quarta-feira, 30 de abril de 2014

RETOMAR O CONTROLE DA PRODUÇÃO PETROLÍFERA BRASILEIRA

Sanguessugado do Política Econômica do Petróleo

RETOMAR O CONTROLE DA PRODUÇÃO PETROLÍFERA BRASILEIRA

Wladmir Coelho
As denuncias de corrupção envolvendo dirigentes da Petrobras e autoridades da república revelam o tamanho da negligencia e irresponsabilidade de sucessivos governos em relação a política econômica do petróleo no Brasil.

Negligência iniciada durante a ditadura militar através da imposição do contrato de risco e ampliada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso que entregou o petróleo nacional aos oligopólios.

O governo Lula, apoiado na manipulação da história, manteve o modelo implantado por Fernando Henrique Cardoso e continuou o processo de desmonte da Petrobras escondendo-se no discurso pretensamente nacionalista e intervencionista.

O ex-presidente chegou a imitar o gesto de Getúlio Vargas erguendo a mão mergulhada em petróleo como símbolo do controle nacional do mineral. Entretanto a mesma mão presidencial que acenava para as fotos publicitárias assinou, em 2010, a lei 12.351 determinando a execução dos leilões de entrega do pré-sal aos oligopólios.

Em 2013 a presidente Dilma Rousseff concluiu o projeto entreguista iniciado durante a ditadura militar realizando os infames leilões do pré-sal. O governo brasileiro, mais uma vez, manteve-se submisso aos interesses dos oligopólios gerando um prejuízo irreparável ao Brasil.

Esta submissão aos interesses dos oligopólios gerou uma legislação que submete a política econômica do petróleo nacional aos interesses de empresas que desde o século passado atuam de forma obscura em todo o planeta.

Desta forma o Brasil deveria iniciar um processo não somente de investigação da conduta ética dos dirigentes da Petrobras, mas um amplo debate a respeito da nacionalização da produção petrolífera nacional.

O modelo de exploração proposto e executado através da lei 12.351 de 2010 revela o seu caráter antinacional ao transformar a Petrobras em elemento financiador dos oligopólios aspecto agravado quando somado a conversão dos recursos desta exploração para um fundo especulativo.

A Petrobras não foi criada para “brilhar” nas bolsas de valores. Esta característica mercadológica, defendida por governantes neoliberais e oposicionistas da mesma linha ideológica, revela somente o desejo de abrir o controle da empresa ao capital internacional.

Na verdade o modelo de financiamento da produção petrolífera no Brasil precisa de uma análise profunda desvinculada de opções ideológicas que visam a lucratividade dos oligopólios. Este debate não pode permanecer nos parâmetros estabelecidos durante a ditadura militar, retomado durante o governo Fernando Henrique, ampliado durante os governos Lula e Dilma Rousseff.

Torna-se necessário redefinir o papel da Petrobras na política econômica do petróleo tornando clara a sua função de empresa nacional responsável pela exploração petrolífera e garantidora do abastecimento da matéria prima necessária à produção.

O modelo “oitava irmã”, planejado durante a ditadura militar, revela-se incompatível à missão histórica da Petrobras de rompimento com o modelo econômico de base colonial.

O debate de interesse do povo, apesar de todas as denuncias, ainda não foi iniciado. Infelizmente, estamos observando uma disputa entre governo e oposição neoliberal relativa a melhor forma de privatização total da Petrobras.

Mujica oferece abrigo a crianças e mulheres sírias refugiadas

Via Opera Mundi

Após aceitar receber presos de Guantánamo, presidente do Uruguai quer ajudar vítimas da guerra na Síria

O presidente uruguaio, José "Pepe" Mujica, ofereceu ajuda de seu país para receber cerca de 70 pessoas, entre crianças e mulheres, vítimas da guerra civil na Síria. O ministro de Relações Exteriores, Luis Almagro, afirmou em entrevista concedida nesta quarta-feira (30/04) que a ideia é receber refugiados do campo de Zaatari, o maior do norte da Jordânia, onde vivem cerca de 100 mil pessoas em más condições de vida. O governo também estuda enviar ajuda humanitária à região.

Flickr/IHH Humanitarian Relief Foundation/CC

Refugiados sírios na fronteira com o Líbano. Desde 2011, mais de 2,6 milhões de pessoas pessoas deixaram a Síria devido à guerra

A possibilidade está sendo estudada em conjunto com o Acnur (Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados) a fim de encontrar a melhor solução. Em entrevista concedida hoje ao jornal La República, Almagro ressaltou que a ideia é “oferecer opções para estas crianças e viúvas com filhos” recebendo-os em “nosso país, para que tenham uma opção, uma melhor condição de vida”.

O chanceler, que esteve recentemente em visita oficial no Oriente Médio, afirmou que “25% dos refugiados são menores de oito anos”. Alguns estão acompanhados por suas mães e outros são órfãos. E esclareceu que essas pessoas viriam para o Uruguai na condição de refugiados.

Solidariedade internacional

Em seu programa semanal na segunda-feira (28), Mujica consultou seus compatriotas sobre a possibilidade de “socorrer de alguma forma as crianças sírias abandonadas nos campos de concentração em consequência da guerra”. O tema também foi defendido por ele durante reunião do Conselho de Ministros nesta semana.

“Todos vemos televisão e uma coisa das que realmente impacta é a quantidade de crianças abandonadas que está nos campos de refugiados perto da Síria. Não podemos fazer algo como sociedade?”, questionou o mandatário. “Dar ao mundo uma mão não significa cortar a identidade ou ter crianças roubadas da dor, mas simplesmente uma prática familiar da solidariedade”, defendeu.

E rebateu a possibilidade de ser criticado pelo gesto. "Há pessoas que que vão me perguntar por que não me ocupo das crianças pobres uruguaias, que existem, mas penso que a imensa maioria tem carinho. Estes nem isso”.

Mujica questionou ainda se “não valerá a pena que em nossa sociedade levantemos um pouco a cabeça e sejamos capazes de tentar socorrer as crianças abandonadas que estão ficando com o custo de uma guerra que está longe de ser solucionada?”.

O ex-guerrilheiro tupamaro aceitou, recentemente, o pedido feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de acolher, como homens livres, seis presos de Guantánamo. “Se fosse por nós, traríamos os 154 presos que restam em Guantánamo para fechar esta prisão, esta barbárie”, afirmou.

Paulo Malhães: na despedida, o torturador ficou só

Via Brasil de Fato

E o que dizer dos que, tão corajosos em vilipendiar, na internet, quem denuncia as excrescências da ditadura, não tiveram coragem de dar adeus ao coronel (ou tenente-coronel) que até o fim não se arrependeu dos seus crimes? Prevaleceu a covardia

Mario Magalhães

As contas oscilam, mas nenhuma reportagem descreveu mais de meia centena de pessoas no velório e no enterro do torturador, matador e ocultador de cadáveres Paulo Malhães. Bernardo Tabak, repórter do UOL, somou vinte na despedida. No sábado à tarde, no cemitério de Nova Iguaçu, estiveram parentes do oficial reformado do Exército, que teve cinco filhos, e alguns vizinhos da Baixada Fluminense. É possível que, anônimo, tenha passado por lá algum velho camarada de jornadas macabras dos tempos da ditadura ou chapa dos serviços de “segurança” - isto é, atividades de extermínio - prestadas pelo militar a próceres da contravenção. Porém, não se viu um só bicheiro conhecido ou veterano manjado da repressão política. Abandonado por seus parceiros, o torturador ficou só.

Dos seus sócios e apoiadores em práticas como seviciar oposicionistas até a morte e depois cortar dedos, arrancar dentes e extirpar vísceras dos seus corpos, pode-se dizer que a idade dificulta a locomoção. Mas não são eles que, volta e meia, acorrem a convescotes que celebram a falecida ditadura? Muitos vivem em outros Estados, é verdade. Mas o Rio continua sendo a concentração mais ruidosa dos partidários dos governos instaurados em 1964.

E o que dizer dos que, tão corajosos em vilipendiar, na internet, quem denuncia as excrescências da ditadura, não tiveram coragem de dar adeus ao coronel (ou tenente-coronel) que até o fim não se arrependeu dos seus crimes? Prevaleceu a covardia.

Malhães, como se sabe, morreu na quinta-feira em circunstâncias ainda não esclarecidas. Em meio a tantas suspeitas e versões, há uma evidência: o site “A verdade sufocada'”, vinculado ao coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, trucidou a verdade ao informar na sexta-feira que Malhães havia recebido quatro tiros. Inexiste, até agora, relato de que ele tenha sido baleado. Outro equívoco é supor que eventual colapso cardíaco do facínora tenha ocorrido enquanto ele regava suas orquídeas no sítio onde vivia. O militar estava em mãos de homens que invadiram sua residência, conforme relato da viúva. A perícia recolheu um travesseiro onde, de acordo com a senhora Malhães, havia marcas de sangue.

Para registro histórico: há pelo menos um episódio em que um opositor à ditadura morreu de colapso cardíaco, como informou o laudo da necropsia e testemunhou uma companheira. O que o laudo não contou e ela revelou é que o coração entrou em pane quando o guerrilheiro era torturado no pau-de-arara e recebia doses cavalares de choque elétrico.

Não se sabe ainda como Malhães morreu, mas não se ignora que ele foi atacado. Portanto, não teria morrido, e sim sido morto. Sobre a identidade de quem o atacou há um sem-número de hipóteses. Só os adivinhões de sempre, alguns virgens de qualquer investigação jornalística ou policial, prescindem de apuração para saber o que ocorreu. O certo é que, na hora derradeira, as viúvas da ditadura abandonaram Malhães.

Seus amigos e admiradores não foram valentes nem para ir até o cemitério.

A Humanidade na beira do abismo

Via O Diário.info

Miguel Urbano Rodrigues

 

Do imperialismo norte-americano pode-se sempre esperar o pior. O desenvolvimento e o desfecho da explosiva situação criada na Ucrânia são imprevisíveis. Mas a força mais poderosa capaz de impedir uma guerra apocalíptica é a luta dos povos em defesa da Paz

 

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A Humanidade está a ser empurrada para a beira do abismo. Desde a chamada crise dos misseis em l962 nunca foi tão transparente o perigo de uma guerra que poderia levar à sua destruição.

