quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O atentado na França... e os ódios no Brasil

Via Jornal da Gazeta

Bob Fernandes

O ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo é um desses fatos que levam o mundo a refletir.
Doze mortos, entre eles quatro cartunistas. Desde 2011, quando publicou charge com o profeta Maomé, o semanário francês estava ameaçado.

O atentado em Paris teria sido motivado por ódio religioso ou, no mínimo, para provocar tal ódio. Portanto, um ato com origem e sentido ideológico.

O Brasil, cada vez mais mergulhado em ondas de ódio ideológico, tem reflexões a fazer.

O Estado brasileiro é oficialmente laico. O Estado, que é o dono dos espaços de radiodifusão, há décadas apenas assiste à escalada de intolerância religiosa.

Há anos terreiros são atacados e o candomblé é agredido e ridicularizado em alguns espaços na Tv e rádio.

Em 2014 terreiros foram alvo de atentados, por exemplo, na Bahia e no Rio.

E os ódios são variados. O Brasil é campeão mundial no assassinato de homossexuais. Em 2013 foram 312 assassinados. Até setembro passado, outros 218.

Isso diante da complacência com tipos notoriamente pregadores de ódio aos homossexuais. E não apenas.

Nas redes sociais, acoitados pelo anonimato covarde, há os que pregam morte a quem critique seu líder político. A quem fascistas tratam por um dos seus sobrenomes, "Messias".

O que não faltou durante a campanha eleitoral, e sobra desde então, é generalizado ódio ideológico, político-partidário.

De uns que enxergam a oposição como inimigo a ser exterminado.

Ou dos que confundem a resistência a ditaduras com o que chamam de "terrorismo". E isso ao mesmo tempo em que clamam por outra ditadura.

Essa é uma gente que não sabe, a propósito da França, que franceses veem De Gaulle como grande líder no século XX.

Por De Gaulle ter comandado a resistência a um regime ilegal durante a II Guerra. Por aqui, fosse no embalo da ignorancia e burrice, De Gaulle seria chamado de "terrorista".

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