quarta-feira, 1 de julho de 2015

“Não vamos permitir a biocolonização corporativa da Costa Rica”

Via Rebelión

Ecologistas denunciam  pressões dos EUA para que o governo  abra a entrada para os transgénicos

Giorgio Trucchi

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Rel-UITA

O movimento ecologista costa-riquenho reagiu indignado diante da carta que Darci L. Vetter, chefe negociadora em assuntos agroalimentares do governo norte-americano, enviou ao Ministro do Comércio Exterior da Costa Rica, Alexander Mora, pressionando contra a possível aprovação de uma lei de moratória aos cultivos transgênicos.    

O governo norte-americano pretende usar o Tratado de Livre Comércio EUA-América Central  e República Dominicana (CAFTA-DR) como ferramenta  para impor a semeadura de transgênicos na Costa Rica.    
“Isso tem a ver com suas pretensões biocolonizadoras sobre as bases mais elementares de nosso sistema alimentar”, disse à La Rel Fabíán Pacheco, representante do setor ecologista na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O projeto de lei foi apresentado diante da Assembléia Legislativa do país em outubro de 2014, e contou com o apoio político de deputados do oficialista Partido Ación Ciudadana ((PAC), e da Frente Amplio (FA). Atualmente está sendo analisado pela Comissão de Assuntos Agropecuários. 

“O movimento ecologista vem assinalando que a luta contra os transgênicos não é contra mais uma tecnologia, mas sim contra uma estratégia de biocolonização imperial corporativa. O que essa política busca é apoderar-se de nosso sistema alimentar, concentrando riqueza, expandindo seu controle sobre as sementes e tornando-nos cada vez mais dependentes”, explicou Pacheco.

Para ele, a convergência dessas novas tecnologias e estratégias comerciais colonizadoras que atentam contra a vida está originando mecanismos nefastos, que agridem e ferem tanto os direitos mais elementares do campesinato como a soberania alimentar dos povos.

Costa Rica livre de transgênicos. “Já não somos uma república bananeira”

Atualmente, 91% dos municípios da Costa Rica decidiu declarar seu território livre de transgênicos, e uma sentença da Sala Constitucional declarou a inconstitucionalidade parcial do Regimento do Serviço Fitossanitário do Estado, suspendendo a outorga de licenças para liberação de transgênicos no país. 

“O governo norte-americano continua acreditando  que somos uma república bananeira, e que pode vir a nos obrigar a comer o  que suas corporações dizem ser bom para nós. Contudo, a Costa Rica tem mostrado seu mais enérgico rechaço aos transgênicos, ainda mais quando há centenas de cientistas assinalando essas novas tecnologias como perigosas para a saúde humana”, acrescentou o também membro da Federação Ecologista (Fecon).

Um observatório internacional. Monitorar e denunciar a biocolonização
Diante da carta doa governo dos EUA pressionando para que seja permitida a semeadura de transgênicos no país, o movimento ecologista e mais de 30 personalidades  do mundo ambientalista,  científico e da agricultura orgânica criaram uma  Aliança Internacional para o monitoramento da biocolonização transgênica nos centros de origem  e países de mega diversidade.

“Para o movimento ecologista é um sinal muito importante. Nos dizem que a Costa Rica não está sozinha e que estão observando a intromissão dos Estados Unidos nos assuntos de uma população que tem brilhado por  sua dignidade e por defender a sua democracia.  Uma população que, através do movimento ecologista, está disposta a continuar se defendendo e lutar por um país livre de transgênicos e das pretensões biocolonizadoras” insistiu Pacheco”

Nesse sentido, as organizações ecologistas estão pedindo ao governo da Costa Rica que não se deixe pressionar nem intimidar, e que continue defendendo a soberania nacional.

“Pedimos ao governo que seja consequente com sua promessa de campanha de aprovar uma moratória aos cultivos transgênicos.  Ele tem o respaldo de nosso movimento, de acadêmicos  e cientistas nacionais e do exterior, assim como o de milhares de cidadãos e cidadãs e das 74 administrações municipais locais que rechaçaram os OGM em seus territórios.  Esperamos que ele tenha a coragem a e a  valentia necessários para defender o país diante desta estratégia nefasta”, concluiu.

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