domingo, 1 de novembro de 2015

Cuba 191, EUA 2



Ángel Guerra Cabrera

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


Os números costumam ser eloqüentes. A ONU conta com 193 Estados-membros. Deles, 191 votaram em 27 de outubro a favor do projeto de resolução cubano: “Necessidade de por fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Somente a potência imperial e seu inapresentável sequaz sionista votaram contra. Não houve abstenções. Nunca na história da ONU uma questão litigiosa apresentada por um Estado recebeu um apoio tão contundente dos demais Estados-membros.



Com essa, já são 24 resoluções semelhantes votadas favoravelmente em igual número de anos desde 1992. Na primeira, 59 países apoiaram Cuba e 71 se abstiveram, mas em 2014, quando os sufrágios a favor já chegavam a 188, houve ainda três abstenções. Desnecessário indicar os que votaram contra.



Contudo, desta vez até os mais débeis e dependentes Estados insulares do Pacífico respaldaram a resolução cubana. Isso mostra o repúdio unânime gerado pelo genocida bloqueio e confirma o isolamento e a perda de prestígio e hegemonia internacionais que os Estados Unidos sofrem. Pois falando com moderação, o tema dista muito de ser o único no qual a outrora potência unipolar não pode evitar que saiam por todos os seus poros a arrogância, a prepotência e a lamentável e  belicista síndrome de excepcionalidade. 



Por outro lado, essa contundente vitória de Havana, que os polvos midiáticos tem tratado de minimizar, é uma conveniente e oportuna lembrança aos que dão a contenda como terminada, de que o conflito entre Cuba e Estados Unidos não chegou ao fim. Sim, tem sido muito positivo o restabelecimento das relações diplomáticas; isso abriu para o bem um fluído canal de diálogo entre as partes, que não existia. Ainda há que lembrar que Obama pediu ao Congresso o levantamento do bloqueio.  Contudo, como reitera o governo cubano, é somente o começo de um “longo e complexo processo” em direção à normalização das relações.



O referido processo somente continuará quando os Estados Unidos ponham fim ao virtual estado de sítio econômico, cesse suas ingerencistas transmissões de rádio e televisão em direção à ilha, acabe com seus planos subversivos contra o sistema sociopolítico cubano e devolva o território ocupado da Base Naval de Guantánamo. Nada disso aconteceu. 

O bloqueio sofreu um tímido relaxamento em alguns aspectos, mas uma vez mais foi recrudescido  neste anos, particularmente no que se refere à perseguição  e castigo implacáveis das operações financeiras de Cuba. Continua em pé o fundamental, por que à ilha está proibido utilizar o dólar em suas transações internacionais e ela unicamente pode comprar alimentos nos Estados Unidos, mas pagando adiantado em dinheiro e sem poder transportá-los em navios cubanos.  Tirando essa única não existem relações comerciais entre os dois Estados. 



Recentemente, Washington impôs multas de 1,116  e 1,710 bilhões de dólares aos bancos Credit Agricole (francês) e Commerzbank (alemão), por realizarem transações com Cuba. Nem sonhar que a ilha possa adquirir  medicamentos do vizinho do norte.

O nome da menina cubana Noemí Bernárdez foi lembrado teerça feira, 27 de outubro, quando foi evocado na Assembléia da ONU, em vibrante discurso do embaixador do Estado  Plurinacional da Bolívia. A vida de de Noemí depende de um citostático de produção exclusiva norte-americana que, como muitos outros fármacos, a ilha só consegue  acessar através de países terceiros, a preços muito altos e em prazos que podem ser fatais para os pacientes.

Quanto à cumplicidade nesse assunto do racista e colonial Estado hebreu com os Estados Unidos, além de estar associada com o habitual desprezo que mostra com a opinião internacional, deve-se principalmente a outra razão muito poderosa: Israel não poderia subsistir sem a vultosa e incomparável ajuda econômica e militar que recebe de seu aliado ianque. 

Tampouco poderia sobreviver sem seu apoio político incondicional. Isso lhe permite conservar o nutrido e ilegal arsenal nuclear que possui, continuar a ocupação do Golan sírio, os bandidos assentamentos e colonos judeus e os impunes crimes contra a população palestina, incluindo a profanação de seus locais de culto.

A Palestina, como  Cuba, resiste heroicamente e também vencerá.

Como tampoco sin su apoyo político incondicional. Este le permite conservar el nutrido e ilegal arsenal nuclear que posee, continuar la ocupación del Golán sirio, los bandidescos asentamientos de colonos judíos y los impunes crímenes contra la población palestina, incluyendo la profanación de sus lugares de culto.

