quinta-feira, 16 de abril de 2015

Quando os pais matam os seus próprios filhos...

Sanguessugado do Octopus

Nos últimos dias fomos confrontados com o assassínio de duas crianças pelos próprios pais, algo de impensável e de difícil compreensão para para todos nós.


O que leva um pai ou uma mãe a assassinar os seus próprios filhos?

O infanticida.

O infanticida, frequente em algumas espécies de animais é extremamente raro no ser humano.

Quais as razões para um pai ou uma mãe matar o seu próprio filho, quando a descendência é um acto inato em todas as espécies animais?

Na Grécia antiga, aquele que praticava tal acto era excomungado da cidade. Na Roma antiga era tolerado o infanticída da segunda filha ou quando uma criança era demasiado fraca e doente.

Na China ou na Índia as filhas eram, e são, frequentemente mortas por representar um peso para a família, dado que os país devem pagar um dote para as poder casar.

Nos povos primitivos, uma criança com uma qualquer malformação era mortas após a nascença para não serem um peso para a comunidade.

A religião não fica nada bem na "fotografia".

Adorado por milhões de cristãos, muçulmanos e judeus, Abraão recebe a ordem de Deus para matar o seu filho, ordem essa que ele aceita. Esse consentimento para o assassinato é perverso e criminal, no entanto, Abraão é visto por estas religiões monoteístas como uma referência de devoção.

Como conceber que Deus mandaria um pai matar o seu próprio filho, quando qualquer pai daria a sua própria vida para salvar o seu filho? Este mandamento tirânico é simplesmente uma impossibilidade moral, uma vez que refuta todos os códigos morais concebíveis. Se matar o seu próprio filho inocente é "bom", então o que na terra constitui o "mal"?

Será que Abraão mostra qualquer consideração pelo seu filho? Será que assume a responsabilidade moral? Será que acredita que matar uma criança inocente é um acto "bom"? Ou será que não pensa nas consequências, mas simplesmente obedece como uma maquina programada? 

O Abraamismo é o credo da absurda obediência escravizadora a um mestre irracional poderoso. Os adeptos dessas religiões são apenas guiados pelo terror da possível pena infligida por Deus, por desobediência, como as punições infinitas no inferno.

Sendo essa ordem doentia aceite, então os 3,5 milhões de seguidores de Abraão deveriam ser classificados de doentes e perversos.

Ver: http://octopedia.blogspot.pt/2011/11/quando-deus-pede-o-impensavel-abraao.html

Desestruturação familiar.

Uma das características das sociedades actuais é a protecção dos mais fracos, e não de os deixar ao abandono e condenados à morte.

Então coloca-se a questão de saber porque é que pais e mães são capazes de assassinar os seus próprios filhos, alguns com requintes de sadismo.

As explicações não são fáceis. Claro que existe um distúrbio psicológico, mas qual?

Esses pais assassinos, por várias razões chegam ao ponto de considerar o seu próprio filho como um "objecto". Frequentemente essas pessoas são vítima de uma separação, abandonadas pelo seu cônjuge. A situação é a seguinte: abandonas-me, não te posso matar, mas vou matar o que criámos em conjunto, o nosso filho . Já que não quereres a nossa família vou fazer desaparecer o que criamos em conjunto.

O exemplo dos povos "primitivos".

Certas sociedades colectivistas, como as africanas ou ameríndias, são menos sujeitas a este tipo de atitude porque existe uma facilidade de suporte por parte dessa colectividade nas desavenças familiares. Nas sociedades ocidentais a base é a família e nuclear: pai, mãe e filhos, sem ter em conta os restantes membros.

Claro que a desestruturação familiar é um factor decisivo, tal como outros factores, como a toxicodependência, mas matar os seus próprios filhos é uma forma de tendência suicida. Matar os seus próprios filhos não deixa de ser algo de terrível, dificilmente compreensível e simplesmente indescritível.

Um comentário:

  1. No caso em que Abraão leva o seu filho em sacrifício (Aqedah), há que interpretar o texto de forma não literal. Deus coloca a fé de Abraão à prova, pede-lhe o sacrifício do próprio filho. Abraão não ousa negar um pedido de Deus, leva o filho às escondidas ao Monte Horeb, para o sacrificar às escondidas da mãe (Sara). Deus recusa aceitar o sacrifício, envia um cordeiro para ser sacrificado em vez dele. Foi escrito numa altura em que os sacrifícios humanos eram usuais, e eles, infelizmente, foram praticados por todas as religiões, incluindo pelo Judaísmo. A Aqedah pretende demonstrar que o Deus dos hebreus (IHVH) recusa o sacrifício humano, devendo ser substituído pelo sacrifício do animal. Levítico contém várias regras a cumprir para que o animal sacrificado não sinta dor, e é precisamente aqui que alguns cabalistas (místicos judeus) fundamentam a sua crença na possibilidade de a alma humana também poder reencarnar num animal inferior. Quando, por expiação dos seus pecados,a alma desce ao nível do animal, tanto destinado ao consumo humano como proibido (porco, cão, hiena, etc), o animal, podendo ser consumido ou não, será sempre abatido sem dor. Porque a alma que desceu a um nível tão baixo, não deve enfrentar a morte dolorosa.

    Claro que eu escrevo na perspectiva de uma fé judaica, ainda que seja mais cabalista que ovelha de sinagoga. O sacrifício de Isaac representa a passagem entre a prática de sacrifício humano e a proibição divina deste sacrifício, o que não foi seguido por todos os israelita, há reis judeus que praticaram o sacrifício humano, incluindo Saul (adepto da necromancia), ou David, que foi muitas vezes castigado por Deus por causa da sua conduta pouco santa, o que não é escondido na Bíblia Hebraica, ainda que se tenham feito muitas alterações em Samuel (que aparece na Bíblia cristã dividido em dois livros, mas originalmente é apenas um), incluindo por autores judeus.

    Este comentário não é afago ao blogueiro, ainda que acabe por servir, sendo também reconhecimento pelo estudo sobre essa faceta humana terrível que é o sacrifício de seres da própria espécie.

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