sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Concluirá Macri seu mandato?





Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


Mauricio Macri assumirá o poder em um país dividido entre uma indelével metade que o elegeu e a outra metade, mais sólida, que votou contra ele. Nem bem assumiu,  alguns dos que votaram nele já começam a duvidar da escolha que fizeram, e outros anunciam mobilizações no mesmo dia e local onde receberá a faixa presidencial.

Macri é um dos últimos resquícios de uma geração que, da mesma forma que Vargas Llosa e Felipe González, continua pensando que o mercado é mais importante que os seres humanos; uma geração que ainda sonha com o fim da história, coisa em nem o próprio Fukuyama acredita mais.

Macri teve votos suficientes para ser presidente, mas não terá a suficiente sustentação política para fazer as mudanças que pretende. O Senado e os governos provinciais estão controlados pela oposição, e sequer tem maioria própria na Câmara dos Deputados. Na medida em que sua vocação autoritária o levar a tentar modificar as conquistas sociais conquistadas em mais de uma década de governo kirchnerista, encontrará as organizações populares em pé de guerra.

A América Latina se aproxima a cada dia mais da Rússia e da China, e cada vez mais se distancia dos ianques, e Macri não chegou ao poder para fazer um bom governo, mas para desestabilizar a região. Durante toda a sua campanha dizia que o país estava falido, mas mal ganhou as eleições e dirigiu todo o seu ódio contra a Venezuela, o que demonstra que é uma simples peça de um império em decadência, que busca manter o subcontinente como seu pátio dos fundos, conspirando contra os governos legítimos.    

Não se vislumbram bons tempos para os argentinos, e tampouco para Macri, que terá que governar em meio a tormentosos anos de enfrentamento com o movimento popular, se realmente quiser cumprir suas promessas do “paraíso” neoliberal.  

A maldição argentina

Na Argentina há uma espécie de maldição: nestes mais de 70 anos após a fundação do partido peronista, nenhum governo não peronista conseguiu terminar seu mandato, e assim foi com Arturo Frondizi, Arturo Illia, Raul Alfonsín e Fernando de La Rúa.

Além da metade dos argentinos, a própria História está contra ele. Hoje estão na mesa todos os condimentos para que essa regra continue a ser cumprida, e não há razões seguras para pensar que Macri possa ser a exceção a ela.





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