quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Turquia e o avião russo (avião russo foi abatido na Síria)


Sanguessugado do Informação Incorrecta 

Max

 
Durante as fases iniciais da recente guerra na Jugoslávia, perto da praia de Muggia (Italia) podia acontecer de ouvir um barulho ensurdecedor e, a seguir, observar alguns MiG-29 (esloveno? croatas? sérvios?) que por causa do impulso e da inércia do voo, entraram no território italiano.

Os MiGs imediatamente desaceleravam (para poder manobrar melhor), curvavam, ganhavam velocidade e regressavam em território jugoslavo, passando perto da cidade de Trieste.

Tudo acontecia numa questão de minutos, no espaço aéreo italiano, e nenhum avião de Italia ou da Nato levantava o voo: aqueles MiGs não constituíam uma ameaça, já tinham problemas suficientes em casa deles. Todavia, a Turquia não apenas enviou enviou aviões contra a intrusão como também escolheu abater o "invasor". Por qual razão?

Antes de prosseguir: a Turquia difundiu a sequência das imagens radar do abate do avião russo.
E as imagens confiram tanto a versão turca quanto a russa: o avião tinha entrado em território turco mas foi abatido nos céus da Síria.


A "invasão" do território turco interessou a zona que na imagem é o espaço entre os dois pontos cor de viola. O problema é que, na realidade, aquele espaço nem chega a um quilómetro de comprimento.

Da mesma maneira, os aviões turcos "invadiram" o território sírio para abater aquele russo. Mas este é um pormenor do qual a imprensa ocidental esqueceu-se: a Turquia arroga-se o direito de considerar como sua "zona de segurança" um espaço aéreo acima da Síria, algumas milhas além da fronteira turca.

E foi mesmo aí que o Su-34 russo foi abatido, culpado de ter "invadido" menos de 1 quilómetro de território turco e naqueles céus sírios que a Turquia define arbitrariamente como seu "espaço de segurança". No total 17 segundos de voo.

Dúvida: a ordem de abater o Su-34 foi dado  efetivamente pelo Primeiro Ministro turco, Recep
Erdogan, ou a decisão foi tomada num outro lugar?

Difícil responder. A Turquia pode ter as suas razões:
as bombas russas têm destruídos campos petrolíferos perto de Raqqa, o que danificou a capacidade de Ankara de obter petróleo barato a partir do Isis; e com certeza o filho de Erdogan, que gere o trânsito do petróleo ilegal, não deve ter ficado satisfeito com isso.

o avanço progressivo do exército regular sírio para o norte aumenta a pressão sobre os rebeldes "moderados" financiados também por Ankara.

Doutro lado, também a Nato tem os seus motivos (e hoje chega a confirmação de que as conversas entre os pilotos turcos e russos foram ouvidas em tempo real pela base Nato de Bagdade):

o abate do SU-24 frustra os esforços tácticos de Vladimir Putin para restabelecer relações diplomáticas e económicas normais com o Europa; é sempre bom quando houver a ocasião de provocar o inimigo.

Obviamente, a Casa Branca expressou o apoio americano e da Nato à Turquia:
A Turquia, como todos os países, tem o direito de defender o seu território e o seu espaço aéreo

Com certeza. Sobretudo perante uma invasão de 17 segundos, a quase totalidade dos quais em território sírio.

Ipse dixit.


Fontes: La Repubblica, Il Corriere della Sera

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