A responsabilidade cabe ao imperialismo e prioritariamente ao sistema de poder dos Estados Unidos, a potência que o hegemoniza, aspirando à dominação planetária.

O foco da crise localiza-se hoje na Ucrânia.

Partidos e organizações neofascistas instalaram-se no poder em Kiev com o apoio e o aplauso de Washington e da maioria dos governos da União Europeia. Após os acontecimento da Crimeia, a campanha contra a Rússia intensificou-se, assumindo uma amplitude extraordinária. Sucessivos pacotes de sanções, aprovados pelo presidente Obama e pelos seus aliados europeus, atingiram aquele país, acusado de crimes que não cometeu e de mirabolantes projetos agressivos. São, aliás sanções inéditas que visam personalidades e empresas, tão absurdas que Putin as qualificou de «repugnantes».

Na ofensiva em curso, Obama e aliados repetem diariamente que é preciso «travar a Rússia» porque ela se prepara para invadir a Ucrânia e anexar as suas províncias do Leste, maioritariamente russófonas, que exigem uma maior autonomia. Mas não apresentam provas dessas supostas intenções.

Um gigantesco coro desinformativo, montado pelos grandes media internacionais, funciona como complemento da campanha anti russa. Cadeias de televisão, jornais e rádios do Ocidente fazem a apologia dos «governantes democratas de Kiev» e apresentam como bandoleiros e terroristas os grupos armados que não lhe reconhecem legitimidade.

Cabe lembrar que o Parlamento de Kiev exibe com despudor a sua simpatria pelo fascismo, debatendo um projeto que suprime o feriado do 9 de Maio, comemorativo do «Dia da Vitória» que assinalou o final da II Guerra Mundial após a tomada de Berlim pelo Exército Vermelho.

Neste contexto explosivo, a NATO reforçou já o seu dispositivo militar na Polónia e enviou para ali aviões de combate.

O atentado contra o presidente da Câmara Municipal de Kharkov, favorável à autonomia das províncias russofonas, inseriu-se na serie de ações terroristas promovidas por bandos de arruaceiros, armados e financiados por organizações ocidentais.

Michel Chossudovsky (odiario.info,22.04.14) revelou pormenores chocantes da intervenção militar indireta dos EUA no sudeste ucraniano. Segundo ele, uns 150 mercenários norte-americanos da empresa dita de «segurança» Greystone LTDA, com sede em Barbados, semeiam a violência no território, com o objetivo de semear o caos. Sergei Lavrov,o ministro dos Estrangeiros da Rússia, confirmou a informação.
Os governos da Polónia e das repúblicas bálticas lançam achas na fogueira, empenhados em empurrar os EUA para um choque frontal com a Rússia.

Não é de estranhar que a extrema-direita europeia acompanhe com entusiasmo o agravamento da crise. Segundo as ultimas sondagens, os partidos neofascistas da França, da Inglaterra, da Holanda, da Áustria, da Suécia, da Itália e da Bélgica serão beneficiados nas próximas eleições para o Parlamento Europeu pela atmosfera de violência que envolve a crise ucraniana. O secretário-geral cessante da NATO, cão de guarda do imperialismo, aprofundou o seu discurso bélico.

Nunca desde 1962, repito, o perigo de uma guerra, que seria uma tragédia para a Humanidade, foi tão real.
A angústia das populações russófonas do sudeste ucraniano é compreensível. Mas os seus apelos à solidariedade da Rússia não ajudam a resolver a crise. Pelo contrário.

Não creio também que seja positivo o alarmismo de prestigiados intelectuais anti-imperialistas - James Petras e Paul Craig são dois exemplos - que admitem já a iminência de uma terceira guerra mundial, com recurso eventual a armas nucleares.

Do imperialismo norte-americano pode-se sempre esperar o pior. O desenvolvimento e o desfecho da explosiva situação criada na Ucrânia são imprevisíveis. Mas a força mais poderosa capaz de impedir uma guerra apocalíptica é a luta dos povos em defesa da Paz.

Somente milhões de homens e mulheres tomando as ruas em dezenas de países para condenar a guerra podem contribuir decisivamente para conter a loucura imperialista.

Tomar consciência dessa realidade é muito difícil. Esbarra com tremendos obstáculos. Mas é uma exigência de defesa da Humanidade.

Vila Nova de Gaia, 1 de Maio de 2014

Brilhante Ustra foi o primeiro a divulgar morte de ex-torturador

Sanguessugado do Pragmatismo Político

Entre as primeiras pessoas que souberam da morte do coronel reformado do Exército Paulo Malhães na sexta-feira está o também coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo (1970-1974). No Twitter do site de Ustra “A Verdade Sufocada” há uma postagem sobre o assassinato de Malhães às 13h08 — 31 minutos antes da primeira notícia em página de empresa jornalística, às 13h39. O site “A Verdade Sufocada” tem o mesmo nome do livro escrito por Ustra, com sua versão sobre a repressão.

A postagem no Twitter traz um link para a matéria no site do militar. A notícia diz que Malhães foi morto com quatro tiros. Há também uma referência ao assassinato do coronel Júlio Molinas Dias em 2012, e que ele guardava em casa documentos do caso Rubens Paiva.

A polícia informou na sexta-feira que o corpo de Malhães tinha sinais de asfixia. A viúva, Cristina, contou que os bandidos cortaram o telefone da casa. O coronel Ustra mora em Brasília.

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, considerou a informação importante para as investigações. “Esse levantamento vai ser importante. Acredito que vão ter que ouvir pessoas em função disso. É uma informação relevante”, afirmou Dallari, que ressaltou que todas as hipóteses devem ser investigadas.

O assessor da Comissão da Verdade de São Paulo Ivan Seixas disse que o site é uma referência entre os militares. “É a mais importante referência dos torturadores. É altamente suspeito ter essa notícia antes mesmo da própria imprensa. Isso chama a atenção e acho que devíamos exigir que a PF entre no caso”, observou Seixas.

morte paulo malhães brilhante ustra

Site de Brilhante Ustra foi o primeiro do Brasil a divulgar a morte de Paulo Malhães (Reprodução)

Malhães contou que ele e Ustra tinham trabalhado juntos em algumas operações. Ustra também prestou depoimento à Comissão da Verdade, em maio de 2013. Na ocasião, negou sua participação em torturas e assassinatos.

Tortura e morte

Paulo Malhães foi agente do Centro de Informações do Exército na década de 1970. Os procuradores já investigavam o militar devido aos relatos em que confessou ter torturado e assassinado presos políticos.

Malhães admitiu que participara de torturas e mortes durante a ditadura e que integrara uma missão em 1973 para desenterrar e ocultar a ossada do ex-deputado federal Rubens Paiva, desaparecido dois anos antes.

O Dia

Baixa a bola ruralistas patrioteiros

feicibuqui do Elmo Cordeiro

 

terça-feira, 29 de abril de 2014

A SEGUNDA RAINHA

Sanguessugado do Mauro Santayana

(Hoje em Dia) - Até pouco tempo atrás se acreditava que o xadrez surgiu na Índia, mas novas evidências indicam que foi inventado possivelmente na China, no século III antes de Cristo.

Os russos gostam de xadrez, e a ida do ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, a Pequim, onde se encontrou com seu colega chinês, Wang Yang, e com o próprio Presidente Xi Jinping, em momento decisivo para a questão ucraniana, equivale a atravessar com um peão o tabuleiro e transformá-lo em uma segunda rainha.      

Na Ucrânia, a OTAN e os EUA cometeram vários erros:

– Derrubaram – ou ajudaram a derrubar – um governo eleito, que, com todos seus defeitos, mantinha o país unido e funcionando.

– Subestimaram a reação russa, acreditando que Moscou permitiria passivamente que Kiev se transformasse em um novo enclave da OTAN em suas fronteiras, e que se jogasse no lixo os acordos assinados quando da saída do país da URSS, no final dos anos 1980.

– Não se prepararam para oferecer – até porque não têm condições para isso – apoio financeiro para manter em pé um país que deve quase 200 bilhões de euros.

– Não conseguiram estabelecer qualquer alternativa viável para substituir o gás russo do qual os ucranianos dependem  como sangue para continuar vivendo.

– Acharam que a população ucraniana era, em sua maioria, contra a Rússia, quando, na verdade, o país tem milhões de habitantes que falam russo, descendem de antepassados russos, vivem em cidades “russas”, e não aceitam ser governados por neonazistas, estes sim, uma minoria virulentamente anti-russa e anti-comunista, o que não é apenas ridículo, como anacrônico, quando se considera que o governo Putin não é, nem nunca foi, um governo comunista.

– Subestimaram a posição da Alemanha, achando que ela iria comprar briga com Moscou, quando depende fortemente do mercado russo para suas exportações, e do gás russo para manter em funcionamento sua economia.

A soma de todos esses equívocos explica porque, enquanto a OTAN e os EUA  continuam sendo atropelados pelos acontecimentos, Putin segue avançando, a cada movimento, fortalecendo-se e estreitando seus laços com outros países, e especialmente com a China.

Ao enviar Lavrov a Pequim antes das reuniões com a UE, EUA e  Ucrânia e advertir que qualquer ataque ucraniano aos civis pró-russos pode abortar as negociações, Moscou deixa claro ao Ocidente que está longe de se sentir isolada diplomaticamente, e que conta com poderoso aliado, caso a situação se complique.

Os chineses têm um ditado que não tem nada a ver com xadrez, mas que serve de alerta para a gula da OTAN em sua  expansão rumo às antigas repúblicas soviéticas e ao espaço euroasiático compartilhado por russos, chineses e indianos: “quando o rato cresce até ficar do tamanho do gato, já está passando da hora de empunhar a vassoura”.

MST garante alimentação e segurança da greve dos professores em Curitiba

Via MST


Da Página da APP
O MST tem apoiado desde o inicio a greve geral dos(as) professores(as) e funcionários(as) do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato). A segurança e a alimentação de todo o acampamento, que ocorre em frente ao Palácio Iguaçu, é realizada por trabalhadores(as) do movimento.
Roberto Galdino Neves é militante do MST de Cascavel e acredita que a organização diferenciada do movimento contribui muito para espaços como este.
“Nós estamos aqui para dar uma força para o pessoal da APP. Essa greve influencia também o nosso movimento. A gente também tem escola, têm os filhos dos assentados e acampados que estudam e que neste exato momento também estão sem aula. Nós estamos fornecendo a alimentação, todos os alimentos aqui são orgânicos de nossos assentamentos da região, de Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu e Antonina. A cozinha também é nossa. Como a gente tem uma experiência diferenciada de segurança e organização de acampamento, nós viemos ajudar”.

