sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Um míssil peçonhento contra Lula

Via Rebelión

Ángel Guerra Cabrera

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

O ex-guerrilheiro José Dirceu, chefe de gabinete do primeiro governo de Lula, foi preso por ordem do juiz Sergio Moro. O Ministério Público o acusa de ser autor intelectual e beneficiário do suposto esquema de corrupção na estatal Petrobrás que sacode o Brasil desde o ano passado.

O fato representa um marco na gigantesca operação de desprestígio promovida pela direita e e pelos polvos midiáticos contra a presidente Dilma Roussef, sua administração e o governante Partido dos Trabalhadores (PT).

Curiosamente, apesar de haver políticos de todos os grandes partidos envolvidos na trama, os únicos a serem golpeados pelo juiz Moro e os meios corporativos  são os do PT e seus aliados no governo. Juristas de prestígio não simpatizantes do governo tem expressado dúvidas sobre a imparcialidade e apego à lei de Moro, que está baseando suas acusações em testemunhos obtidos em troca de redução de sentenças.

Contudo, não é Dilma o alvo mais importante da operação. Não, o  objetivo principal é Lula, único líder popular do Brasil com carisma, prestígio e capacidade para reconstituir o projeto de justiça social, soberania nacional e apoio à unidade e integração latino-caribenha iniciado em seus dois mandatos e de ganhar comodamente uma eleição contra qualquer um dos candidatos da direita.

A prova de que enquanto a feroz em bem orquestrada conspiração direitista e também a situação econômica e erros do governo tem feito afundar estrepitosamente a popularidade de Dilma e do PT, a de Lula continua indene. Em círculos políticos e jornalísticos, afirma-se que depois da detenção de Dirceu, pode vir a de Lula a qualquer momento. Embora o ex-presidente ainda não tenha sido acusado de nada, Dirceu foi seu assessor e homem de confiança até que renunciou em 2005, secretário geral do Partido  dos Trabalhadores de 1995 a 2002, e coordenador de sua campanha quando ele chegou á presidência.  A oposição convocou uma marcha em 16 de agosto, supostamente contra a corrupção na Petrobrás, que ela considera o preâmbulo do juolgamento político de Dilma.

Dirceu já estava em prisão domiciliar desde 2012, urdida por juízes e meios de difusão venais, que então, do mesmo modo que agora, tentavam acabar politicamente com Lula. Basearam-se em um caso real de corrupção que envolvia diretamente o PT e levou Dirceu à renuncia.. A corrupção é particulamente inerente à boa parte da política  brasileira.

Mas essa operação, da qual participam o capital financeiro internacional e quase que certamente os serviços secretos dos Estados Unidos – que espionaram descaradamente Dilma –, não traz dedicatória somente ao Brasil.  Uma vez Lula processado e condenado, seria impossível deter a restauração conservadora no gigante sul-americano, o que implicaria em um rude golpe à unidade e integração da América Latina e Caribe ((ALC). 

A ofensiva oligarca-imperialista em nossa região já acontece há um bom tempo. Conduziu aos gospes de Estado e derrubada dos presidentes de Honduras e do Paraguai, Manuel Zelaya e Fernando Lugo. E além de intentos golpistas contra todos os governos pós-neoliberais, exceto o do Uruguai, continuam as tentativas desestabilizadoras no Equador, Argentina, El Salvador e evidentemente contra a Venezuela, onde Washington e a direita internacional  dirigem o golpe principal, dado o caráter de ponta do processo  de unidade e integração regional, além da posse das maiores reservas de petróleo do planeta.  

No Equador e Argentina se comprova nestes dias que a direita e o imperialismo somente aceitam o jogo democrático quando ele é funcional aos seus interesses. Impossibilitados de derrotar eleitoralmente Correa e o kirchnerismo, sua arma principal é o chamado golpe brando através das campanhas de calúnias das corporações midiáticas, e também a violência, com o afâ de derrotar projetos que demonstraram quanto bem-estar pode ser proporcionado à população aplicando políticas distintas das neoliberais.  

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