quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A super-banana de Bill Gates ou O Mercado da fome

Via Rebelión


Javier Guzmán (*)

Tradução do espanhol:  Renzo Bassanetti

La Marea

O  último invento da Fundação Bill Gates foi o investimento de 15 milhões de dólares no desenvolvimento de uma banana transgênica com alto conteúdo de vitamina A, vitamina E e ferro, com o objetivo de lutar contra a desnutrição em países africanos como Uganda, Tanzânia, Quenia, Ruanda, e República Democrática do Congo, principalmente dirigida à população infantil. Calculam que poderá evitar a morte de 700 mil crianças, e auxiliar outras 300 mil que estão cegas.

Essa pesquisa está sendo desenvolvida pela  Universidade Tecnológica de Queensland, através de trabalho dirigido pelo Professor James Dale, e já se encontra na fase de testes com humanos.

Com a coisa explicada dessa forma, qualquer um pode pensar que é uma boa iniciativa filantrópica contra a fome.  Contudo, lembro a conversa de um amigo que esteve em viagem de lua de mel percorrendo a Etiópia. Quando, na volta, depois de sua viagem, lhe perguntei o que tinha comido, já que tinha estado em um dos países com um dos índices de nutrição mais baixos do planeta, sua resposta foi clara: seu cartão de crédito Visa funcionou perfeitamente.

Portanto, não se trata de um problema de déficit de vitaminas e nutrientes que necessita urgentemente da intervenção de um anjo filantrópico para aumentar a produção de super alimentos.  Trata-se do acesso à comida. Trata-se de pobreza e distribuição da riqueza. Mas, além das discussões teóricas, o que opinam os camponeses africanos?

Pois vejam: os ugandeses, por exemple, pensam que suas bananas autóctones são perfeitas, e há séculos as cultivam e se alimentam delas. “Essa banana OGM é um insulto à nossa comida, à nossa cultura, a nós como nação,  e a condenamos firmemente”, disse Bridget Mugambe, membro da Aliança para a Soberania Alimentar da África (AFSA). Nesta semana, sua plataforma se uniu a mais de 120 organizações de todo o mundo com o objetivo de enviar uma carta aberta condenando a super banana e a pesquisa financiada por Bill Gates.

Então, se os africanos não pediram, qual é o interesse em desenvolver esse cultivo transgênico?

Sem dúvidas teremos uma resposta nas conclusões do relatório da organização “Community Aliance for Global Justice”, que afirma que a Fundação Bill and Belinda Gates já é proprietária de 500 mil ações da principal multinacional de sementes transgênicas, a tristemente célebre Monsanto.

Além disso, outros estudos indicam que o objetivo do cultivo dessas bananas não seria a África, mas realmente contar com uma patente dirigida ao mercado dos países do norte, onde a banana continua sendo uma das frutas tropicais mais apreciadas e em alta.

Seja qual for o consumidor final,  o que sabemos é que se trata da linha de ação que as grandes multinacionais da biotecnologia estabeleceram para poder continuar expandir sues cultivos. Depois de seu fracasso na Europa, o novo eldorado se chama África, e o pretexto chama-se fome.

(*) Javier Guzmán. Diretor de VSF Justiça Alimentar Global


Blog do autor: http://javiergusmao.wordpress.com/

2 comentários:

  1. bom eu acho bil gates um cara bem intencionado, mas quem estar por traz dele é que é o problema, Gate nao precisa fazert mais nada para ficar mais rico,e dinheiro é o que nao lhe falta. a propria internet é chamariz de dinheiro para ele que so faz aumentar sua fortuna embora nao esteja a frente mais ele continua sendo o carro chefe na microsoft.Acredito que ele tenha pensado em criar a banana justamente para atender melhor a populaçao desses países agora os que estao por traz como por exemplo a outra parte do capital da MONSANTO, Nao custa lembrar que na Europa o povo se reuniu para exigir que a MONSANTO nao plantasse transgenicos por la e ela acabou assinando um acordo de nao plantar.

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  2. a unica coisa que temo nessa banana é se ela nao esta sendo preparada para esterilizar os africanos pois o racismo americano vem ha muito tempo devastando a raça negra na Africa,tomando suas terras escravizando o povo e isso inclui tambem a Europa que se aproveita dos países que ficam em direçao a sua costa

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