sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os tomates e o capitalismo de conluio + amplexos ainda não pagam impostos

email de Lino Lorenzzeti

Sebastião, a propósito do artigo do Nassif, abaixo:

Começo do ano solicitei ao BB R$ 55.000,00 para adquirir uma máquina usada pela linha Proger para ​um​a empresa ​cliente. Os recursos da linha são quase a mesma coisa que o BNDES, qual seja, repasse do governo, FAT, PASEP, etc, etc, com uma diferença. Cobram 2% de taxa de liberação de crédito e mais algumas coisinhas, além de juros de aproximadamente 12% ao ano e cinco anos para pagar, sem carência.

Primeiro, eles alegaram que não podiam financiar por se tratar de máquina usada. Erraram, pois não procurei o BNDES exatamente porque não financiam máquinas usadas e o Proger, sim.

Depois, disseram que a empresa era comercial e, por isso, não podia financiar máquinas, outro absurdo que inexiste nas regras do Proger e em nenhum outro lugar do mundo. A propósito, a Riachuelo é uma empresa comercial que financia no BNDES expansão de lojas​

Insisti e o Gerente da conta informou, "em off", que o BB estava arrumando as mais esfarrapadas desculpas para não conceder nenhum financiamento tendo em vista que todos os financiamentos (com juros baixos) estavam contingenciados, inclusive os do BNDES.

Desde o ano passado,  a empresa havia gerado​ 2 empregos, muito utilizando financiamentos através de um certo Cartão BNDES, cerca de 12% ao ano, 48 meses para pagar e 2% antecipados de taxa de liberação de empréstimos. Se conseguisse os R$ 55.000,00 do Proger, geraria mais um emprego e a empresa cresceria, mas...No mundo, investe-se muito mais que R$ 55.000,00 para gerar um emprego. O privilégio é, tão somente, de pequenos negócios. A Riachuelo deve precisar de uns R$ 2 milhões para tanto, pior, quando ela chega em algum lugar, quebra o pequeno comércio (que não tem financiamento barato subsidiado pelo governo!) gerando, certamente, mais desemprego. No final, a Riachuelo, por ser empresa comercial, gera um emprego na empresa e desemprega uns 3 nas redondezas. É chute, no Brasil ninguém mede essas coisas, mas é mais ou menos por aí.​ Nos financiamentos do BNDES, a empresa tem que informar quantos empregos serão gerados, direta e, veja só, indiretamente (outro chute, mas é necessário preencher o tal formulário)​

Se o indireto foi informado corretamente (ou mais ou menos corretamente)​, os financiamentos deveriam ser negados sob a ótica de geração de desemprego e de pouco acréscimo na produtividade, já que a empresa é comercial​

Chamou minha atenção eles terem conseguido R$ 100 milhões de capital de giro em 2.009. A linha foi criada primordialmente para as pequenas empresas. O BNDES "nunca antes neste país" havia financiado capital de giro "puro", qual seja, sem investimento associado. Os recursos eram limitados e, quando tentei conseguir para uma outra empresa, à época, uma recalchutadora (remolde) de pneus, com excelente cadastro, o BB informou que os recursos haviam esgotado. O valor pleiteado era de R$ 200.000,00 e não saiu. Mas saiu 500 vezes mais para um empresa que desemprega.

Hoje, li na F​olha que o Paulinho da Força foi indiciado no STF por intermediar recursos do BNDES.

Há uns anos, publicaram que o Paulinho conseguiu cerca de R$ 100 milhões para a Prefeitura da Praia Grande, aqui em São Paulo e, dizem, levou 5% de comissão. Ninguém prova, ninguém viu, ninguém investigou. Deve ter sido o trabalho de alguma "consultoria" que não produz um único papel ou, dizendo de outra forma, bastava um telefonema para pessoas chaves, o comprometimento com votações que interessavam ao governo, que tudo se resolvia.  Chamou muito a atenção que nenhuma Prefeitura no Brasil, de porte até maior, conseguiu a mesma coisa. Também chamou a atenção que lá existe um complexo da Força Sindical e/ou de outras centrais de direita construída nos moldes "para formação de líderes sindicais" .

