sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Terror nazi-sionista

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Heroicamente, fotografando

Nenhuma novidade, só uma confirmação.
No seguinte vídeo, alguns soldados israelitas (uma dezena, mais ou menos) enquanto heroicamente cercam um rapaz palestiniano ferido e caído no chão. Depois, máquinas fotográficas e telemóveis para imortalizar o evento.
O rapaz, Yassin al-Karaki de 13 anos, tinha sido atingido por uma bala de metal revestida de borracha (isso porque os israelitas têm o coração de manteiga): afirma que a molotov recolhida pelos soldados não é deles, mas os soldados insistem e Yassin é preso.
Obviamente, tudo acontece em pleno território palestiniano, na cidade de al-Eizariya (Jerusalem Leste).
Youtube avisa que o conteúdo deste vídeo é só para quem tiver mais de 18 anos. Na verdade não há sangue, não há violência, a não ser aquela que diariamente os soldados da força de ocupação utilizam contra os palestinianos. Não entendo como seja perfeitamente normal assistir a um vídeo como este (é Lady Gaga com o seu vestido de carne crua) e depois pedir as generalidades para algo como o seguinte. Mesmo assim, aqui vai o aviso:

Atenção!

Este vídeo contém cenas duma violência terrificante.

Pensem bem antes de ver.

Pensaram? Ok, então podem ver, mas só se tiverem mais de 18 anos.

Quantos anos tem o Leitor?

18? Ok, então agora sim que pode ver.

 

 

Ipse dixit.
Fonte: The Electronic Intifada

De como achincalhar o STF

Sanguessugado do Cidadão do Mundo

STF: Arena de egos incandescentes e de donos da verdade

Washington Araújo

Dentro do STF, o ministro Joaquim Barbosa há muito vem sendo reconhecido por seu perfil desagregador. Perfil facilmente conquistado por sua ojeriza a ouvir críticas e qualquer forma de reparo à sua atuação como ministro do STF que, aliado a sua opção de tratar com o fígado o que melhor seria ser tratado com o cérebro, o deixou isolado dentro da Corte.

E um juiz do STF quando se vê isolado na Corte onde atua é facilmente seduzido por posturas monocráticas, autoritárias e ditatoriais como contraponto a não se sentir aceito pelos pares e, agora na função de presidente, usa e abusa de seu poder, esticando a corda ao máximo possível e sempre confiante que cabe aos demais a tarefa – inglória, diga-se – de manter um possível bom nome que a Corte tem desfrutado ao longo de sua história.

Não conseguindo angariar o respeito de renomados juristas do país e nem ao menos a simpatia de metade dos integrantes da Corte sobrou a Joaquim Barbosa buscar a fugidia legitimidade concedida pelos meios de comunicação, veículos que têm sua própria agenda e credo ideológico.

E quanto mais Barbosa nada de braçada no mar de intrigas e maledicências que, com inaudita eficácia, atraiu para seu entorno, mais se sente impelido a produzir conflitos. Conflitos por ele criados com o intuito de desmerecer e desqualificar seus colegas do STF, como veremos mais adiante, e conflitos que se avolumam por onde passa, seja em férias no exterior ou não, seja adquirindo imóvel no exterior ou não, seja em sua recusa de receber advogados em audiências ou a expelir desaforos a presidentes de entidades representativas de advogados.

Em meio a recentes informações vazadas para a imprensa por seu colega Marco Aurélio Melo dando conta que Joaquim Barbosa estaria analisando a possibilidade de se candidatar à presidência da República, no dia 11/2/2014 o presidente do STF ultrapassou todos os limites ao revogar decisões monocráticas do ministro Ricardo Lewandowski, tomadas durante suas férias na Europa com direito a diárias pagas pelo STF. E agindo assim fez ouvidos de mercador ao próprio regimento interno da suprema corte.

É que no artigo 317 do regimento do STF nenhuma decisão tomada por outro ministro de forma monocrática pode ser revogada também de maneira individual por meio de agravo de instrumento. Isso somente ocorreria em decisão das turmas ou mesmo do plenário do Supremo Tribunal Federal. A possibilidade de um ministro derrubar uma decisão de outro, por meio de agravo, só poderia ser admitida, conforme o regimento interno, após a opinião do ministro que tomou a decisão originária, o que não aconteceu neste caso.

JB tem estado sempre com os nervos à flor da pele, do contrário não desacataria seus colegas da Corte com tantas e tão variadas grosserias e leviandades. Valho-me de um artigo que aqui escrevi em para melhor ilustrar o jeito folgado, desabrido e francamente destemperado exibido pelo ministro Joaquim Barbosa:

* 15 de agosto de 2008, espinafrando o ministro Eros Grau por haver concedido Habeas Corpus para Humberto Diaz, braço direito do banqueiro Daniel Dantas:

“Como é que você solta um cidadão que apareceu no Jornal Nacional oferecendo suborno?”, perguntou Joaquim.

Eros respondeu que não havia julgado a ação penal, mas se havia fundamento para manter prisão preventiva. Joaquim retrucou dizendo que “a decisão foi contra o povo brasileiro”. Em outro round, depois que Joaquim Barbosa deu Habeas Corpus para garantir a Daniel Dantas o direito de não se auto-incriminar em uma Comissão Parlamentar de Inquérito, Eros, em tom de gozação, comentou que esse HC repercutira mais que o dele. JB enfureceu-se. A partir daí, o exercício de pancadaria verbal foi longe. Joaquim só não agrediu Eros porque foi contido. Ele chamou o colega de velho caquético, colocou sua competência em questão, disse que ele escreve mal “e tem a cara-de-pau de querer entrar na Academia Brasileira de Letras”. Eros retrucou lembrando decisões constrangedoras de JB que a Corte teve de corrigir e que ele nem encontrava mais clima entre os colegas. O clima azedou a ponto de se resgatar o desconfortável boletim de ocorrência feito pela então mulher de JB, tempos atrás: “Para quem batia na mulher, não seria nada estranho que batesse em um velho também”, afirmou.

No dia seguinte, Joaquim Barbosa ao encontrar Eros Grau na sala de lanches do STF, disse elevando o tom de voz: “O senhor é burro, não sabe nada. Deveria voltar aos bancos e estudar mais”. “Isso penso eu e digo porque tenho coragem. Mas os outros ministros também pensam assim, mas não têm coragem de falar. E também é assim que pensa a imprensa”.

* 22 de abril de 2009, em sessão plenária do STF, lancetando Gilmar Mendes:

“Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral a mim? Saia à rua ministro Gilmar, saia à rua, faz o que eu faço”, disse. O presidente então disse que está na rua, no que foi rebatido duramente por Barbosa. “Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro”. O ministro ainda pediu respeito a Mendes, dizendo que ele não estava falando com seus “capangas do Mato Grosso”.

*20 de abril de 2012, em sessão de despedida do ministro Cesar Peluso do STF:

Joaquim Barbosa atribuiu a Peluso informações plantadas na imprensa sobre suas dores na coluna – numa atitude que classificou como “supreme bullying” (sic). Disse ainda que Peluso era “pequeno”, “brega” e não apaziguou o tribunal, mas “incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista”.

Ele acusou Peluso de manipular julgamentos “inúmeras vezes”, “criando falsas questões processuais” para não proclamar resultados contrários ao seu pensamento. Lembrou, como exemplo, as “horas de discussões inúteis” sobre a Ficha Limpa, quando Peluso votou duas vezes no mesmo caso. Barbosa acusou o colega também de cometer “a barbaridade e deslealdade” de aproveitar uma viagem sua aos Estados Unidos para “invadir” sua seara – ele era relator do processo.

Perguntado se Peluso deixava algum legado, Barbosa atacou: “Nenhum. A não ser deixar a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesita em violar as normais quando se tratava de impor à força sua vontade.”

*5 de agosto de 2012, logo nos primeiros minutos do julgamento da AP-470, quando o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, votava favoravelmente ao desmembramento do processo pedido pela defesa foi abruptamente interrompido pelo ministro relator, Joaquim Barbosa:

“Me causa espécie vossa excelência se pronunciar pelo desmembramento do processo quando poderia tê-lo feito Há seis ou oito meses. É deslealdade”.

* 28 de setembro de 2012, espinafrando Marco Aurélio:

“Se o Collor não fosse presidente, com certeza, o seu primo o Ministro Marco Aurélio Mello não seria… deixa para lá, vocês entenderam.

“Um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a Presidência do Supremo Tribunal Federal tem por nome Marco Aurélio Mello. Para comprová-lo, basta que se consultem alguns dos ocupantes do cargo nos últimos 10 ou 12 anos.”

“Ao contrário de quem me ofende momentaneamente, devo toda a minha ascensão profissional a estudos aprofundados, à submissão múltipla a inúmeros e diversificados métodos de avaliação acadêmica e profissional. Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar”.

Ao longo de 2013 inúmeras foram as altercações de Barbosa, diversos os desaforos proferidos contra seus colegas em debates no plenário, ocasiões em que o STF poderia deixar patente ante a Nação – uma vez que estas sessões são transmitidas ao vivo pela TV Justiça para todo o país – como é realizado julgamento em nosso mais elevado foro jurídico, julgamento que altera substancialmente o rumo de vidas, julgamento que pode ou não subtrair de qualquer cidadão brasileiro o acesso ao mais fundamental dos direitos humanos – o direito à liberdade, o direito de ir e vir, o direito de usufruir de todas as benesses que tão somente o estatuto da Cidadania pode conferir e outorgar a um seu nacional, seja nato, seja naturalizado.

Agora, encaminhando-se para seu desfecho final, a Ação Penal 470 deixa atrás de si longo rastro de imperfeições, imensas clareiras de subjetividades levadas a extremo, enormes interrogações quanto à quimera que pode ser a luta por uma Justiça justa. É o momento de julgar os embargos infringentes, requerido por vários dos condenados e conferidos pela Suprema Corte.

Novamente, o país tem diante de si espetáculo de truculência inaudita protagonizado pelo ministro-presidente Joaquim Barbosa: demonstra à larga sua intransponível dificuldade para enfrentar pensamentos, opiniões, ideias e teses divergentes da que esposa, atropela com sutileza de bulldozer alemão a serenidade com ministros se esforçam para proferir o seu voto, ministros cujos votos têm o mesmo peso e valor que o voto do próprio ministro-presidente.

