quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cultura Inútil: Sobre a avareza e os avarentos

Via Boitempo

Mouzar Benedito

avareza mouzar

Pão-duro, fominha, filárgiro, munheca, mão de vaca, ridico (corruptela de ridículo), vinagre, casca, socranca, somítico, gaveteiro, sovina, forra-gaitas, muquirana, mofino, agarrado, usureiro, morrinha, avarento, avaro, cobiçoso, unha de fome, miserável, mão fechada, mesquinho, sórdido, munheca de samambaia, sovelão, resmelengo, muxiba, fuinha, morto de fome, tacanho, sovina, unhaca, tranca, mão-de-vaca… São muitos os sinônimos que identificam as pessoas obcecadas por acumular dinheiro.

Pensei neles ao assistir a um programa de TV chamado “Os muquiranas”, num canal por assinatura. É produzido nos Estados Unidos, e dedica um programa inteiro a um personagem, para mostrar como ele economiza tudo o que pode, e se orgulha disso. Entre os programas que vi, horrorizado, um foi de uma moça que nunca comprava comida, ia ao lixo dos supermercados e pegava tudo o que jogavam fora. Ela disse que os funcionários dos supermercados não gostam, mas ela se vestia de mendiga, com trapos sujos, e aí eles não ligavam. Vi no programa que ela havia convidado o casal para jantar e por isso precisava pegar bastante comida no lixo. Eram não só alimentos com data vencida, mas também frutas, legumes e verduras estragados, de que podia aproveitar parte. Vestiu-se de mendiga e foi catar tudo entre as coisas jogadas for por um supermercado. Não precisava disso, tinha dinheiro, mas contava que assim economizava não sei quantos dólares por mês.

Nos casos que vi, havia um sujeito que, depois de usar o fio dental, o lavava e punha para secar, para usar de novo. Lá usa-se muito levar roupas para lavar em lavanderias, em que se coloca uma moeda numa máquina e ela faz o serviço. Um pão-duro desses ia para essas lavanderias, via as pessoas que não levavam roupas suficientes para encher uma máquina e pedia para colocar as suas com as delas. “Assim, economizo dois dólares”, dizia.

Conheci muitos do tipo, e acho que todo mundo conhece..

Já publiquei, antes de conhecer esse programa televiso, uma crônica numa revista, sobre isso, com o título “A alegria dos herdeiros”. Lembrei-me de alguns casos, mas não vou me ater a eles aqui.

Meu interesse é tornar público o “capital” de frases e ditados sobre o assunto, que acumulei durante um bom tempo. Porém, acho que vale, antes das frases vale contar umas historinhas bem resumidas:

1. Na minha infância, praticamente todas as casas da cidade tinham fruteiras no quintal, e seus donos deixavam apanhar frutas nelas. Muito poucos “ridicavam”, mas aí tínhamos um prazer especial em roubar frutas deles.

Lembro-me de um que tinha várias laranjeiras que ficavam carregadas de frutas maduras e boa parte delas apodreceriam sem ser consumidas, mas ele não dava a ninguém. De vez em quando algum menino se arriscava a pedir autorização para apanhar laranjas e o diálogo era sempre o mesmo:

— Seu Fulano, tem muita laranja madura no seu quintal…

— Dois cruzeiros a dúzia — respondia ele antes que o menino pedisse.

2. Quando cheguei em São Paulo, fui morar numa pensão que tinha nos fundos um terreno com jeitão de abandonado, cheio de pés de mamona, com um barraco no meio. Nele, morava um velho carroceiro, seu Pepino. Vivia sujo e maltrapilho, não tinha água corrente no barraco e nem vaso sanitário. Fazia as “necessidades” atrás dos pés de mamona. Um dia o vi chegando todo feliz porque ganhou um par de sapatos usados já bem velhos, mas que ele achava que estavam bem bons ainda. Perguntei sobre ele aos donos da pensão (que era num casarão bem grande na rua Lisboa, bairro de Pinheiros). Aí fiquei sabendo que a casa da pensão era desse velho, que tinha também umas dez casas alugadas na rua dos Pinheiros e o prédio onde funcionava uma padaria, hoje é uma farmácia, na esquina da rua Teodoro Sampaio com a Henrique Schaumann. Recebia uma nota braba por mês em aluguéis.