Para Célia Aparecida Rosa, do MST de Antonina, a participação na greve tem sido uma experiência muito boa. “O que melhora para os professores, melhora para nossos filhos. Estamos aqui cozinhando, é bem corrido, mas está gostoso”.
Para uma categoria que luta por uma alimentação saudável para os(as) seus(as) alunos(as), que venha da agricultura familiar e sem agrotóxicos, ter a presença do MST em um momento tão importante, faz todo o sentido e só reafirma a que a luta por uma educação de qualidade é de todos e todas.

Paz e democracia americanas: Egipto: 683 penas capitais

Sanguessugado do Informação Incorrecta

O Egipto é um dos Países sortudos que foram livrados da opressão e conseguiram abraçar a
Democracia. E os resultados estão à vista.
Um tribunal do Cairo condenou à morte 683 seguidores do ex-presidente egípcio Morsi, deposto após um golpe de Estado. Todos os acusados fazem parte da Irmandade Muçulmana, por isso no Ocidente ninguém encontrou nada para dizer.
Fazem-se manifestações, artigos de jornais, programas televisivos quando o Irão condena à morte uma mulher que matou o marido (a propósito: a mulher está livre, sabiam?), mas se os condenados forem muçulmanos, e num País recentemente "democraticizado", está tudo bem.
As 683 pessoas foram condenadas com a acusação de terrorismo para o ataque contra uma esquadra da polícia em Minya, em 14 de Agosto de 2013. Seizento oitenta três pessoas numa acção "terrorista" contra uma esquadra da polícia? E quais medidas tomou o tribunal contra os responsáveis da polícia que ordenaram o ataque contra os manifestantes? Nenhuma medida: é normal que no "democrático" Egipto a polícia abra o fogo contra os manifestantes (pois isso eram os "terroristas" agora condenados), deixando no terreno mais de 40 mortos (dos quais só 6 eram polícias).
O mesmo tribunal também sentenciou 492 prisões perpétuas contra igual número de "terroristas", todos apoiantes do movimento em favor de Morsi.
O Chefe das Forças Armadas egípcias, Abdel Fattah as-Sisi, um dos autores do golpe contra Morsi, é agora candidato a presidente na próxima eleição. A Irmandade Muçulmana tornou público um convite ao boicote total perante as votações, previstas para Maio. A desafiar as-Sisi apresentou-se apenas outro candidato, o moderado Habdin Sabahi: mas este já foi preso 17 vezes pelas suas ideias, por isso está habituado à prisão.
Independentemente dos pontos de vista políticos dos "irmãos" islâmicos, aquele que derrubou o Morsi foi um autêntico golpe, pois o presidente tinha sido eleito após consultação popular. E paciência se Morsi era uma "marioneta" dos Estados Unidos: a verdade é que houve eleições e os cidadãos tinham decidido.
A actual repressão, as centenas de sentenças de morte, são um insulto contra o direito dos povos à autodeterminação.
Mas do Ocidente nem um pio ou pouco mais.
As únicas reacções foram aquela do inútil secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon:

(As condenações à morte) parecem claramente não respeitar as regras básicas de um julgamento justo

...e da Casa Branca, com as palavras de Jay Carmey, porta-voz da Presidência americana:

O veredicto de hoje, assim como o do mês passado, constitui um desafio às regras mais elementares da justiça internacional.

Carney afirmou também que os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a contínua utilização dos processos e das condenações em massa no Egipto.
Muito interessante: mas que fazer do ponto de vista prático, e não só com as palavras, perante os 15.000 que estão a apodrecer nas prisões egípcias só pelo facto de ser apoiantes de Morsi?
Ipse dixit.
Fontes: Zero Hora, Reuters, AFP via Yahoo Notícias, Rinascita

A perenidade do mal e a batalha dos justos

Via  Jornal do Brasil

Mauro Santayana

O mundo comemora hoje o Dia do Holocausto judeu. Em nome de um mito — a escolha de Jesus por uma multidão, no lugar de Barrabás, às vistas de um Pilatos de mãos recém-lavadas, para percorrer as estações da Paixão, até seu definitivo encontro com o Pai, no alto do Gólgota — os judeus foram discriminados, roubados, torturados e assassinados por quase dois mil anos, até encarar, em lugares como Auschwitz-Birkenau, Maydanek, Sobibor, Bergen-Belsen, Dachau, Teresin, Babi Yar, Treblinka, o ponto culminante de seu calvário.

Jesus era judeu — e seis milhões deles foram exterminados na Europa — mas poderia ser cigano, um povo que vaga pelo mundo, quase que desde a mesma época, e que perdeu, nos mesmos campos de extermínio erguidos pelos nazistas da Divisão da Caveira, quase dois milhões de homens, mulheres e crianças. Muitas delas e deles como vítimas de experiências médicas, como as de Joseph Mengele, que injetava tinta nos olhos de meninos e meninas em Auschwitz e dissecava gêmeos com poucos dias de vida, logo depois de chegados ao campo.

Jesus era judeu, mas poderia ter sido um dos 30 milhões de russos, que morreram na Segunda Guerra Mundial, muitos deles executados e enterrados em valas comuns logo que os assassinos dos Einzatzgruppen chegavam, precedidos das tropas da Wermacht, para cumprir sua tarefa de matar comunistas — o que incluía a maioria da população soviética — quem soubesse ler e escrever, os judeus, os ciganos, e os vira-latas, para que o Exército Vermelho não os adestrasse para entrar debaixo dos Panzers alemães, com minas antitanque amarradas na barriga.

Jesus era judeu, mas poderia ter sido um dos 30 milhões de russos, que morreram na Segunda Guerra Mundial

O virulento retorno do anticomunismo; a tentativa solerte de comparar o comunismo ao nazismo, quando foram os  comunistas que derrotaram os nazistas, na Batalha de Stalingrado, no cerco de Leningrado, até o covil do diabo, na Batalha de Berlim, levando Hitler e outros dirigentes nazistas ao suicídio; o aumento do número de internautas que propugnam, livremente, o assassinato de suspeitos, a institucionalização da tortura e a quebra do Estado de Direito, com o fim do voto e a instauração da ditadura; tudo isso mostra que os demônios do conservadorismo e da ignorância continuam unidos, em tenebroso pacto, e conspiram para arrebatar corações férteis para o ódio e o preconceito. Como nas vésperas da chegada de Hitler ao poder, que levou ao sadismo ensandecido dos campos de extermínio.

O Dia do Holocausto judeu, que nos lembra outros holocaustos, como o cigano, o russo, o dos padres e pastores, o dos comunistas e socialistas, o dos homossexuais, serve para manter viva em nossa memória a noite que se abateu sobre a Europa há 75 anos, há apenas alguns instantes, portanto, em termos históricos. E a necessidade de estar sempre atentos ao mal e a combatê-lo, cortando sua cabeça, que renasce, como as da Hidra, todas as vezes que ela se erguer, passando por entre as gretas que nos separam do inferno, para se insinuar em nosso mundo. 

Os escândalos que assombram a canonização de João Paulo II

Via CartaMaior

João Paulo II, o papa que promoveu e encobriu pedófilos e violadores da Igreja, recebeu, ao mesmo tempo em que João XXIII, a canonização.

Eduardo Febbro

Arquivo

Vítimas, que vítimas? – perguntou o cardeal Velasio de Paolis. E acrescentou: “Não são apenas estas vítimas”. Depois houve um silêncio de corpo e alma e o olhar um tanto perdido do superior geral dos Legionários de Cristo, nomeado em 2010 para esse cargo pelo então papa Joseph Ratzinger. À pergunta de de Paolis se seguiu uma resposta: as vítimas não eram só os milhares de menores que sofreram com os apetites sexuais das batinas hipócritas, mas também o próprio Vaticano. As vítimas não eram unicamente os menores ou adultos abusados e violentados pelo padre Marcial Maciel, o fundador dessa indústria dos atentados sexuais que foi, durante seu mandato, o grupo dos Legionários de Cristo. A vítima era a Santa Sé, que foi “enganada”.

João Paulo II, o papa que, entre outros horrores, promoveu e encobriu pedófilos e violadores da Igreja, recebeu, ao mesmo tempo em que João XXIII, a canonização. Para além do espetáculo obsceno montado para esta ocasião, dos milhares de fieis na Praça de São Pedro, dos três satélites suplementares para transmitir o ato, para além da fé de muita gente, a canonização do papa polonês é uma aberração e um ultraje para qualquer cristão do planeta. Declarar santo a Karol Wojtyla é se esquecer do escandaloso catálogo de pecados terrestres que pesam sobre este papa: amparo dos pedófilos, pactos e acordos com ditaduras assassinas, corrupção, suicídios jamais esclarecidos, associações com a máfia, montagem de um sistema bancário paralelo para financiar as obsessões políticas de João Paulo II – a luta contra o comunismo -, perseguição implacável das correntes progressistas da Igreja, em especial a da América Latina, ou seja, a frondosa e renovadora Teologia da Libertação.

O “vítimas, que vítimas?” pronunciado em Roma pelo cardeal Velasio de Paolis encobre toda a impunidade e a continuidade ainda arraigada no seio da Igreja. Jurista e especialista em Direito Canônico, De Paolis fazia parte da Congregação para a Doutrina da Fé na época em que – anos 80 – se acumulavam as denúncias contra Marcial Maciel. No entanto, foi ele quem firmou a segunda absolvição do sacerdote mexicano. O ex-padre mexicano Alberto Athié contou à Carta Maior como Maciel sabia distribuir dinheiro e favores para comprar o silêncio das hierarquias. Athié renunciou em 2000 ao sacerdócio e se dedicou à investigação e denúncia dos abusos sexuais cometidos por clérigos e organizações.

O destino de Maciel foi selado por Bento XVI a partir de 2005. Em 2004, antes da morte de Karol Wojtyla, Maciel foi honrado no Vaticano. Neste mesmo ano, Ratzinger reabriu as investigações contra os Legionários. O dossiê Maciel havia sido bloqueado em 1999 por João Paulo II e mantido invisível por outra das figuras mais soturnas da cúria romana, Angelo Sodano, o ex-secretário de Estado de Giovanni Paolo. Sodano é uma pérola digna de figurar em um curso de manobras sujas. Decano do Colégio de Cardeais, ele tinha negócios com os Legionários de Cristo. Um sobrinho dele foi um dos assessores nomeados por Maciel para construir a universidade que os legionários de Cristo têm em Roma, a Universidade Pontífica Regina Apostolorum.