Neste dia 26 de fevereiro de 2014, durante a apresentação equilibrada, professoral, serena, e paciente do voto do ministro Luis Roberto Barroso, observamos embasbacados o comportamento da presidência da Corte:

1. Joaquim Barbosa interrompe duas vezes o ministro Barroso que profere o voto e, nestas, retruca de forma ríspida e rude;
2. Barbosa volta a intervir durante o voto do colega: “Isso é manipulação”;
3. “É muito fácil fazer discurso político”, volta a interromper Barbosa, insinuando que o ministro age da forma como boa parte dos mais renomados juristas brasileiros reputam como modo de proceder do ministro Barbosa;
4. “O sr. fez um rebate da decisão do Supremo”, insiste o presidente da corte, censurando com voz colérica o direito comezinho de qualquer dos demais 10 ministros do Supremo, qual seja, o direito de atuar dentro do marco legal e votar contrariando decisão antes esposada pela Corte;
5. “Isso é inaceitação do outro”, definiu Barroso o vitupério de Barbosa, com fleugma de teólogo dominicano, absolutamente sem perder a calma, atributo que desde sempre lhe é de todo peculiar;
6. “Eu darei provimento aos embargos”, disse a ministra Carmen Lúcia, com a lhaneza de voz e de gestos que lhe é característica, em apoio a Barroso;
7. “Não sejamos hipócritas”, disse Barbosa, atalhando novamente vez o voto de Barroso;
8. “V. Excelência não está deixando o colega votar”, reclama Dias Toffoli; – “Mas ele está adiantando o resultado”, retrucou Barbosa, a título de justificativa do comportamento insólito;
9. “Só porque o sr. discorda?”, devolve Toffoli a Barbosa;
10. “Considero, com todas as vênias de quem pense diferentemente, que houve uma exacerbação nas penas aplicadas de quadrilha ou bando”, conclui inalterável ante a contrariedade visceral expressa por um Joaquim Barbosa absolutamente descompensado, para dizer o mínimo.
11. Carmem Lúcia, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski atalham o presidente solicitando que a sessão se extenda por não mais que 15 minutos e assim o assunto seja inteiramente concluído ainda nesta data, evitando a convocação de sessão extraordinária da Corte para o dia seguinte;
12. Joaquim Barbosa bate o pé, voltando a declarar que “a sessão está encerrada”.

E assim é concluído mais um triste exemplo de como não deve ser sessão de julgamento do Supremo Tribunal Federal brasileiro.

Arena de egos incandescentes e de donos da verdade, espaço onde a vaidade humana prolifera qual plantação de cogumelos e praga ede gafanhotos no Egito antigo, o Supremo Tribunal Federal jamais será o mesmo depois de Joaquim Barbosa. E levará um bom tempo para se recuperar dos conflitos, rompantes e desavenças e desafetos por ele gerados e nutridos com raro zelo e maestria.

O temperamento, digamos mercurial, do ministro do STF Joaquim Barbosa coloca em xeque algumas premissas há muito consagradas no direito brasileiro.

Sobriedade de magistrado é uma destas.

E a pergunta que melhor galvaniza o presente momento no imaginário dos que frequentam o meio jurídico brasileiro é esta:

- “Será que o STF sobreviverá à presidência de Joaquim Barbosa?”

A farsa petista na Comissão de Direitos Humanos

Sanguessugado do Cinema & Outras Artes

 Mauricio Caleiro

A possibilidade de um petista ser eleito para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados foi, em um primeiro momento, saudada nas redes sociais, até mesmo pela oposição à esquerda. Isso se deu pela nomeação supostamente significar a retomada da comissão para o campo progressista, após um mandato sob o comando do pastor Marco Feliciano (PSC/SP), que fez dela palco para o proselitismo religioso, o ataque contra gays e minorias e o retrocesso na pauta dos Direitos Humanos.

No entanto, o alívio pela eleição de Assis do Couto (PT/PR) logo cedeu lugar a frustração e raiva, à medida que se evidenciava o perfil do deputado: um especialista em agricultura familiar, conservador, contrário ao aborto e sem conhecimento ou experiência mínima no campo dos Direitos Humanos.

Baixa política

Sua nomeação é fruto direto do desleixo e do descaso petista para com os DHs: Couto já estava assegurado para a presidência da Comissão de Agricultura, a preferida do PT, disposto a a abrir mão, uma vez mais, da Comissão de Direitos Humanos. Porém a forte reação contrária nas redes sociais e entre setores da militância, inconformados ante a possibilidade de que os DHs permanecessem mais um mandato nas mãos do conservadorismo religioso, obrigou o partido a recuar.

Esse recuo, no entanto, foi meramente cosmético. Sem renegociar, sem sequer empenhar-se em nomear um quadro com histórico de lutas pelos DHs - os nomes mais cotados eram os de Nilmário Miranda (MG) e Erika Kokay (DF) –, o PT, uma vez mais, privilegiou a pequena política e seus obscuros acordos paroquiais, em detrimento de uma ação republicana, consistente e socialmente responsável.

Prêmio de consolação

Ao encarar a presidência da CDHM como um "prêmio de consolação", uma troca desvantajosa imposta pela forte reação contrária, o partido deu vazão a um comportamento que sequer dissimula sua má vontade e seu caráter pirracento, pouco consequente.

Em decorrência, ao optar por preterir quadros reconhecidamente capazes no campo dos DHs e nomear um agricultor familiar, inexperiente no tema e ligado à "Frente Mista Em Defesa da Vida – Contra o Aborto" (que reúne evangélicos e católicos, como ele), o partido se omite e, uma vez mais, deixa explícita a pouca importância que atribui aos Direitos Humanos.

Os DHs sob ataque

Tal omissão é particularmente grave neste momento histórico do país, em que os índios são vítimas de um novo genocídio, em nome de um modelo arcaico de desenvolvimento e sob o silêncio cúmplice da mídia.

Em que gays são rotineiramente agredidos e assassinados, seja no Baixo Augusta nos arrabaldes de cidadezinhas perdidas no tempo.

Em que, a despeito do esforço civilizante e da Lei Maria da Penha, a violência contra as mulher es se mantém em níveis endêmicos.

Em que cresce impunemente a ação de linchadores contra pequenos delinquentes, amarrados a postes como figuras de Debret, numa reatualização muito além de iconográfica do legado da escravidão.

Em que à violência policial como repressão periférica soma-se – e se torna rotineira - a brutalidade da PM contra os que exercem o direito constitucional à manifestação pública.

Truculência recorrente

Não que chegue a causar estranhamento essa postura do petismo. A falta de dialogo com o sindicalismo, com as organizações públicas e com a sociedade em geral é um traço distintivo desses três anos e pouco de governo Dilma. Renato Janine Ribeiro relata a estupefação de um grupo de grandes empresários com o comportamento imperscrutável presidencial: -"Ela não ouve. Nem fala".

Ainda mais explícitos em seus intentos autoritários são o endosso do governo a uma legislação draconiana de combate ao terrorismo – AI-13? -, supérflua ante o Código Penal e desautorizada por juristas de gabarito e democratas de juízo; a aposta de Cardozo na repressão e a facilidade com que oferece a Força Nacional para reprimir os "vândalos baderneiros"; e, entre outras tantas manifestações de truculência antidemocrática, o entusiasmo de Fernando Haddad ante a "Tropa Ninja" da PM paulista, que ajudou a brutalizar as últimas e até então pacíficas manifestações em São Paulo.

E sendo que tudo se dá num contexto no qual o Ministério dos Direitos Humanos, sob a complacente Maria do Rosário, mantém os olhos cerrados para toda a violência oficial, fingindo ser um órgão destinado tão somente a defender cidadãos fardados.

Pingos nos is

A eleição de Assis do Couto insere-se, portanto, em um contexto maior, a partir do qual sua intencionalidade se explica (mas não se justifica). Ela vem fornecer mais um exemplo cabal do quanto o PT negligencia os Direitos Humanos.

Tornou-se corrente, entre as hostes governistas, atribuir tal percepção negativa ora à má vontade da mídia, ora a uma alegada falha de comunicação do próprio governo. Mas claramente não é este o caso no que concerne à atuação do partido no episódio, fruto de uma política deliberada, um cala-boca improvisado e desdenhoso contra a gritaria dos que ousaram protestar.

Tudo somado, a nomeação, pelo PT, de Assis Couto para a CDHM deve ser entendida como o que é: um acinte e um deboche.

Um cheiro de cinzas no ar

Via CartaMaior

Fica difícil afastar a percepção de que o carnaval conservador saltou para a dispersão sem passar pela apoteose. O cheiro de cinzas no ar é inconfundível.

Saul Leblon

Arquivo

Como parte interessada, a mídia jamais reconhecerá no fato o seu alcance: mas talvez o Brasil tenha assistido nesta 5ª feira a uma das mais duras derrotas já sofridas pelo conservadorismo desde a redemocratização.

Quem perdeu não foi a ética, a lisura na coisa pública ou a justiça, como querem os derrotados.

A resistência conservadora a uma reforma política, que ao menos dificultasse o financiamento privado das campanhas eleitorais, evidencia que a pauta subjacente ao julgamento da AP 470 tem pouco a ver com o manual das virtudes alardeadas.

O que estava em jogo era ferir de morte o campo progressista

Não apenas os seus protagonistas e lideranças.

Mas sobretudo, uma agenda de resiliência  histórica infatigável, com a qual eles seriam identificados.

Ela foi golpeada impiedosamente em 54 e renasceu com um único tiro; foi golpeada em 1960 e renasceu em 1962; foi golpeada em 1964, renasceu em 1988; foi golpeada em 1989, renasceu em 2003; foi golpeada em 2005 e renasceu em 2006, em 2010...

O  que se pretendia desta vez, repita-se, não era exemplar cabeças coroadas do petismo, mas um propósito algo difuso, e todavia persistente, de colocar a luta pelo desenvolvimento como uma responsabilidade intransferível da democracia e do Estado brasileiro.

A derrota conservadora é  superlativa nesse sentido, a exemplo dos recursos por ela mobilizados --sabidamente nada  modestos.

Seu dispositivo midiático lidera a lista dos mais esfarrapados egressos da refrega histórica.

Se os bonitos manuais de redação valessem, o  desfecho da AP 470  obrigaria a mídia ‘isenta’ a regurgitar as florestas inteiras de celulose que consumiu com o objetivo de espetar no PT o epíteto eleitoral de ‘quadrilha’.

Demandaria uma lavagem de autocrítica.

Que ela não fará.

Tampouco reconhecerá que ao derrubar a acusação de quadrilha, os juízes que julgam com base nos autos desautorizariam implicitamente o uso indevido da teoria  do  domínio do fato, que amarrou toda uma narrativa largamente desprovida de provas.