3. Nessa pensão, um rapaz chamado Justino nunca pegava ônibus para ir ao centro da cidade. Ia sempre de bonde, que era um pouquinho mais barato. E o ônibus era barato na época. Para completar, só atravessava a roleta na hora de descer, pois quando havia algum carro quebrado ou acidentado em cima dos trilhos, o motorneiro — “motorista” daquele tipo de veículo — abria as portas para todo mundo descer, porque às vezes demorava para tirarem o carro que impedia que o bonde continuasse a viagem. Assim, quem não tinha passado pela roleta descia sem pagar a passagem. Quando faltava um quilômetro para chegar no ponto em que ia descer, o Justino ficava torcendo para que houvesse algum carro quebrado nos trilhos. E ele era bem de vida, ganhava muito bem. Morava na pensão, com várias pessoas num quarto, por puro pão-durismo.

4. Ainda São Paulo, numa república de amigos, tinha um sujeito com mania de inglês que tomava chá todos os dias às 5h da tarde. Só que era mate, que ele comprava e mantinha num armário trancado, não dava chá ninguém. E pior, procurava sempre não pagar a sua parte das despesas da república. Um dia comprou um rádio, mas quando ia trabalhar levava o fio dele, pra ninguém ouvir. Até que um dia o proibiram ouvir o rádio também: “O rádio é seu, mas a luz nós todos pagamos”. Mereceu.

5. No interior paulista, conheci uma mulher riquíssima que lavava, secava e reutilizava coadores de café, de papel teoricamente não reutilizável.

6. Um dos homens mais ricos de uma cidade do interior mineiro gostava muito de ler jornal, mas sempre lia o do dia anterior, que alguém lhe dava de graça. E soube-se que ele andou “pegando uma boia” em instituições que davam comida para pobres.

7. Falando em jornal, um colega de trabalho de escritório me esperava ansioso, todos os dias, para ler o jornal que eu comprava. Comecei a ficar invocado, perguntei porque ele não comprava. A resposta foi que o jornal só falava mentiras. Mas lia o que eu comprava. Um tempo depois, eu soube que ele não tinha despertador em casa (naquela época um despertador custava um pouquinho mais do que hoje, mas não era caro). Contou que ele se levantava todos os dias às 6h da manhã. Um vizinho que saía de casa nesse horário para trabalhar tocava a campainha e ele se levantava. Fiquei pasmo, perguntei o que acontecia quando o vizinho ficava doente ou saía de férias. Não respondeu, ficou resmungando sobre pessoas que desperdiçam dinheiro.

8. Enfim, não estranho quando vejo notícias de prefeitos ricos canalhas que colocam a mulher e os filhos na bolsa família, pra ganhar um dinheiro que deveria ir para famílias pobres. São pessoas desprezíveis, ridículas mesmo.

Algumas considerações

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A palavra avaro origina-se do latim, e significa ávido por cobre.

Pão-duro é de origem carioca: um homem que mendigava e suplicava às pessoas que lhe dessem qualquer coisa, mesmo que fosse um pedacinho de pão duro, e por isso pegou o apelido de Pão-Duro. Quando ele morreu, descobriu-se que ele era bastante rico, tinha muito dinheiro em depósitos bancários e várias casas de aluguel nos subúrbios do Rio. Amaral Gurgel escreveu uma peça que teve muito sucesso inspirada nele, e o personagem Pão-Duro foi representado por Procópio Ferreira.

