sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A ‘nova direita’ brasileira lembra cada vez mais a velha direita venezuelana

Sanguessugado do Diario de Centro do Mundo

Paulo Nogueira

Herdeiro do Estadão em evento do PSDB

Herdeiro do Estadão em evento do PSDB

A direita brasileira lembra cada vez mais a venezuelana.

Tumultua, dá golpes baixos, mente — se agarra loucamente, enfim, a privilégios que fizeram do Brasil um dos grandes campeões mundiais em desigualdade.

Veja esta questão da recontagem de votos pedida pelo PSDB.

O mesmíssimo expediente foi utilizado pela direita venezuelana depois que Maduro venceu Caprilles.

A mídia venezuelana – como a brasileira, a voz da direita enraivecida – tentou de todas as formas transformar a vitória nas urnas de Maduro e do chavismo numa fraude para justificar a tentativa de golpe branco.

Observadores estrangeiros isentos acompanharam as eleições venezuelanas. Jimmy Carter, pessoalmente, investigou o método eleitoral da Venezuela e o classificou como um dos mais seguros do mundo.

Mas nada disso deteve o tumulto promovido pela direita.

Lá, como todos sabiam que ia acontecer, a recontagem apenas confirmou a vitória de Maduro.

A mesma coisa ocorre agora no Brasil.

Não bastam todas as delinquências durante a campanha: o uso de pesquisa fajuta por Aécio, a complacência da mídia amiga em investigar coisas como o helicóptero dos Perrelas e o aeroporto de Cláudio – e sobretudo a capa criminosa da Veja em cima das eleições.

Não bastam também as monstruosidades pós-eleições, como a torrente de insultos aos nordestinos partida da direita, dos quais o mais simbólico foi o de Diogo Mainardi na Globonews.

Não basta nada, na verdade: agora, o ataque é dirigido contra os votos dos brasileiros.

É a plutocracia contra a democracia, como escreveu recentemente Paul Krugman, Nobel da Economia. Ele estava se referindo aos Estados Unidos, mas podia estar falando do Brasil, tamanhas as semelhanças.

O filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da USP, fez há poucos dias considerações interessantes sobre o que definiu como “nova direita” brasileira.

Para ele, ela surgiu depois das Jornadas de Junho. Seu objetivo, segundo Arantes, não é fazer política e conquistar votos: é apenas impedir qualquer mudança no status quo.

Ele nota o que classifica como “relação assimétrica” entre a “nova direita” e a esquerda. A esquerda – moderada, como ele corretamente assinala – se vale dos instrumentos clássicos de fazer política.

A direita atropela qualquer coisa. E, para reforçar a assimetria, é bancada pelas grandes corporações.

O novo governo Dilma está sendo forçado a realizar uma coisa que Luciana Genro na campanha disse ser vital quando você quer promover uma sociedade mais igualitária: contrariar interesses.

Lula, como o grande conciliador que sempre foi, evitou isso ao máximo em seus oito anos, e foi seguido por Dilma.

A maior demonstração disso está nas bilionárias verbas publicitárias federais que nestes anos todos abasteceram os cofres da voz da direita: as grandes companhias de mídia.

Sem enfrentar essa voz a assimetria de que fala o filósofo será cada vez maior.

O primeiro passo, aí, seria um simples choque de capitalismo.

Examinar, a partir da chamada base zero, o quanto se está colocando de dinheiro público na grande mídia para verificar quanto é justo que se coloque.

Isto está em todo manual de administração.

O SBT, para ficar apenas num caso, merece 150 milhões de reais por ano?

Isto se chama meritocracia.

A real meritocracia, não aquela cínica que Aécio usou demagogicamente em sua campanha.

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