Palestina, como Cuba, resiste heroicamente, y también vencerá.

A Nestor Kirchner



Ángel Guerra Cabrera

Rebelión





Os números costumam ser eloquentes. A ONU conta com 193 Estados-membros. Deles, 191 votaram em 27 de outubro a favor do projeto de resolução cubano: “Necessidade de por fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Somente a potência imperial e seu inapresentável sequaz sionista votaram contra. Não houve abstenções. Nunca na história da ONU uma questão litigiosa apresentada por um Estado recebeu um apoio tão contundente dos demais Estados-membros.



Com essa, já são 24 resoluções semelhantes votadas favoravelmente em igual número de anos desde 1992. Na primeira, 59 países apoiaram Cuba e 71 se abstiveram, mas em 2014, quando os sufrágios a favor já chegavam a 188, houve ainda três abstenções. Desnecessário indicar os que votaram contra.



Contudo, desta vez até os mais débeis e dependentes Estados insulares do Pacífico respaldaram a resolução cubana. Isso mostra o repúdio unânime gerado pelo genocida bloqueio e confirma o isolamento e a perda de prestígio e hegemonia internacionais que os Estados Unidos sofrem. Pois falando com moderação, o tema dista muito de ser o único no qual a outrora potência unipolar não pode evitar que saiam por todos os seus poros a arrogância, a prepotência e a lamentável e  belicista síndrome de excepcionalidade.  



Por outro lado, essa contundente vitória de Havana, que os polvos midiáticos tem tratado de minimizar, é uma conveniente e oportuna lembrança aos que dão a contenda como terminada, de que o conflito entre Cuba e Estados Unidos não chegou ao fim. Sim, tem sido muito positivo o restabelecimento das relações diplomáticas; isso abriu para o bem um fluído canal de diálogo entre as partes, que não existia. Ainda há que lembrar que Obama pediu ao Congresso o levantamento do bloqueio.  Contudo, como reitera o governo cubano, é somente o começo de um “longo e complexo processo” em direção à normalização das relações.



O referido processo somente continuará quando os Estados Unidos ponham fim ao virtual estado de sítio econômico, cesse suas ingerencistas transmissões de rádio e televisão em direção à ilha, acabe com seus planos subversivos contra o sistema sociopolítico cubano e devolva o território ocupado da Base Naval de Guantánamo. Nada disso aconteceu. 


O bloqueio sofreu um tímido relaxamento em alguns aspectos, mas uma vez mais foi recrudescido  neste ano, particularmente no que se refere à perseguição  e castigo implacáveis das operações financeiras de Cuba. Continua em pé o fundamental, por que à ilha está proibido utilizar o dólar em suas transações internacionais e ela unicamente pode comprar alimentos nos Estados Unidos, mas pagando adiantado em dinheiro e sem poder transportá-los em navios cubanos.  Tirando essa única exceção, não existem relações comerciais entre os dois Estados. 



Recentemente, Washington impôs multas de 1,116  e 1,710 bilhões de dólares aos bancos Credit Agricole (francês) e Commerzbank (alemão), por realizarem transações com Cuba. Nem sonhar que a ilha possa adquirir  medicamentos do vizinho do norte.


O nome da menina cubana Noemí Bernárdez foi lembrado terça feira, 27 de outubro, quando foi evocado na Assembléia da ONU, em vibrante discurso do embaixador do Estado  Plurinacional da Bolívia. A vida de de Noemí depende de um citostático de produção exclusiva norte-americana que, como muitos outros fármacos, a ilha só consegue  acessar através de terceiros países, a preços muito altos e em prazos que podem ser fatais para os pacientes.


Quanto à cumplicidade nesse assunto do racista e colonial Estado hebreu com os Estados Unidos, além de estar associada com o habitual desprezo que mostra com a opinião internacional, deve-se principalmente a outra razão muito poderosa: Israel não poderia subsistir sem a vultosa e incomparável ajuda econômica e militar que recebe de seu aliado ianque. 

Tampouco poderia sobreviver sem seu apoio político incondicional. Isso lhe permite conservar o nutrido e ilegal arsenal nuclear que possui, continuar a ocupação do Golan sírio, os bandidos assentamentos de colonos judeus e os impunes crimes contra a população palestina, incluindo a profanação de seus locais de culto.


A Palestina, como  Cuba, resiste heroicamente e também vencerá.


À Nestor Kirchner



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