Mas muito antes disso já existia um provérbio espanhol que diz: “A pão duro, dente agudo”, e Miguel de Cervantes usou um personagem chamado Panduro, no “Entremez da Eleição dos Alcaides de Daganzo”.

A palavra pleonexia, em grego, significa o desejo exagerado de ter riquezas. Jesus teria falado aos seus apóstolos sobre a presunção do avarento de que as pessoas e as coisas, tudo e todos, enfim, existem para o benefício dele. Os textos escritos pelos apóstolos foram traduzidos para o grego e para o latim. Na tradução dessa fala para o grego, o termo usado para a avareza foi esse, pleonexia.

Frases e ditados sobre avareza e avarentos

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Mahatma Gandhi: “O mundo é suficientemente grande para satisfazer as necessidades de todos, mas sempre será demasiado pequeno para a avareza de alguns”.

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Rigoberta Menchú: “A nós, os maias, nos ensinam desde pequenos que nunca há que se tomar mais do que se necessita para viver”.

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Padre Manuel Bernardes: “Ao avarento e ao pródigo falta o mesmo que lhes não falta; porque todos os tesouros da terra são poucos para tornar, um a lançá-los no mar, outro a escondê-lo na terra”.

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Antoine Rivarol: “Há homens que não conseguem obter mais nada da sua riqueza além do medo de a perder”.

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Friedrich Engels: “Desde o primeiro dia até hoje, a avareza pura tem sido o espírito impulsor da civilização”.

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Provérbio belga: “O avarento esfolaria um piolho para obter sua pele”.

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Erich Fromm: “Enquanto todo o resto do mundo deseje ter mais, se formarão classes, haverá luta de classes, haverá uma guerra internacional”.

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Autor desconhecido: “Estou latindo à noite pra economizar o meu cachorro”.

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O povo (ditado popular): “A avareza é madrasta de si mesma”.

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Dante Alighieri: “A avareza é de natureza tão ruim e perversa que nunca consegue acalmar seu afã: depois de comer tem mais fome”.

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La Fontaine: “O avarento perde tudo ao querer ganhar tudo”.

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Anônimo: “A avareza é um contínuo viver na pobreza por medo de ser pobre”.

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Epicuro: “Queres ser rico? Pois não te anseies em aumentar teus bens, e sim em diminuir sua cobiça”.

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Coelho Neto: “Quem fica debruçado a contemplar tesouros esquece todos os deveres. A avareza é um crime”.

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Coelho Neto, de novo: “Se o corpo é a sede da alma, o verdadeiro corpo, do avarento, é o cofre, porque nele está sempre o seu sobressaltado espírito, irradiando desconfiança, alerta ao mais leve ruído”.

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Maquiavel: “É melhor que o Príncipe seja considerado mesquinho, já que a avareza é um dos vícios que sustentarão seu regime”.

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George Herbert: “O mesquinho leva em si seu próprio inferno”.

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Eva Perón: “Mais abominável ainda que os imperialistas são os homens das oligarquias nacionais que se entregam vendendo e às vezes dando em troca de moedas ou de sorrisos a felicidade de seus povos”.

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Ítalo Slevo: “Um dos primeiros efeitos da beleza feminina sobre o homem é o de tirar-lhe a avareza”.
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Máxima judaica: “Ser avarento é pior do que ser pobre”.
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O povo (ditado popular): “Mortalha não tem bolso”.

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A Bíblia (Êxodo 18:21): “Procura dentro o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza; põe-nos sobre eles por chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez”.

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A Bíblia, de novo (Provérbios 1;19): “Tais são as veredas de todo aquele que se entrega à cobiça; ela tira a vida dos que a possuem”.

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Públio Siro: “À pobreza faltam muitas coisas, à avareza falta tudo”.

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O povo (ditado popular): “Ao avarento tanto lhe falta o que tem como o que não tem”.

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Leonardo da Vinci: “Aquele que mais possui, mais medo tem de perder o que tem”.

