quinta-feira, 18 de junho de 2015

25 verdades de Robert Kennedy Jr. sobre as negociações secretas entre Fidel Castro e o presidente Kennedy

Via Rebelión

Salim Lamrani (*)

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Al Mayadeen

Há mais de meio século, Fidel Castro e John F. Kennedy abriram negociações secretas para normalizar suas relações. Robert Kennedy Jr., sobrinho do presidente assassinado, conta essa história e elogia a política de aproximação de Obama, que tornou o “sonho” de seu tio uma “realidade”. [1].

1. Depois da crise dos mísseis de outubro de 1962, que quase resultou em um cataclismo nuclear, e a resolução desse conflito com a retirada dos mísseis soviéticos de Cuba e dos mísseis norte-americanos da Turquia, o presidente John F. Kennedy decidiu empreender um processo de normalização das relações com Cuba.

2. Durante sua viagem à União Soviética em 1962, Fidel Castro conversou muito com Nikita Kruschev sobre Kennedy. Segundo o sobrinho do antigo presidente, “Castro regressou a Cuba com  a determinação de encontrar uma via de aproximação” com os Estados Unidos.

3. Em 1961, Kennedy encomendou a James Donovan, advogado nova-iorquino, e a John Dolan, assessor do Ministro da Justiça Robert Kennedy, a missão de negociar a liberação de 1500 invasores da Bahia dos Porcos. Durante seu encontro com os emissários de Washington, Fidel Castro declarou sua disposição de normalizar as relações com os Estados Unidos e em estabelecer laços baseados na igualdade soberana, na reciprocidade e na não ingerência nos assuntos internos. “Meu pai Robert e JFK eram muito curiosos com relação a Castro, e pediram a Donovan e Dolan descrições detalhadas e altamente pessoais do líder cubano. A imprensa norte-americana tinha caricaturizado  várias vezes Fidel como alcoólatra,  obsceno, errático, violento e indisciplinado. Não obstante, Dolan disse o seguinte: “Nossa impressão diverge da imagem geralmente transmitida. Castro jamais se mostrou irritável, ébrio ou sujo.” Ele e Donovan descreveram o líder cubano como uma pessoa agradável, equilibrada, curiosa, bem informada, muito cuidadosa e como gostando muito de  conversar.       

4. Os dois visitantes também se impressionaram com o apoio com o qual se beneficiava o Governo Revolucionário: “Confirmaram os relatórios internos da CIA sobre a popularidade irresistível de Castro sobre o povo de Cuba, depois de realizar várias viagens com Castro  [no país], e depois de ver os aplausos espontâneos que recebia quanto entrava nos estádios de beisebol”

5. John F. Kennedy era consciente das aspirações dos cubanos à independência e à dignidade, e “tinha compreendido a fonte do ressentimento contra os Estados Unidos”.

6. Durante seu encontro com a jornalista norte-americana Lisa Howard, Fidel Castro declarou seu “desejo” de chegar a um entendimento cordial com os Estados Unidos.

7. Por seu lado,” JFK começou a pensar seriamente sobre a reaproximação das relações com Castro. Essa iniciativa o levou a navegar em águas turvas. A  simples menção de distensão com Fidel constituía uma bomba política enquanto se aproximavam as eleições presidenciais de 1964”

8. Em setembro de 1963, Kennedy encarregou William Atwood, antigo jornalista e diplomata norte-americano nas Nações Unidas, para “abrir negociações secretas com Castro”;

9. Nesse mesmo mês, o presidente Kennedy criou “outro canal secreto de comunicação com Castro através do jornalista francês Jean Daniel”. Anes de viajar a Cuba para entrevistar o  Primeiro Ministro cubano, Daniel se reuniu com JFK na Casa Branca, e este o encarregou de transmitir uma mensagem a Castro.  

10. “Penso que Kennedy  é sincero. Penso também que essa expressão de sinceridade poderia ter hoje um significado político”, respondeu Fidel Castro a Jean Daniel. “Ele tem ainda a responsabilidade de transformar-se, diante da história, no maior presidente dos Estados Unidos, no líder que pode compreender finalmente que pode haver uma coexistência entre capitalistas e socialistas, inclusive no continente americano. Seria então um presidente ainda mais reconhecido que Lincoln”.

11. Fidel Castro, como resposta às críticas de Kennedy, que denunciava a aliança com Moscou, recordou que a hostilidade dos Estados Unidos começou muito antes da aproximação de Cuba com a União Soviética, “muito antes de que aparecessem o pretexto e o álibi do comunismo”.  

