terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Água: privatização é o X da questão

Via PCO

A privatização do serviço de saneamento básico está por trás da atual crise que atinge o estado de São Paulo, com maior intensidade, e que está se espalhando para outros estados brasileiros. E isso em dois sentidos.

O primeiro é que a crise foi causada pela privatização da Sabesp. Esta é atualmente uma empresa de capital aberto, que tem ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque, o que orientou a atuação da empresa para o lucro dos acionistas, não para o atendimento das necessidades da população. Dez anos depois de abrir suas ações, a Sabesp foi premiada nos Estados Unidos por ser a empresa que mais se valorizou no período. Enquanto isso, São Paulo ia secando. É evidente que o objetivo era apenas distribuir dinheiro para os acionistas, enquanto a população foi deixada de lado, a tal ponto que se fala agora em um rodízio em que o paulistano ficaria até cinco dias sem água. Um verdadeiro absurdo para o país que tem a maior reserva de água doce do mundo.

Mas o segundo sentido é o mais preocupante. A Sabesp passou por um processo de privatização, mas que está longe de ser satisfatório para os abutres internacionais. O governo de São Paulo continua administrando a empresa e detém pouco mais da metade do seu capital.

Numa época de crise econômica como a que estamos vivendo, o imperialismo precisa aproveitar todas as oportunidades, explorar todos os recursos disponíveis. E que recurso mais lucrativo do que a água, indispensável para os seres humanos?

Não é de hoje o plano das grandes empresas imperialistas para dominar esse recurso precioso. Em 2003, a tentativa de privatizar a água boliviana, que mais que dobraria o preço da água, deu lugar a uma verdadeira insurreição popular, que acabou levando Evo Morales ao poder apenas três anos depois.

Sendo o Brasil o país que tem a maior quantidade de água por habitante no planeta, é natural que ele faça salivar as empresas do setor. Em 2005, durante o Fórum Social Mundial, a especialista canadense Maude Barlow já alertava para o problema da privatização. Segundo ela, os países chamados “em desenvolvimento” são os principais alvos dessas empresas.

Em um livro sobre o assunto, Barlow descreve o processo de privatização da água no mundo e as suas consequências. A principal delas, evidentemente, é o encarecimento do serviço, o que fez com que inúmeros governos voltassem atrás nas parcerias público-privadas, modelo no qual o governo concedia a exploração a uma empresa privada.

Uma das mais recentes medidas de Alckmin, de incluir um galão de 10 litros de água na cesta básica, também fez com o que o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) alertasse para o problema: “Isso ratifica que a água potável, que deveria ser fornecida pelo governo por um preço módico, será um bem escasso. Isso tem que nos deixar em alerta para uma possível privatização da água, porque já há um fomento da indústria da água”, afirmou a advogada do instituto, Claudia de Moraes Pontes.

Não há cenário melhor para uma privatização. Assim como aconteceu com a Telesp e outras, o governo promove uma destruição dos serviços para justificar a suposta necessidade de uma administração privada. Assim, a desculpa da falta de chuvas serve apenas para esconder a atividade predatória que foi realizada a serviço dos lucros dos especuladores e pode servir para justificar um ataque ainda maior ao direito da população ao consumo de água.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.