quinta-feira, 30 de julho de 2015

Agosto - O mês do desgosto

Via Diário Liberdade

Laerte Braga

É incrível a capacidade de Dilma Roussef de meter os pés pelas mãos. As sucessivas medidas tomadas pela presidente, entre outras coisas, corroem suas bases e vai precisar delas para se defender da ofensiva de Eduardo Cunha numa ponta e do PSDB noutra ponta, mas ambos ligados num nó de oportunismo político e corrupção sem tamanho. Agosto vai chegar fazendo jus ao velho ditado – “agosto, o mês do desgosto”.

 

Do caráter neoliberal do governo ninguém tem dúvidas. Reeleita com um programa que se desfez na escolha do ministro da Fazenda, um tucano, governa com o programa de seu adversário, o derrotado. Ligou a seta do carro para um lado e virou para outro.

Vetou um aumento de servidores do Judiciário acertado antes da eleição e com recursos previstos no orçamento, 78% escalonados em quatro anos, mas aumentou a gratificação de comissionados em mais de 100%. A mídia se encarrega de dizer que é um “privilégio”, mas esconde o fato que os beneficiados não serão ministros e juízes, cheios de penduricalhos em seus vencimentos.

O dinheiro da banca não. Está a salvo. Joaquim Levy cuida disso.

Há fatos mais graves e que no futuro poderão se transformar em grandes pendências, um deles silenciosamente ocultado pela mídia e por ordem dos patrões. Dilma rompeu o acordo de colaboração para pesquisas espaciais e construção de um foguete capaz de colocar em órbita satélites fundamentais para o Brasil. Foi saudado por inocentes, o acordo era com a Ucrânia e a Ucrânia hoje é uma ditadura neonazista. Diz respeito a privilegiada base espacial de Alcântara.

A decisão foi tomada após o seu regresso da viagem aos EUA e são duas as propostas de acordo para colaboração com o Brasil. Uma do governo russo e outra do governo norte-americano. Será que existem dúvidas sobre a futura decisão de Dilma? A cobiça dos Estados Unidos sobre a base vem desde os tempos de FHC e o acordo com a Ucrânia foi assinado por Lula, numa tentativa de escapar do dilema EUA versus Rússia.

O primeiro foguete construído como resultado do acordo explodiu na própria base, matou pessoas e há evidências de sabotagem que nem a força aérea nega. “Quem, quem?” Seria a pergunta de um dos alunos da velha e até hoje vista Escolinha do Professor Raimundo, sob a batuta de Chico Anísio Quem ficará com a base? Os sabotadores e suas exigências descabidas que transformarão parte do território nacional, estratégica, em pequena, mas de alta importância, possessão estrangeira.

Brasileiros, go home!

Lula e outros líderes petistas se queixam que Dilma não escuta ninguém e quer cumprir uma agenda sozinha, sem o partido e sem qualquer interferência de quem, segundo Delfim Neto, transformou um “poste em presidente da República”. Se perceberam ou não é outra história, mas Dilma percebeu. O alvo é Lula. Escora-se nisso para confiar que os pedidos de impedimento não terão sequência.

É difícil sim, o impedimento da presidente. Mas não impossível. Acuada por um juiz que rasga a Constituição, Sérgio Moro, por um Tribunal de Contas corrupto e sensível a propinas, por um Tribunal Eleitoral onde pontifica Gilmar Mendes, ministro tucano do Supremo Tribunal Federal, não percebeu que se o vice, assumir, logo terá o apoio das forças neoliberais em nome da “democracia”. Michel Temer é um camaleão e sabe que Dilma não é Lula, não cumpre acordos e é temperamental.

Nesses sete meses de governo demos passos quilométricos para trás. E a conta desses recuos está indo para a classe trabalhadora. Em tempo algum a banca ganhou tanto dinheiro como agora.

Um tresloucado Aécio Neves sonhando com a presidência. Um cretino corrupto como José Serra tecendo fios golpistas no Senado para entregar o pré-sal e um ex-presidente, que acredita ter criado o mundo em apenas um dia.

O problema do poste é que ao contrário do “fiat lux”, a luz está se apagando. Brizola estava, como sempre esteve, certo. “Essa Dilma não é de confiança”.

O PT? Salvo exceções de lucidez, no pós José Dirceu, está virando um bando de cegos.

Vem aí agosto, “o mês do desgosto”.

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