12.Não obstante, a CIA se opôs resolutamente a qualquer mudança de política com relação a Havana. “Para a CIA, a distensão era uma sedição pérfida”. Adlai Stevenson, então embaixador dos EUA nas Nações Unidas, advertiu ao presidente Kennedy: “Lamentavelmente, a CIA ainda se encarrega de Cuba”. Segundo ele, a agência “jamais permitiria uma normalização das relações”.

13.  “A CIA  estava informada dos contatos secretos de JFK com Castro, e fez tudo o que era possível para sabotar os esforços de paz”.

14. Assim, em abril de 1063, “agentyes da CIA colocaram secretamente um veneno mortal em um traje de mergulho que James Donovan e John Dolan, os emissários de JFK, destinavam a Castro, esperando assim assassiná-lo, acusando Kennedy do assassinato e desprestigiá-lo totalmente, assim como aos seus esforços de paz”.

15. Segundo William Atwood, “a atitude da CIA consistia em mandar ao diabo o presidente a quem tinha jurado servir”.

16. Numerosos líderes do exílio cubano expressaram seu desagrado com a “traição” da Casa Branca, acusando JFK de buscar uma “coexistência”  com Fidel Castro[...]. Um pequeno número de fanáticos assassinos anticastristas orientou seu ódio em direção a JFK, e há provas confiáveis de que esses homens e seus mestres da CIA poderiam estar implicados em complôs para assassiná-lo.

17. Em 18 de abril de 1963, José Miró Cardona, antigo Primeiro-Ministro do Governo Revolucionário e então líder do Conselho Revolucionário  cubano criado pela CIA, acusou Kennedy de traição e o advertiu das consequências: “Somente resta um caminho a seguir, e o seguiremos: o da violência”.

18. “Santo Trafficante, o chefe da máfia e czar dos cassinos de Havana, e que colaborou estreitamente com a CIA em vários complôs para assassinar Castro, informou a seus sócios cubanos que JFK estava a ponto de ser liquidado”

19. No dia do assassinato de John F. Kennedy, 22 de novembro de 1963, Fidel Castro se encontrava com Jean Daniel, o emissário secreto do presidente estadunidense. Ao tomar conhecimento da notícia, o líder cubano disse ao jornalista francês: “Termina aqui sua missão de paz”.

20. “Depois da morte de JFK, Castro pediu de forma persistente a Lisa Howard, Adlai Stevenson, William Attwood e outros, que solicitassem a Lyndon Johnson, sucessor de Kennedy na Casa Branca, a retomada do diálogo. Johnson ignorou os pedidos e Castro deixou de insistir”.  

21. Robert Kennedy, então ministro da Justiça, também pressionou Johnson para que mantivesse conversações com Havna, sem êxito.

22.O irmão do presidente assassinado também fustigou a proibição aos cidadãos estadunidenses de viajar a Cuba: “As atuais restrições das viagens são contraditórias com as liberdades americanas tradicionais”.

23. Dean Rusk, então secretario de Estado,  tomou a decisão de isolar Robert Kennedy, que era demasiadamente favorável a um entendimento com Cuba.

24. Segundo William Attwood, “se não houvesse ocorrido o assassinato,  provavelmente teríamos  aberto negociações e normalizado as relações com Cuba”.

25. Fidel Castro rendeu homenagens a JFK: “No momento em que Kennedy foi assassinado, estava modificando a política em relação a Cuba. De certa forma, nos sentíamos honrados em ter semelhante rival. Era um homem formidável ”.

Nota:

[1] Robert Kennedy Jr., «JFK’s Secret Negociations with Fidel», IPS, janeiro de 2015. http://www.ipsnews.net/2015/01/opinion-jfks-secret-negotiations-with-fidel/ (site consultado em 21 de abril de 2015) ; Robert Kennedy Jr., «Sabotaging U.S.-Cuba Détente in the Kennedy Era», IPS, 6 de janeiro de 2015. http://www.ipsnews.net/2015/01/opinion-sabotaging-u-s-cuba-detente-in-the-kennedy-era/ (sitio consultado el 21 de abril de 2015).

(*)Doutor em Estudos Ibéricos e Latino-americanos pela Universidade Paris Sorbonne-Paris IV, Salim Lamrani é professor titular da Universidad da Reunião e jornalista, especialista nas relações entre Cuba e Estados Unidos. Seu último livro é intitulado Cuba, the Media, and the Challenge of Impartiality, New York, Monthly Review Press, 2014, com um prefacio de Eduardo Galeano. http://monthlyreview.org/books/pb4710/ Contacto: [email protected] ; [email protected] Página Facebook:https://www.facebook.com/SalimLamraniOfficiel

Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=200024&titular=25-verdades-de-robert-kennedy-jr.-sobre-las-negociaciones-secretas-entre-fidel-castro-y-el-

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