Se não houve quadrilha, fica claro o propósito político prévio  de emoldurar a  cabeça  do ex-ministro José Dirceu no centro de uma bandeja eleitoral, cuja guarnição incluiria nomes ilustres do PT, arrolados ou não  na AP 470.

O banquete longamente preparado  será degustado de qualquer forma agora.

Mas fica difícil  afastar  a percepção de que o carnaval conservador saltou  direto da concentração para  a dispersão sem passar pela apoteose.

Aqui e ali, haverá quem arrote  peru nos camarotes e colunas da indignação seletiva.

O cheiro de cinzas, porém, é inconfundível e contaminará por muito tempo o ambiente político e econômico do conservadorismo.

O  que se pretendia, repita-se, não era apenas criminalizar fulano ou sicrano, mas a tentativa em curso de enfraquecer o enredo que os mercados impuseram ao país de forma estrita e abrangente no ciclo tucano dos anos 90.

Inclua-se aí a captura do Estado para sintonizar o país à modernidade de um capitalismo ancorado na subordinação irrestrita da economia, e na rendição incondicional da sociedade, à supremacia das finanças desreguladas.

O Brasil está longe de ter subvertido essa lógica.

Mas não por acaso, a cada três palavras que a ortodoxia pronuncia hoje, uma é para condenar as ameaças e tentativas de avanços nessa direção.

O jogral é conhecido: “tudo o que não é mercado é populismo; tudo o que não é mercado é corrupção; tudo o que não é mercado é inflacionário, é ineficiência, atraso e gastança”.

O eco desse martelete percorreu cada sessão do mais longo julgamento da história brasileira.

Assim como ele, a condenação da política pelas togas coléricas reverberava a contrapartida de um anátema econômico de igual veemência,  insistentemente  lembrado pelos analistas e consultores: “o Brasil não sabe crescer, o Brasil não vai crescer, o Brasil não pode crescer --a menos que retome  e conclua  as ‘reformas’”.

O eufemismo cifrado designa o assalto aos direitos trabalhistas; o desmonte das políticas sociais;  a deflagração de um novo ciclo de   privatizações e a renúncia irrestrita a políticas e tarifas de indução ao crescimento.

Não é possível equilibrar-se na posição vertical em cima de um palanque abraçado a essa agenda, que a operosa Casa das Garças turbina para Aécio --ou Campos, tanto faz.

Daí o empenho meticuloso dos punhais midiáticos em escalpelar os réus da AP 470.

Que legitimidade poderia ter um projeto alternativo de desenvolvimento identificado com uma  ‘quadrilha’ infiltrada no Estado brasileiro?

Foi essa indução que saiu  seriamente chamuscada da sessão do STF na tarde desta 5ª feira.

Os interesses econômicos e financeiros que a desfrutariam continuam vivos.

Que o diga a taxa de juro devolvida esta semana ao degrau de 10,75% , de onde a Presidenta Dilma a recebeu e do qual tentou rebaixá-la, sob  fogo cerrado da república rentista e do seu jornalismo especializado.

Sem desarmar a bomba de sucção financeira essas tentativas  tropeçarão ciclicamente  em si mesmas.

Os quase 6% que o  Estado brasileiro destina ao rentismo anualmente, na forma de juros da dívida pública, dificultam sobremaneira desarmar o círculo vicioso do endividamento, do qual eles são causa e decorrência.

É o labirinto do agiota: juro sobre juro leva a mais juro. E mais alto.

Dessa encruzilhada se esboça a disputa entre  dois projetos distintos de desenvolvimento.

A colisão entre as duas dinâmicas fica mais evidente quando a taxa de crescimento declina ou ocorrem mudanças de ciclo na economia mundial, estreitando adicionalmente a margem de manobra do Estado e das contas externas.

É o que a América Latina, ou quase toda ela, experimenta  nesse momento.

A campanha eleitoral deste ano prestaria inestimável serviço ao discernimento da sociedade se desnudasse esse conflito objetivo, subjacente à  guerra travada diante dos holofotes no julgamento da AP 470.

O conservadorismo foi derrotado. Mas não perdeu seus arsenais.

Eles só serão desarmados pela força e o consentimento  reunidos das grandes mobilizações democráticas.

As eleições de outubro poderiam funcionar como essa grande praça da apoteose.

A ver.

Mais de 300 pessoas participam de curso pela Reforma Política na Bahia

Via MST

 


Por Jamile Araújo e Naiara Aguilera
Do Comitê Estadual do Plebiscito Bahia


A Bahia foi palco do 1° Curso Estadual de Formação de Formadores do Plebiscito Popular, no recém-nomeado Colégio Estadual Stiep Carlos Marighella (antigo Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici).
O curso, que aconteceu entre os dias 22 e 23 de fevereiro, contou com cerca de 300 ativistas e militantes de diversas regiões do estado e mais de 60 organizações entre entidades, sindicatos e movimentos sociais já envolvidos na campanha.
O debate girou em torno do Sistema Político brasileiro e o porquê da convocação de uma Assembléia Constituinte Exclusiva e Soberana que modifique o atual sistema político em nosso país.

Contando com a presença do especialista no assunto, José Antônio Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconomicos (INESC), a mesa foi composta também pelo secretário estadual do PT na Bahia, Weldes Queiroz e por Thays Carvalho, do Levante Popular da Juventude.
Sistema Político

Moroni frisou que o poder econômico domina os processos eleitorais no Brasil, e que é preciso realizar o debate na sociedade sobre a necessidade de retirar as grandes empresas transnacionais e os bancos das eleições. “Sabemos que quem ‘paga a banda, pede a música’”, comentou.
Segundo Moroni, ao financiar inúmeros candidatos e se beneficiar com essa lógica, a elite brasileira segue dominando o cenário político, deixando o povo indígena, negro, as mulheres, a juventude e a Comunidade LGBT à margem da política.
Além disso, ressalta o especialista, o poder econômico não age somente nas eleições, determina toda a vida do país, como por exemplo, as concessões dadas ao setor privado dos meios de comunicação e do transporte público.

Exclusiva e Soberana

O curso seguiu com o tema da Constituinte Exclusiva e Soberana e teve a presença da dirigente do PT em São Paulo, Misa Boito e Mário Neto, da Direção Nacional da Consulta Popular.
Misa destacou que o voto em lista e o financiamento público de campanha são algumas das questões centrais para a construção unitária do Plebiscito nacionalmente e pelo quais os partidos de esquerda devem se debruçar.
Para Mário Neto, a questão fundamental é o debate do poder, sendo necessário uma amplas unidade entre as forças populares em torno de uma bandeira política, construindo um amplo processo de formação, organização e lutas.
Com isso, seria possível “acumular forças contra os setores conservadores e reacionários do nosso país, que inviabilizam as reformas estruturais, como a Reforma Agrária Popular, reforma urbana, da educação, da saúde, a reforma tributária etc”, acredita Neto.

Desafios organizativos

Os grupos também debateram os desafios organizativos para a construção do Plebiscito na Bahia e a questão das sub-representações, com movimentos e organizações de juventude, dos indigenistas, negras e negros, mulheres e LGBTTs.
Maíra Guedes, da Marcha Mundial das Mulheres, diz que a sub-representação das mulheres é a porta de entrada para o debate sobre o Sistema Político.

Segundo ela, “a discrepância é visível, mas não podemos reduzir o sistema político ao legislativo. O Congresso é expressão da correlação de forças. Se queremos mais mulheres no congresso, precisamos construir a força social do feminismo popular”.
Para Luciano Marques da União Jovem Socialista (UJS), “se hoje temos condições de pautar esse tipo de proposta, isso se deve à pressão popular da juventude que esteve nas ruas em 2013, aliado a um governo mais progressista, com inúmeras contradições, muitas delas em virtude da atual configuração do sistema político”.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A difícil arte de ser desimportante

Sanguessugado do Palavras Insurgentes

Elaine Tavares

No geral, sou uma otimista. E crente. Acredito piamente no outro. Para mim, como diz o poeta, o outro sempre é o paraíso. Então, não raro me surpreendo – para o bem e para o mal. Assim há dias que venho mastigando uma mágoa, uma dor, um não-sei-que. Tem a ver com essa coisa demasiado humana, que é o desejo de comandar, de ser o dono, o que decide, o que determina, o que faz acontecer. E, que, por isso, não admite qualquer sombra. Para esses seres, o outro é sempre uma ameaça. Tudo bem que sintam medo, mas há os que agem com má fé. E intrigam, puxam o tapete, fazem denúncias vãs. Tentam assim, afastar de si, com maledicências, aqueles que, como eles, buscam a mesma coisa. 

Ruminando essas coisas, estive a falar com uma mulher que é uma grande mestra pra mim. E, ela, na sua generosidade, me lembrou de uma velha parábola, dessas que contava Jesus. Pois diz que andava ele a passear pelos caminhos quando um dos discípulos lhe chegou a contar, esbaforido, que outras pessoas andavam a tirar demônios das gentes. Coisa que só Jesus podia fazer, segundo ele. “É um absurdo”, vociferava. E Jesus, tranquilão, mastigando uma haste de trigo, perguntou: - E os demônios estão saindo? – E o discípulo: - Pois, sim – E Jesus: - Mas, então está bem. É o que importa. Não quem está tirando.

E é essa observação tão simples e certeira que deveria valer nesse nosso miserável mundo da luta política. Teríamos de andar todos a “tirar demônios”, sem hierarquias, sem temores. Fazer o que é preciso para acabar com esse mundo de exclusão, de violência e de opressão que o capitalismo aprofunda. Deveríamos ser solidários com quem trabalha, faz coisas boas, participa das lutas. Mas, não. Pessoas há que querem o monopólio da revolução. E muitas vezes, nem é com a radical mudança que realmente sonham.  Pois é aí que muita coisa desanda.

O fato é que, como diz Maturana, o nosso imperativo genético é a cooperação. Não há espaço para  competição no mundo humano. Ela é anti-natural, não constrói, não ajuda. Só a junção das forças, a solidariedade, o trabalho em comunhão faz a raça avançar. Essa coisa que os zapatistas entendem tão bem quando colocam o pasamontañas e tornam-se todos um só. São comunidade, porque é o que importa preservar. Cada um de nós vai voltar ao pó dia desses, e a raça seguirá seu caminho, sem a nossa intervenção. Somos esse sopro ínfimo, esse atma, essa poeirinha cósmica. Desimportantes no grande livro da vida, se pensarmos na nossa ação singular. Somos mais, no coletivo.