Sodano, que foi o número dois de Juan Paulo II durante quase 15 anos, tinha um inimigo interno, Joseph Ratzinger, um clube de simpatias exteriores cujos dois membros mais eminentes eram o ditador Augusto Pinochet e o violador Marcial Maciel. Sodano e Ratzinger travaram uma batalha sem tréguas: o primeiro para proteger os pedófilos, o segundo para condená-los. Em 2004, Ratzinger obrigou Maciel a se demitir e a se retirar da vida pública. Dois anos depois, já como Bento XVI, o papa o suspendeu “a divinis”. As investigações reabertas por Ratzinger demonstraram que Maciel era um pederasta, tinha duas mulheres, três filhos, várias identidades diferentes e manejava fundos milionários.

As denúncias prévias nunca haviam passado o paredão levantado por Sodano e o hoje Santo João Paulo. A carreira de Sodano é uma síntese do Papado de Karol Wojtyla, onde se mesclam os interesses políticos, as visões ideológicas ultraconservadoras, a corrupção e as manipulações. Angelo Sodano foi Núncio no Chile durante a ditadura de Pinochet. Manteve uma relação amistosa com o ditador e isso permitiu que organizasse a visita que João Paulo II fez ao Chile em 1987. Seu irmão Alessandro foi condenado por corrupção após a operação Mãos Limpas. Seu sobrinho Andrea teve a mesma sorte nos Estados Unidos. O FBI descobriu que Andrea e um sócio se dedicavam a comprar – mediante informação privilegiada – por um punhado de dólares as propriedades imobiliárias das dioceses dos Estados Unidos que estavam em bancarrota devido aos escândalos de pedofilia.

Mas o mundo sucumbiu ao grito de “santo súbito” que reclamava a canonização de um homem que presidiu os destinos da Igreja em seu momento mais infame e corrupto. O papa “viajante”, o papa “amável”, o papa “dos jovens”, era um impostor ortodoxo que deixou desprotegidas as vítimas dos abusos sexuais e os próprios pastores da Igreja quando estes estiveram com suas vidas ameaçadas.

Sua visão e suas necessidades estratégicas sempre se opuseram às humanas. Na trama desta história também há muito sangue, e não só de banqueiros mafiosos como Roberto Calvi ou Michele Sindona, com quem João Paulo II se associou para alimentar com fundos secretos os cofres do IOR (Banco do Vaticano), fundos que serviram para financiar a luta contra o comunismo no leste europeu e contra  a Teologia da Libertação na América Latina.

João Paulo II deixou desprotegidos os padres que encarnavam, na América Latina, a opção pelos pobres frente às ditaduras criminosas e seus aliados das burguesias nacionais. Em 2011, cinquenta destacados teólogos da Alemanha assinaram uma carta contra a beatificação de João Paulo II por não ter apoiado o arcebispo salvadorenho Óscar Arnulfo Romero, assassinado em 24 de março de 1980 por um comando paramilitar da extrema-direita salvadorenha, enquanto celebrava uma missa. Romero sim que é e será um santo. O arcebispo enfrentou os militares para pedir-lhes que não assassinassem seu povo, percorreu bairros, zonas castigadas pela repressão e pela violência, defendeu os direitos humanos e os pobres. Em resumo, não esperou que Bergoglio chegasse a Roma para falar de “uma Igreja pobre para os pobres”. Não. Ele a encarnou em sua figura e pagou com sua vida, como tantos outros padres aos quais o Vaticano taxava de marxistas ou comunistas só porque se envolviam em causas sociais.

João Paulo II é um santo impostor que traiu a América Latina e aqueles que, a partir de uma igreja modesta, ousaram dizer não aos assassinos de seus povos. Se, no leste europeu, João Paulo II contribuiu para a queda do bloco comunista, na América Latina favoreceu a queda da democracia e a permanência nefasta de ditaduras e sua ideologia apocalíptica. Um detalhe atroz se soma à já incontável dívida que o Vaticano tem com a justiça e a verdade: o expediente de beatificação de Óscar Romero segue bloqueado nos meandros políticos da Santa Sé. João Paulo II beatificou Josemaría Escrivá, o polêmico fundador da Opus Dei e um de seus protegidos. Mas deixou Romero de fora, inclusive quando estava com sua vida ameaçada. “Cada vez mais sou um pastor de um país de cadáveres”, costumava dizer Romero.

João Paulo II foi eleito em 1978. No ano seguinte, Monsenhor Romero entregou a ele um informe sobre a espantosa violação dos Direitos Humanos em El Salvador. O papa ignorou o informe e recomendou a Romero que trabalhasse “mais estreitamente com o governo”. Como lembrou à Carta Maior Giacomo Galeazzi, vaticanista de La Stampa e autor de uma magistral investigação, “Wojtyla Secreto”, em “seus 25 anos de pontificado nenhum bispo latinoamericanao ligado à ação social ou à Teologia da Libertação foi nomeado cardeal por João Paulo II”. A resposta está em uma frase de outro dos mais dignos representantes da “Igreja dos Pobres”, o falecido arcebispo brasileiro Hélder Câmara. “Quando alimentei os pobres me chamaram de santo; mas quando perguntei por que há gente pobre me chamaram de comunista”.

O show universal da canonização já foi lançado. A imprensa branca da Europa tem a memória muito curta e sua cultura do outro é estreita como um corredor de hospital. Todos celebram o grande papa. Ela promoveu à categoria de santo um homem que tem as mãos sujas, que cometeu a infâmia de encobrir violadores de crianças, de beijar ditadores e legitimar com isso o rastro de mortos que deixavam pelo caminho, de negociar benefícios para a máfia, que sacrificou em nome dos interesses de uma parte da Europa a misericórdia e a justiça de outros, entre eles os da América Latina. Estão canonizando um trapaceiro. O cúmulo da esperteza, do erro imemorial.

Em que altar se ajoelharão as vítimas dos abusadores sexuais e das ditaduras? Podemos levantar todos juntos um lugar aprazível e justo na memória com as imagens do padre Múgica ou do Monsenhor Romero para nos reencontrarmos com a beatitude o sentido de quem, por um ideal de justiça e igualdade, enfrentou a morte sem pensar nunca em si mesmo, ou em baixas vantagens humanas.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

SÓ A EDUCAÇÃO SALVA O FUTEBOL – Paulo Cezar Caju

Via Paulo Cezar Caju

PAULO CEZAR CAJU 

Amigos, inicio hoje uma troca de passes com vocês e espero que possa contribuir positivamente nesse momento tão insosso, esquisito, vivido por nosso futebol.

Tenho acompanhado os campeonatos e a qualidade é péssima, plantéis horrorosos, caminhão de passes errados, clubes mal administrados e ausência de ginga e tempero dentro de campo.

E pior do que a falta de tempero é a falta de investimentos em Educação, que vem refletindo nos estádios e no comportamento de torcedores, e até dos jogadores, que deveriam dar o exemplo. Está um nojo a forma destemperada como os atletas se dirigem aos árbitros e como tentam enganá-los o tempo todo simulando faltas, praticando o anti-jogo. Não é possível que técnicos e dirigentes não coíbam isso de alguma forma. De que forma, com multas? Aí começa o problema. Não adianta punir no bolso, não adianta rebaixar, não adianta realizar jogos sem a presença da torcida. É preciso educar, é preciso mudar a filosofia. Se em campo, a situação é crítica nas arquibancadas o pau come, as torcidas se engalfinham e o coro de “macaco” está virando rotina. Os formadores de opinião não se manifestam. É como achar natural um mendigo esticado na rua. Muitos passam e sequer olham. Dizem que sou ácido, reclamão, mas não posso assistir calado ao que estão tentando fazer com o maior espetáculo da Terra.

Essa história de racismo não é novidade para mim e muita gente não sabe mas o Caju, hoje praticamente um sobrenome, surgiu por conta de uma dessas insatisfações. Mas isso eu conto mais abaixo. Na minha infância, presenciei a dor de minha mãe, empregada doméstica, uma pequena escrava, que era proibida de estudar pelos patrões. Quando entrei para o futebol de salão do Fluminense era um Deus nos acuda para conseguir entrar no clube e nunca me deram carteira de sócio atleta. Poucos eram os negros ali. Mas minha mãe nunca me deixou entrar pela porta dos fundos. Hoje quando vejo um Tinga, um Arouca e um Daniel Alves (comer a banana foi um tapa de luva, não só nos racistas, mas na sociedade que não se manifesta) sendo xingados volto ao passado e vejo que tudo continua igualzinho. Onde está o amor ao próximo nesse país, onde está a educação? E CBF, federações em geral, FIFA, ninguém faz nada? Vamos ter que esperar sentados?

Bem, e o Caju? Em 1968, o Botafogo foi fazer um torneio em Los Angeles. Era muito comum esses amistosos internacionais naquela época e a presença de Botafogo e Santos, base da seleção, despertavam a atenção até de quem não gostasse de futebol. Naquele ano, ganhamos o torneio e falei com a comissão técnica que iria conhecer a Sunset Boulevard. Fui com o Jairzinho e não acreditei quando nos deparamos com uma manifestação dos Black Panthers, partido revolucionário que patrulhava os guetos negros para protegê-los da violência policial.

Nessa época, meus ídolos eram Martin Luther King, Cassius Clay, a professora de sociologia Angela Davies e claro Malcolm X, um dos maiores defensores do nacionalismo negro, e que estava preso.

Me emociono ao lembrar desse momento. Os integrantes do Black Panther Party exigiam a libertação de todos os negros e a ala mais radical sugeria a luta armada. Todos usavam black powers coloridos, calças bocas de sino e roupas extravagantes. Precisava comprar aquele barulho de alguma forma. Entrei no primeiro salão que encontrei e mandei tingir meu cabelo de vermelho. Muitos jogadores, a partir daí, também deixaram o cabelo crescer, mas pintar, pelo que me lembre, fui um dos únicos. Dali, fomos para uma feijoada promovida pelo Sergio Mendes, que estava totalmente estourado nos Estados Unidos, e ele divertiu-se com o meu novo visual! Quando voltamos ao Brasil, descemos em São Paulo e logo passaram a me chamar de Caju. Me orgulho desse gesto de solidariedade aos negros americanos. Os negros brasileiros influentes também precisam se posicionar e o governo investir em Educação. O gol serve para que nas arquibancadas todas as raças se abracem e entendam de uma vez por todas que somos da mesma cor!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Não somos descendentes dos macacos, mas uma espécie de macaco.

