sábado, 27 de junho de 2015

Editorial JB: O Executivo não pode mais reagir só com palavras. Torna-se obrigatória a ação

Via Jornal do Brasil

Editorial

Basta. Claramente existe no Brasil uma tentativa de desestabilizar o país. Todos torcemos para que a Justiça cumpra com seu dever, até porque estaríamos num cenário muito diferente se já tivesse cumprido nos inúmeros escândalos que aconteceram nas últimas décadas.

Casos como o da construção de Brasília, o escândalo da Capemi, da Coroa-Brastel, do Whisky a meio dólar, das operação de café conhecidas por nomes de mulheres, do sítio do dragão, das minas de ouro na Bahia, os escândalos denunciados pela revista Veja em algumas privatizações, inclusive com entrevistas de ex-ministros de Estado...

Se a Justiça se tivesse feito cumprir nos escândalo do Banestado, no qual no mesmo Paraná - onde está o eminente juiz Sergio Moro - ainda deve descansar volumosas remessas de dinheiro para o exterior, com clara lavagem. Mas esta Justiça tão importante que vem sendo feita no Paraná ainda tem tempo legal para estender os braços para a leitura deste grande processo.

E ainda na denúncia do jornalista Jânio de Freitas, em um furo de reportagem publicado na Folha de S. Paulo, que revelava que havia sido fraudulenta e determinada por corrupção a concorrência pública para construção da ferrovia Maranhão-Brasília (ou Norte-Sul).

Houve ainda os escândalos da Constituição, no qual um ministro do Supremo declarou que não tinha incluído na nossa Carta um artigo que teria sido aprovado pelo Congresso. E nada aconteceu, nem ao ministro, nem à Constituição.

E ainda os conhecidos escândalos do Proer, nos quais bancários e depositantes perderam trabalho e dinheiro. E um banqueiro - sendo inclusive passador de cheque sem fundo - tenta reaver via judiciário volumosa indenização. Além dos 10 ou 12 bilhões de reais que o Brasil perdeu, esse senhor ainda quer recupera uns 4 ou 5 bilhões. Ele está acompanhado de outros banqueiros, que tentam também recuperar aquilo que deveriam estar gastando para serem soltos, se a Justiça naquele momento tivesse sido feita.

E como não citar os anões do orçamento, o grampo no BNDES, Castelo de Areia, a sede da Eletropaulo, o mensalão tucano... Poderemos passar o dia enumerando escândalos, não para justificar o que muito bem está sendo feito pela Justiça brasileira. O que preocupa são certas informações vazadas que causam desmoralização, sem existir processo transitado em julgado, nas quais esses senhores aparecem como criminosos, corruptos e ladrões, sempre qualificados desta forma por confessos criminosos. Como muito bem lembrou o ministro do STF Luiz Edson Fachin: a delação só é válida quando comprovada, porque o delator não é idôneo.

Essa reflexão se faz necessária porque estamos assistindo a uma crise que não se torna importante pelo que pode acontecer aos criminosos. Ao contrário, se se tornam culpados após transitado e julgado o processo, que paguem. Mas porque se olharmos para trás, percebemos que os verdadeiros criminosos são os mesmos que há mais de 60 anos conseguem facilidades com suas influências ou no Executivo ou no Legislativo.

Só que dessa vez o noticiário, dando muito bem dada as informações, faz com que a sofrida, pobre e desamparada opinião pública se torne explosiva a qualquer momento, não permitindo qualquer tipo de reflexão mais moderada. Não acreditando mais no resultado das decisões dos poderes, esta opinião pública pode caminhar por uma estrada que nos leve a uma convulsão sem solução.

O país ou os seus mandatários, principalmente o Executivo, não pode mais assistir a isso com palavras. Torna-se obrigatória a ação. O Executivo não pode ser levado como se vivêssemos num parlamentarismo. O parlamento, por mais importante que possa ser, não pode sofrer arranhões dos seus poderes, ainda mais  quando pesquisas de institutos de opinião mostram grau baixo de confiabilidade ao Executivo, mas muito mais baixo ao parlamento.

Jornal paulista de grande circulação já fez editorial destacando a necessidade de se fazer justiça, mas sem espalhar o terror para não prejudicar a seriedade do processo, o que poderia fazer com que o povo passasse a encarar os fatos com descrédito. Vale lembrar o caso da prisão da cunhada do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, Marice Correia de Lima, baseada num vídeo em que ela apareceria depositando dinheiro num caixa eletrônico. Ela foi soltas dias depois quando se constatou que quem aparecia no vídeo era na verdade sua irmã, Giselda.

O Judiciário torna-se obrigado a continuar agindo, mas com precaução para que o julgamento não se precipite pela boca do povo. Porque aí sim os poderes poderão não ter mais nada o que  fazer.

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