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Berilo Neves: “Há criaturas tão sovinas que não se consegue extrair delas coisa alguma – nem mesmo um dente”.

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Thomas Paine: “Embora a avareza impeça um homem de se tornar necessariamente pobre, geralmente torna-o demasiado timorato para enriquecer”.

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O povo (ditado popular): “O avarento, por um real, perde cento”.

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Aristóteles: “Os avarentos amealham como se fossem viver para sempre, os pródigos dissipam como se fossem morrer”.

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Aristóteles, de novo: “Avarento é o que não gasta no que deve, nem o que deve, nem quando deve”.

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Horácio: “O homem avarento é cheio de temores, e quem vive com temor será sempre um escravo”.

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O povo (ditado popular): “Mau rico é o rico avarento, mas pior é o pobre soberbo”.

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O povo (ditado popular), de novo: “O avarento rico não tem parente nem amigo”.

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Groucho Marx: “Algum para todos e todos para mim, eu para vocês e três para cinco, e seis para vinte…”.

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Gengis Khan: “O céu se cansou da soberba e do luxo da China… Eu sou do norte bárbaro. Uso a mesma roupa e como os mesmos alimentos que os pastores de vacas e de cavalos. Fazemos os mesmos sacrifício e compartilhamos nossas riquezas. Vejo a nação como a um bebê recém nascido e me preocupo pelos meus soldados como se fossem meus irmãos”.

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Montesquieu: “A luxúria é como a avareza: quanto mais tesouros tem, mais sôfrega se torna”.

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Catão: “Foge do luxo; ao mesmo tempo lembra-te de evitar o crime da avareza: ambos prejudicam a reputação”.

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Vittorio Buttafava: “O absurdo da avareza está no fato de o avaro viver como pobre e morrer como rico”.

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Lao-Tsé: “O homem sábio não acumula. Quanto mais ajuda aos outros, mais se beneficia ele mesmo. Quanto mais dá aos outros, mais obtém ele mesmo”.

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Bion: “O avarento guarda o seu tesouro como se fosse seu; mas teme servir-se dele como se na realidade pertencesse a outrem”.

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Ditado caipira: “O homem que junta dinheiro não tem fé em Deus”.

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Clarice Lispector: “O prazer é abrir as mãos e deixar escorrer sem avareza o vazio-pleno que estava encarniçadamente prendendo. E de súbito o sobressalto: ah, abri as mãos e o coração, e não estou perdendo nada! E o susto: acorde, pois há o perigo do coração estar livre! Até que se percebe que nesse espraiar-se está o prazer muito perigoso do ser. Mas vem uma segurança estranha: sempre ter-se-á o que gastar. Não ter pois avareza com esse vazio-pleno: gastá-lo”.

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Plutarco: “A avareza é um tirano cruel: manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdita o gozo”.

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Luís Freitas Rodrigues: “O avarento possui riquezas mas vive como pobre. É rico porque tem bens, tem riquezas; mas vive como se não tivesse nada, como se fosse tão pobre como os demais pobres”.

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Jean de Lá Bruyère: “O avarento gasta mais no dia da sua morte do que gastou em dez anos de vida, e o seu herdeiro mais em dez meses do que ele na vida inteira”.

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O povo (ditado popular) “Do faminto avarento o mundo ri, pois nada do que junta é para si”.

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O povo (ditado popular), de novo: “Quem guarda com fome, o gato come”.

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Boécio: “A avareza torna o homem odioso; a liberalidade torna-o estimado”.

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Marquês de Maricá: “A morte de um avarento equivale à descoberta de um tesouro”.

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Marquês de Maricá, de novo: “O pobre lastima-se de querer e não poder, o avarento ufana-se de que pode, mas não quer”.

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Cid Cercal: “Avarento – indivíduo pobre, que em geral possui muito dinheiro”.

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Francisco de Quevedo: “O avarento preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver”.

