domingo, 4 de janeiro de 2015

Ter ou não ter um cancro é uma questão de pura sorte

Sanguessugado do Octopus

O cancro será na maioria das vezes devido a "falta de sorte". Pelo menos são as conclusões de um estudo publicado hoje na revista Science. A parte aleatória será preponderante sobre os riscos devido ao estilo de vida e ao factor genético.

 

À partida, os dois investigadores questionaram-se sobre o facto do risco de vir a ter um tumor maligno durante a vida ser de 6,9% para o pulmão contra 0,6% para o cérebro e de apenas 0,00072% para a laringe.

A exposição a substâncias cancerígenas ou a susceptibilidade genética não explicam estas diferenças. Os cancros de intestino delgado, por exemplo, são 20 vezes menos frequentes do que os do cólon.

Estudaram 31 tipos de cancro, e para 22 desses cancros, o factor sorte é preponderante. Dois terços desses cancro são assim devido a mutações genéticas aleatórias.

O resultado deste estudo vem desculpabilizar os doentes que não percebem porque é que ficaram com um cancro, quando sempre tiveram uma vida saudável e regrada.

De facto tem se vindo muito a insistir, nos últimos tempos, sobre a supressão dos factores de risco em relação ao cancro, tais como o tabaco, o alcool, as gorduras ou outras toxinas.

Uma pessoa poderá ter um risco aumentado de cancro do pulmão se fumar, mas as pessoas que fumam ao longo da vida ou as que fazem um exposição continua ao sol sem protector, sem vir a ter um cancro, não são pessoas que forçosamente têm "bons genes", mas sim porque tiveram "muita sorte".

Mudar os nossos hábitos de vida poderá ser eficaz para alguns cancros, mas não terá qualquer actuação para a maioria dos cancros.

Estes resultados vêm confirmar que os cancros são sobretudo uma doença do envelhecimento das populações, bem mais do que o resultado de causas exógenas.

http://news.sciencemag.org/biology/2015/01/simple-math-explains-why-you-may-or-may-not-get-cancer?rss=1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários são como afagos no ego de qualquer blogueiro e funcionam como incentivo e, às vezes, como reconhecimento. São, portanto muito bem vindos, desde que resvestidos de civilidade e desnudos de ofensas pessoais.
As críticas, mais do que os afagos, são benvindas.