado pedras contra outros soldados israelitas com o fim de culpar os palestinianos e ter uma desculpa para reprimir os protestos pacíficos. (80)

2007

A polícia do Quebec (Canada) admitiu que manifestantes com pedras no interior dum protesto pacífico eram, na verdade, "policiais disfarçados". (81) (82)

2007

Um coronel do exército colombiano admitiu que a sua unidade matou 57 civis e, em seguida, os corpos foram vestidos com uniformes e apresentados como rebeldes mortos em combate (87)

2008

O manual das operações especiais do exército dos EUA recomenda a utilização de forças terroristas. (83)

2008

Soldados norte-americanos admitem ter morto inocentes iraquianos e afegãos; depois largaram armas automáticas perto dos corpos e afirmaram serem militares (94)

2009

Nos protestos do G20 em Londres, um membro do parlamento britânico viu policiais em trajes civis incitar a multidão à violência (84)

2011

Políticos do Egipto admitem que funcionários públicos têm saqueado artefactos históricos de valor inestimável para culpar e desacreditar os manifestantes (85) (86)

2013

O escritor e jornalista do Telegraph Ambrose Evans-Pritchard argumenta que o chefe da intelligence da Arábia Saudita, o príncipe Bandar, admitiu controlar os terroristas tchechenos (88)

2014

Fontes americanas admitem que o Governo turco (membro da NATO) realizou ataques de armas químicas e culpou o governo sírio; facto confirmado também por parte dum político do governo turco. (89)

2014

Funcionários ucranianos admitem que os atiradores, quando começou o golpe em Kiev, dispararam contra ambos os lados para criar o máximo da confusão (90)

2014

A agência de espionagem britânica admite criar false flags e, em seguida, culpar determinadas pessoas ou organizações (91) (92) (93)

Vários

Agente policiais culpam pessoas inocentes por crimes que nunca cometeram, utilizando a técnica Throwdown, na qual é largada uma arma perto do corpo da vítima (como no caso dos agentes Rafael Pérez e Nino Durdene, da policia de Los Angeles, contra Javier Ovando) (95) (96) (97) (98) (99)

Como afirma Robert David Steele, 20 anos nos Marines, na intelligence policial e na CIA:

A maioria dos terroristas são terroristas false flag ou são criados pelosnossos próprios serviços de segurança. Nos Estados Unidos, cada acidente terrorista que tivemos foi um false flag ou foi "empurrado" pela FBI.

Exagerado? Provavelmente sim. Mas a táctica do false flag é uma estratégia muito utilizada. E não apenas pelos Estados Unidos.

Josef Stalin:

A maneira mais fácil de ganhar o controle duma população é realizar actos de terror. [O público] vai pedir por tais leis se a sua segurança pessoal estiver ameaçada.

E Stalin nem era um conspiracionsita...

Ipse dixit.

Fontes: no texto

Texto original: Global Research