quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Se aprofunda o desastre nuclear em Fukushima




Ernesto Carmona (*)

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


Proyecto Censurado





Continua sem ser resolvida a débâcle de 2011 do reator nuclear em Fukushima, no Japão, apesar das garantias das autoridades governamentais e dos principais meios de informação de que a situação foi contida e apesar também da avaliação da Agência Internacional de Energia Atômica, da ONU, afirmando que o Japão fez “progressos significativos” na limpeza do local do reator. 

O contínuo vazamento da água de refrigeração extremamente radioativa da central nuclear destruída no Oceano Pacífico, que começa a ser detectado na costa do Japão, tem o potencial de impactar áreas inteiras do Oceano Pacífico  e da costa ocidental da América do Norte. Além  da possível liberação de plutônio no Pacífico, a Tokyo Electric Power  Company (TEPCO), admitiu recentemente que a instalação libera todos os dias grandes quantidades de água contaminada com trítio, césio e estrôncio no oceano.

Embora reconheça que a água que ainda permanece nos tanques da usina de Fukushima esteja muito “contaminada”, uma declaração de 2014 da Autoridade de Radiação Nuclear do governo japonês confirmou a decisão de descarregar essa água remanescente no Pacficico. Além da possível liberação de plutônio no Oceano Pacífico, a TEPCO admitiu que a instalação está liberando no oceano água contaminada com alarmantes 150 milhões de becqueréis de trítio e 7 bilhões  de becqueréis de césio e estrôncio. Contrastando com isso, o governo japonês não permite vender a seus cidadãos mais de 100 becqueréis por quilograma. “Essa água contém plutônio 239 e sua liberação no oceano tem repercussões tanto locais como globais”, escreveu Michel Chossudovsky em Global Research.   

Em agosto de 2014, a TEPCO reconheceu que quase todas a barras de combustível do reator nº 3 da central nº 1 tinham se derretido em cosequência do terremoto e do tsunami, informou Sarah Lazare, de CommonDreams, baseando-se em fontes da imprensa japonesa. Anteriormente, a TEPCO tinha estimado que somente 63% do combustível nuclear do reator havia se derretido. A declaração da TEPCO também assinalou que o combustível começou a fusão seis horas antes do que se acreditava anteriormente. Ambos os fatores, escreveu Lazare, tornariam mais difícil a extração e eliminação do combustível derretido. 

Mais de quatro anos após o tsunami e o terremoto terem devastado Fukushima, os meios corporativos não tratam essa catástrofe em andamento como se ela fosse de significativo interesse jornalístico. Em troca, o maior desenvolvimento da cobertura dos grandes meios corporativos se enfoca em se outros países, incluindo os EUA, estão adequadamente preparados se chegar a ocorrer um tipo similar de desastre nuclear. Certamente essa é uma consideração importante, mas dramaticamente permanece sem registro na imprensa corporativa a difícil situação das pessoas deslocadas pelo desastre, sem falar nas suas perspectivas a longo prazo nem das conseqüências ambientais potencialmente globais. 

Em maio de 2015, a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão deu a autorização final para reiniciar operações na Central Nuclear de Sendai, que é propriedade da Companhia de Energia Elétrica de Kyushu. É a primeira central de energia nuclear da nação que retomará operações  sob as novas regulamentações do governo desde o desastre de Fukushima em 2011. Russia Today informou que “apesar das objeções de quase dois terços da população” o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe “quer centrais nucleares para suprir entre 20 e 22 por cento das necessidades energéticas do Japão em 2030”.  

(*) Ernesto Carmona, jornalista e escritor chileno, jurado internacional do Proyecto Censurado.


Nota:
As 25 noticias mais censuradas estão publicadas em espanhol em: https://mapochopress.wordpress.com
Fontes:

“TEPCO Drops Bombshell About Sea Releases; 8 Billion Bq Per Day,” Simply Info: The Fukushima Project, August 26, 2014, http://www.fukuleaks.org/web/?p=13700 .

Sarah Lazare, “Fukushima Meltdown Worse Than Previous Estimates: TEPCO,” Common Dreams, August 7, 2014, http://www.commondreams.org/news/2014/08/07/fukushima-meltdown-worse-previous-estimates-tepco.

Michel Chossudovsky, “The Fukushima Endgame: The Radioactive Contamination of the Pacific Ocean,” Global Research, December 17, 2014, http://www.globalresearch.ca/the-fukushima-endgame/5420188 .

Estudante pesquisador: Cassie Kahant (Florida Atlantic University)

Avaliador académico: James F. Tracy (Florida Atlantic University










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