segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

“Cartilha Coxinha de Conduta”

via feicibuqui do Alexandre De Oliveira Périgo

Agradeço imensamente e de coração aberto a todos os amigos que com frequência compartilham meus posts.

De verdade.

Mas como toda moeda da vida possui duas faces, esses mesmos compartilhamentos dos quais muito me orgulho fazem meus textos alcançarem o epicentro da Coxinholândia e assim inicia-se uma verdadeira tempestade de cocô com xingamentos gratuitos caindo em minha cabeça por todos os lados e ângulos.

Assim, como tenho sido defenestrado individualmente por dezenas de coxinhas todos os dias - sim, dezenas, sem exagero -, resolvi responder a todos eles de uma só vez e de forma construtiva.

Ao invés de intoxicar minha caixa de mensagens e minha “timeline” com inseticidas e tréplicas ofensivas, optei por preparar uma singela “Cartilha Coxinha de Conduta” - ou sugestivamente CCC - dirigida carinhosamente a todas as gentes de bem do país, para que mitiguem os tão frequentes momentos de vergonha alheia perpassados nas redes sociais e, em especial, para que parem de me perturbar com seus argumentos estapafúrdios camuflados de indignação cívica.

Vale esclarecer que estão isentos da aplicação desta cartilha e fora de seu alcance e escopo todas as pessoas de direita portadoras de argumentação sólida, educação e humor refinado. A estes inclusive nem cabe a genérica denominação de “coxinha”. Deixo aqui registrado todo o meu respeito a estas pessoas com quem inclusive gosto muito de trocar ideias e aprendo cotidianamente.

Posto isso, vem a íntegra da CCC:

Artigo primeiro: Nem toda pessoa de esquerda é “petista” ou ”petralha”, ó tartamudeante coxinha. Usar tal denominação e generalização apenas demonstra sua profunda miopia em relação a conjuntura política nacional e internacional.
Parágrafo único: Denotar aspecto pejorativo ao termo “petista” é mero e vil preconceito, ó direitoso coxinha (vide artigo sexto). Petistas são, via de regra, gente muito bacana.

Artigo segundo: Não use o termo “esquerda caviar”, ó amantíssimo coxinha; ele entrega sua limitação cognitiva de forma cabal. Entenda de uma vez por todas: há sim pessoas humanistas que dentro da realidade capitalista que se impõe ganham dinheiro e nem por isso se tornam menos socialistas ou abandonam seus ideais de esquerda. Sou solidário à sua dificuldade de absorção da realidade, contudo esteja ciente que nem todo comunista é pobre, barbudo, mal ajambrado e sujo consoante seu limitadíssimo imaginário.

Artigo terceiro: Comunismo não tem nenhuma relação com “invasão de casas de veraneio por descamisados”, nem com “divisão de salários com mendigos”, ó odioso coxinha. Mendigos são frutos do capitalismo. E tampouco há um “golpe comunista em curso” no Brasil, pois o PT não é um partido comunista, muito longe disso. Considerável porcentagem das medidas petistas no governo federal privilegiam o mercado financeiro e a parte mais abonada da população. Sendo assim, informe-se antes de zurrar pudins de ignorância dos mais fétidos sabores e que machucam os tímpanos de qualquer interlocutor um pouco mais consciente que um banquinho manco de boteco.
Parágrafo único: Há sim Marxistas críticos e que acham que a experiência soviética foi um rotundo fracasso, ó extremista coxinha; todavia nem por isso tiram do centro de suas problematizações a nefasta lógica capitalista de acumulação de capital e nem abrem mão das ululantes demandas do proletariado do século XXI. Assim, pare de usar o termo “Marxismo” associado a Stalin e aberrações congêneres e, se possível, leia mais que 3 linhas no Google sobre Marx antes de escrever suas brilhantes teses sobre esse grande pensador.