Via Jornal O Rebate

Nós, macacos

Arthur Soffiati

Nos meus 40 anos de magistério, sempre encontrei dificuldades em tratar do evolucionismo biológico. Mesmo em cursos superiores, o tema causa desagrado aos alunos. Por 25 anos, dei aula no curso de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense, em Campos. Nele, predomina um corpo discente formado majoritariamente por alunas cristãs católicas, evangélicas, pentecostais, para-evangélicas e espíritas.

Curioso que as alunas de Serviço Social não enfrentem problemas com o pensamento de Marx. Inclusive, muitas se identificam com o socialismo, talvez por conta dos "Atos dos Apóstolos". No entanto, quando eu abordava o evolucionismo biológico, invariavelmente alguém perguntava com indignação: "Você está querendo dizer que o homem veio do macaco?". Era preciso deixar bem claro, em primeiro lugar, que eu não queria doutrinar ninguém. Em segundo, que a teoria sintética da evolução explica que o ser humano, o orangotango, o gorila, o chimpanzé e o bonobo têm um ancestral comum. No final, eu já respondia que não somos descendentes dos macacos, mas uma espécie de macaco.

As evidências são grandes quanto ao nosso parentesco com as quatro espécies primatas. Do ponto de vista anatômico, nós e eles temos dois braços, duas pernas e duas mãos capazes de segurar.

Fundamentalmente, a diferença está nos pés, pois, nas quatro espécies de macaco, eles conservaram a capacidade preênsil. Nos hominídeos, família da qual fazemos parte, o dedão do pé (chamado de hálux pelos cientistas) foi se alinhando paralelamente aos demais dedos e se adaptando à marcha. Mesmo assim, se necessário, o pé humano pode voltar à preensibilidade.

Do ponto de vista fisiológico, as fêmeas das quatro espécies de macacos costumam gerar apenas um filhote de cada vez e amamentá-lo em duas mamas, como fazem as fêmeas humanas. Pelo prisma neurológico, esses macacos apresentam invulgar inteligência. Em termos de comportamento (etologia), não apenas as quatro espécies, mas quase todas as espécies de macaco se organizam em sociedade, com chefia e hierarquia. Várias delas também demonstram a capacidade de produzir inventos para viver, como é o caso do macaco prego e do macaco japonês.

Faltava uma prova irrefutável: a constituição genética dos quatro grandes macacos e do ser humano. Pois agora não falta mais. O sequenciamento completo do DNA do gorila, reunindo 20 laboratórios, mostrou que este primata compartilha com o ser humano ("Homo sapiens"), 97% de seu DNA. Já sabíamos que o ser humano compartilha com o orangotango 96% do seu DNA, enquanto o chimpanzé tem 99% do DNA similar ao nosso. Embora os humanos estejam mais próximos do chimpanzé, o nosso DNA se parece mais com o do gorila em 15%. A intenção das pesquisas não é provar que nós e os quatro grandes macacos estamos nivelados, mas demonstrar as ligações intrínsecas que temos com eles e explicar como a diferença de 4%, 3% e 1% gera espécies aparentadas com comportamentos tão distintos. Certo que orangotango, gorila e chimpanzé podem adotar atitudes profundamente agressivas, mas nenhum deles é capaz de produzir guerras tão violentas quanto à

Segunda Guerra Mundial, a guerra do Vietnã e as guerras do Afeganistão e do Iraque. Orangotango, gorila e chimpanzé podem se revelar dóceis, inteligentes e sensíveis, mas não conseguem escrever livros e compor sinfonias.

Como judaístas, cristãos e muçulmanos, as três grandes religiões monoteístas e bíblicas, podem lidar com esta evidência? Não parece difícil em termos teológicos. Alguns teólogos aceitam perfeitamente o evolucionismo e as relações do ser humano não somente com os quatro grandes macacos, mas com todos os seres vivos. O livro do "Gênesis" usa linguagem metafórica. Não havia, no tempo em que foi escrito, revelações científicas encontradas segundo as linhas de investigação propostas por Darwin. Os livros sagrados das três religiões falam de metafísica e de ética, não de ciência. Podemos muito bem conciliar religião e ciência, pois, se, para Deus, não foi impossível criar homem e mulher do barro por que seria impossível criar a vida e permitir que ela caminhasse com suas próprias pernas, gerando o ser humano?

Da minha parte, que me lembre, desde adolescente, alegra-me saber que tenho ancestrais próximos representados por todos os hominídeos; que faço parte de uma grande família constituída por todos os macacos; que integro uma grande humanidade formada por todos os seres vivos. Não vejo necessidade em considerar apenas os grandes macacos como sujeitos de Direito. Entendo que toda a natureza é sujeito de Direito e que merece nosso respeito e nossa proteção.

A Descoberta do Vinho na Pérsia

Sanguessugado do Chá-de-Lima da Pérsia

Janaina Elias 

Mulher bebendo vinho, afresco do palácio Chehel Sotun, Isfahan (séc. XVII)

Você sabia?

A historia do vinho na Pérsia data de quase 7000 anos atrás. De acordo com uma antiga lenda, tudo começou com uma bela princesa que havia perdido a posição de favorita diante do mitológico rei Jamshid. Para superar a dor e a tristeza, a princesa tentou se auto envenenar com uma bebida feita de uvas estragadas. Após experimentar a bebida, ela começou a se sentir sonolenta. Na manhã seguinte, a princesa acordou e descobriu que não se sentia mais deprimida, mas ao contrário, sentia-se renovada. Ela levou sua descoberta para o Rei que ficou tão encantado com esta nova "poção" que a recompensou por isso. A partir de então, o rei compartilhou a maravilhosa bebida com toda sua corte e decretou que todas as uvas cultivadas em Persépolis fossem dedicadas a fabricação do vinho. Muito tempo depois, a cidade de Shiraz (próxima de Persépolis) se tornou um importante centro produtor de vinho na Pérsia.

Entretanto, de acordo com fontes históricas, o primeiro vinho realmente surgiu no Irã. Descobertas arqueológicas apontam que no período Neolítico, nos vilarejos do norte da cordilheira de Zagros, já existia a fabricação do vinho que era armazenado em algumas das primeiras jarras de cerâmicas do Oriente Médio que datam de aproximadamente 5400 a.C.

O vinho persa, conhecido como Mey ou Bâdeh, também é um símbolo cultural e está amplamente presente nas manifestações artísticas como a poesia e nas famosaspinturas em miniatura. Os temas dessas pinturas são escolhidos principalmente das obras literárias Ghazaliyat de Hafez e Rubaiyat de Khayyam. Por isso, a figura da servidora de vinho, Saghi é uma parte essencial da maioria dessas pinturas. Geralmente, a figura do ancião nessas pinturas representa Hafez ou Khayyam que temporariamente deixam suas posições de eruditos e são vistos embriagados no Kharabat (uma taverna mística localizada em algum lugar remoto) ou no Golshan (jardim) bebendo vinho servido diretamente pelas belas Saghis.

Apesar de Shiraz, a cidade do poeta Hafez ter sido um centro produtor de vinho durante milênios, o Irã já não é mais um país produtor de vinhos. Antes da revolução Islâmica em 1979, havia mais de de 300 vinícolas no Irã; atualmente, acredita-se que existam milhares, mas ilegalmente. O consumo de bebidas alcoólicas no Irã é punido com castigo físico, multa ou prisão. De fato, esta é uma das grandes contradições do Irã atual: enquanto o regime islâmico proíbe o uso do álcool, os iranianos se orgulham do legado de sua cultura persa ancestral que exalta o papel do vinho.

Baseado em Persian Tradition, Wikipedia e Your Middle East

‘Estamos caminando a un exterminio legal de los indígenas’, afirma Don Erwin

Via Adital

Jornal O SÃO PAULO

Nayá Fernandes

Reprodução

Don Erwin Kräutler, presidente del Consejo Indigenista Misionero (Cimi) y obispo de la Prelatura de Xingú concedió una entrevista al periódico SÃO PAULO, cuando estaba en Altamira, ciudad del Estado de Pará, conectada por la carretera Transamazónica. El obispo fue recibido por el papa Francisco, el pasado 4 de abril, en una audiencia cuyo tema principal fueron las violaciones de los derechos de los indígenas en Brasil.

Don Erwin, quien acompañado por el asesor teológico del Cimi, padre Paulo Suess, entregó al Papa un documento con un informe sobre la cuestión indígena en Brasil, fue invitado por Francisco a realizar una estrecha colaboración en la elaboración de una nueva encíclica sobre ecología.

Jornal O São Paulo JOSP - ¿Cómo Ud. evalúa el interés del Papa y de la Iglesia en todo el mundo por la cuestión indígena brasileña?

Don Erwin - el Papa expresó en su discurso a los obispos de Brasil en ocasión de la Jornada Mundial de la Juventud, que la Amazonía es una "prueba decisivo para la iglesia y la sociedad brasileñas". Creo que lo mismo puede afirmarse acerca de la cuestión indígena que nos desafía a todos nosotros, a requerir una respuesta de compromiso de la iglesia con estos pueblos, siempre arrinconados en una esquina y considerados por el sistema económico como "superfluos" y "desechables" (cf. Doc. Ap. n°65) porque "no producen".

JOSP – Incluso con el apoyo de parte de los medios de comunicación y todas las manifestaciones [en contra], el "genocidio silencioso" de los pueblos Guaraníes y Kaiowá, en el Estado de Mato Grosso do Sul, continúa. ¿Quién debe asumir esta causa para terminar con el genocidio?

Don Erwin - Este caso clama al cielo. ¿Cuánto tiempo ha pasado y no ha sido resuelto? Falta evidentemente voluntad política. ¿Cuántos indígenas tienen que morir todavía para que los parámetros constitucionales sean cumplidos? La razón de la demora en resolver el problema son los intereses del agronegocio, es la soja, es la caña de azúcar, es la carne de res, que, para los gobiernos, federal y estaduales, son sinónimo de progreso y desarrollo.

