quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O trem desgovernado

Via Diário Liberdade

O governo de Dilma Roussef não saiu da estação. Acabou sem começar.O governo de Dilma Roussef não saiu da estação. Acabou sem começar.

Laerte Braga

Não importa que ela cumpra os quatro anos, saia antes, seja votado o impedimento, nada disso. Acabou. Desgovernou na própria estação. Não há governo que saia ileso a Joaquim Levy, Aluísio Mercadante, Kátia Abreu, José Eduardo Cardoso e outros. É a alquimia do impossível. Não vira ouro de forma alguma. No máximo o tal ouro de tolo.

Os primeiros erros foram de Lula, a despeito dos avanços alcançados. Tinha ao seu dispor todos os instrumentos e forte apoio popular para promover as reformas estruturais necessárias e optou por seguir a receita das articulações políticas sem sentido e sem razão de ser.

Todos os avanços se esvaem agora na incapacidade de Dilma de enxergar além do próprio nariz. O golpe começou no mensalão, se consuma agora. Uma presidente acuada, fechada à realidade e distante dos trabalhadores.

A falta de um projeto Brasil, que Lula tanto falou, faz com que os retrocessos no campo social, político e econômico sejam um desastre. Coloca toda a esquerda brasileira na defensiva. O PT, partido de Lula e Dilma, não se preocupou com organização popular, com enfrentar a mídia de mercado e buscar um efetivo desenvolvimento, capaz de assegurar as conquistas.

A conta, como sempre vem para a classe trabalhadora. É a velha história ensinada por Lênine. Um passo inconseqüente à frente, onze atrás.

Dilma, até dias passados, poucos, tinha os militares quietos e sem se intrometer na crise. Um maluco no governo sugeriu a ela um decreto que transferia ao ministro da Defesa o direito de escolha de oficiais a serem promovidos, principalmente os chamados oficiais superiores. Jacques Wagner, o ministro, é sionista, ligado a grupos sionistas de Israel e embora se exima de qualquer participação no tal decreto, foi o artífice da inconseqüência.

Despertou leões adormecidos e leões fascistas.

Locomotiva e vagões se embaralharam na própria estação. Quando tentaram sair e achavam que poderiam impor políticas neoliberais, deram marcha a ré.

A oposição, é lógico, deita e rola e nem precisa fazer muito esforço. A cada problema Dilma reforça os seus opositores à direita. Seja um louco como Aécio Neves, ou espertalhões como FHC, Serra, Alckmin e outros menos votados.

O PT lembra o burro com a cenoura amarrada à frente e na disparada cega que vai alcançá-la. Lula já percebeu isso e tem feito críticas ao partido. O que era diferente se tornou igual aos outros. E cego em sua maioria.

A História é implacável. Cobra seu preço em curto, médio e longo prazo. Nesse caso não há tempo de recuperação. Nem que cumpra os quatro anos. Os cortes anunciados pela presidente são paliativos para tentar recompor a chamada base partidária, agradar a empresários e banqueiros. Se latifundiários matam índios e sem terra, isso é o de menos. O ministro da Justiça é um avestruz. E Kátia Abreu, ministra da Agricultura, amiga de Dilma, está ali para garantir a impunidade dos criminosos. É um deles.

Quando Leonel Brizola disse que “essa moça não merece confiança”, Brizola sabia, com sua extraordinária dimensão política, de estadista, que Dilma é o que os mineiros chamam de “ave de vôo rasteiro”.

O problema disso tudo, qualquer que seja o desfecho da crise, é que os trabalhadores vão pagar a conta. Como sempre. E o Brasil, mais uma vez, volta ao berço esplêndido do fracasso.

A confusão na estação é por obra e graça de Dilma e sua capacidade de só se enxergar no espelho e olhe lá.

Reclamar de críticas de setores da esquerda é querer apoio incondicional e isso só dá a mãe. Não é o caso.

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