domingo, 1 de novembro de 2015

Levy caça saída “ideológica” para sua própria incapacidade.

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Brito


A declaração do Ministro Joaquim Levy de que o governo pode reduzir a participação da Petrobras no pré-sal deve ser lida muito além de uma simples e abjeta adesão ao projeto criminoso de José Serra.

É óbvio, mesmo se deixarmos de lado as objeções tantas vezes expostas aqui de como isso é um atentado ao controle brasileiro sobre um tesouro imenso descoberto – repita-se sempre –  solitariamente pela Petrobras,  que num mercado de petróleo deprimido, a menos de 50% do preço por barril que se verificava há pouco mais de um ano, é mau negócio vender uma jazida gigantesca. Raciocínio simples como o de vender um imóvel num momento de baixa no mercado.

Não é, portanto, econômica a razão.

Se não é econômica, claro, é política.

Joaquim Levy não é mais o imperador das finanças dentro do Governo.

E não é porque tenha sido “sabotado” pela Presidenta ou pelo PT, ou pela esquerda.

A razão é outra: recebeu a carta branca para cortar despesas mas não entregou o prometido apoio do sistema a algum grau de confiança empresarial e aceitação de ajustes nos impostos.

Verdade que, em parte, pela crise política no Congresso, mas verdade também que seus padrinhos não bancaram politicamente os sacrifícios.

Se não pôde ser herói, Levy opta pelo papel que resta, o de vítima.

Planta notas de que anda com uma carta de demissão na pasta.

Provoca o quanto pode, para ver se os ingênuos gritam “Fora, Levy”, para que se aponte na ideologia sua inevitável saída do Governo.

Não é.

É a incapacidade. E olhe que é uma proeza fazer o Brasil, que se tornou baratissimo para o investimento estrangeiro, não estar vivendo um imenso afluxo de capitais.

O megacampo de Libra, por exemplo, hoje, custaria a metade do preço, em em dólares, do que na época do leilão.

O que Joaquim Levy procura é a ideologização de seu fracasso.

Ninguém atribui, porém, o papel tranquilizador desempenhado por Henrique Meirelles sobre os investidores a um impensável “esquerdismo” do ex-presidente do Bank Boston”.

O problema de Levy é só um: a realidade.

Deixou de ser plausível que, além das colunas econômicas e de um destes espasmos da Bolsa que ocorrem até porque pousa uma borboleta na Bolsa de Beijing, que a turma da bufunfa se debulh em lágrimas por sua queda, sobretudo se deu substituto seja “insuspeito” de esquerdismos.

Levy está bebendo de seu próprio cálice envenenado de paralisar o Brasil.



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