quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

10 coisas que você deveria saber sobre os crimes do franquismo (qualquer semelhança…)

Via Insurgente.org

Joaquim Bosch (*)

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

1. Em 18 de julho de 1936 não começou uma guerra civil. O que aconteceu foi que um grupo de militares deu um golpe de estado contra um governo eleito democraticamente

2. O golpe de estado foi apoiado de forma militar, ideológica e econômica pela Alemanha de Hitler. Quando a rebelião não triunfou em todo o território espanhol, a Alemanha nazista começou a experimentar seu armamento contra civis indefesos, num ensaio do faria posteriormente na Europa.

3. Centenas de milhares de pessoas morreram como resultado da contenda. Ainda continuam enterradas em fossas comuns mais de 100 mil pessoas, que foram assassinadas pelos que se levantaram contra a ordem constitucional.

4. A maioria das pessoas que continua sem identificação nas fossas não tinha ido participar de guerra alguma. Foram exterminadas dentro da estratégia do golpe militar de eliminar qualquer possível dissidência e aterrorizar o conjunto da população.

5. Pinochet confessou sua admiração por essa forma de levantamento militar, e a aplicou no Chile. Foi um dos poucos chefes de estado que compareceu aos funerais de Franco.

6. A repressão não terminou em 1939. Os crimes, torturas e graves violações dos direitos humanos se prolongaram por décadas, até o final do franquismo. O prestigiado historiador Paul Preston assinalou que não existe equivalente na Europa a respeito da intensidade e da duração dessas atrocidades de Estado.

7. A Espanha é o segundo local do planeta em quantidade de desaparecidos, atrás somente do Camboja. A ONU exigiu ao nossos poderes estatais que protejam dos direitos dos familiares das vítimas do franquismo.

8. O Tribunal Supremo considerou que já não podem ser mais investigados penalmente os crimes do franquismo. Remeteu os familiares das vítimas à Lei da Memória Histórica, para que por parte da administração pública se procedesse a exumação dos restos mortais. O governo atual paralisou, ao começo de seu mandato, o cronograma de exumações que já tinha sido iniciado.

9. Resulta vergonhoso que um Estado democrático mantenha sem identificar e sem uma sepultura digna as vítimas mortais de um regime totalitário.

10. Diante dessa situação, todos podemos fazer muito. É perfeitamente possível que os que foram mortos por suas convicções democráticas saiam finalmente das fossas. Temos que gerar um amplo estado de opinião a favor das exumações, e reclamar ao governo que respeite o direito dos familiares de recuperar os restos de seus seres queridos. Não devemos esquecer os que deram sua vida por uma sociedade mais justa. Passem adiante.

(*) Magistrado e porta-voz de Juízes para a Democracia

Um comentário:

  1. Exatamente. É esse estado de opinião a favor das exumações (aqui, ao contrario da Espanha, começam a ocorrer) e da própria penalização dos responsáveis (acréscimo meu) que tem que ser gerado na sociedade - não é algo automático. Não é o 'Estado' - um ente político abstrato - que tem que fazer esse trabalho. Vamos recapitular: a transição da ditadura civil-militar à democracia foi feita com muita dificuldade, aqui, sob clamor de 'anistia ampla, geral e irrestrita'. Isso deu margem a uma lei de auto-anistia absurda, mas que acabou sendo aceita como a chance de termos o retorno dos entes queridos que estavam exilados ou que se mantinham na clandestinidade. Ao longo do tempo, pouquíssimos e difíceis passos foram dados pela sociedade e governo, é verdade, no sentido de apurar culpas e punir responsáveis, mas alguns progressos foram obtidos (indenizações às famílias das vítimas, Comissão da Verdade, etc.). E por que foi tão difícil aqui? Pela mesma razão de termos tido 20 anos seguidos de regime autoritário, ou seja, por causa da velha e batida 'correlação de forças' e de apoio de grandes parcelas da população àquele regime, via propaganda da mídia oligopolizada. Já temos uma mídia um pouco menos concentrada, graças à explosão da internet e das mídias alternativas (imprensa sindical, etc.), mas esse fenômeno é relativamente recente e ainda não conseguiu reverter totalmente a mentalidade conservadora de boa parte da população (vide movimentos coxinhas recentes). Então, sem esse apoio fundamental e nenhum apoio congressual, fica difícil.

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