Vai daí que essa é a grande tarefa ainda a se cumprir. Compreender nossa pequenez e, na grande teia comunitária, ser um nó, forte e definitivo. Não importa quem protagoniza, quem comanda, que está na frente. Importa que a gente avance e expulse os demônios, caminhando com o próximo e o distante, afastando a dor, a miséria, a violência, a opressão.  Mas, esse ainda é um longo caminho da raça... tão distante quanto necessário!

Enquanto não se aprende essa lição, há que se tentar compreender o que intriga, e desarma, e destrói. O que não significa aceitar. E a vida segue, no galope...

As suásticas tremulam na Ucrânia

Via Diario Liberdade

Laerte Braga

Obama quer espetar a conta da Operação Ucrânia no governo de Angela Merkel.

 
O embaixador dos EUA em Berlim já deixou claro que um acordo por trás dos EUA com a Rússia não será aceito. São 18 bilhões de dólares entre gastos para derrubar um governo legítimo e as necessidades imediatas do novo governo.

Milhões de bandeiras com a suástica, por exemplo, para os desfiles pomposos dos novos nazistas da Europa. Ou dos velhos monstros despertos pela sanha imperialista dos EUA.

O custo de campos de concentração para judeus não sionistas, negros, homossexuais, lésbicas, ciganos e outras minorias e o que sobrar vai manter o arsenal nuclear do país, capaz de causar estragos ponderáveis em todo o mundo, principal e diretamente na Comunidade Europeia.

O mais provável é que tenhamos duas Ucrânias. A que se renderá aos nazistas financiados pelo EUA (principal sede do IV REICH) e a República Independente da Criméia, onde a maioria esmagadora da população é pró Rússia e está se armando para transformar-se num novo país.

Iraque, Afeganistão, Líbia, Egito, a guerra civil fomentada na Síria, as tentativas de golpe na Venezuela (os norte-americanos entendem que deposto o presidente Maduro os governos do Equador e da Bolivia cairão como consequência direita, o tal efeito dominó), nesse momento a Ucrânia, no delírio de Átila o rei dos Hunos.

"Por onde o cavalo de Àtila passa não medra grama". "Por onde os norte-americanos e judeus sionistas passam não medra vida e nem liberdade". As riquezas naturais de cada um desses países passa a integrar o império terrorista da grande empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.

Se Merkel vai engolir a ordem e pagar a conta da Ucrânia é outra história. A Alemanha nem tão independente assim o é, mas não chega ao estágio de colônia, como a Grã Bretanha.

Uma torneira. Uma simples torneira é o suficiente para o presidente russo Wladimir Putin colocar a Europa Ocidental na idade do gelo. Se Putin tomar esse tipo de atitude, disse que vai, põe fim ao nazismo na Ucrânia. Caso contrário a Rússia se torna um alvo fácil e cercado pelos norte-americanos. A torneira do gás.

Uma espécie de câmara de gás ao contrário.

Na Ucrânia o gás vai servir para eliminar os que opõem aos novos fuheres.

A freira católica Irmã Sherine, no Fórum Social de 2003, num Gigantinho (ginásio do Internacional) lotado declarou alto e bom som, meses antes da loucura de Bush, a invasão do Iraque, que "nossa maior riqueza é ao mesmo tempo nossa maior maldição". Referiu-se ao partido Baath's como responsável pelas liberdades religiosas naquele país e Saddam, sem juízo de mérito no todo, era do partido fundado sob a inspiração de Gamal Abdel Nasser.

Na Ucrânia, mesmo no período soviético, era onde se compravam relíquias nazistas. Desde bandeiras usadas na guerra pelas tropas de Hitler, até relógios de pilotos da força aérea alemã, abatidos em combate. Um museu de quinquilharias que hoje se mostra bem maior que um comércio. Era e é uma devoção.

O novo líder do país saudou a classe média bestificada com a chance de usar tênis de marca, ter acesso a sanduíches da rede MacDonald's com a velha mão direita esticada.

Onde fica o Brasil nisso tudo?

A idéia ingênua que estamos fora dessa cobiça ensandecida dos Estados Unidos e do sionismo? Por todos os lados já existem anúncios para que se possa aprender hebreu e ler bíblia no original. Invadiram as redes sociais, as escolas, todos os meios onde possam ser difundidos e assustam até as quadrilhas neopentecostais e sua luta contra cultos africanos.

É de menos. Israel controla importantes setores da economia do Brasil e o senador Roberto Requião, uma das exceções de dignidade na vida publicado País, provou num discurso feito no Senado, que 64% do maior campo petrolífero, o de Libra, do pré sal está em mãos de empresas estrangeiras.

Militares brasileiros começam a reeditar o discurso golpista de 1964 e não se limitam mais a velhos vampiros de 1964, mas vozes da ativa.

Não temos política externa, Dilma abandonou as políticas de integração latino americana, deixamos de ser protagonistas para sermos coadjuvantes e a economia começa a dar sinais de cansaço, diante da opção neoliberal do governo da atual presidente.

Levando em conta os avanços sociais, inegáveis, que chegaram do governo Lula, a incompetência crônica da oposição, é fácil imaginar que se nenhum fato novo acontecer a presidente será reeleita. Precisa de Lula agora, vai dar uma solene banana para o ex-presidente e seu partido, o PT, num segundo mandato.

Somos apenas um grande entreposto do capital internacional. Não passa pela cabeça de Dilma, uma incompetência só, má fé também, além de cegueira, que seu governo está sob o cerco de forças as mais retrógradas possíveis e prisioneiro de um modelo falido e sem a menor representação popular.

Não houve uma único avanço no governo Dilma em questões essências. A regulação dos meios de comunicação, a reforma agrária (o latifúndio deita e rola), o desenvolvimento de políticas voltadas para a América Latina, mas a visão estreita de uma burocrata guindada ao cargo mais alto do País por falta de opção à época.

Outro dos erros de Lula.

Que as suásticas não cheguem até nós. A condenação norte-americana é pura hipocrisia. O IV Reich está sediado em Washington e em Tel Aviv.

A grande preocupação da nossa classe média e dos iludidos pela pedagogia pornográfica da mídia é saber se mais longo pornô da história o chamado Big Brother Brasil, duas mulheres chamadas de sisters, ao sair do programa, acrescentarão à dupla o marido de uma delas formando um trio. Já existe um debate. Foi provocado pela mãe de uma das protagonistas do dilema. Afirma que isso é "suruba", mas dá de ombros – "minha filha sempre assim, faz o que lhe dá na cabeça". O marido aguarda e apoia.

Não sei se na Ucrânia existe o BB, pois é produto importado, mas sei que as suásticas estão de volta.

Incrível a desfaçatez da mídia ocidental, a brasileira idem, é venal, dos próprios públicos mostrados como propriedades do presidente legítimo do país.

Nem tudo que é sólido desmancha no ar

Via Boitempo

 

14.02.27_Paulo Arantes_Nem tudo que é sólido desmancha no ar

 Paulo Arantes.

Como a mais absoluta dominação sobre os homens continua a ser exercida por meio de processos econômicos de exploração – mesmo sobre a crescente parcela da humanidade que está sendo rifada precisamente porque deixou de ser economicamente rentável –, o Manifesto Comunista ainda cruzará o milênio como uma mensagem na garrafa. Muito mais atual inclusive do que há 150 anos, quando a proletarização dos pobres e demais expropriados ainda não parecia irreversível, a ponto de considerável número deles procurar escapar à danação do assalariamento – só viver se encontrar trabalho, e só encontrar trabalho se este incrementar o valor do capital – reagrupando-se à margem da ordem burguesa nascente na forma de comunidades cooperativas, por meio das quais sonhavam recuperar a antiga independência econômica perdida. Porém a Modernidade anunciada pelo Manifesto viera também para abortar o não-lugar dessa utopia. Com a atual mundialização do capital enfim, ninguém mais está fora, sobretudo as grandes massas precarizadas e desconectadas na corrida ao corte de custos: em tempos de pressões competitivas globalizadas, literalmente não têm mais para onde ir. Nunca estiveram tão irremediavelmente incluídas.

Continuamos portanto na mesma, a mesma desgraça econômica de sempre, desde que a terra, o trabalho dos homens e a moeda de troca entre eles foram transformados em mercadoria, como qualquer outro artigo de comércio. Mas também continuamos na mesma numa outra acepção igualmente sombria da expressão, por assim dizer mítica. Era o que Marx e Engels queriam dizer, no momento mesmo em que chamavam a moderna exploração econômica pelo nome, ao declarar que a história de todas as sociedade tinha sido até então a história da luta de classes. Pois bem: se toda a história é história da luta de classes é porque a história sempre foi a mesma coisa, numa palavra, pré-história. Como de resto se pode ler num dos rascunhos preparatórios do Manifesto:

“assim como a forma mais recente da injustiça lança luz sobre todas as demais, a crítica da economia é urna crítica da história no seu todo, de cuja imobilidade a classe dos capitalistas, como outrora seus antepassados senhor de escravos, patrício romano, barão feudal –, deriva o seu privilégio [...] O silêncio arcaico das pirâmides repercute o barulho infernal do sistema de fábricas”.

Não por acaso – numa conhecida interpretação – para o poeta das Flores do mal(livro rigorosamente contemporâneo do Manifesto Comunista), essa mesma e famigerada Modernidade era a cifra de um mundo sempre-igual de ruínas recorrentes, as destruições criativas, no vocabulário da apologética mais recente, próprias de um sistema que não pode subsistir sem a morte precoce de seus instrumentos de reprodução. Assim, no suposto auge renascentista que estaríamos atravessando – a chamada globalização, na opinião apoteótica de um varão sabedor local –, no rumo sabe-se lá de que apogeu econômico futurista, não se achará muito mais do que outro espasmo pré-histórico do sistema tautológico a que se resume a absurda e interminável acumulação de capital comandada pelo único e exclusivo fim de se acumular mais capital.

* * *

Tudo isso, não obstante, é fato que Marx e Engels não resistiram à tentação progressista da época, deixando-se impressionar pela nova prosa modernista do mundo, pela irresistível escalada dos preços baratos da mercadoria burguesa tomando de assalto quantas muralhas da China lhe surgissem pela frente. E como poderiam, naqueles tempos de legitimação revolucionária dos acumuladores de dinheiro e poder? Mas ocorre que deslizando pelo plano inclinado da modernolatria deram com a plataforma de uma outra humanidade, a qual corresponderia enfim verdadeiramente ao seu conceito. É que entreviram naquela novidade avassaladora do capitalismo com relação às civilizações anteriores a chance providencial de quebrar o feitiço pré-histórico da alienação.

