domingo, 16 de novembro de 2014

Eu quero é “a diretoria que fura poço”

GilsonSampaio

A falência das instituições republicanas é mais velha do que  própria proclamação da república. Desde sempre a ‘república’ foi grilada pelas elites através de vassalos jagunços oriundos da burguesia.

Há de se lembrar a cara de paisagem do povo, surpreso com um séquito festivo a comemorar a proclamação da república.

A “coisa pública” não é tão pública como o conceito anuncia, tem donos específicos e  o povo não é um deles. Isso, também, não é nenhuma novidade.

Somos testemunhas de um déjà vu, um filme de quinta visto em 54 – com Getúlio; em 64 – com Jango; em 2002 – na Venezuela de Chavez; em 2009 – na Honduras de Zelaya; e em 2012 – no Paraguai de Fernando Lugo, todos seguindo o receituário anti-democrático apregoado pelo terrorismo americano: desestabilização do governo pela mídia corrupta, juízes quebrando o princípio republicano de não interferência nos outros poderes e, claro, políticos inconformados pela perda da chave do cofre.

Aliadas para vencer as eleições, mídia corrupta e polícia federal deram um show  e por pouco não conseguiram com o escândalo da Petrobras.

Só pra lembrar, eleito presidente  pelo baixo-clero da câmara federal, Severino Cavalcanti declarou que estava a venda para apoio ao governo  em troca daquela “diretoria que fura poço”, aquela, sim, tem dinheiro. Se não foram estas palavras, o sentido, foi.

Acredite quem quiser nas palavras publicadas da tucanalhada blindada pela imprensa e pelo judiciário contrárias a um eventual golpe ou impeachment.

Via  fôia ditabranda

Abaixo e acima de tudo

Janio de Freitas

Operação da PF foi feita 24 horas depois que os delegados apareceram comprometidos com Aécio

Falta muito, e faltam muitos, para que as primeiras prisões de altos corruptores os levem, mais do que à efêmera experiência de humilhação, aos julgamentos que merecem há tanto tempo. Nem é certo que haja tais julgamentos e, havendo, que condenações sejam prováveis. Para isso, provas suficientes são tão necessárias quanto difíceis, dados os métodos preventivos e os recursos defensivos dos poderosos corruptores da administração pública.

A par do seu traço inaugural, a megaoperação das prisões teve dois outros efeitos mais destacáveis. Por um deles, proporcionou à oposição um estoque explosivo de grande resultado na opinião pública. Estoque posto em uso enquanto ainda ocorria a operação da Polícia Federal, simultânea a evento de Aécio Neves e do PSDB em São Paulo. Artilharia de oposição, como se as prisões se dessem em ação da PF sob governo dos atuais oposicionistas, e não dos atacados. É política e, pior, política brasileira.

O outro efeito se destaca, não por implicação política, mas no sentido, mais grave, institucional e social.

A megaoperação, com toda a cinematografia própria da polícia federal brasileira, foi desfechada apenas 24 horas depois que os delegados responsáveis pelo caso Petrobras apareceram comprometidos, como autores, com manifestações explicitamente agressivas contra Dilma e Lula. E de apoio a Aécio Neves, exibido com diferentes mulheres e recomendado pela mensagem “Esse é o cara!!!!!”.

Depois da incidência, sobre a disputa eleitoral e a candidata Dilma, dos “vazamentos” de delações bem premiadas feitas àqueles delegados, era inevitável que o conhecimento do que escreveram então tivesse alguma consequência. Apesar do modesto interesse que a imprensa demonstrou pela revelação da repórter Júlia Duailibi, em “O Estado de S. Paulo”, uma investigação foi determinada por José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, para averiguar desvio de conduta.

A megaoperação das prisões precipitou-se obre o caso dos delegados e sua sugestiva atitude, abafando-o. Não tem como emergir, ao peso do sucesso de empreiteiros presos.

Os dois assuntos têm componentes em comum, mas são distintos na essência. Ainda que por atos de delatores, e não por investigações policiais, os modos e os responsáveis da corrupção em negócios da Petrobras se esclarecem, mesmo que não seja de todo. As interferências impróprias em disputas eleitorais, porém, repetem-se desde a primeira eleição pós-ditadura, sem que qualquer delas recebesse a resposta exigida pelo regime de eleições democráticas. Nas eleições recentes houve condutas extravagantes, e a Polícia Federal, mais uma vez, foi parte óbvia em algumas e ficou sob suspeita de participação em outras.

É possível que os delegados do caso Petrobras não tenham relação alguma com qualquer tentativa de influência imprópria no eleitorado. Mas há o que ser investigado sobre tentativas com uso de informações, verazes ou não, tidas como procedentes do material coletado na ação conjunta de PF, Ministério Público e Judiciário. E é lógico que a conduta dos delegados seja investigada. A lisura eleitoral e a liberdade integral do eleitorado estão acima de tudo.

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