domingo, 29 de março de 2015

ESTIMO QUE TE FODAS

do Maria Capaz via feibucqui da Margui Afonso

Sofia Fonseca Costa

Sempre fui a tua puta. Eu e tu sabemos disso.

Não por ter as pernas abertas à tua espera, mas porque os meus braços nunca se esgotaram para ti.
Puta emocional. É o que te sou. Sabes de cor o meu nome quando a vida te suga para baixo e rapidamente o esqueces quando a roda da fortuna gira, colocando-te no topo.
Tens mestria em silêncio. Preciso reconhecer-to.
Perdi-me na conta das vezes que os meus braços quase te abraçaram. Em que quase tudo parecia ser tão mágico como eu e a minha putice – que é tua – imaginámos que fosse.
Quase foste mais do que os outros todos, quando o real outro sempre foste tu.
Um dia, os meus braços tremeriam por não suportar mais esperar-te.
Não preciso de ti. Em abono da verdade, nunca precisei, mas a putice sempre me tramou.

A putice, o coração e este amor por ti.
Amo-te tanto, sua besta!
Mas em instante algum tocaste o que te digo, nada do que te dei.
Podias ter sido o meu estandarte. O meu par.
Tantas vezes me quis perder em ti, por ti e contigo… Sempre certa do caminho.
Ansiei – repetidamente – que me abraçasses com força e me dissesses em sussurro “não vou mais fugir”.
Cansaram-se-me os braços. Baixei-os.
É preciso libertar-me deste emaranhado que temos.
Vou sair. Cansei-me dos teus silêncios.
Demito-me do cargo de puta. Despeço-te deste meu peito.
Estimo que te fodas! Tu. O teu silêncio. O teu egoísmo. E ai dos braços que se abram, mesmo que volte a adormecer a pensar em ti e em nós.
Tão só isto. Tão só… Só isto…

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