Nunca será demais evocar o essencial dessa reviravolta. E para realçar a nota dissonante do Manifesto neste final de século de harmonia extorquida, por que não evocá-lo nos termos mesmos das teorias sistêmicas em voga? Com efeito, não é muito difícil admitir que a evolução histórica da espécie humana sempre se deu por uma adaptação passiva do quadro institucional da sociedade à pressão das forças produtivas. A ser assim, a inovação da modernidade capitalista reside na circunstância, sem dúvida, inédita de que pela primeira vez essa pressão material não só é auto-impulsionada pelo imperativo da acumulação infindável mas solapa, também em permanência, as formas culturais de legitimação social herdadas, provocando por sua vez novas rodadas de adaptações passivas. Ora, ao contrário de uma solene declaração burguesa de reconhecimento e sanção de tendências históricas consumadas, o contradiscurso do Manifesto simplesmente demonstra que contra tais fatos há argumentos, além do mais fornecidos por eles mesmos, a saber: esse mecanismo de reprodução social em que a iniciativa cabe apenas à inovação econômica define justamente a pré-história da humanidade e, portanto, o capitalismo ele mesmo é pré-histórico, não espantando que nele ainda se apresente como um destino o cego movimento da economia; e tal engrenagem não saltará dos trilhos enquanto uma rotação ciclópica de eixo não passar o controle prático das transformações estruturais da sociedade para as mãos de indivíduos autônomos e cooperativos, encerrando assim a idade mítica de submissão absoluta do metabolismo social às suas condições materiais de reprodução. (E pensar que hoje quem se ajusta, e não por acaso mediante sucessivas e infinitesimais adaptações passivas, acredita que nesse último enunciado jurássico da causalidade sistêmica se concentra a quintessência do materialismo histórico, em nome do qual de alma leve pede a benção aos vencedores.)

Está claro, porém, o encanto não se romperia por simples decreto emancipatório; não basta apontar para a fantasmagoria para que ela se dissipe. Além de ser materialmente tangível, a peça subversiva que faria girar a porta de saída da pré-história precisaria pertencer, ela mesma, ao encadeamento arcaico que mandaria pelos ares. Estava assim designado o lugar a ser ocupado pela luta de classes: à mola perpetuadora da eterna recaída na barbárie seria delegada a tarefa de encaixar a alavanca numa muralha aparentemente sem brecha, se é fato que haveria mesmo um grão de transcendência na assimetria brutal de poder social entre as classes em luta. Nesse entorse da pré-história, Marx e Engels apostaram todas as fichas da emancipação. Ou quase todas: é bom não esquecer a ressalva acerca da ruína comum que também espreita o conflito de morte nessa guerra social por onde corre ainda a pré-história da humanidade. Como se essa reviravolta não bastasse, Marx e Engels repetiram uma segunda vez, naquele mesmo Manifesto, a prova do caráter pré-histórico do capitalismo: sacudida por crises periódicas em que o capital torna redundante sua própria fonte de valorização queimando força produtiva, a sociedade burguesa “vê-se subitamente reconduzida a um estado de barbárie momentânea” (p.45) que se abate sobre os indivíduos como outrora a fome e as guerras de extermínio, só que agora na forma invisível de poderes subterrâneos autônomos e incontroláveis.

Nessa segunda prova dos nove – a experiência da impotência social máxima no confronto com as forças anônimas da exploração – ressaltava novamente a novidade histórica do capitalismo: sob o invólucro ultramoderno do progresso, a derradeira sociedade primitiva, mergulhada na inconsciência coletiva do desastre que se avizinha. Digamos então que o essencial do Manifesto reside na figuração contemporânea do nexo entre essas duas formas pré-históricas da opressão: a primeira, contrapondo campos sociais antagônicos e visivelmente personificados; a segunda, a dominação, sem sujeito designado, exercida sobre o conjunto da sociedade pela economia de mercado autonomizada, a ponto de transformar os seus beneficiários diretos em meras funções de seu próprio aparelho de produção. Uma dimensão não vai sem a outra, assim como o proletariado do Manifesto se exaure enfrentando ora a burguesia, ora o capital, do qual a primeira é “portadora involuntária e incapaz de reação”, na fórmula doManifesto, mas nem por isso desprovida de vontade e do poder de disposição sobre os homens que lhe confere um sistema que, por sua vez, a sujeita se não quiser perecer, como aliás se pode ler noutro rascunho famoso redigido dez anos depois, os [Grundrisse:] Elementos fundamentais para uma crítica da economia política: “na redução dos homens a simples agentes do mercado se esconde a dominação de homens sobre homens. Porém a classe dominante não é apenas dominada pelo sistema, domina através do sistema. A tendência objetiva do sistema é redobrada e sancionada pela vontade constante daqueles que o servem. Como é cego, o sistema é a própria dominação, e por isso mesmo funciona sempre a favor dos dominantes, mesmo quando os ameaça de ruína; os trabalhos de parto a que eles se entregam nos momentos de crise atestam o pleno conhecimento desse fato”.

* * *

Estando assim entrelaçadas as duas dimensões desse diagnóstico do capitalismo como derradeira sociedade pré-histórica – ele mesmo cifra de uma ruptura de época tanto mais paradoxal por implicar um momento de auto-reflexão da espécie humana sob o mais espesso invólucro de uma segunda natureza –, compreende-se que nenhuma das duas pode sobreviver à morte da outra. Os 30 anos de calmaria que sucederam à última grande guerra – efeito anestésico da Guerra Fria, do Welfare europeu e da industrialização consentida da periferia –, varreram da memória o abismo entreaberto pelo apocalipse nazista, na verdade cavado pela mítica espiral da normalidade burguesa, o envolvimento pré-histórico da luta de classes na engrenagem da exploração econômica. Há menos de duas décadas rompeu-se o dique novamente. Como um sinal de alarme entre duas catástrofes, o Manifesto Comunista ainda contínua soando, ontem como hoje, para despertar a humanidade do mesmo pesadelo ancestral da dominação.

* O título deste texto alude a uma novela então inédita de Jorge Miguel Marinho. Publicado originalmente na revista Estudos Avançados, vol.12 no.34, São Paulo Sept./Dec. 1998

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Sobre o Manifesto, leia também “A atualidade do manifesto comunista“, de Ricardo Musse, no Blog da Boitempo.

Já está disponível em versão eletrônica (ebook) o Manifesto Comunista, em edição organizada e introduzida por Osvaldo Coggiola, com textos introdutórios de Antonio Labriola, Harold Laski, James Petras, Jean Jaurès, Leon Trotski e Lucien Martin aqui.

União Europeia e EUA cúmplices do fascismo Ucraniano

Via O Diario.info

Miguel Urbano Rodrigues

 

A tragédia ucraniana não teria sido possível sem a cumplicidade da União Europeia e dos EUA.
Na sua estratégia de cerco à Rússia os governos imperialistas do Ocidente e os seus serviços de inteligência incentivaram as forças extremistas que semearam o caos na Ucrânia ocidental, abrindo a porta à onda de barbárie em curso. Foram as autodenominadas democracias ocidentais quem financiou e armou os bandos fascistas que sonham com pogroms de comunistas e exigem arrogantemente a adesão da Ucrânia à União Europeia.

 

Na Ucrânia está a acontecer o que era inimaginável há poucos anos.
O fascismo age como poder real num país que vive uma situação de caos político e social.
Alguns dos principais dirigentes discursam ainda encapuçados, mas nas camisas exibem uma suástica estilizada como símbolo das suas opções ideológicas.

Bandos dessa escória humana assaltam e destroem sedes do partido comunista, exigem a expulsão de russos e judeus, a execução sumaria de adversários políticos, invadem a Rada (Parlamento) e retiram dali e humilham deputados que os criticam.

Esses bandos atuam com disciplina militar, exibindo armamento moderno fornecido por organizações dos países centrais da União Europeia e, segundo alguns observadores, pela CIA.

O apoio oficioso do Ocidente dito democrático ao fascismo é transparente.

Dirigentes da Alemanha, da França, do Reino Unido não escondem a sua satisfação. A baronesa britânica Catherine Ashton, responsável pelas relações internacionais da UE, correu a Kiev para oferecer apoio à «nova ordem» ucraniana.

Van Rompuy, o presidente da União, também expressou a sua alegria pelo novo rumo da Ucrânia. Fala-se já de uma ajuda económica de 35 mil milhões de dólares da UE, dos EUA e do FMI logo que seja instalado em Kiev um «governo democrático».

Estranha conceção da democracia perfilham os senhores de Bruxelas e Washington.

Viktor Yanukevitch deixou uma herança pesadíssima. Totalmente negativa. Governou como um déspota e será recordado como político corrupto, que acumulou uma grande fortuna em negócios ilícitos.

Mas serão democratas os parlamentares que controlam hoje a Rada e recebem a bênção da União Europeia? Com poucas excepções, os membros dos partidos que se apresentam agora como paladinos da democracia e defensores da adesão da Ucrânia à União Europeia mantiveram íntimas relações com a oligarquia que, sob a presidência de Yanukovitch e no governo de Júlia Timoshenka, roubaram o povo e arruinaram o país conduzindo-o à beira da bancarrota.

Essa gente carece de legitimidade para se apresentar como interlocutora dos governos europeus que, com hipocrisia, lhe dirigem felicitações.

A situação existente é alias tão caótica que não está claro quem exerce o poder, partilhado pela Rada e pelas organizações fascistas, que põem e dispõem em Kiev e em dezenas de cidades, praticando crimes repugnantes perante a passividade da policia e do exército.

A HIPOCRISIA DO OCIDENTE

A hipocrisia dos dirigentes da União Europeia e dos EUA não surpreende.

O discurso sobre a democracia é farisaico de Washington a Londres e Paris.

Invocando sempre valores e princípios democráticos, esses dirigentes são responsáveis por agressões a povos indefesos, e, quando isso lhes interessa, por alianças com organizações islamitas fanáticas, armando-as e financiando-as.

Isso ocorreu no Iraque, na Líbia, em monarquias feudais do Golfo.

Na América Latina, Washington mantem as melhores relações com algumas ditaduras, promove golpes de Estado para instalar governos fantoches. Entretanto, monta conspirações contra governos democráticos que não se submetem; sempre em nome da democracia de que se dizem guardiões.

