domingo, 30 de agosto de 2015

Crime continuado contra a humanidade

feicibuqui da Natalia Forcat

Mas os refugiados não vão para a Arábia Saudita ou para o Qatar ou os EUA. Eles chegam para a depauperada Grécia e ainda por cima algumas ONGs criticam os gregos em vez de criticar os sauditas, americanos e até mesmo os franceses e britânicos.

Foto de Frente Brasileira de Solidariedade com a Síria.

Frente Brasileira de Solidariedade com a Síria

OPINIÃO:

Carlos Martinez é membro do Conselho Científico da ATTAC Espanha

Quem causa o êxodo em massa de sírios, afegãos, palestinos e libaneses?

A solução dos problemas não está no falso altruísmo.

As ONG solidárias, quase totalmente, com exceção de casos muito raros, não questionam o sistema e não procuram as causas dos problemas, senão, no máximo (e devemos agradecer) buscam soluções para as consequências de forma solidária. Mas a onda de refugiados que procuram asilo numa União Europeia em crise (com milhões de pessoas pobres e desempregadas) achando que é um paraíso (e certamente para os que vêm de Estados em guerra é o que é) tem outras causas. A União Europeia é um paraíso só para os ricos, os banqueiros e os grandes empregadores industriais e de serviços. Esta tragédia humanitária é provocada, neste momento, não pela fome, mas pela guerra.

Arábia Saudita, Qatar e outros emirados reacionários. O estado de Israel. EUA e OTAN são diretamente responsáveis pelo que está acontecendo. Eu os acuso!

Eles bombardearam e invadiram o Afeganistão, o Iraque e a Líbia, permitiram o genocídio de Gaza e encorajaram a guerra civil síria armando e financiando facções islâmicas. Desde os anos sessenta do século passado estão apoiando grupos fundamentalistas. Toleram e adulam uma Arábia Saudita corrupta e medieval, que promove o Islão radical e tem sido o caldo de cultivo do Estado Islâmico. Agora todos e cada um de nós, no Mediterrâneo, pagamos as conseqüências da estranha aliança judaico-cristã-islâmica e monárquica. Mas, principalmente as mulheres, as meninas, os povos afegão, sírio, palestino, iraquiano...

Mas os refugiados não vão para a Arábia Saudita ou para o Qatar ou os EUA. Eles chegam para a depauperada Grécia e ainda por cima algumas ONGs criticam os gregos em vez de criticar os sauditas, americanos e até mesmo os franceses e britânicos.

Este problema não teria ocorrido nunca, se não fosse a interferência das "cruzadas" ocidentais ou a islamização reacionária dos reizinhos do Golfo. Em vez de culpar um Estado europeu em crise, com milhões de pessoas desempregadas (fazendo ainda um favor aos neo-nazistas) o que deveriamos fazer é denunciar a causa do problema. Apoiar, sim, exigir ajuda para os refugiados, sim. Mas, por que ninguém pede aos sauditas guardiões de Meca ou aos poderes financeiros dos EUA e da Europa que paguem esse tremendo sofrimento humano que ELES causaram?

Estou reproduzindo este artigo (abaixo) e peço que o leiam para conhecer as causas do que está acontecendo. E eu exijo menos covardia e mais solidariedade verdadeira aos "altruístas".

Chega de mentiras e confusão!

O que está acontecendo no Canal da Sicília? O que acontece em torno de Lampedusa? <http://portuarioenexcedencia.com/?p=1119>

A tragédia do barco velho e lotado de imigrantes que afundou no Mediterrâneo ao tentar chegar à costa italiana, tem culpados. E não são o capitão ou a máfia de traficantes de seres humanos os responsáveis. Eles são apenas criminosos sem coração que lucram com a tragédia, mas já chega de hipocrisia e de não falar claramente e dizer com todas as letras: estas migrações a partir da costa da Líbia são produto não só de pobreza extrema e para escapar da fome. Na verdade a maioria dos passageiros sobre os barcos da morte são as pessoas que FOGEM DE GUERRAS, de Estados falidos e conflitos civis perpetuados por interesses comerciais e controle de matérias-primas. São as vítimas da falida geoestratégia do Ocidente (OTAN) no Oriente Médio e no Norte da África.

