quinta-feira, 23 de julho de 2015

Já tomou sua ração diária de glifosato?

Via Rebelión

ARGENTINA   

Um estudo detectou a presença do herbicida na urina das pessoas

O glifosato fora da bacia

Tradução  do espanhol: Renzo Bassanetti

Página 12

Um  pesquisa, realizada pela Asociación Civil BIOS determinou que 90% das pessoas que participaram de um estudo realizado no distrito de General Pueyrredón, de Buenos Aires,  tinha glifosato ou seu metabólito na urina. Do estudo, participaram tanto habitantes da área urbana como da rural. Levando em conta que muitos alimentos industrializados contém algo de soja, o resultado é preocupante. Também demonstrou-se que os agrotóxicos se evaporam e caem com as chuvas, e dentre todos o glifosato é o herbicida mais detectado. Em março, a OMS qualificou o glifosato como uma substância “provávelmente cancerígena”. Além disso, ela pode provocar diabetes, Mal de Parkinson e até Alzheimer. 

“Fizemos uma prova com amostras de urina de pessoas que vivem em áreas urbanas e rurais, pensando que iríamos encontrar resultados diferentes. Não foi assim: ambas as populações tinham glifosato ou seu metabólito, ou seja, o que é gerado no corpo quando o glifosato se mataboliza”, declarou Silvana Buján, integrante da BIOS, uma ONG que trabalha em colaboração com o Instituto de Análises Fares Taie, que se encarregou de comprar os reagentes para esse estudo.

“Do universo analisado, 70% tinha glifosato, e 70% o AMPA, metabólito do glifosato. Muitos tinham ambas as substâncias, e somente uma pessoa não tinha nenhuma. Foi uma revelação para nós. Pesquisamos, e o que descobrimos é que a maioria dos alimentos industrializados contem alguma coisa com soja, seja lecitina, farinha ou proteína. Por outro lado, a água e os solos, embora não tenham sido aspergidos com glifosato, o recebem através da chuva” , descreveu Buján.

A descoberta na urina humana, que denominaram “Fora da Bacia”, é  a terceira que a BIOS realiza: primeiro fizeram uma análise da água e solo (Operação Espinafre) e depois, em 2013, uma campanha que denominaram  Sangue Mau, na qual buscaram a presença de agrotóxicos no sangue. “O que demonstramos com essa pesquisa foi que os agrotóxicos não “desaparecem” logo depois de aplicados. Alguns se degradam em metabólitos que persistem no corpo humano; por exemplo, o DDT, que não é mais usado há anos, e mesmo assim temos DDD (seu metabólito) no sangue”, descreveu, e acrescentou que “naquela campanha também encontramos endossulfan, um agrotóxico proibido, e isso significa que persiste um mercado negro que o continua vendendo”.   

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A integrante da BIOS asegurou que “o problema é que nosso corpo recebe centenas de substancias em diferentes níveis, e moléculas que isoladas eram completamente inócuas, mas combinadas podem resultar tóxicas. Por exemplo, em Sierra de Los Padres não há grandes cultivos, contudo foram encontrados restos de organoclorados que simulam ser um hormônio, mas que na verdade desetabilizam o organismo. Ainda mais, não há herbicidas “menos daninhos”: tudo o que termina com o sufixo “cida” mata. Lamentavelmente, os proprietários de terras, até nos períodos de descanso, quando se deixa de semear por um ou mais ciclos vegetativos, despejam glifosato”.

Buján citou um estudo realizado pelo Centro de Investigaciones del Medio Ambiente (CIMA) da Universidade de La Plata, com a assinatura de Lucas Alonso, Alicia Ronco e Damián Marino,  no qual se demonstrou que os agrotóxicos também se evaporam e logo se precipitam com as chuvas. ”É como dizer que chovem agrotóxicos. O glifosato é um `evaporador apaixonado”, e foi encontrado em todas as amostras de água da chuva, que por correntes atmosféricas pode percorrer longas distâncias”.  

Outro precedente à nossa investigação foi a que foi realizada pela organização espanhola Amigos da Terra em junho de 2013; lá, a análise da urina em laboratório revelou que 45% da população analisada tinha glifosato”, descreveu. O particular também nesse estudo foi que todos os que participaram da amostragem viviam em cidades e nenhum teve contato direto com o agrotóxico.

Buján sublinha que “é incrível que o mundo continue mantendo esse modelo de produção,  tanto de alimentos como de comida. Diz-se que sem os agrotóxicos, não poderia se sustentar a produção de alimentos, e isso é falso: a maior parte do que se produz com a soja, por exemplo, não é para consumo humano. É viável mudar o modelo de produção, sem  o uso de agrotóxicos. Há agrônomos que assessoram chácaras que cultivam trigo e pasto orgânicos, através dos quais também se obtém carne orgânica. Não é inacreditável querer mudar esse modelo, o inacreditável é aceitá-lo como ele é hoje”, concluiu. 

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