Artigo quarto: Dobre sua enorme língua e limpe seus perdigotos infectados com toneladas de vírus atemporais de burrice antes de chamar os valentes e heroicos combatentes da ditadura de “terroristas”, ó troglodita coxinha; terroristas propriamente ditos são os malditos milicos que matavam primeiro, perguntavam o nome depois e que hoje se escondem, covardes que são, atrás das saias da Lei da Anistia e de mentiras deslavadas à Comissão da Verdade. É graças a gente como Dilma, que usou sua juventude para pegar em armas e não gastou suas noites nos bailinhos dos anos dourados embalados pela alienada “jovem guarda” que você pode hoje se manifestar como quiser, inclusive para criticá-la. E por obsequio, não me venha com essa esparramela rotundamente ignóbil de “os terroristas não queriam combater a ditadura, apenas instalar o comunismo no Brasil” pois isso é de uma inverdade histórica que dói conteúdo e continente de meu saco escrotal; estude um pouco e não pronuncie tamanhas bobagens, pois nunca - repito, nunca - nem chegou-se perto de um golpe comunista no Brasil e a intenção de muitos combatentes da ditadura - que nem eram comunistas - resumia-se a pleitear a volta da democracia no país. Quer um exemplo marcante de um valente combatente da ditadura que nunca foi comunista? Lula! Deu, né?

Artigo quinto: Não diga que “esquerdistas querem uma ditadura gay”, ó relinchante coxinha. Não, por favor, mil vezes não! Não existe “ditadura gay”, seja lá o bizarro sentido que você considere para o termo! Os gays têm exatamente os mesmos direitos que você e eu, sem sectarismo de qualquer espécie - contra ou a favor. E pare com esse papo de “se dar ao respeito”, essa colocação é ridícula e explicita que você deveria estar é preocupado com quem fomenta guerra e violência e não com demonstrações de carinho e amor. Simples, não?

Artigo sexto: Não justifique seus preconceitos com uma suposta “liberdade de expressão”, ó obscuro coxinha. Essa liberdade não é infinita tal qual seu ódio e ignorância; ela tem como limite justamente o direito do outro. Não gostar de negros, judeus, ateus, religiosos ou ser machista não é “liberdade de expressão”, mas sim uma putrefata mistura de sectarismo, preconceito, sexismo, misoginia e ignorância. Além de crime.

Artigo sétimo: Pare com essa estupidez de afirmar que “maconha é o primeiro degrau na escalada sem fim rumo às drogas mais pesadas”, ó esfumaçado coxinha. Poupe-me de seus faniquitos moralistas regados a cervejinha; há milhões de pessoas que fazem uso recreativo da maconha - como você faz do álcool e de remedinhos para dormir ou emagrecer - e que jamais injetarão heroína nas veias da têmpora para assaltar sua casa babando e com os olhos esbugalhados e vender sua TV para comprar mais droga. A questão das drogas é séria e portanto demanda serenidade e não grunhidos desta sorte em sua discussão. Fume um baseado lá no cantinho do castigo enquanto pensa a respeito, ok?

Artigo oitavo: Para sua surpresa completa, as pessoas de esquerda e que apoiam o PT nesse segundo turno das eleições não aprovam nem são lenientes com a corrupção, ó probo coxinha. Ao contrário, se manifestam contundentemente para que todos os casos investigados sejam esclarecidos, o que inclui aqueles que envolvem a direita e que foram parar debaixo do tapete da história recente. Quem curte uma corrupçãozinha básica é você, que aplica sua memória e indignação seletivas quando o assunto envolve as falcatruas dos partidos que defende e que não perde a chance de subornar um guarda e outras autoridades públicas, que não respeita as regras mais básicas de convívio social e que adora levar vantagem em tudo. Da próxima vez que baixar o vidro de seu carro para jogar lixo na rua, aproveite e atire também sua hipocrisia para bem longe de mim, por favor.

