sábado, 25 de outubro de 2014

Os perigos do terceiro turno

Sanguessugado do Carlos Motta

 

Basicamente, há duas linhas de pensamento para o terceiro turno, já anunciado pelos tucanos, em caso de vitória de Dilma:
1) A presidenta deve tentar acalmar os ânimos dos oposicionistas;
2) A presidenta deve partir para cima deles com tudo.
O terceiro turno significa que a  oposição não vai aceitar a derrota e vai jogar todas as fichas num processo de desestabilização do governo reeleito, apelando até para um processo de impeachment, tendo como justificativa a "roubalheira" da Petrobras.

Não só próceres oposicionistas anunciam abertamente que se lançarão com tudo nessa aventura golpista, mas também os vários colunistas amestrados da imprensa oligopolizada expõem essa "tese" - antítese das normas democráticas sob qualquer ponto de vista.
Seja lá o que a presidenta pretenda fazer, caso seja reeleita, seu governo tão terá vida mansa.
A sua base de sustentação deverá ser ainda mais frágil que a atual.
A mídia continuará a perseguir incansavelmente os trabalhistas.
Empresários prosseguirão com seus movimentos de boicote.
Agentes internacionais agirão livremente na promoção de manifestações de rua "espontâneas".
O clima de insatisfação na classe média, já elevado, tenderá a piorar com esse bombardeio maciço de propaganda.
Penso que Dilma, para sobreviver, terá de ser como alguns técnicos de futebol, que distribuem broncas e depois afagam a cabeça de seus jogadores.
Deveria escalar um time acima de qualquer suspeita para o seu Ministério, craques mesmo, e convocar as mais expressivas lideranças empresariais, sindicais, de organizações da sociedade civil, enfim de todos os segmentos mais representativos, para ouvir com atenção o que têm a dizer e passar um recado: somos democráticos, respeitamos todos, queremos governar para todos, mas não pensem que vamos sucumbir a chantagens ou permitir a ação de sabotadores. 
Deveria - e isso é fundamental - instituir uma política de comunicação que realmente atinja a população, leve a ela informações verídicas sobre o que está sendo feito e neutralize a propaganda oposicionista.
A par disso, é fundamental tratar da reforma política e instituir um marco regulatório das comunicações, a tão falada "lei dos meios", para tirar do pré-capitalismo essa área importantíssima e transportá-la ao século 21.
Essas são apenas algumas poucas ações mais que necessárias para garantir um mínimo de governabilidade. 
Sem elas, bye, bye, democracia.

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