JOSP - – Petróleo, azúcar, ganado, plantas hidroeléctricas, explotaciones mineras son algunas de las amenazas a los pueblos indígenas. Pero, ¿podríamos detectar una amenaza principal?

Don Erwin – el problema subyacente a la marginación de los pueblos indígenas es una idea o concepción equivocada de desarrollo. Si desarrollo es entendido sólo como el crecimiento económico y aumento de las exportaciones, ahí [en esa visión falsa] el indio es considerado estorbo, obstáculo, impedimento y atrasa, en el camino. Desde esa visión, él tendría que desocupar sus tierras, salir. Si el defiende sus derechos, corre riesgo de vida y se constituye en un pueblo amenazado en su sobrevivencia, no sólo cultural, sino también física. Es en este cuadro es que se da el ‘genocidio silencioso’. Si por el contrario, entendemos desarrollo como una mejor cualidad de vida para todos, entonces los indígenas deben ser valorados y su sabiduría milenaria, tomada en cuenta y considerada una riqueza para todo Brasil.

JOSP – El Papa Francisco le pidió contribuir en una encíclica sobre la ecología. ¿Podría explicar un poco sobre contenido y propósito de la encíclica?

Don Erwin – el papa me dijo el día 04 de abril que pretende escribir una encíclica sobre ecología y ha encargado al cardenal africano Peter Turkson, Presidente del Pontificio Consejo de Justicia y Paz, preparar un esbozo. Aún no hay detalles. El Papa sólo destacó que el tema será trabajado integralmente e incluirá "la ecología humana". Le dije entonces que la Amazonía, debido a su vocación específica en el planeta tierra, no podía faltar en esta encíclica, así como también los pueblos indígenas debían ser tenidos presentes. Le comunique que el día anterior, le había prometido mi contribución en ese sentido al Cardenal Turkson. Ahí, el Papa, agradeció mi disponibilidad a colaborar.

Reprodução

JOSP.- ¿Podríamos decir que Brasil camina hacia un exterminio legal de los indígenas?

Don Erwin – Lamentablemente, si los rumbos no cambian, estamos avanzando a un extermino "legal". Las Ordenanzas 419/11 y 303/12 y el Decreto 7957/13 del Poder Ejecutivo, las propuestas de Enmiendas Constitucionales (PECs) 215/00, 038/99 y los proyectos de Ley 1610/96 y el 227/12, del Poder Legislativo y el instrumento de las "Suspensión de Seguridad", del Poder Judicial, van en esa dirección. Yo creo que la amenaza más peligrosa para los pueblos indígenas es la PEC 215, mediante la cual la bancada ruralista quiere arrancar al Ejecutivo la prerrogativa de demarcar las zonas indígenas, que es un proceso técnico que requiere estudios antropológico, etnológico, cartográficos, para determinar si un área, es tierra indígena o no. Estos estudios no pueden ser sometidos a votación en el Congreso.

Peor aún, esta bancada ruralista quiere cambiar la Constitución Federal en lo referente a los pueblos indígenas. Esta ola anti-indígena en el Congreso Nacional es un tremendo retroceso y hiere la imagen de Brasil en el exterior.

JOSP - Y respecto de la no-demarcación de las tierras indígenas en los últimos años. ¿Que daño está provocando esta posición del gobierno y cuales puede provocar en los próximos años?

Don Erwin – la paralización de las demarcaciones, perpetúa los conflictos y violencias contra los pueblos indígenas. La demarcación de todas las áreas indígenas en Brasil debería haberse completada ya en 1993, pues la Constitución Federal de 1988 establece el plazo de cinco años para estos procedimientos. De las 1.046 áreas indígenas en Brasil sólo 464 fueron homologadas o registradas o declaradas como tales. Es decir sólo 44.3% del total. Una zona indígena no demarcada, abre las puertas a todo tipo de invasión, conflictos y violencia.

JOSP - Belo Monte es un caso emblemático de irrespeto a las poblaciones locales en relación a un gran proyecto. ¿Cómo están viviendo esta situación las poblaciones afectadas?

Don Erwin - Acabo de recibir la noticia de que "el Tribunal Federal ha obligado a Norte Energía S.A., a cumplir con una de las condicionantes indígenas en planta hidroeléctrica de Belo Monte, ella se refiere a la protección territorial de tierras indígenas afectados por el intenso flujo de migrantes que la obra atrajo a la región.

Esta condicionante tiene varios retrasos y, según el juez Frederico de Barros Viana, la falta de protección territorial puede ‘causar daños irreversibles a las comunidades indígenas afectadas por el desarrollo hidroeléctrico'". Desafortunadamente esta medida judicial llega demasiado tarde porque el daño está hecho.

Todas las condicionantes enumeradas por el Ibama (Instituto Brasileño de Medio Ambiente y Recursos Naturales Renovables) y la Funai (Fundación Nacional del Indio) deberían haber sido cumplidas, antes de la instalación del plantel de las obras. El gobierno pasó sobre sobre toda la legislación, para iniciar las obras y siempre mandó en un tiempo record a bloquear cualquier medida cautelar a favor de los indios, ribereños, y los colonos que viven en el área afectada o las familias directamente afectadas en la ciudad de Altamira. Las comunidades indígenas ya fueron desmanteladas y aplicar solo ahora medidas de protección, es un paliativo póstumo. Belo Monte, para el gobierno, es indiscutible, duela a quien duela. Esta es la realidad desnuda y cruda.

JOSP – Y ¿Qué sobre los desplazamientos y los indígenas urbanos? En Sao Paulo, por ejemplo, los Guaraníes en Jaragua, en el borde de una carretera, están limitados a un espacio muy pequeño, siendo privados de su dignidad. ¿Cómo se les anima a mantener su cultura y tradición en una megalópolis?

Don Erwin – La cuestión de los indios urbanos es muy dolorosa. Es uno de los mayores problemas de la Pastoral Indigenista. Sabemos que es imposible para los indios mantener su cultura en un entorno fuera de sus poblados. Las influencias que sufren en las grandes ciudades o en mega-polis, como São Paulo, son negativas para una comunidad indígena porque cualquier cultura está relacionada con el hábitat tradicional de un pueblo y una vez perdido este vínculo con la tierra, sólo quedan recuerdos "de aquel tiempo de la aldea". La lengua, que es expresión de la cultura, en poco tiempo se pierde. Los niños que nacen en la ciudad ya no hablan [su propio idioma]. Lo qué se puede hacer es reunir a los miembros de este o aquel pueblo y ayudarlos en cuanto a vivienda, a educación, salud, seguridad. En el mundo urbano, los indios son a menudo estigmatizados, tratados como parias. Viviendo en una "periferia existencial", como expresa nuestro Papa Francisco.

JOSP–Usted ¿ya ha relacionado el Pessach con la migración indígena en busca de tierra sin males?

Don Erwin - Pascua no es un hecho consumado, Pascua siempre es camino abierto. Cuento una historia: durante miles de años, los indios vivían en tierras donadas por Dios. No se rebelaron contra Dios. Por el contrario, siempre hacían culto y adoración de Dios, bailaron y cantaron hasta de madrugada sus Salmos milenarios y daban gracias por el sol que siempre nace de nuevo. Muchos siglos pasaron y un día se levantó el escuadrón a Caín y comenzó a matar un Abel tras otro. Algunos huyeron y tuvieron que vivir en el exilio, en la miseria de la orilla de los caminos o de las favelas. El escuadrón de Caín celebraba, sus logros, porque, para ellos, cada un Abel estaba sobrando. Y vio Dios esa desgracia, oyó el clamor de los indios, descendió, llamado a Caín y le preguntó por los indios. Y los Caines se enojaron con Dios y respondieron: ¿Acaso somos responsables por estos indios?

¿Acaso somos guardias de esos miserables que ocupan tierras fértiles que podríamos explotar sembrando soja, caña de azúcar o convertir en pastos?" Allí Dios exclamó: "Oigo la sangre de sus hermanos desde la tierra clama hasta mí” (cfr. Gn 4,10). Y Dios envió a su Hijo para salvar a los indios. Sin embargo, el escuadrón de Caín mató también al Hijo de Dios.

Pero su sangre derramada despedazo las armas del escuadrón Caín, inauguró una nueva era, se convirtió en la garantía de Vida, posibilitó que los indios salieran de la casa de la esclavitud, que resurgieran de las sombras de la muerte y regresaran jubilosos a sus tierras. Allí celebraron la Pascua y cantaron nuevamente cánticos del Señor.

JOSP - Pablo afirma que la tierra "gime con dolores de parto”. ¿Estaríamos todavía en un viernes santo ecológico? ¿O ya hay señales de resurrección?

Don Erwin - La noche pasada, celebré en la comunidad de Santo Antonio de Cipó -Ambé, cerca de la ciudad de Altamira. Hablé de la pasión y muerte del Señor, que recordamos esta semana, no es la perspectiva de un viernes santo sin fin, sino desde la Pascua de la Resurrección. Sé que nuestro pueblo tiene más afinidad con la pasión del Señor que con la resurrección, porque vive cotidianamente la cruz.

En la comida comunitaria, después de la Santa Misa, algunos hombres hablaron del igarapé Cipó, que ya está con el agua contaminada por el nuevo basurero, producto de una obra planificada, "según normas del primer mundo", como fanfarronean los constructores de Belo Monte. Este igarapé [pequeña rio agua pura] es de vital importancia para los colonos y sus familias.

La contaminación del arroyo que atraviesa la comunidad de San Antonio es sólo otro ejemplo de flagrantes agresiones al medio ambiente que muestran falta de respeto a nuestro pueblo en sus necesidades más elementales y ocasionan una pobre calidad de vida para las familias. Sin embargo, todavía continuamos luchando por la vida donde otros siembran muerte.

Traducción: ricazuga51@yahoo.com

Os barões da banca e da droga

Via CartaMaior

Na última década, o HSBC colaborou com os cartéis da droga do México e da Colômbia na lavagem de dinheiro num montante de cerca de 880 bilhões de dólares.

Eric Toussaint

Arquivo

O caso do banco britânico HSBC constitui um exemplo suplementar da doutrina «demasiado grandes para serem encarcerados». Em 2014, o grupo mundial HSBC emprega 260.000 pessoas, está presente em 75 países e declara 54 milhões de clientes.

