quarta-feira, 11 de novembro de 2015

TODOS OS DIAS O EXERCITO DE ISRAEL MATAM OS JOVENS PALESTINOS QUE VÃO PARA A ESCOLA OU PARA CASA



O exército israelense de ocupação e os meninos, as meninas e adolescentes da Palestina

Ramón Pedregal Casanova

 Resumen Latinoamericano / Rebelión / 04 de novembro de 2015 



O que pareceria se um exército estrangeiro invadisse seu país e roubasse suas riquezas, invadisse cada uma de suas províncias, invadisse cada uma de suas cidades e chegasse às altas horas da noite ante a porta de sua casa e a golpeasse, talvez até desfazê-la ou jogá-la abaixo, e caso tivesse dado tempo de abrir, tivesse entrado com seus fuzis e metralhadoras, em assalto, desse um tiro em cada membro de sua família em suas camas, em seus quartos, e na presença de todos pegasse seus filhos e filhas, cobrisse seus olhos com uma venda, os pusesse algemas com as mãos nas costas, (para então vocês, mãe, pai, avós protestarem vivamente, tentarem meter-se no meio. É possível que vocês conseguissem até abraçar seus filhos, porém os bandidos os teriam tirado com empurrões, socos, pontapés, coronhadas. Cobertos de golpes, teriam posto vocês contra a parede e ameaçado com o cano de suas armas sofisticadas em suas cabeças e seus peitos) e os invasores levassem seus filhos e filhas agarrados pelo pescoço até os jipes que deixaram na porta e em marcha, e você visse na traseira do veículo, pelo cabelo e pela roupa ou pelos braços e pernas levantados, sendo lançados contra o chão, e depois de fechar a porta do comboio e subirem os assaltantes, os visse desaparecer na noite? Comece a se perguntar o que pareceria isso para você?

Pois na Palestina isso é normal. O exército invasor israelense detém a maioria dos meninos palestinos, nas altas horas da noite, da maneira que contei. Em um quartel eles são interrogados sem defesa, sendo empregada a violência física e verbal. São encarcerados em celas de isolamento e presos sem que possam ver ninguém durante dias, durante meses, ficam isolados de tudo. Os invasores querem que eles contem sobre o que falam em sua casa, quem protesta mais contra os ocupantes, se sabem de alguém resistente à ocupação…

Quando um grupo de advogados ingleses que formam uma associação de defesa das crianças viu as meninas e os meninos tratados como descrito e protestou pedindo responsabilização, recebeu da promotoria militar dos invasores da Palestina a seguinte resposta: “cada criança palestina é um terrorista em potencial”.

Na Secretaria Geral da ONU pela Questão das Crianças tem uma resposta a essa afirmação. Foi proposto “incluir o exército sionista na lista das organizações terroristas, como Al Qaeda, Boko Haram, EI e Talibã”.

Alguns dados:

·         O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que “mais de 370.000 crianças palestinas de Gaza têm necessidade imediata de apoio psicossocial, primeiros socorros e cuidados, como consequência da agressão israelense”.
·         97% das crianças de Gaza sofreu violência por parte do exército israelense.
·         70% das crianças palestinas da Cisjordânia sofreu violência por parte do exército israelense.
·         Mais de 40% das crianças palestinas perdeu algum familiar na última guerra.
·         Outros 40% das crianças palestinas teve um familiar preso durante a guerra.
·         96% das crianças palestinas foi exposta aos gases lacrimogêneos.
·        85% das crianças palestinas foi vítima das invasões noturnas do exército israelense.
·         28% das crianças palestinas possui pelo menos um irmão na prisão.
·         37% das crianças palestinas foi ferida por munição real do exército israelense.
·         50% das crianças palestinas foi detida pelo exército israelense.
·         A isto é preciso acrescentar os castigos coletivos, como a limitação da liberdade de movimentos, o fechamento de territórios, os guetos, os campos de concentração, as humilhações diárias, os espancamentos, as demolições de casas, os assassinatos na rua, o fechamento dos colégios e universidades, a prisão de alunos e professores, o assalto aos hospitais, as detenções contínuas, os registros, os bombardeios, os incêndios de campos agrícolas e habitações, a destruição das árvores e das fontes de água…

Após a última conversa mantida com o doutor Mahmud Shewail, pedi que me dissesse sua impressão pessoal, humana, sem formalidades sobre a situação das meninas e meninos palestinos. Ele me disse o seguinte:

“A situação da população palestina, em especial a população infantil sob a ocupação, é frustrante. Os maiores não podem proteger a si mesmos dos ataques dos colonos, que são apoiados pelo exército israelense matando gente, queimando casa, árvores, especialmente oliveiras, igrejas, mesquitas, etc. E se os pais não podem se proteger, como vão oferecer proteção e segurança a suas crianças? E estas não podem se identificar com um pai derrotado e fraco. Esse é o conceito que têm as crianças dos pais e da sociedade.

Todos os dias matam jovens que vão à escola ou para casa, com a desculpa de que vão esfaquear um colono ou um soldado. Tudo mentira. Disparam na jovem ou no jovem e depois de matá-lo, colocam uma faca próximo a ele ou a ela. E existem testemunhos e vídeos que mostram suas mentiras. Em menos de duas semanas foram presas quase 300 crianças.

Estes jovens foram criados na segunda intifada e se rebelam contra a injustiça, a humilhação e a ocupação sionista. Centenas de crianças estão em prisões israelenses e se não são eles, são seus pais ou irmãos, amigos e parentes. Os jovens não enxergam o futuro, não conhecem outra vida, porém sabem que o qe existe não é vida.

Os palestinos hoje, atualmente, estão sozinhos, e o mundo árabe está ocupado com suas lutas e não importa o que acontece aqui. Por trás de tudo isso se encontram os Estados Unidos e Israel. A ONU não faz nada, e Israel, que é a única potência que leva a cabo a ocupação e colonização no mundo, tem o apoio dos Estados Unidos e de muitos países europeus. Não é somente da Palestina a responsabilidade pela luta por sua libertação. É de toda a humanidade”.

Dr.Mahmud Sehwail,MD, PhD
TRC President and Founder
Consultant Psychiatrist.

Durante o mês de outubro, o exército israelense e os colonos sionistas assassinaram 73 palestinos e palestinas (56 na Cisjordânia e 17 na Faixa de Gaza). Além disso, feriram com balas reais 1125 e com balas de borracha, 949.
Depois de tantos anos de colonização da Palestina, de expulsão de milhões de seus habitantes, de exploração impiedosa daqueles que ainda resistem, de perseguição e eliminação sistemática da infância palestina, dos crimes contínuos do grupo terrorista que constitui o Estado de Israel, é possível esperar algo positivo deste grupo? Faz falta às pessoas de bem da Palestina uma unidade ante o invasor, cabe às pessoas de bem de todo o mundo tão somente a solidariedade urgente com o povo palestino.

Ramón Pedregal Casanova é autor de “Gaza 51 días” [Gaza 51 dias].


Fonte: www.resumenlatinoamericano.org/2015/11/04/el-ejercito-israeli-de-ocupacion--y-los-ninos-las-ninas-y-adolescentes-de-palestina/

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