Artigo nono: Ser contra a diminuição da maioridade penal não é adorar bandido, ó revoltado coxinha. Tome uma vitamina de banana com leite e ponha seus três neurônios para funcionar: ninguém quer ser assaltado, estuprado e nem é conivente com seres humanos que agem de forma atroz e que merecem a punição prevista em lei. Ninguém “pensaria diferente se fosse sua filha” ou quer “levar bandido para morar em sua casa”. Esses argumentos são de um simplismo e ignorância que quase me persuadem a perder as esperanças na espécie humana. Saiba que as pessoas de esquerda entendem que há meios mais humanos e eficazes de se diminuir a criminalidade do que prender e linchar jovens negros e favelados já condenados no nascimento pela herdada exclusão a que estão submetidos. Entenda: a esquerda quer é atacar as causas da violência, enquanto você quer somente metralhar os seus efeitos.
Parágrafo único: a próxima vez que você, ó truculento coxinha, relinchar para mim que “bandido bom é bandido morto” vou sugerir que aplique essa máxima aos bandidos de colarinho branco que frequentam sua sala de estar nos churrascos de domingo, seja pessoalmente seja na TV. E por favor, não escreva mais “estrupo”, pois isso estupra meus ouvidos.

Artigo décimo: Não defenda a meritocracia, ó hidrofóbico coxinha. Se você era pobre e “venceu na vida” isso vai mostrar sua intolerância e desconhecimento das dificuldades dos outros pobres que são diferentes de você; e se você for rico, pior ainda - isso mostra que você é prepotente, folgado e usa dois pesos e duas medidas na vida: um para os pobres e outro para si próprio que teve tudo na vida de mão beijada. Nesse último caso, a vergonha alheia manda um beijinho no ombro.
Parágrafo único: o pobre de direita é um “ornitorrinco social” que merece toda minha solidariedade, ó heterodoxo coxinha. Não é fácil ser o bravo perdigueiro do capital alheio. E se esse for seu caso, deixo a você um breve e incontido recado: os ricos renitentes agradecem sua postura e mandam lembranças lá de Miami, prometendo um empreguinho de doméstica não registrada à sua mãe assim que voltarem da Disney.

Artigo décimo primeiro: Ateus não adoram o demônio nem são pessoas aprioristicamente más ou sem caráter, ó teocrático coxinha. Pare de vociferar esse mantra obscuro onde associa-se bondade e caráter com religiosidade. Hitler era cristão e Chaplin era ateu - e sabe o que isso significa? Absolutamente nada. Entenda de uma vez: todos são ateus com os deuses das outras religiões que não a sua. Eu sou ateu com todos os deuses e exijo respeito.

Artigo décimo segundo: pare de defender o capitalismo usando como exemplos países ricos como os EUA, ó disneylândico coxinha; você pode não saber, mas há milhões de pessoas passando necessidades nesses lugares todavia a grande mídia que você tanto venera e cultua não mostra. Abra os olhos: o problema não é a quantidade de dinheiro, mas o sistema que o concentra nas mãos de poucos.
Parágrafo único: já que mencionei a grande mídia, seja mais questionador e menos massa de manobra, ó crédulo coxinha. Não aceite como verdade absoluta tudo que é veiculado na grande mídia. Ela defende seus próprios interesses e não quer informar você; ao contrário, quer manipulá-lo. Pense - sei que é difícil, mas pense - antes de repetir como um papagaio acéfalo o que vê na Globo ou lê na Folha de São Paulo e lixos afins.

Artigo décimo terceiro: Respeite para ser respeitado, ó perdigotante coxinha. Lembre-se que todo ser humano é diferente de você e isso não é crime, por mais que você pense o contrário. Não invada a página de desconhecidos para xingar ou impor seu ponto de vista cheio de letras maiúsculas e vazio de bom senso. Além de demonstrar total falta de educação, a tentativa de colonização do outro entrega sua falta de espirito democrático, já diria Saramago. Argumentos Ad Hominem só atestam sua truculência exasperada e completa falta de conteúdo.
Parágrafo único: Não arrisque menção a nomes como Aécio Neves ou Olavo de Carvalho, é vergonha na certa, ó falante coxinha; na dúvida, permaneça em silencio. A parte pensante do universo agradecerá imensamente.

Assim concluo os treze artigos de minha cartilha.
E que Tutatis proteja as almas coxinhas, pois seus cérebros já estão comprometidos com a nobre função de peso de papel no jornaleiro da esquina.
Amém?

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