Os governos progressistas – Venezuela, Bolívia, Equador - são hostilizados como inimigos da democracia, e governos de matizes fascizantes - Colômbia, Honduras – tratados como aliados preferenciais e definidos como democráticos.

LIÇÕES DA HISTÓRIA

A ascensão do fascismo na Europa não é um fenómeno novo.

No Tribunal de Nuremberga que julgou os criminosos mais destacados do III Reich afirmou-se repetidamente que o fascismo seria erradicado do mundo.

Essa foi uma esperança romântica. Antes mesmo de serem anunciadas as sentenças, já a Administração Truman estava a organizar a ida clandestina para os EUA de conhecidas personalidades nazis, algumas contratadas por universidades tradicionais.

Simultaneamente, os governos do Reino Unido e dos EUA mantiveram excelentes relações com os fascismos ibéricos. Salazar e Franco foram encarados como aliados.

Quando a Iugoslávia se desagregou, a Sérvia, qualificada de comunista, foi tratada como estado inimigo, mas Washington, Londres e a Alemanha Federal estabeleceram relações de grande cordialidade com a Croácia cujo governo estava infestado de ex-nazis.

Após o desaparecimento da União Soviética, quando a Rússia se transformou num pais capitalista, o fascismo começou a levantar cabeça na Europa Ocidental.

Em França, Le Pen chegou a disputar a Presidencia da Republica a Chirac numa segunda volta. Na Alemanha, o partido neonazi afirma publicamente o seu saudosismo do Reich hitleriano. Na Áustria, na Holanda, na Itália, nas repúblicas bálticas, partidos de extrema-direita conquistam sectores importantes do eleitorado. No primeiro desses países o líder neonazi participou num governo de coligação.
Em Espanha a extrema-direita exibe uma agressividade crescente. Até na Suécia, na Dinamarca, na Noruega, grupos neonazis voltam às ruas com arrogância.

Em Portugal o fascismo, sem ambiente, está infiltrado nos partidos de direita que desgovernam o país.

REAVIVANDO A MEMÓRIA

A tragédia ucraniana – cumpro um dever recordando essa evidência - não teria sido possível sem a cumplicidade da União Europeia e dos EUA.

Na sua estratégia de cerco à Rússia (incomoda pelo seu poderio nuclear), os governos imperialistas do Ocidente e os seus serviços de inteligência incentivaram as forças extremistas que semearam o caos na Ucrânia ocidental, abrindo a porta à onda de barbárie em curso.

Foram as autodenominadas democracias ocidentais quem financiou e armou os bandos fascistas que sonham com pogroms de comunistas e exigem arrogantemente a adesão da Ucrânia à União Europeia.
Não surgiu magicamente, de um dia para outro, essa escumalha.

O fascismo tem raízes antigas na Ucrânia, sobretudo nas províncias da Galícia, de maioria católica uniata, que pertenceram ao Imperio Austro-Húngaro e, apos a I Guerra Mundial foram anexadas pela Polónia.
Cabe lembrar que 100 000 ucranianos lutaram contra a União Soviética integrados na Wehrmacht e nas SS nazis.

Esses colaboracionistas foram, felizmente, ínfima minoria. A esmagadora maioria do povo resistiu naquela república soviética com bravura e heroísmo à barbárie alemã responsável durante a ocupação pela morte de quatro milhões de ucranianos.

Mas não é por acaso que traidores como Stefan Bandera, aliado das hordas invasoras, tenham sido proclamados heróis nacionais pelos extremistas de direita de Kiev.

Hoje, o júbilo dos governantes da União Europeia pelos acontecimentos da Ucrânia traz à memória a irresponsabilidade de Chamberlain e Daladier quando festejaram o Acordo de Munique, prólogo do holocausto da II Guerra Mundial.

Longe de mim a ideia de estabelecer um paralelo entre épocas e situações tão diferentes.
O horizonte próximo da Ucrânia apresenta-se carregado de incógnitas.
Mas relembrar Munique é tomar consciência de que o fascismo não foi erradicado da Terra, pátria do homem. É urgente dar-lhe combate sem quartel a nível mundial.
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Vila Nova de Gaia, 25 de Fevereiro de 2014

A guerra suja da Syngenta contra o cientista

Sanguessugado do Viomundo

Heloisa Villela, de Nova York

O trabalho de pesquisa do cientista Tyrone Hayes mais parece um roteiro pronto para um diretor como Martin Scorsese.

A jornalista Rachel Aviv, da revista New Yorker, contou a saga de Hayes em nome da Ciência.

Uma pesquisa que bateu de frente com a Syngenta, a gigante suíça que fabrica pesticidas e vende sementes.

Em 1998 Tyrone Hayes já trabalhava no laboratório de biologia da Universidade da Califórnia em Berkeley quando foi convidado, pela Syngenta, para fazer uma pesquisa a respeito do herbicida atrazina, fabricado pela Syngenta. Hayes topou. Ele tinha trinta e um anos e já havia publicado vários trabalhos sobre o sistema endocrinológico dos anfíbios.

Os dois lados, com certeza, se arrependeram da parceria. Hayes descobriu que o atrazina atrapalhava, ou até impedia o desenvolvimento sexual dos sapos. A empresa não gostou do resultado, tentou impedir a publicação do estudo, tentou comprar os dados para mantê-los em segredo e as relações da empresa com o cientista foram rompidas, definitivamente, no ano 2000.

Mas Hayes não é do tipo que trabalha apenas pelo dinheiro. O que ele percebeu na pesquisa atiçou a curiosidade do cientista e ele continuou estudando os efeitos do atrazina sobre os anfíbios por conta própria.

O artigo de dez páginas da revista New Yorker conta como a empresa estruturou e levou a cabo uma ampla campanha de difamação de Hayes com o objetivo de destruir a reputação do cientista.

Estudou todos os aspectos profissionais e pessoais da vida dele para melhor explorar qualquer ponto fraco. Lembra demais a descrição de táticas descritas em detalhes pelo jornalista Rubens Valente no livro Operação Banqueiro.

Como já se desconfiava por aqui, as grandes empresas farmacêuticas e do agronegócio contratam cientistas e pesquisadores para que repitam informações que interessam às empresas. E muitos se prestam, sem pudor, a esse papel.

Pior: o artigo da New Yorker relata as manobras adotadas pela empresa para comprar, também, o apoio dos responsáveis pela aprovação de drogas no mercado norte-americano.

Os riscos que o herbicida atrazina oferece à saúde foram considerados sérios o suficiente para que o produto fosse banido na Europa. Nos Estados Unidos, continua sendo usado em cerca de metade da produção de milho do país.

No Brasil, também é aplicado à vontade nas plantações.

A perseguição a Tyrone Hayes foi tão intensa que ele passou a ser visto, pelos colegas, como um paranoico. Achava que tinha a conta de e-mail monitorada, que era perseguido, que não podia fazer palestras sem a presença de agentes da Syngenta que tentavam intimidá-lo e criar dúvidas a respeito das conclusões que ele apresentava.

Para se prevenir, ele passou a copiar os dados da pesquisa e enviar para a casa dos pais. Usou o e-mail como forma de confundir o adversário, com a ajuda dos alunos que trabalhavam no laboratório com ele. Recentemente, ficou provado que Hayes não era nada paranoico e que a conspiração existia de fato.

Um dos únicos biólogos afro-americanos de destaque do país, Tyrone Hayes era considerado um dos melhores professores de Berkeley e uma das grandes promessas do meio acadêmico e científico.

Ao longo dos últimos 14 anos de guerra aberta contra a Syngenta, ele acabou perdendo o laboratório em Berkeley. Mas de certa forma, foi vingado.

A Syngenta foi processada em uma ação coletiva por 23 municípios do meio-oeste dos Estados Unidos. Eles acusaram a empresa de esconder o perigos reais do atrazina para a saúde.

Por conta do processo, jornalistas norte-americanos tiveram acesso a documentos internos, memorandos e e-mails da empresa. O trabalho de Tyrone Hayes foi a base científica usada pelos advogados dos municípios.

Desde que passou a se dedicar ao estudo dos efeitos do atrazina sobre animais e até sobre humanos, Hayes angariou seguidores.

Outros cientistas seguiram a mesma linha e ampliaram as descobertas do pioneiro na área. E hoje já existem resultados que falam em defeitos de nascimento em humanos. Enquanto os pesquisadores acumularam dados contra o herbicida, a empresa se ocupou em colher informações sobre Hayes.

Em entrevista ao programa DemocracyNow! da jornalista Amy Goodman, Tyrone Hayes contou que as ameaças não paravam na esfera científica.

Ele disse que um representante da empresa o abordou antes de uma palestra e sussurrou que ele podia ser linchado, que ía mandar uns rapazes para mostrar a Hayes como é ser gay e chegaram até a ameaçar a segurança da mulher e da filha dele.

Enquanto isso, vários trabalhos foram apresentados à EPA (Agência de Proteção Ambiental) a respeito dos perigos do atrazina para a saúde e da contaminação do solo e da água nos locais onde ele é usado.

Dados científicos que as autoridades norte-americanas refutaram duas vezes: mantiveram a licença do produto, sem restrições.

Depois também veio à tona que alguns membros do comitê da EPA, que tomou a decisão favorável ao atrazina, tinham relações com a Syngenta.

Este ano, o herbicida, o segundo mais usado nos Estados Unidos, será avaliado novamente. Quem sabe qual será o resultado da análise desta vez…

PS do Viomundo: A pesquisa do cientista demonstrou que o herbicida provoca a mudança de sexo em sapos; na excelente entrevista que deu ao DemocracyNow!, ele estranha que os conglomerados produzam tanto substâncias cancerígenas quanto contra o câncer. Por que $erá?