Dá...!!!???

Amplexos não pagam impostos, ....ainda..., então vão lá!

Linantoin

Os tomates e o capitalismo de conluio

Luis Nassif

Em geral, os empresários referenciais falam pouco e têm foco. Aparecem mais pelo exemplo e pela coerência de suas propostas do que pela verborragia.

Quando o empresário julga que sua palavra ganha peso apenas por vir escorada em negócios bem-sucedidos, dança.

É o caso do empresário Flávio Rocha, herdeiro e presidente das Lojas Riachuelo – grupo que têm ainda a Confecção Guararapes e algumas outras empresas.

***

Mais jovem, Flávio não largava do pé do grande Roberto Campos, provavelmente supondo que inteligência se transmitisse por contato. Não conseguiu.

Neste fim de semana concedeu uma entrevista ao Estadão (http://migre.me/rtd6j), onde não teve a menor cerimônia de tratar de temas complexos com a segurança de um vendedor da Riachuelo expondo a última moda para a freguesa deslumbrada.

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-- Vamos começar com uma boa notícia – começou ele, antecipando a intenção de desenvolver ideias e conceitos.

Aí discorre sobre o fim de um ciclo de ideias ruins, insustentáveis, compara o país com uma carruagem cujos “elementos de tração” são as empresas e os trabalhadores.

Com a mesma naturalidade com que seus vendedores exibem peças de vestuário nas vitrines, Flávio transborda filosofices e lugares comuns, cujo ápice foi a parábola do tomate:

- Quando você vê o preço do tomate aumentar é um alerta importante que denuncia uma escassez localizada. E o que se faz nessa hora? Nada. Deixa a ganância empresarial atuar. O produtor vai descobrir que tomate está dando lucro, mais gente vai produzir tomate, aumentar a oferta e o preço volta para onde estava. Dilma ignorou essas delicadas engrenagens da economia.

É a primeira vez que alguém denuncia o tabelamento do preço do tomate.

Mais importante é o que Flávio diz sobre o mundo que ele conhece: o empresarial.

-- Tem o empresário de mercado e tem o empresário de conluio. (...)  O termo campeões nacionais, até outro dia, fazia parte do discurso nacional. Um absurdo. (...) Muitas vezes, você olha e diz: ah, são os empresários. Mas vai ver e o que tem é o clubinho do capitalismo de conluio.

***

Nem se vá buscar as origens da Guararapes, nos tempos em que o Finor (Fundo de Investimento do Nordeste) era um aparelho de queimar dinheiro público para propósitos privados.

Uma ida ao site do BNDES permitirá identificar rapidamente quem são esses empresários do clubinho do capitalismo de conluio.

Clique no endereço http://www.bndes.gov.br/bndestransparente no campo Busca coloque a palavra Riachuelo.

1. Outubro de 2009: financiamento de capital de giro. R$ 100 milhões a juros de 3,58% ao ano e 12 meses de carência.

2. Janeiro de 2010: financiamento de R$ 286,7 milhões para implantação de mais 19 lojas. Taxas de juros de 4,5% ao ano, com 18 meses de carência.

3. Junho de 2011: R$ 229,3 milhões de financiamento para abertura de mais 25 novas lojas. Taxas de juros de 5% ao ano, com 18 meses de carência.

4. Agosto de 2012: R$ 140 milhões de financiamento para a abertura de mais 18 lojas. Taxa de juros de 5,5% ao ano.

5. Dezembro de 2013: R$ 397,9 milhões para expansão das unidades industriais e centros de distribuição. Taxa de juros de 3,5%, com 18 meses de carência.

Apenas nessas operações R$ 1,2 bilhão em 5 anos. Provavelmente o valor desembolsado deve ser muito maior, se consultar por outros CNPJs – o grupo é constituído de várias empresas.

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