No decurso do último década, o HSBC colaborou com os cartéis da droga do México e da Colômbia – responsáveis por (dezenas de) milhares de assassinatos com armas de fogo – na lavagem de dinheiro num montante de cerca de 880 bilhões de dólares.

As relações comerciais do banco britânico com os cartéis da droga perduraram, apesar das dezenas de notificações e avisos de diversas agências governamentais dos EUA (entre as quais o OCC - Office of the Comptroller of the Currency).

Os lucros obtidos não só levaram o HSBC a ignorar os avisos, mas, pior ainda, a abrir balcões especiais no México, onde os narcotraficantes podiam depositar caixas cheias de dinheiro líquido, para facilitar o processo de lavagem.

Apesar da atitude abertamente provocatória do HSBC contra a lei, as consequências legais da sua colaboração directa com as organizações criminais foram praticamente nulas. Em Dezembro de 2012, o HSBC teve de pagar uma multa de 1900 milhões de dólares – o que equivale a uma semana de receitas do banco – para fechar o processo de lavagem.

Nem um só dirigente ou empregado foi sujeito a procedimento criminal, embora a colaboração com organizações terroristas ou a participação em actividades ligadas ao narcotráfico sejam passíveis de cinco anos de prisão. Ser dirigente de um grande banco dá direito a carta branca para facilitar, com total impunidade, o tráfico de drogas duras ou outros crimes.

O International Herald Tribune (IHT) fez uma reportagem sobre os debates realizados no departamento de Justiça. Segundo as informações obtidas pelo jornal, vários procuradores pretendiam que o HSBC se declarasse culpado e reconhecesse ter violado a lei que o obriga a informar as autoridades sobre a ocorrência de transações superiores a 10.000 dólares identificados como tendo origem duvidosa. Daí resultaria a cassação da licença bancária e o término das actividades do HSBC nos EUA. Após vários meses de discussão, a maioria dos procuradores tomou outro rumo e decidiu que melhor seria não processar o banco por atividades criminosas, pois era necessário evitar o seu encerramento. Convinha mesmo evitar manchar demasiado a sua imagem.

A modesta multa de 1900 milhões de dólares é acompanhada duma espécie de liberdade condicionada: se, entre 2013 e 2018, concluírem que o HSBC não pôs fim definitivo às práticas que originaram a sanção (não é uma condenação), o Departamento de Justiça poderá reabrir o processo. Em resumo, a medida pode resumir-se assim: «Anda, meu patife, passa para cá uma semana do teu ordenado, e não voltes a repetir a brincadeira nos próximos cinco anos». Aí está um belo exemplo de «demasiado grande para ser condenado».

Em Julho de 2013, numa das reuniões da comissão senatorial que investigou o caso HSBC, Elizabeth Warren, senadora democrata do Estado de Massachusetts, apontou o dedo a David Cohen, representante do Ministério das Finanças e subsecretário responsável pela luta contra o terrorismo e a espionagem financeira.

A senadora disse, grosso modo, o seguinte: «O governo dos EUA leva muito pouco a sério a lavagem de dinheiro (…) É possível encerrar um banco que se dedica ao lavagem de dinheiro, as pessoas envolvidas podem ser interditas de praticar uma profissão ou actividade financeira e toda a gente pode ser mandada para a prisão. Ora, em Dezembro de 2012, o HSBC (…) confessou ter lavado 881 bilhões de dólares dos cartéis mexicanos e colombianos da droga; o banco admitiu igualmente ter violado as sanções. O HSBC não o fez apenas uma vez, é um procedimento recorrente. O HSBC pagou uma multa mas nenhuma pessoa foi banida do comércio bancário e não se ouviu falar dum possível encerramento das actividades do HSBC nos EUA. Gostaria que respondesse à seguinte questão: quantos bilhões de dólares um banco tem de lavar, antes de se considerar a possibilidade de encerrar a prática?»

O representante do Tesouro acusou o golpe, respondendo que o processo era demasiado complexo para permitir uma conclusão. A senadora declarou a seguir que quando um pequeno vendedor de cocaína é apanhado, fica uns quantos anos na prisão, enquanto um banqueiro que lava bilhões de dólares de droga pode regressar tranquilamente a casa, sem receio da Justiça. Esta passagem da audiência está disponível em vídeo e vale a pena vê-la. (ver abaixo)

A biografia de Stephen Green ilustra bem a relação simbiótica entre a finança e a governança. A coisa vai ainda mais longe, pois ele não se contentou em servir os interesses do grande capital, enquanto banqueiro e ministro; é também prior da igreja oficial anglicana e escreveu dois livros sobre ética e negócios, um dos quais intitulado «Servir a Deus? Servir a Mamom?». O título do livro remete para o Novo Testamento. «Ninguém pode servir dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Mamom». Mamom representa a riqueza, a avareza, o lucro, o tesouro. Encontramos esta palavra em aramaico, hebraico e fenício. Por vezes Mamom é usado como sinónimo de Satã. Quanto a Stephan Green, é elogiado pelas mais altas autoridades universitárias e é manifestamente intocável.

Passemos em revista alguns elementos da sua biografia. Começa a sua carreira no ministério britânico do Desenvolvimento Ultramarino, depois passa para o setor privado e trabalha para o consultor internacional McKinsey. Em 1982 é contratado pelo HSBC (Hong Kong Shanghai Banking Corporation), o mais imporrtante banco britânico, onde ascende rapidamente a funções de alta responsabilidade. Finalmente, em 2003, torna-se director executivo do HSBC e em 2006 acede à presidência do grupo, onde permanece até 2010.

As acusações feitas pelas autoridades americanas em matéria de lavagem de 881 bilhões de dólares do dinheiro dos cartéis da droga e de outras organizações criminosas dizem respeito ao período 2003-2010. Segundo o relato das 334 páginas tornadas públicas por uma comissão do Senado norte-americano em 2012, Stephan Green, desde 2005, foi informado por um empregado do banco que o HSBC tinha mecanismos de lavagem no México e levava a cabo múltiplas operações suspeitas. Ainda em 2005, a agência financeira Bloomberg, com sede em Nova Iorque, acusa o HSBC de lavagem de dinheiro da droga.

Stephen Green responde que se trata de um ataque irresponsável e sem fundamento, que põe em causa a reputação dum grande banco internacional acima de todas as suspeitas. Em 2008, uma agência federal norte-americana comunica a Stephen Green que as autoridades mexicanas descobriram a existência de operações de lavagem realizadas pelo HSBC México e uma das suas filiais num paraíso fiscal das Caraíbas («Cayman Islands Branch»). A agência acrescenta que a situação pode implicar uma responsabilidade penal para o HSBC.

A partir desse momento, as autoridades norte-americanas de controle dirigem repetidos avisos à direção do banco, muitas vezes aflorando a gravidade dos fatos. O banco promete alterar os seus comportamentos, mas na realidade prossegue as práticas criminosas. Finalmente os avisos dão lugar em Outubro de 2010 a um aviso para pôr termo às práticas ilegais. Em finais de 2012, após a apresentação pública do relatório da comissão senatorial e meses de debate entre diferentes agências de segurança dos EUA, é aplicada uma multa de 1900 milhões de dólares à HSBC.

Stephen Green está em boa posição para saber o que fazia o banco no México, nos paraísos fiscais, no Médio Oriente e nos Estados Unidos, pois além de dirigir o conjunto do grupo HSBC, dirigiu no passado o HSBC Bermudas (estabelecido num paraíso fiscal), o HSBC México, o HSBC Médio Oriente. Presidiu igualmente o HSBC Private Banking Holdings (Suíça) SA e o HSBC América do Norte Inc.

Quando veio a público, em 2012, que o HSBC teria de pagar uma considerável multa nos EUA por branqueamento de dinheiro dos cartéis da droga, Stephen Green já tinha passado de grande patrão do HSBC a ministro do governo conservador-liberal conduzido por David Cameron.

Voltemos um pouco atrás para descobrir que o timing seguido por Stephen Green foi perfeito. Coisa de artista. Em Fevereiro de 2010, publica o livro O Justo Valor: Reflexões sobre a Moeda, a Moralidade e Um Mundo Incerto. O livro é apresentado ao público nestes termos: «Será que alguém pode ser ao mesmo tempo uma pessoa ética e um homem de negócios eficaz? Stephen Green, simultaneamente sacerdote e presidente do HSBC, acha que sim.» Reparem que a «pessoa ética e o homem de negócios eficaz» são identificados com o «sacerdote e presidente do HSBC». A publicidade é patente. Na mesma época recebe o título de doutor honoris causa, concedido pela School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Londres.

Em Outubro de 2010, pela segunda vez desde 2003, a justiça dos EUA avisa o HSBC para que ponha termo às suas actividades criminosas. O público ainda não está ao corrente. É tempo de Stephen Green abandonar o navio. Em 16 de Novembro de 2010, a pedido de David Cameron, é nobilitado pela rainha de Inglaterra e passa a ser o «barão» Stephen Green de Hurstpierpoint do condado do Sussex ocidental. Nada disto pode acontecer por acaso. Para um homem de negócios que permitiu o branqueamento de dinheiros dos «barões» da droga, trata-se duma bela promoção. À conta disso torna-se membro da Câmara dos Lordes em 22 de Novembro de 2011. Se lessem isto num blog, diriam certamente que o autor estava a exagerar.

Em Dezembro de 2010 demite-se da presidência do HSBC e em Fevereiro de 2011 sobe a ministro do Comércio e Investimento. Depois de empossado no cargo, coloca os seus bons serviços à disposição do patronato britânico, com o qual mantém relações muito frutuosas e estreitas, uma vez que desde Maio de 2010 ocupa o posto de vice-presidente da Confederação da Indústria Britânica.

Desempenha um papel igualmente importante na promoção de Londres, que se prepara para receber os Jogos Olímpicos em Julho de 2012. É durante esse mês que uma comissão norte-americana envia o seu relatório sobre a questão do HSBC. Stephen Green recusa responder às perguntas dos membros da Câmara dos Lordes em relação à sua implicação no escândalo. É protegido pelo presidente do grupo dos lordes conservadores, que diz que um ministro não tem de vir diante do Parlamento dar explicações sobre negócios estranhos ao seu ministério.

