sábado, 29 de novembro de 2014

Em visita ao Brasil, Thomas Piketty defende taxação progressiva de grandes fortunas

Via  Diario Liberdade

O economista francês é autor do livro "O Capital do Século XXI" e visitou o país para discutir sobre a desigualdade social causada pelo capitalismo.

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Apesar de alguns avanços no combate à miséria, pobreza e desigualdade, o Brasil continua sendo ainda hoje um país com um sistema extremamente injusto e desigual, beneficiando a grande burguesia em detrimento da maioria da população.

"O Brasil poderia ter uma maior redução da pobreza e um crescimento maior da economia se tivesse menos desigualdade", disse Piketty em entrevista à BBC Brasil.

Nos 20 países analisados em seu estudo sobre a desigualdade de renda, esta aumentou nos últimos 30 anos, afirmou ele em uma palestra na USP. Nos EUA, o aumento é assombroso: os 10% mais ricos passaram da concentração de 33% da renda nacional em 1980 para 51% atualmente.

Mas o Brasil supera esses números já escandalosos. Aqui, os 10% mais ricos detêm 56% da fortuna do país. E enquanto nos EUA os 1% mais ricos acumulam 25% da renda, no Brasil essa cifra é de impressionantes 30%. De 100 pessoas, uma come um terço do bolo e deixa as outras 99 comendo migalhas.

Para o escritor, o problema da imensa desigualdade que assola o país está diretamente ligado à proteção que o Estado dá às grandes fortunas. "A falta de progressividade no sistema de impostos é uma das razões pelas quais a desigualdade é tão grande no Brasil", disse. "Seria possível ter impostos mais altos para quem ganha R$ 500 mil, R$ 1 milhão, R$ 5 milhões e por aí vai."

"Os impostos sobre herança também são particularmente baixos para padrões internacionais e históricos", defende Piketty. No Brasil, a taxa sobre herança é de ínfimos 4%, enquanto que nos EUA e países da Europa como Alemanha, Grã-Bretanha e França a porcentagem pode chegar a 40%.

À BBC Brasil ele também defendeu que a taxação progressiva de rendas altas e grandes heranças pode ser uma forma de obter recursos para investir no sistema de educação pública, que "é absolutamente essencial para se reduzir a desigualdade".

Talvez por isso o Estado brasileiro nunca tenha se preocupado com uma educação pública de qualidade para todos, pois isso implicaria em mexer no sistema de grandes privilégios da burguesia para reduzir a desigualdade por meio da taxação das grandes fortunas expropriadas do povo pelos capitalistas.

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