domingo, 12 de outubro de 2014

O porvir incerto

Via Granma

Jamais em sua evolução o gênero humano teve nem podia ter uma ideia clara de sua própria existência, porque esta simplesmente não existia, simplesmente evoluía com o mesmo ritmo de tudo aquilo que existe. É uma realidade que não surge contra ninguém nem deve ofender ninguém.

EM sua evolução, o homo sapiens, como ser pensante único entre milhões de espécies vivas, jamais teve ideia da natureza e a razão de sua existência. Dotado da capacidade de pensar, estava regido por severos instintos. Nada sabia do restante de seu maravilhoso planeta. Nao se conhece, sequer, desde quando possui essa capacidade; em raros casos afirma-se que há um milhão de anos ou um pouco mais, mas em geral se considera que não mais de 200 mil anos.

Hoje se conhece que o número de planetas com aparências similares ao nosso é da ordem dos bilhões na mesma galáxia onde se encontra o nosso, em meio daquilo que é denominado como o universo. Espero não ofender ninguém pelo fato de ter abordado o tema do que somos ou do que pensamos que somos.

Há dois dias, em 5 de outubro, o site do canal de televisão Russia Today, um meio de divulgação sério, publicou que Laura Mersini-Houghton, prestigiada professora da Universidade da Carolina do Norte, demonstrou que os enormes buracos negros não existem, e que a teoria do Big Bang não tem fundamento. Isto, penso eu, implica um trauma para muitas pessoas que converteram essa teoria em um ato de fé.

A maior autoridade neste tema seria o cientista britânico Stephen Hawking, um homem de excepcionais méritos por sua consagração à ciência, apesar de uma cruel afecção que o obrigou a fazer grandes sacrifícios para se comunicar com os demais, quando ainda era muito jovem.

Os cientistas mais conhecedores destes temas se comunicam e, inclusive, publicam seus resultados em termos técnicos difíceis de compreender por parte dos que não tivemos o privilégio de familiaridade alguma com essa ciência.

Stephen Hawking converteu-se, após a publicação da “História do Tempo”, no autor de um livro sobre esse importante tema, cujas vendas foram de mais de 10 milhões de exemplares. Com certeza que, além de seu interesse intrínseco, os principais compradores foram os membros da comunidade de cientistas dedicados ao estudo destes temas transcendentais, os que já somam vários milhões de eminentes pesquisadores. Eu farei o possível por ler e compreender essa obra, ainda que minha tarefa atual, relacionada com a produção de alimentos em quantidade e qualidade suficientes seja prioritária, e na qual ainda o esforço se pode traduzir em um importante benefício.

É muito o que ignoramos e muito pouco o que sabemos de nossa própria ignorância.

Eu já li o segundo exemplar de Hawking, “O universo numa casca de noz”, escrito segundo ele numa linguagem mais inteligível para os profanos na matéria, e sublinhei muitas das ideias que mais me interessaram.

Jamais em sua evolução o gênero humano teve nem podia ter uma ideia clara de sua própria existência, porque esta simplesmente não existia, simplesmente evoluía com o mesmo ritmo de tudo aquilo que existe. É uma realidade que não surge contra ninguém nem deve ofender ninguém.

Cada dia podemos aprender algo novo. Ajudar os demais e ajudar-nos no possível a nós mesmos.

Ontem escutava as declarações do novo secretário-geral da OTAN, antigo primeiro-ministro da Noruega, que desde o dia 1º de outubro passado, tão só há seis dias, tomou posse do cargo. Quanto ódio no rosto! Que incrível empenho em promover uma guerra de extermínio contra a Federação Russa! Quem são mais extremistas que os próprios fanáticos do Estado Islâmico? Que religião praticam? Depois disso, será que se pode desfrutar da vida eterna na destra do Senhor?

Fidel Castro Ruz

7 de outubro de 2014

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