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Quevedo, de novo: “Quando o avarento diz: tenho um tesouro, o preso diz: tens um cárcere”.

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Provérbio armênio: “É mais fácil fazer um buraco na água que obter uma moeda de um avarento”.


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Giovanni Boccaccio: “Em tempos idos, nossa cidade [Florença], existiram costumes muito lindos e louváveis dos quais hoje não sobrou nenhum, e isso ocorre por causa da avareza desmedida”.

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Miguel de Unamuno: “É detestável essa avareza espiritual que têm os que, sabendo algo, não procuram a transmissão desses conhecimentos”.

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Sêneca: “Para a nossa avareza, o muito é pouco; para a nossa necessidade, o pouco é muito”.

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Sêneca, de novo: “O avarento nunca faz a coisa certa, a não ser quando morre”.

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Shakespeare: “Avarento imaturo: por que se ocupa de soma tão grande, se viver não consegues?”.

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Balzac: “A avareza é um nó corredio que aperta cada dia mais o coração e acaba por sufocar a razão.

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Padre Antônio Vieira: “O avarento chama pródigo ao liberal; o covarde temerário ao valente; o distraído hipócrita ao modesto; e cada um condena o que não tem, por não confessar o que lhe falta”.

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Ildefonso Falcones: “O que tem dinheiro quer mais; nunca está contente e nunca estará”.

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Benjamin Franklin: “É mais fácil reprimir a primeira cobiça do que satisfazer a próxima”.
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Provérbio turco: “O avaro perde mais que o generoso gasta”.

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Plutarco: “A bebida mata a sede, a comida satisfaz a fome; mas o ouro não apaga jamais a avareza”.

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O povo (ditado popular): “Detesta-se o avarento porque nada há que ganhar com ele”.

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Mark Twain: “Os generosos ficam felizes ao ver os outros felizes; os avarentos não procedem assim, porque podem conseguir uma felicidade mil vezes maior não fazendo isso. Não existe outra razão”.

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Plínio: “A avareza tem se apoderado de tal maneira dos homens que, em vez de ser eles que possuem as riquezas, parecem ser estas que possui a eles”.

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Simone Weil: “O avarento, pela ânsia de seu tesouro, se priva dele”.

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Tobias Barreto: “A teoria é sempre franca e generosa. A prática, porém, sempre mesquinha e sovina”.

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Thomas Fuller: “A riqueza tem criado mais avaros do que a avareza homens ricos”.

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O povo (ditado popular): “Dinheiro em fundo de baú é que nem mijo de ‘oveia’: não serve nem ‘arremedeia’”.

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Salustio: “A avareza perverte a fidelidade, a honestidade e todas as demais virtudes”.

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Jean Paul Getty: “Um milionário é sempre um derrotado: se gasta com liberalidade, criticam-no por ser extravagante e amante da ostentação; se leva a vida quieta e econômica, chamam-no de avarento e sovina”.

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Provérbio malgaxe: “Um rico avarento, só depois de morto encontra quem o carregue”.

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Outro provérbio malgaxe: “A abundância do avarento é tão inútil quanto o excesso de patas do caranguejo”.

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Fray Luis de Granada: “Nunca faltarão onda no mar, nem ira e tristeza no coração do avarento”.

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São Bernardo: “Avareza é viver na pobreza por medo da pobreza”.

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Ditado português: “Da pataca do sovina o diabo tem três tostões e dez réis”.

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Juvenal: “Os outros homens são donos de sua fortuna; o avarento é escravo da sua”.

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Juvenal, de novo: “É uma grande loucura viver pobre para morrer rico”.

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Provérbio japonês: “O avarento, se pudesse, acenderia o fogo atritando as unhas”.

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Remarques: “O avarento experimenta simultaneamente as preocupações do rico e as penalidades dos pobres”.

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Saint-Exupéry: “E de que serve possuir as estrelas? Me serve para ser rico. E de que serve ser rico? Me serve para comprar mais estrelas”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

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