Em meu artigo: "De que nos surprendemos? Tudo tem a sua origem e seus culpados". <http://portuarioenexcedencia.com/?p=1090> que foi publicado em vários meios digitais, já falei do início dos conflitos no mundo islâmico e em particular no mundo árabe.

No artigo: "Situar o problema: O sistema mundial em crise profunda ou a desculpa do Islam radical"<http://portuarioenexcedencia.com/?p=1090> tentei colocar o dedo na ferida sobre as causas e origens do islamismo radical e violento. Em ambos os artigos explico que a OTAN e as antigas potências coloniais européias levam anos destruindo e perseguindo o socialismo árabe e o secularismo progressista e nacionalista árabe em favor de seus interesses e da segurança de Israel. Eles liquidaram o nacionalismo progressista e o socialismo nasserista e baathista e terminaram encontrando a Al Qaeda e ao Estado islâmico.

Os conflitos decorrentes das invasões do Iraque -de Bush pai e filho-, da invasão do Afeganistão, do conflito sírio encorajado pela Arábia Saudita e seus aliados, do cerco desumano à Gaza e sua destruição sistemática têm gerado centenas de milhares de refugiados. Muitos dos quais eram as classes médias desses países. Isto, mais o desastre da Líbia, onde fizeram sucumbir o Estado para colocar no lugar vários "estados" tribais falidos com muito apego ao Islam radical. O estado de falido da Líbia, dividida agora em áreas controladas por diversas milícias, quando não por bandos armados de caráter mafioso, é a raíz do problema dos refugiados. Sírios, afegãos, iraquianos, palestinos e líbios, mas também eritreus e até paquistaneses e pessoas de outras partes da África, mas também da Ásia, que se unem e partem desde portos "livres" da Líbia convertidos em portos particulares de um Estado que foi destruído e bombardeado pela Itália, França, Grã-Bretanha e os EUA, incluindo o Reino de Espanha enviou um caça-bombardeiro.

Estas guerras causadas pela OTAN e seus Estados membro são as que geram refugiados, aos que se somam africanos negros que fogem da miséria.

Melhor teria sido evitar mortes e guerras. Teria sido melhor não intervir nos países para destruí-los com o pretexto de levar a democracia. Isso é mentira. Ou há democracia na Líbia? Ou as mulheres podem andar sem burca pelas ruas de Cabul? Não, tudo era uma mentira e agora, depois de apoiar os sauditas e sua versão extremista do Islam, reclamamos do Estado islâmico, do chamado terrorismo e do afluxo de pessoas que fogem da guerra, da fome e da barbárie.

Não estamos diante de uma catástrofe humanitária. Esta, que estamos presenciando, é apenas o resultado das guerras e perseguições étnicas e religiosas provocada nos últimos trinta anos. Elas são fruto do intervencionismo neoliberal ocidental. São o resultado do trabalho dos serviços secretos ocidentais e israelenses em promover o Islã radical para liquidar o socialismo árabe e o progressismo nacionalista que sim atrapalhava o imperialismo do espaço geopolítico da OTAN.

É claro que alguns ou muitos desses regimes possuíam Estados de bem-estar e saúde aceitáveis e educação muito boa e onde as mulheres podiam andar sem véus e até usando maquiagem se fosse sua vontade. Eram regimes autoritários e não democracias segundo os parâmetros europeus. Havia corrupção e eram Estados muito burocráticos. Mas eu me pergunto: o Reino de Espanha (...) da lei da mordaça pode dar aulas de alguém?

A União Europeia é um vasto território de hipocrisia. Vamos tentar informar corretamente. Para acabar com as mortes no Canal da Sicília, temos de acabar com o conflito armado, que principalmente os EUA, Arábia Saudita e seus aliados criaram.

Carlos Martinez é membro do Conselho Científico da ATTAC Espanha

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.