quinta-feira, 14 de maio de 2015

O CURIOSO PARTIDO DILMISTA

feicibuqui do Breno Altman

10885364_778855582170173_980171733872086670_n

A presidente provavelmente sequer sabe de sua existência, pois a agremiação é uma partícula entre petistas e não-petistas que apoiam o governo, sem cara pública fora das redes sociais.

Tampouco tem legenda, sede, hino ou bandeira. Programa ou linha política, então, nem pensar. Mas são adoradores de Dilma, da líder, da guerrilheira, da presidente. Não importa o que ela faça ou opine.

Funcionam como uma espécie de fã-clube virtual. Para bem da verdade, vale lembrar que existem seus irmãos siameses, o fã-clube lulista, que funciona por códigos parecidos.

Aplaudem fervorosamente se a presidente disser que a melhor pizza é de São Paulo e criticam acidamente, por traidores da pátria e teleguiados do PIG, quem discordar e afirmar que a melhor espécie desse alimento é de Napóles.

Mas se Dilma, no dia seguinte, mudar de ideia e disser que os napolitanos são os vencedores, será coberta dos mais entusiasmados elogios e cumprimentos. E ai de quem afirmar que São Paulo tem a melhor pizza.

O partido dilmista odeia críticas. Só simpatiza com os defensores incondicionais.

O fã-clube acha que criticar é coisa de quem está a serviço do inimigo.

Pouco importa se você explica que a crítica tem como objetivo corrigir erros e problemas, para facilitar a luta contra o inimigo.

Nada disso! Qualquer divergência com o que faz ou fala a rainha deve ser claramente respondida: "Vá para o Psol!", ou algo assim. Com a mesma intensidade, aliás, com a qual o outro lado nos manda a Cuba.

Quando alguém discorda de atos ou discursos da presidente, rapidamente tiram do bolso uma comparação: "Você não criticava Lula desse jeito, por que critica Dilma? Foi comprado pelo Instituto Millenium? Não entende a conjuntura?"

As críticas mais comuns aos críticos: narcisismo, machismo, misoginia, fisiologismo.

Aliás, o fã-clube aparentemente revela mesmo um corte de gênero e outro regional. A maioria de seus integrantes talvez seja formada por mulheres. Um bom naco de seus sócios parece ter nascido ou vivido no Rio Grande do Sul.

Seria necessário estudo mais amplo, mas consta que muitos dos militantes desse quase clandestino partido dilmista jamais foram militantes de qualquer outro partido e só vieram a se interessar por política nos últimos anos.

Gostam de memes e gritos de guerra, de adjetivos e exclamações. Não têm muito convívio com a literatura de esquerda ou apreço pelo estudo disciplinado dos problemas.

Deliram mesmo torcendo, entre gozos e insultos.

Torcem por Dilma, não importa o que ela diga ou faça, ela é sua diva e sua deusa.

"Aqui tem um bando de lôcos", bradariam, se corintianos todos fossem.

Homens e mulheres de fé, estão certos de ser a luz e a razão na luta contra o conservadorismo.

Comportam-se como uma espécie de seita fundamentalista. Às vezes agem em grupo, quando se sentem diante de ímpios e infiéis que não rezam por sua bíblia.

Não é difícil perceber que são gente honesta, decente, pia. E que acreditam seriamente estar fazendo o bem.

O problema é que, também desses, o inferno está cheio.

A política mais ainda.

Mas há uma questão parada no ar: é possível ir a algum lugar quando o pensamento crítico acaba substituído pela forma religiosa da política?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.