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Ínsólito: o sismoscópio de Zhang

Sanguessugado do Informação Incorrecta

 

É verdade: a nossa tendência é pensar que os povos antigos fossem incapazes de alcançar resultados tecnológicos digno de nota, algo que achamos ser uma exclusiva da nossa sociedade.
O sismógrafo, por exemplo.
O primeiro sismógrafo moderno foi inventado em 1703 pelo físico francês Jean de Hautefeuille. O dispositivo deu aos cientistas a capacidade de medir com precisão a intensidade de terremotos e as suas dinâmicas.
No entanto, aquela de Hautefeuille foi apenas uma re-invenção, dado que um mecanismo semelhante já tinha sido inventado 17 séculos antes, graças ao gênio de Zhang Heng, astrónomo, matemático, engenheiro, geógrafo e inventor que viveu entre 78 e 139 d.C.
Obviamente, os antigos chineses não sabiam que os terremotos fossem causados ​​pelo movimento das placas tectónicas da crosta terrestre:da Terra: acreditavam que os tremores de terra fossem o resultado de um desequilíbrio cósmico do yin e yang, causado pelos maus actos cometidos pela dinastia reinante na época. Por esta razão, era importante para os líderes chineses estar cientes de todos os terremotos que ocorriam durante o reinado.
Zhang Heng desenvolveu o primeiro dispositivo do mundo capaz de detectar terremotos, surpreendendo a corte imperial com uma máquina que podia detectar os terremotos em grandes distâncias, mesmo que ninguém nos arredores tivesse reparado no fenómeno.
O sismoscópio era composto de um grande vaso de bronze em torno do qual estavam dispostos (de cabeça para baixo) oito dragões (sempre de bronze), cada um dos quais voltado para os pontos cardeais e com uma bola na boca (bola mais uma vez de bronze, este deve ter sido uma paixão do Heng). Na base do recipiente, alinhados com os dragões. eram dispostos sapos com a boca aberta e virada para cima. Inútil especificar de que material fossem os sapos.

Se o instrumento revelava um terremoto, um dos dragões largava automaticamente a bola, que caia na boca do sapo, e a posição deste correspondia a direcção de onde tinha vindo o tremor.
No entanto, quando Heng apresentou a invenção, o cepticismo dominava os funcionários da corte. O teste do dispositivo ocorreu em 138 d.C., quando uma bola caiu sem que qualquer terremoto tivesse sido percebido. Poucos dias depois, um mensageiro trouxe a notícia de um terremoto em Kasu, 600 quilómetros de distância, na direcção indicada pelo instrumento.

Em 2005, os cientistas de Zhengzhou, o local de nascimento de Zhang Heng, conseguiram construir uma replica do sismoscópio, testado para detectar terremotos simulados a partir de quatro regiões diferentes. O sismoscópio foi capaz de detectar todos os terremotos simulados e os dados recolhidos corresponderam com aqueles detectados pelos sismógrafos modernos.
Zhang Heng é considerado o Leonardo da Vinci do Extremo Oriente e a sua vida parece confirmar a comparação. Durante a maior parte da existência, Heng foi o astrónomo real durante a dinastia Han e desenhou um dos primeiros mapas estelares, rivalizando com aquele criado por Hiparco em 129 d.C. (do qual ele não tinha conhecimento): no mapa, Heng especifica a exacta posição de 2.500 estrelas.
Conseguiu explicar correctamente o fenómeno das eclipses lunares, alegando que ocorriam quando a Lua passa pela sombra da Terra; em 123 d.C. corrigiu o calendário para ajusta-lo ao ciclo das estações.
Os resultados científicos do génio de Zhang Heng foram homenageados por sucessivas gerações. Em 1970, as Nações Unidas têm dado o nome dele a uma cratera lunar. Em 1977, o asteróide 1802 também foi baptizado com o nome de Heng, cujo nome também é utilizado para indicar um mineral amarelo dourado descoberto em 1986.
Ipse dixit.
Fontes: Il Navigatore Curioso, Ancient Origins

A COPA E O TERROR

Sanguessugado do Mauro Santayana

“Se ocorrer um ataque “terrorista” de grandes proporções, durante a Copa do Mundo, no Brasil, ele certamente não será deflagrado por povos ou organizações com os quais o Brasil nunca teve nenhum tipo de problema, por ter mantido uma política exterior não alinhada e independente, como é o caso dos palestinos, os libaneses, ou o Irã.”

(Hoje em Dia) - O governo federal anunciou, em reunião da qual participaram representantes da área de logística e segurança dos 32 países envolvidos, que o Brasil vai investir mais de um bilhão de reais, e mobilizará 170.000 homens das polícias, do exército e de segurança privada durante a realização do evento, nas diversas cidades-sede, de 12 de junho a 13 de julho deste ano.

Até mesmo vants e robots importados, especializados no desmonte de bombas, serão utilizados. Andre Puis, um representante sul-africano que participou da reunião declarou em entrevista a meios de comunicação internacionais, que será  dada grande importância a medidas “antiterroristas”, principalmente em torno dos estádios que receberão os jogos.

País sem inimigos declarados, onde convivem harmoniosamente imigrantes de todo o mundo e que – graças ao princípio de não intervenção consubstanciado em nossa constituição – não costuma se meter com a vida de ninguém, é difícil acreditar que o Brasil possa ser atacado por “terroristas” estrangeiros durante a Copa.  

Neste momento, no entanto, há quem esteja, lá fora, apostando forte em mudar os rumos da política exterior brasileira, jogando nossa opinião pública contra o Mercosul e países como a Argentina e a Venezuela, os únicos, além da China, com quem tivemos  expressivos ganhos em nossa balança comercial no último ano.

São esses mesmos países que tem procurado fomentar, de fora, a onda de  manifestações que começou com a “Primavera Árabe” e que acham que podem se beneficiar com a sua propagação para lugares como Kiev, Caracas ou São Paulo.

A Primavera Árabe, longe de levar a liberdade e a paz aos povos do Oriente Médio e do Norte da África, acabou se transformando em um indescritível pesadelo de assassinatos, estupros, tortura, fome, caos e destruição, com milhares de mortos e milhões de refugiados, inclusive crianças, que hoje vagam, expostas à própria sorte, pelos desertos da região e que se afogam, em desesperada busca por uma vida ou futuro, tentando atravessar em botes o  Mediterrâneo.        

Se ocorrer um ataque “terrorista” de grandes proporções, durante a Copa do Mundo, no Brasil, ele certamente não será deflagrado por povos ou organizações com os quais o Brasil nunca teve nenhum tipo de problema, por ter mantido uma política exterior não alinhada e independente, como é o caso dos palestinos, os libaneses, ou o Irã.

Estaremos, durante a Copa, no centro dos acontecimentos mundiais. Será uma ocasião ideal para que eventuais    interessados  venham a fazer alguma coisa  que possa levar o Brasil a ficar contra o que antes se convencionava chamar de  Terceiro Mundo.

Essa é uma possibilidade que também não deve ser descartada, por nossos setores de Inteligência e Segurança, durante a Copa, com relação a riscos e perigos originados no exterior.

Cultura inútil: Bate que ele gosta!

Via  Boitempo

 

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 Mouzar Benedito.

O austríaco Leopold Von Sacher-Masoch, famoso escritor e advogado que viveu de 1836 a 1895, quando criança apanhava muito do pai e era obrigado por uma tia a lamber os pés dela, quando a espiava transando com alguém. Viciou nisso. Depois de adulto, Masoch pedia às mulheres que lhe batessem, chicoteassem, e lambia os sapatos delas. Só assim chegava ao orgasmo. Do nome dele, Masoch, veio a palavra masoquismo, usada para quem gosta de apanhar.

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Em 335 a.C., Alexandre, o Grande, atacou Tebas, que não se rendeu, dominou-a e mandou destruir a cidade inteira, menos uma casa: como apreciava muito a poesia, ele poupou a casa em que viveu o poeta Píndaro.

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A Bahia tem muitos dos melhores compositores do Brasil, mas quando se fala em músicas que a têm como tema e que encantam, muitos lembram-se de Tabuleiro da Baiana e Na Baixa do Sapateiro, que foram compostas pelo mineiro Ary Barroso. Falsa Baiana é do também mineiro Geraldo Pereira, um dos maiores compositores de samba de décadas atrás, no Rio de Janeiro. Por falar nisso, um dos grandes músicos da carioquíssima bossa-nova é o baiano João Gilberto. E quando se fala de grandes cantores mineiros, de quem a gente se lembra? Muitos, com certeza, se lembrarão de Milton Nascimento, nascido no Rio de Janeiro.

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A primeira enciclopédia de que se tem notícia foi publicada na França em 1772, pelo filósofo Denis Diderot.

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As Ilhas Salomão, localizadas no oceano Pacífico, na região da Oceania chamada Melanésia, têm pouco mais de 400 mil habitantes em sua área de 28 mil quilômetros quadrados, tamanho equivalente ao do estado de Alagoas, e sua língua oficial é o inglês, mas ali se falam mais de 80 dialetos nativos. O arquipélago é um país independente, ligado à Comunidade Britânica, mas seu “descobridor” foi um espanhol, Álvaro de Mendaña, que chegou lá no século XVI e pensou que tinha chegado no lugar de onde levaram as riquezas para ornamentar o templo construído pelo rei Salomão em Jerusalém.

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Allan Kardec, que criou a doutrina espírita em 1857, chamava-se Léon Hippolyte Denizard Rivail. Essa doutrina chegou ao Brasil, mais especificamente na Bahia, em 1865.

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O nome zeppelin, dado aos enormes balões dirigíveis transatlânticos em forma de charuto, se deve ao seu fabricante, o militar alemão Conde Ferdinand von Zeppelin, que viveu de 1838 a 1917,

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Dois dos maiores cientistas brasileiros de todos os tempos nasceram na mesma cidade, que era minúscula: Oswaldo Cruz e Aziz Ab’Saber eram de São Luiz do Paraitinga (SP).

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Em alguns lugares de Minas Gerais, quando alguém quer reclamar de uma situação muito desagradável por que passou ou está passando, diz: “Não há tatu que aguente”. O que muitos não sabem é a origem dessa expressão. Segundo caçadores, quando se persegue um tatu, ele entra num buraco e se consegue agarrá-lo pelo rabo, pode-se puxá-lo com toda força que ele não sai. Enfia as unhas das quatro patas nas laterais da toca e se agarra ali, e quase não se tem como tirá-lo. Quase! Mas há um segredo: enfiando-se um dedo no ânus dele, o tatu reage se encolhendo, tirando as garras da terra, e aí pode ser puxado facilmente. “Não há tatu que aguente”, garantem.

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A testoterona – hormônio masculino – foi isolada pelo químico alemão Adolf Butenandt, em 1934.

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Dois juristas formados pela conceituada Faculdade de Direito da USP, que ocuparam altos cargos nessa Universidade, se destacaram pela violência contra os Direitos Civis como ministros da Justiça da ditadura militar: o ex-reitor Gama e Silva autor do Ato Institucional número 5 (AI-5), queria uma medida mais violenta e inconstitucional do que esse Ato, mas o próprio presidente ditador Arthur da Costa e Silva achou demais e ele teve que abrandar um pouco. O ex-vice-reitor Alfredo Buzaid foi ministro durante o governo Garrastazu Médici, a fase mais violenta da ditadura. Buzaid publicou em 1970 o livro Em defesa da moral e dos bons costumes.

