quinta-feira, 2 de julho de 2015

Dilma e o pássaro azul da inovação

Sanguessugado do GGN

Luis Nassif

Se a presidente Dilma Rousseff está atrás de uma agenda positiva, não precisa sequer ir aos Estados Unidos procurá-la. Ela está bem à sua frente.

Esta foi a principal conclusão do 60o Fórum Brasilianas, que versou sobre Indústria e Inovação.

Trata-se do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, composto por um conjunto de instituições públicas e privadas, um marco legal avançado, atores mobilizados no setor público, na academia e nas empresas. Enfim, uma orquestra completa necessitando apenas de um maestro: a própria Presidente da República.

Em 1991 foi aprovada a Lei de Informática; em 2004, a Lei de Inovação; em 2005, a Lei do Bem. Em 2007, foi lançado o Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação. Juntos, uma profusão de organismos de discussão, como o Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de C&I, o Conselho Nacional de Fundações de Amparo a Pesquisa.

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Com essas ferramentas, foram iniciadas políticas setoriais robustas e experiências de mobilização.

O MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), constituído pelas maiores empresas nacionais, iniciou uma campanha nacional pela inovação, valendo-se da  estrutura das federações estaduais de indústria. Para a empreitada, convocaram o exército de consultores de qualidade, formados nos anos 90.

O passo seguinte foi o Sebrae nacional montar uma parceria com o MEI para o desenvolvimento de cadeias produtivas inovadoras com pequenas e micro empresas.

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Não se ficou nisso.

Constatou-se que o grande estímulo à inovação era a garantia de demanda.

Com base nesse princípio, a Petrobras desenvolveu modelos de inovação em que se define o equipamento a ser desenvovlido no país, localiza-se uma empresa privada disposta a desenvolvê-lo, se for o caso, até uma parceira estrangeira, com a Petrobras participando do desenvolvimento e garantindo a compra do equipamento.

No Ministério da Saúde, o Programa de Desenvolvimento Produtivo (PDP) valeu-se do poder de compra do Estado para induzir multinacionais a transferir tecnologia para laboratórios públicos que, por sua vez, licenciariam laboratórios privados nacionais.

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Os programas prosseguiram com as Plataformas de Conhecimento, do MCTI (Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovação), visando especializar universidades em temas mais focados, contando para tanto com a extraordinária expansão das universidades federais.

Depois, para induzir o setor privado a investir e a trabalhar com centros de pesquisa, foi constituída a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) com práticas inovadoras.

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O que falta então? Falta o maestro, a própria Presidente da República.

Sua primeira tarefa – insubstituível – é promover a discussão para definir uma agenda de país.

O segundo, é o de coordenar as ações. O MCTI não tem prerrogativa hierárquica para coordenar trabalhos interministeriais.

Nos Estados Unidos, essa função está com assessores presidenciais trabalhando diretamente com a presidência da República.

No Brasil, essa função deveria ser exercida pela Casa Civil.

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A maestrina tem todos os instrumentos da orquestra. Falta apenas pegar a batuta e reger.

Talvez descubra que o pássaro azul da felicidade – da agenda positiva – esteja ao alcance da batuta.

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