sexta-feira, 20 de novembro de 2015

México. Justiça suspende Monsanto de produzir soja transgênica

Via IHU


Comunidades indígenas maias dos Estados de Campeche e Yucatán vibraram com a decisão da Suprema Corte de Justiça de suspender provisoriamente as licenças outorgadas à transnacional Monsanto para cultivar soja transgênica. tribunal argumentou que quando a autorização foi concedida – durante o governo do ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) – a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação não considerou o direito de consulta que têm as comunidades indígenas, estabelecida pela Constituição mexicana.

A reportagem é publicada por Noticias Aliadas, 13-11-2015. A tradução é de André Langer.

A Segunda Sala da Suprema Corte de Justiça ordenou a realização de uma consulta às comunidades maias atingidas, embora a sentença, publicada em 04 de novembro, não tenha levado em conta os danos ao meio ambiente causados pela produção de soja transgênica.

“Conseguimos!”, anunciou nas redes sociais Gustavo Huchín Cauich, apicultor maia do município de Hopelchén, em Campeche, que liderou uma campanha contra a Monsanto através da Change, plataforma de petições da internet.

“A Suprema Corte posicionou-se a favor das comunidades maias contrárias às licenças concedidas pelo governo federal à Monsanto para semear soja transgênica. Isto significa que a Monsanto não poderá semear soja transgênica na Península do Yucatán, e que a única forma de outorgar essas licenças seria fazendo uma consulta prévia a nós como integrantes das comunidades que poderiam ser afetadas”, disse Huchín Cauich.

Mel orgânico em perigo

Mais de 25 mil famílias indígenas que se dedicam à apicultura orgânica foram afetadas pelos cultivos transgênicos da Monsanto, que superam os 250 mil hectares no sudeste do país. Em 2011, a União Europeia interrompeu a importação desse produto ao encontrar vestígios de pólen geneticamente modificado. Depois disso, os agricultores apresentaram uma série de recursos de amparo solicitando a proibição do cultivo de soja transgênica.

Segundo Huchín Cauich, “o cultivo da soja transgênica afeta a apicultura, uma prática histórica e tradicional do povo maia e viola o direito a um ambiente saudável, devido ao uso excessivo de pesticidas e o desmatamento que implica. Atualmente, já são milhares de hectares de floresta que foram desmatados para dar lugar a plantações de soja. A nossa floresta, que é a última do país”.

Diversos estudos demonstraram que a soja transgênica afeta a produção de mel ao mudar o sabor e a qualidade do produto. O cultivo da soja transgênica obriga ao uso do herbicida glifosato, que foi considerado como provavelmente cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde, além de afetar as abelhas e ser fonte de poluição do solo.

“Este ano fomos testemunhas de como os produtores de soja, em sua maioria grandes produtores que vieram de fora da região, aumentaram as fumigações de pesticidas com aviões agrícolas, colocando em risco a saúde da população e das abelhas, que são a nossa principal fonte de renda”, precisou Huchín Cauich.

O México é o sexto maior produtor mundial de mel e o terceiro maior exportador depois da Argentina e da China, contribuindo com 10% das 300 mil toneladas que são comercializadas anualmente no mundo

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