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O nome de Lhasa, capital tibetana, significa “casa de Deus”. Ela foi fundada no século V, como fortaleza budista, e era conhecida pelos ocidentais como “cidade proibida” por causa do difícil acesso a ela, no Himalaia.

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Em 1909 foi feito o primeiro salvamento marítimo a partir de uma chamada de SOS, pelo telégrafo sem fio. Em 1912 morreu muita gente no naufrágio do Titanic, mas 703 pessoas foram salvas, graças a mensagens de socorro enviadas pelo navio e captadas por outro navio, o Carpathia. Depois disso passou a ser obrigatória a instalação de equipamentos de rádio em navios.

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Você sabe quais são os sete pecados capitais? Veja se não cometeu ou comete algum deles: gula, avareza, soberba, luxúria, cobiça, ira e inveja.

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Em 1844 os Correios passaram a entregar correspondência em domicílio e isso foi um estímulo para o aumento da publicação de jornais. Em 1872 alguns quiosques do Rio e de São Paulo vendiam jornais, mas as primeiras bancas de verdade começaram a funcionar em 1892.

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Máxima do Barão de Itararé: “Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outras”.

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A sucessão de erupções do vulcão da ilha de Krakatoa, em 27 de agosto de 1883, destruiu 165 aldeias, danificou outras 132 e matou 36.417 pessoas. Cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas. Três quartos da ilha, nas Índias Orientais Holandesas, afundaram no mar.

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A palavra terapêutica vem do grego, therapéuo, e significa “eu cuido”.

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Iracema de Souza Ferreira (1922-2003), que adotou o nome artístico Nora Ney, cantava muito bem e foi uma das primeiras cantoras brasileiras a fazer turnê pela União Soviética e países do leste europeu. Com voz rouca, fez grande sucesso cantando sambas-canções, como Ninguém me ama, de Antônio Maria. Seu marido, Jorge Goulart (nome artístico de Jorge Neves Bastos) também era cantor que fazia sucesso na União Soviética (no Brasil também). Aqui, um dos seus sucessos foi Bigorrilho – “Lá em casa tinha um bigorrilho / Bigorrilho fazia mingau / Bigorrilho foi quem me ensinou / a tirar o cavaco do pau…”. O casal era “simpatizante” do PCB e chegou a fazer uma temporada de 8 meses na União Soviética, em 1958.

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A última refeição de Luís XVI antes de ser guilhotinado constituiu de três pratos de sopa, três pedaços de pão, sete pratos de carne, oito sobremesas, duas garrafas de vinho e quatro xícaras de café. Já que era para morrer mesmo, mandou ver!

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Na mitologia germânica, os grandes guerreiros, quando morrem vão para Válala. Mas não todos, só os mais valorosos. A tal Válala, numa tradução livre “sala dos guerreiros mortos” é uma sala imensa, luxuosa, com 540 portas, onde esses guerreiros mortos passam o dia se divertindo (cavalgando e simulando combates) e à tarde se sentam em torno de uma mesa de ouro pra beber e banquetear à vontade.

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Martinho Lutero pretendia apenas provocar um debate teológico de alguma importância, quando afixou numa espécie de quadro de avisos da igreja de Wittenberg suas 95 teses, em 31 de outubro de 1517. Ele incluiu no final: “Pede-se a quem não puder comparecer para discutir oralmente, que o faça por carta”. Foi o início da Reforma, a criação do Protestantismo.

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Era de Henrique Santos Dummont, irmão do “pai da aviação” o primeiro automóvel a circular no Brasil, um Daimler a vapor, em São Paulo, no ano de 1893. Em 1897, José do Patrocínio foi o primeiro a ter um automóvel no Rio, um carro francês também movido a vapor. O primeiro acidente de carro foi no Rio, quando o poeta Olavo Bilac, aprendia a dirigir com José do Patrocínio, na estrada da Tijuca. O poeta barbeirou e entrou feio numa árvore. O carro arrebentou, mas os dois não tiveram ferimento.

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Deborah Kerr, Anna Magnani, Elizabeth Taylor e Lana Turner foram indicadas para o Oscar de melhor atriz em 1957, mas quem ganhou foi a quinta concorrente, Joanne Woodward, a menos famosa delas, que atuou no filme As três máscaras de Eva. Ela era uma atriz relativamente nova e costurou o vestido com que compareceu à festa, o que provocou comentários maldosos (ou ciumentos?) de Joan Crawford, que achava ser um atraso uma atriz fazer suas próprias roupas. Joan Crawford, por sinal, ganhou o Oscar de melhor atriz em 1945, quando a favorita disparada era Ingrid Bergman. Ela estava gripada e recebeu o Oscar na cama.

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Em 1903, pela primeira vez um automóvel fez a travessia oeste-leste dos Estados Unidos, de São Francisco a Nova York. Gastou 52 dias.

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Baden-Powell, lorde inglês, criador do escotismo, atuou como espião, fingindo ser colecionador de borboletas. Com uma rede, ele se aproximava de fortificações militares na Alemanha, França, Tunísia e Argélia. Ele fazia desenhos das borboletas pegas durante o dia, mas no meio desses desenhos fazia plantas escondidas de cada fortificação, indicando os tamanhos dos canhões e os locais onde eles ficavam. Na Guerra dos Bôeres, na África do Sul, ele era general, mas fez espionagens fingindo ser jornalista.

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A maior queda d’água do mundo é a de Salto Angel, na Venezuela, com 979 metros de altura.

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Em 1998, o Fundo das Nações Unidas para a População (Funuap) fez projeções sobre quais seriam os maiores aglomerados urbanos do mundo em 2015. Acertou só um pouco. Previa, por exemplo, que o aglomerado da cidade de São Paulo teria 16,1 milhões de habitantes em 2015 e bem antes já está beirando 20 milhões. Aí vão as previsões do Funuap para o ano que vem: Tóquio (26,5 milhões); Nova York (16,3); Cidade do México (15,5); Xangai (14,7); Mumbai (14,5); Los Angeles (12,2); Pequim (12); Calcutá (11,5) e Seul (11,5).

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Um ditado que não colou: “Se o malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”.

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Assim falou Friedrich Nietzsche, autor de Assim falava Zaratustra: “Você diz que acredita na necessidade da religião. Seja sincero. Você acredita mesmo é na necessidade da polícia”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo,Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

Humanos, somos todos humanos

Sanguessugado do Bourdoukan

Humanos, apenas humanos

Empédocles dizia que mastigar folhas de louro era nocivo, Pitágoras proibia o feijão e os maniqueus só comiam peixe; Tolstoi e Ghandi consideravam o sexo maléfico, Shakespeare e Milton não sabiam ortografia.

Humanos, apenas humanos

Depois de cercar Baviera, o imperador Conrado III autorizou as mulheres dos nobres a partirem levando tudo de valor que pudessem carregar; partiram carregando os maridos e os filhos.

Humanos, apenas humanos

O rei Afonso XI de Castela sentindo-se injustiçado por Deus, em vingança ordenou ao povo que durante dez anos não rezasse e nem invocasse o nome do Criador.

Humanos, apenas humanos

Ésquilo foi advertido por um oráculo que morreria da queda de uma casa. Para escapar resolveu dormir num campo de trigo. Foi esmagado por uma tartaruga caída das garras de uma águia.

Humanos, apenas humanos

Na época de Artaxerxes, os condenados eram despidos e suas roupas açoitadas.

Humanos, apenas humanos

Montaigne conta que um fidalgo conseguiu, depois de muito tempo, seduzir uma jovem e na hora da posse ficou totalmente inibido.No seu desespero decepou o pênis e enviou-o à sua bela como reparação pela ofensa que lhe fizera.

Humanos, apenas humanos

Durante o Império Romano, vários gladiadores eram homens livres que se ofereciam para lutar por dinheiro. Havia também mulheres. Nas guerras de conquista, os vitoriosos cortavam o polegar dos prisioneiros para que não pudessem lutar mais.

Humanos, apenas humanos

Quando tinham dúvidas os juizes dos Areópagos mandavam as partes voltarem 100 anos depois. Segundo Xenofonte, os persas conseguiam produzir ar fresco e sombra à vontade.

Humanos, apenas humanos

Cícero e Diodoro narram que os caldeus tinham documentos que remontavam a mais de 400 mil anos. Plínio afirma que Zaratustra viveu seis mil anos antes de Platão.

Humanos, apenas humanos

Historiadores informam que os atlantes não sonhavam e nem comiam carne; que os espartanos adotavam o homossexualismo porque acreditavam que ele proporcionava coragem em combate.

Humanos, apenas humanos 
Joana, rainha de Nápoles, estrangulou Androsso, seu primeiro marido, porque não o achava provido de vigor bastante para os deveres conjugais.

Humanos, apenas humanos

Varro, o mais culto dos autores romanos, diz que a alma retorna ao corpo original depois de 440 anos de evolução; Ovídio retruca que as almas após abandonarem suas primeiras moradas passam a outras e Claudiano assegura que quando elas se libertam são purificadas no rio do Esquecimento e devolvidas às suas primitivas formas humanas. Já os áticos acreditavam que o pecado estava associado à transmigração e que a alma pecadora passava, após a morte, para o corpo de um animal, mas depois de várias eras depuradoras, atingia finalmente sua emancipação do cativeiro; registros incas informam que a vida habita até nos rochedos. Por isso talhavam aspedras com pedras para não as machucar.

Humanos, apenas humanos

Bertrand Russel conta que a justiça americana não aceitou novo julgamento para Sacco e Vanzetti, apesar do assassinato ser confesso por outrem. A justiça alegou que o criminoso confesso era mau caráter. Ao que parece, na opinião dos juízes americanos, apenas as pessoas de bom caráter cometem homicídios; no Japão, o policial que estrangulou dois anarquistas e o sobrinho de um deles, numa delegacia, tornou-se um herói popular e os escolares foram instruídos a escrever temas em seu louvor.

Humanos, apenas humanos

Carl Sagan escreveu que em meados do século XXI os ocidentais podem se tornar estéreis devido ao declínio acentuado no número de espermatozoides, causado por plásticos e produtos químicos que inibem os hormônios sexuais femininos.

Humanos, apenas humanos

Foi somente em agosto de 2001 que o Brasil revogou o Código Comercial que tratava da compra e venda de escravos. Editado em 1850, esse código ficou oculto nos escaninhos da burocracia a espera, quem sabe, da volta da escravidão.

Humanos, somos todos humanos