David Cameron afirmou em 2013 que lorde Green fez um «soberbo trabalho» ao intensificar os esforços do Governo britânico para reforçar as exportações britânicas, para fazer avançar os tratados comerciais e especialmente o tratado transatlântico entre a União Europeia e os EUA. Lorde Green esforçou-se muito para aumentar as vendas de armas britânicas nos mercados mundiais. Terminou o seu mandato de ministro em Dezembro de 2013 e dedicou o seu precioso tempo a dar conferências (certamente muito bem remuneradas) e a receber os favores propiciados por numerosas autoridades acadêmicas.

A sua carreira certamente não ficará por aqui. A sua hipocrisia não tem limites. Em Março de 2009, quando o HSBC estava metido até ao pescoço na lavagem de dinheiros de organizações criminosas, Green teve o descaramento de declarar, numa conferência de imprensa a propósito das responsabilidades na crise iniciada em 2007-2008: «Estes acontecimentos evocam a questão da ética do sector financeiro. Dá a impressão que, muito frequentemente, os responsáveis não se perguntam se as suas decisões são correctas e apenas se ralam com a sua legalidade e conformidade aos regulamentos. É necessário que este sector retome o sentido da correcção ética como motor das suas actividades.» É assim que Stephen Green, vampiresco tubarão, navegando acima das leis, se dirige aos sabujos que vão pressurosos repercutir as suas belas palavras na grande imprensa.

Green e todos quantos organizaram o branqueamento de dinheiro no seio do HSBC devem responder pelos seus atos perante a justiça e ser condenados severamente, sofrer privação de liberdade e ser obrigados a realizar trabalhos de utilidade pública. O HSBC deveria ser encerrado e a direcção despedida. Em seguida o mastodonte HSBC deveria ser retalhado, sob controlo cidadão, numa série de bancos públicos de média dimensão, cujas missões seriam estritamente definidas e exercidas no quadro dum estatuto de serviço público.

Tradução: Rui Viana Pereira

Revisão: Maria da Liberdade

O santo do povo

Sanguessugado do Bourdoukan 

Ele foi santificado pelo povo sem a necessidade de trâmites legais.

Tem realizado milagres.

Capelas humildes construídas pelos fiéis.

Orações matutinas e vespertinas.

"nadie muere mientras se lo recuerde".

Estamos falando de San Ernesto Guevara de La Higuera.

El Che.

O Che que foi assassinado pela CIA quando, revolucionário, tentava libertar a Bolívia das garras do imperialismo.

Quis o destino que o soldado que disparou os tiros a queima roupa, enviasse recentemente uma carta ao comandante Fidel Castro agradecendo o tratamento que lhe dedicaram médicos cubanos que estão na Bolívia cuidando da saúde da população.

“Teria ficado cego não fosse um dos médicos cubanos que aqui trabalhavam” diz a carta que ele enviou.

O nome do soldado?

Mario Teran, que por mais de 30 anos dizia chamar-se Pedro Salazar.

Mario Teran diz arrepender-se por ter obedecido a ordem de executar “el Santo Ernesto”, de quem ele também tornou-se devoto.

São inúmeros os milagres que San Ernesto tem realizado.

E continua realizando de acordo com os humildes moradores de La Higuera.

Assim foi a breve vida de Che Guevara, el San Ernesto, um ser humano que lutou por um mundo melhor, sem explorados e oprimidos.
TRIBUTO AL CHE

Padilha e o “diálogo” com a imprensa: até onde vão as ilusões petistas?

Sanguessugado do Escrevinhador

 

Esse é o diálogo que a velha mídia gosta de estabelecer com dirigentes do PT: eles entram com a cabeça

Rodrigo Vianna

O PT deveria ter aprendido – com Lula – que esses almoços com representantes da velha mídia não servem pra nada. O então candidato petista foi à sede da “Folha”, em 2002. Lá pelas tantas, o herdeiro do jornal, Otavinho Frias, fez uma insinuação de que Lula não estaria preparado para ser presidente porque não sabia falar inglês. Lula levantou-se e foi embora. O velho Frias (que emprestava carros para torturadores durante a ditadura, mas não era tolo a ponto de confrontar um futuro presidente) saiu andando atrás do candidato, tentando se desculpar pela arrogância do filho.

Lula jamais se vingou dos Frias. Olhou pra frente. Errou? Teve a chance, também, de enterrar a Globo – endividada em 2003. Não avançou nisso. Aliás, presidente eleito, foi para a bancada do “JN” ao lado de Bonner. Alguém imaginaria Brizola, eleito, na bancada do “JN”? Alguns dirão: por isso que Brizola jamais foi presidente. Talvez, tenham razão…

Mas o PT seguiu apanhando e confraternizando-se com a velha mídia. Dilma foi fazer omelete com Ana Maria Braga em 2011. E disse que a questão da Comunicação no Brasil se resolvia com controle remoto.

Haddad, eleito depois de uma campanha em que meios digitais tiveram papel decisivo na capital paulista, mandou dizer pouco antes da posse que Comunicação era um assunto em que não cabia debate sobre políticas públicas. Pôs no cargo de Secretário um jornalista que imagina resolver todos problemas com telefonemas para as redações da “Folha” e “Estadão”. Haddad chegou a dizer que esperava uma “normalização” das relações com a mídia. Foi cozido e fritado por ela.

Padilha começou sua campanha a governador de São Paulo com caravanas pelo interior – transmitidas pela internet. Boa novidade. Mas também adotou a “tática” (!) dos almoços em jornais, pensando em criar (quem sabe) um clima de camaradagem com personagens do quilate dos Mesquita e dos Frias. Recentemente, ouvi de um alto dirigente do PT (foi conversa em off, não posso por isso revelar detalhes) que o partido não abre mão de “dialogar com todos os setores da imprensa” na campanha para o governo de São Paulo.

Sei… Gostaria de saber o que esse petista graúdo acha do “diálogo” estabelecido entre os jornais e Padilha na última semana. Diálogo bastante interessante.

O ex-ministro foi submetido a uma operação de guerra. A tentativa é de abatê-lo em pleno vôo, antes mesmo da campanha começar. Os aliados midiáticos dos tucanos perceberam a fragilidade de Alckmin num momento em que São Paulo está na iminência de ficar sem água por falta de planejamento dos governos do PSDB. No dia em que Padilha iria pra TV falar da seca, os jornais vieram com o ataque coordenado contra o petista.

As manchetes seriam a sobremesa do almoço recente de Padilha com representantes da família Mesquita?

A “Folha”, em sua edição digital, dava grande destaque neste sábado (26/04) para uma certa “opinião de leitor”, que afirmava: “Descoberta da PF é um tiro mortal na candidatura de Padilha”. Vejam, não se trata de análise. Não há informação. É a opinião de um leitor qualquer – que gera manchete no alto da home. Logo abaixo, outra manchete em que PT “nega que possa trocar de candidato”.

Qual diálogo possível? Pra que almoçar ou conversar com essa gente?

O PT segue a legitimar o inimigo. Sim, é disso que se trata. Jornais como “Folha”/”Estadão”/”O Globo” e revistas como a “Veja” são inimigos. São parte do aparato inimigo. Mas, dia sim, dia não, lá estão corajosos ministros petistas a ocupar páginas amarelas, e a se fartar com espaços concedidos pelo inimigo.

Qual nome dar a isso? Oportunismo? Cegueira? Pragmatismo?

Essa prática serve apenas para legitimar aqueles que são hoje a principal ferramenta do campo adversário. Não há meio termo. Ou não deveria haver. Não há ilusão. Ou não deveria haver.

Padilha reagiu até bem na coletiva da última sexta-feira. Mas o PT segue iludido (ou a palavra seria “rendido”) à lógica do “diálogo” com Globos, Folhas e Vejas.

Na verdade, trata-se – talvez – de um sintoma mais grave de rendição…

O partido tem uma base imensa de militantes, setores organizados e movimentos sociais dispostos a um combate aberto. Mas a direção segue na trajetória idêntica à do PS francês ou do PSOE espanhol. É caminho certo para o desastre.

Lula, com a entrevista aos blogueiros, deu a senha de que há outro caminho. Mas a direção petista (com parcas exceções) parece amortecida, rendida.

O que pode salvar o projeto petista e lulista – que apesar de suas limitações (até porque o PT governa em coalizão, e sempre em minoria no Congresso) significou avanços significativos para o país – são essas bases imensas e dispostas ao combate. Gente que nem é filiada ao PT muitas vezes. Mas sabe de que lado está. Essa gente pode pressionar uma direção que parece cada vez menos disposta ao combate.

Andre Vargas, meus caros, foi secretário de Comunicação do PT. Vejam que tipo de prioridade a direção petista dava ao tema. Vargas tentou enganar os incautos com aquele gesto provocativo à frente de Joaquim Barbosa: punho cerrado. Provocação tola, posto que sem correspondência com ações concretas de enfrentamento. Só enganou quem não conhecia os bastidores em que essa geração de “profissionais” petistas se criou.

O social-doleirismo de Vargas é parte desse mesmo quadro de rendição em que se inscrevem as tentativas de “dialogar” com a velha mídia brasileira.

A eleição de 2014 é uma guerra em que não se pode ter ilusões. O outro lado não quer diálogo. Há uma chance (pequena?) de o PT derrotar os tucanos em Minas e São Paulo, e ainda manter o governo federal com Dilma. Por isso, a guerra é tão feia.

Se adotar a tática do “diálogo” com a mídia e os piores inimigos, o PT – em vez de um passo à frente, com vitórias em Estados importantes – pode colher uma derrota definitiva. Os números a apontar liderança folgada de Dilma podem trazer ilusão de uma eleição fácil. Não! Até porque se trava no Brasil apenas parte da guerra – muito maior – pelo futuro do ciclo de governos progressistas na América do Sul.

A velha mídia é sócia dos tucanos num projeto político conservador. O PT – apesar de suas fragilidades e inconsistências crescentes – é a ferramenta disponível para os que lutam por barrar a direita e por aprofundar as reformas sociais no Brasil.

A guerra será aberta e total. Sem ilusões. Sem “diálogo”. Se insistir nos “almoços”, o PT pode virar a sobremesa. Com as cabeças de Dilma/Lula/Padilha/Dirceu e de toda a esquerda servidas na bandeja, e expostas nas manchetes dos jornais e telejornais inimigos nos dias e meses seguintes à eleição. 

Capitalismo é isso aí