sexta-feira, 15 de maio de 2015

‘Lulismo vive seu momento mais difícil, mas não podemos ainda decretar seu fim’

Via Correio da Cidadania

ESCRITO POR VALÉRIA NADER E GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO COLABOROU RAPHAEL SANZ

Os poucos meses que já se passaram nesse segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o quarto sob o comando do Partido dos Trabalhadores, podem trazer sensações tão díspares quanto intensas. De um lado, a briga de facções que se instalou entre o governismo, envergonhado e tacanho, e forças oposicionistas, oportunistas e golpistas. De outro, a apatia de setores médios da população e a revolta entre forças políticas e sociais progressistas.

O cenário não poderia ser muito diferente para um governo que se elegeu sob marketing eleitoral mentiroso e que, nem bem iniciado o segundo mandato, parecia velho. Para complicar, um governo que, nesse exato momento, dá mostras de nem mesmo estar governando de fato.

Para ajudar a compreender essa intrincada conjuntura política nacional, o Correio da Cidadania entrevistou André Singer, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e autor de importantes obras de interpretação sócio-política da realidade nacional, dentre elas, aquelas que se destinam ao entendimento do fenômeno chamado de ‘lulismo’.

Singer ressalta a fraqueza política do atual governo – algo que teria suas sementes já em 2012, desde que as pressões por um ajuste recessivo se reforçaram, ameaçando o ensaio desenvolvimentista do começo do primeiro mandato da presidente Dilma. “Olhando pelo ângulo da pressão do capital, era praticamente certo que seria feito o que estamos vendo agora. Surpreendente é que, durante a campanha para a reeleição, a presidente optou por um discurso à esquerda, o que mobilizou setores da sociedade para um engajamento em sua campanha, decisivo para a vitória. Dessa forma, quando ela, 24 horas depois, deixou vazar que iria escolher alguém do mercado para o Ministério da Fazenda, e confirmou, criou-se uma decepção muito grande. Isso começou, assim, a desenhar um quadro de enfraquecimento político”.

Ainda que a ideia do impeachment tenha atualmente expressão institucional no país, já que encampada por segmentos poderosos do maior partido de oposição, o PSDB, Singer acredita que a presidente irá cumprir seu mandato. Quanto ao lulismo e o petismo, o cientista político enxerga seus futuros em aberto. Mas é enfático em afirmar que o primeiro atravessa o seu momento mais difícil e que o PT é hoje um partido que gravita fundamentalmente em torno do lulismo. Isso, em sua visão, significa que deixou de ser um “partido de classe”.

Singer discorre, finalmente, sobre os atuais protestos e manifestações, pró e contra o governo, que ocorrem país afora e sobre as possibilidades que se abrem para a atuação da esquerda. Como colunista de um dos jornais de maior circulação no país, a Folha de S. Paulo, e uma das raras vozes na mídia corporativa a trazer um debate alternativo e progressista, dá sua opinião sobre a mídia hoje no Brasil.

 

Colaborou Raphael Sanz

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