terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Boko Haram: O grupo terrorista mais mortífero do mundo, o último presente do Ocidente para a África

Via El espia digital



Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

O grupo terrorista que opera na Nigéria, Boko Haram, é agora oficialmente a organização terrorista mais mortífera do mundo. Segundo um recente relatório publicado pelo Índice de Terrorismo Global, seus integrantes foram responsáveis por 6644 mortes em 2014, em comparação com as 6073 atribuídas ao Estado Islâmico.  O analista político Dan Glazebrook opina que são as ações do Ocidente na região responsáveis por esse “presente” ao país africano.

A violência do grupo no país “é uma consequência direta da guerra travada por David Cameron e companhia contra a Líbia, e não era de todo inesperada”, escreve Glazebrook em seu novo artigo para RT. Particularmente a guerra da OTAN na Líbia permitiu ao grupo obter acesso a armas avançadas. De acordo com um relatório da ONU publicado no início de 2012, “uma grande quantidade de armas e munições dos arsenais líbios foram introduzidos por contrabando na região do Sahel”.

“A OTAN tinha transferido efetivamente todo o arsenal de um estado industrial avançado para as milícias mais sectárias de região: grupos como o Grupo Islâmico, Al Qaida do Magreb Islâmico  e Boko Haram”, assinala o analista.

Primeira vítima

A primeira vítima da guerra da OTAN fora da Líbia foi o Mali, para onde fugiram os combatentes tuaregs das forças de segurança do então líder líbio Muhammar Kaddafi, e que depois formaram uma insurgência no norte do país, lembra o expert. Os insurgentes fortemente armados foram derrotados pelas filiais regionais da Al Qaida, que logo transformaram o norte do Mali em outra base para treinamento e ponto de lança de ataques. 

Boko Haram, por sua parte, “beneficiou-se enormemente do vazio criado no norte do Mali”, tanto aperfeiçoando suas habilidades lutando junto a outros islamistas mais experimentados no Mali, como acumulando algumas das 15 mil peças de equipamento militar da Líbia. Isso teve “um efeito dominó devastador sobre a Nigéria”, onde os militantes já começaram a atuar com armas sofisticadas e táticas aprendidas nos campos de batalha do Mali

Tragédia totalmente previsível

O especialista opina que era totalmente previsível que a guerra da OTAN na Líbia levasse a essas conseqüências. Em junho de 2011, o então presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, expressou à OTAN a preocupação do continente pela transferência de armas, que poderiam terminar em mãos terroristas. Além disso, o Mali e a Argélia se opuseram firmemente à destruição da Líbia por parte da OTAN, precisamente em função da desestabilização massiva que poderia trazer à região.

Naquele momento,  o ex-chefe do Estado Maior das forças terrestres britânicas, o major-general Jonathan Shaw, escreveu que Kaddafi foi uma “peça-chave” do plano maior de segurança do Sahel”, cuja eliminação, portanto, conduziu a um colapso previsível da segurança em toda a região, destaca Glazebrook. 

Benefícios estratégicos do Ocidente

O auge do Boko Haram foi um dos resultados mais terríveis dessa desestabilização, e não passou sem levar benefícios estratégicos para o Ocidente. O especialista explica que, em dado momento, os EUA tinham considerado a Nigéria como um de seus aliados mais confiáveis no continente africano. Contudo, nos últimos anos esse país tem estado olhando cada vez mais para a China.

Os chineses estão tratando de se envolver em todos os setores da economia nigeriana. Em 2006, a China proporcionou à Nigéria um empréstimo a juros baixos de 8,3 bilhões de dólares para financiar a construção de uma nova e importante ferrovia, e no ano seguinte construiu um satélite de telecomunicações para a Nigéria. 

Cálculos errados dos EUA

Em 2010, o país africano assinou com os chineses um contrato de 23 bilhões de dólares para construir três refinarias de combustível, acrescentando 750 mil barris diários adicionais à capacidade de produção de petróleo da Nigéria.  O comércio bilateral entre os dois países no ano passado alcançou            os 18 bilhões de dólares. O volume dessa cooperação econômica “ajuda fortemente a capacidade da África para agregar valor a seus produtos, e assim socava a ordem econômica mundial ocidental, para qual a África se mantém como exportador subdesenvolvido de matérias primas baratas”.

Glazebrook acrescenta que em 2006 a Nigéria assinou um Memorando de Entendimento sobre o Estabelecimento de uma Associações Estratégica com a China, e foi o  primeiro país africano a fazer isso. A importância dessa relação “não é vista positivamente pelos EUA”.   






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