terça-feira, 10 de março de 2015

Os “gênios” do Planalto expõem Dilma e “convocam” panelagem

Sanguessugado do Tijolaço

Fernando Brito

ford

O episódio das vaias a Presidenta Dilma Rousseff, agora de manhã, no Anhembi, é mais uma trapalhada do grupo de amadores que ela tem ao seu lado no Palácio do Planalto.

Parece que arrumaram alguém da equipe do ex-presidente americano Gerald Ford, o atrapalhado que ganhou a capa da National Lampoon, uma revista de humor, com essa caricatura histórica.

Não é possível que as coisas não sejam avaliadas com aquele critério que o Chico Buarque definiu há anos, o “ministério do vai dar m….”

É obvio que não se está criticando que Dilma compareça a eventos públicos, ao contrário, deve fazê-lo.

Muito menos que fale, como falou domingo, na TV.

Muito ao contrário, ela deve fazê-lo e muito mais.

Mas o que estão fazendo é uma comédia (trágica) de erros de comunicação, de construção de imagem e de oportunidade.

Não é preciso um tratado de comunicação para mostrar, vejam.

Dilma passou três meses em isolamento silencioso, com toda a mídia batendo.

Aí sai a lista de Janot e, de repente, seus maiores algozes do Parlamento – Eduardo Cunha e Renan Calheiros – é que viram vitrine.

Viravam, porque a fala de domingo e os paneleiros que tiveram todo o tempo necessário para se organizar, como todos que não fossem néscios sabiam que fariam.

Em fevereiro, escreveu-se aqui que a decisão  “tomada com tanta antecedência, permitindo que a mídia “muy amiga” estimule, nela própria e nas redes sociais, uma expectativa negativa sobre a aparição de Dilma na TV”.

Bingo dos paneleiros!

Além da forma errada, o tom errado.

Numa fala mais curta, o compromisso de apoiar as investigações, a punição de quem quer que fosse e o repúdio aos que a tentaram envolver na história.

Mas não, uma fala frouxa, que – embora não o fosse e nem haveria razão para sê-lo – soou quase um pedido de desculpas.

Agora Dilma resolve se expor pessoalmente.

Tem o direito, mas também o dever de  saber escolher hora e lugar para isso.

Escolheu São Paulo, pasmem.

E o Anhembi, em Santana, o bairro paulistano onde o conservadorismo é mais forte, afora as áreas ricas (os velhos como eu lembram das moralistas “Senhoras de Santana”).

E aí a levam para passar na frente do “cercadinho” das pessoas que estavam sendo impedidas de entrar no pavilhão, certamente muito felizes em estarem impedidas de entrar.

E ainda com o eco fenomenal do pavilhão a multiplicar o som de 20 ou trinta vaiadores… Perfeito!

Queriam o quê?

Ah, sim, produzir mais imagens para serem reproduzidas nos jornais, nas redes e mais tarde, no Jornal Nacional, para ajudar na convocatória para as marchas dos paneleiros de domingo.

Alguns leitores divergiram de mim quando eu falei do “autismo político” do Governo Dilma.

Será preciso mais para que se perceba que ele é o seu maior risco?

Será possível que só haja cegos que não querem ver?

Ah, e isso inclui os grupos de esquerda que, como sempre fazem, escolhem a estratégia de exigir do Governo confronto quando ele menos tem com o que confrontar.

Embora tenha tido essa chance e preferido continuar mansinho.

Estamos atravessando uma crise política, institucional e econômica.

Perguntem ao Lula ou ao Paulinho da Viola se os velhos marinheiros, em meio ao nevoeiro, não levam o barco devagar.

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