segunda-feira, 8 de junho de 2015

Mensalão tucano e o rabo preso da Folha

Sanguessugado do Miro

Altamiro Borges

Em editorial publicado neste sábado (6), a Folha critica os “passos lentos” no processo judicial do “mensalão tucano” de Minas Gerais e afirma que “o atraso registrado até hoje já ultrapassa o tolerável”. “Tolerável” para quem? Para os caciques do PSDB, como o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, que escaparam do julgamento e da cadeia e que hoje posam de vestais da ética? Ou para a mídia tucana, que fez de tudo para abafar os escândalos dos seus amiguinhos de bico alongado e para criar no imaginário popular a falsa ideia de que o PT é o criador universal da corrupção e deve ser execrado da vida política nacional?
O editorial da Folha é de um cinismo impressionante. Não há qualquer autocritica da “cobertura jornalística” seletiva diante das denúncias contra o PSDB – seja no caso do “mensalão tucano”, que ela insiste em chamar de “mensalão mineiro”; ou no já esquecido do “trensalão” de São Paulo, que ela batizou carinhosamente de “cartel dos trens”. Isto para não falar de outras velhas denúncias, como a da compra de votos na reeleição de FHC ou da privatização criminosa das estatais no reinado entreguista e neoliberal do “príncipe da privataria”. No seu caradurismo, a Folha opta por culpar unicamente a “lentidão” da Justiça – que nunca foi lenta ou imparcial no julgamento midiático do chamado “mensalão do PT”.
A Folha cita fatos concretos que deveriam encher de vergonha o próprio veículo: “Completa-se praticamente uma década desde que o chamado escândalo do mensalão tucano começou a ser investigado. O esquema de desvio de recursos que, conforme o Ministério Público, alimentou a campanha pela reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB), então governador de Minas Gerais, só foi descoberto em 2005, em meio às revelações do mensalão petista – do qual teria sido espécie de ensaio geral. Dois anos depois, o procurador-geral da República apresentou oficialmente a sua denúncia sobre o caso, que remonta a 1998... Entre o fato e a denúncia passaram-se nove anos; daí até hoje, mais oito”.
“Nesse intervalo, dois personagens do mensalão mineiro – o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha do PSDB – se beneficiaram das delongas judiciais. Tendo completado 70 anos, ambos têm a seu favor a circunstância de que diminui pela metade o prazo legal para a prescrição dos crimes a eles imputados. Dentre os suspeitos mais importantes, restam o próprio Eduardo Azeredo e seu vice na época, o atual presidente da Confederação Nacional do Transporte, ex-senador pelo PMDB-MG e ex-sócio de Marcos Valério, Clésio Andrade. Azeredo festejará os seus 70 anos só em setembro de 2018, mas ainda assim são boas as chances de que a prescrição de pelo menos um delito (lavagem de dinheiro) o beneficie antes dessa data”, registra “indignado” o jornal da famiglia Frias.
É verdade que a Folha não menciona sequer uma vez o nome do ex-presidente FHC – que foi citado pelo próprio Eduardo Azeredo como um dos beneficiários do esquema de Caixa-2 do “mensalão tucano” – ou do ex-governador de Minas Gerais, o cambaleante Aécio Neves. Mas, ao final do editorial, o jornal “apela” para que se faça justiça. Lembra que o escândalo voltará a ser analisado pela 11ª Vara Criminal de Belo Horizonte. “Só resta esperar que não se interponham novos obstáculos no caminho desse processo – mesmo sem atrasos adicionais, já terá atrasado muito mais do que o tolerável”. Tentando se apresentar como “neutra e imparcial” para enganar os mais ingênuos, a Folha novamente exibe o seu rabo preso!

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