quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Corrupção & capitalismo



Via Correio da Cidadania                             

Milton Temer 


O banqueiro André Esteves era exemplo da capacidade empreendedora dos "investidores" do "livre mercado". Hoje, deixou de ser "mocinho" e virou vilão na história do moderno capitalismo brasileiro. Vai ser largado por seus pares, por medo de contaminação.

Pura hipocrisia da parceria.

A participação de André Esteves na operação que vinha sendo organizada com o intuito de despachar Nestor Cerveró para o exterior, após habeas corpus a ser acertado com o Judiciário, é apenas um elemento a mais na comprovação de que corrupção não é raio em céu azul de um capitalismo "ético".

É apenas uma prova a mais de que corrupção e regime capitalista são categorias inerentes. O capitalista eficiente é aquele que, após esgotar a faixa de exploração da mais valia à sua disposição, vai encontrar espaço de expansão de "negócios" na privatização, por qualquer meio, principalmente os ilegais, da Res Publica, sem ser alcançado pelos limites da lei.

Sonegação de tributos, evasão de divisas, contratos superfaturados com obras públicas e por aí vai... Foi aí que Esteves mostrou sua fragilidade e "incompetência". Foi pego depois de manobra mal feita.

Na privataria do mandarinato FHC a sinergia entre grande capital e corrupção já havia ficado evidente de forma explícita, tanto na entrega das teles quanto na venda da Vale, para não relembrar o tenebroso Proer (em que R$ 40 bilhões do erário passaram a alguns banqueiros da patota mais próxima).

Nas telecomunicações, com a clara intervenção do Planalto a fim de beneficiar Daniel Dantas, a partir do próprio Planalto.

Na Vale, pela forma desassombrada como se entregou ao Bradesco a tarefa de avaliação de preço mínimo, ridículo, menor que o lucro anual, permitindo ao próprio Bradesco se beneficiar na compra das ações.
Mas, naquela época, nenhuma tentativa desestabilizadora foi acionada, por conta do apoio incondicional da mídia de direita ao sociólogo dos príncipes. No pedido de "impeachment" que, na condição de deputado, consegui levar a Plenário, uma única notícia veio a público sobre os 100 votos obtidos a favor. Numa página de "funério" da Folha de S. Paulo.

O que há de importante na prisão de Esteves é que seu peso nas maracutaias da Bolsa é expressivo. Não por acaso as ações supervalorizadas de seu grupo desabaram quase 30% num só dia. São os demais, ainda não atingidos, tirando o seu da reta. Entregando o dito cujo às piranhas, na esperança de que elas se saciem com a importância do atingido.

Termina nele e em Delcídio a operação do Supremo? A valer a intervenção da ministra Carmem Lúcia - que ninguém ousa citar nas "tratativas" - certamente que não.

Um tsunami pode estar se armando. O que vem pela frente pode abrir grandes oportunidades a uma esquerda atenta e mobilizada. Que saiba focar no essencial do combate estratégico e jogue para segundo plano as suas diferenças internas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.