quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Viva o Saci, mascote do povo na Copa do Mundo de 2014!

Via RedeBrasilAtual

Tenho ouvido muita gente declarando apoio ao Saci para ser mascote. Mas mascote do povo, não da Fifa

Mouzar Benedito, no Futepoca publicado 31/10/2013 17:28

Ilustração: Ohi/Futepoca

Saci

Parece óbvia a pergunta, a Fifa, todos sabemos, já escolheu o tatu-bola que, coitado, recebeu um nome pra lá de infeliz, Fuleco. Ele está escolhido e pronto, não é?

Não, não é. O Fuleco é mascote da Fifa. Não vi até hoje o coitado ser tratado como mascote pelo povo. E o povo tem razão: não fomos nós que o escolhemos. Seus aparecimentos nos gramados são burocráticos e sem graça, sem aplausos, sem ganhar a simpatia de ninguém.

O Fuleco é mascote dos bastidores, da manipulação de grana, dos burocratas.

Tenho ouvido muita gente declarando apoio ao Saci para ser mascote. Mas mascote do povo, não da Fifa.

Deixemos que o Fuleco compareça aos estádios junto com estrangeiros e com brasileiros que têm grana pra ir lá. Nos bares, em casa, nas reuniões de amigos para assistir aos jogos, o Saci há de ser o escolhido e comemorado.

Nós o havíamos indicado, com um monte de justificativas. Relembro algumas:

- Ele é de origem indígena, tornou-se negro e “ganhou” o gorrinho mágico presente em muitos mitos europeus, então é uma espécie de síntese da formação do povo brasileiro, que é uma mistura desses três grandes povos, além dos orientais que vieram pra cá quando a figura do Saci já estava pronta.

- Ele é negro, como a maioria dos nossos jogadores de futebol, e essa negritude, num país que não superou o racismo, é importante como símbolo de uma luta por igualdade. É também perneta, o que representa outra bandeira de luta nestes tempos que se fala tanto de inclusão. Além disso é e pobre, não tem nem roupa, e mora no mato. Com três motivos para ser “infeliz”, ele é gozador, brincalhão, aprontador, divertido. Enfim, um brasileiro autêntico, dos bons.

- Ele é um ser libertário. Uma das lendas sobre a perda de uma das pernas do Saci é que quando se tornou negro ele foi escravizado por um fazendeiro e era mantido à noite, na senzala, preso a um tronco por uma perna, com grilhões. Uma noite, ele cortou a perna presa e fugiu: preferia ser um perneta livre do que um escravo de duas pernas.

- Hoje em dia fala-se tanto em ecologia, proteção e recuperação do meio ambiente... E aí está o Saci de novo, como protetor da floresta.

- Ele é popular, conhecido de todos os brasileiros, e existem desenhos dele feitos por um montão de gente, e até as crianças o desenham e se divertem com ele. Aí está um motivo para ele não ser o escolhido da Fifa: não dá lucro aos mercenários do esporte. Inventaram uma mascote (nada contra o tatu-bola) e registraram três nomes como marcas pertencentes à Fifa para depois anunciar a escolha e pôs os três nomes em votação pela internet, os três horrorosos. Nem ao menos tiveram a dignidade de deixá-lo com seu próprio nome, tatu-bola. Virou Fuleco.

- O Saci faz parte da nossa cultura popular e, se fosse “eleito”, seria assumido pela população, ao contrário do tal Fuleco, pra quem todo mundo torce o nariz.

Então, repito, vamos torcer para que se realize no Brasil uma bela Copa do Mundo, apesar da submissão do país à Fifa, e que a seleção brasileira jogue bonito e vença. Mas protestando contra a corrupção, contra os desmandos da Fifa, contra a mercantilização do esporte e contra tudo de ruim, todas as tramoias que tentam nos enfiar goela abaixo. E festejando o que tem de bom: a alegria do futebol bem jogado e bonito, a nossa riquíssima cultura, o nosso jeito de ser e viver.

O Fuleco estará nos estádios superfaturados da Copa? Pois bem, nas ruas, nas praças que queremos que continuem sendo do povo, festejaremos com o Saci. Que cada um o desenhe, pinte, faça escultura dele com sua arte e sua criatividade, não tem que ser “um” Saci oficial, imposto. Muitos cartunistas devem oferecer criações bem-humoradas do Saci Mascote, para serem usadas por quem quiser. Mas quem não quiser nenhuma delas pode desenhar, pintar ou esculpir seu próprio Saci, o Saci do seu grupo, da sua turma.

Os Sacis são democráticos. Ninguém vai pagar royalties em nome dele.

Enfim, viva o Saci, mascote do povo na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Não nos submeteremos a nenhum império. Que a Fifa vá reinar em outras plagas!

O principe, o filósofo e o poeta

Via Boitempo

Izaías Almada

13.10.10_Izaías Almada_O principe_o filósofo e o poeta

Considerando que o reino em que vivem está à deriva, um príncipe, um filósofo e um poeta resolveram deitar falação sobre aquilo que consideram estar errado à sua volta. “É preciso estar atento e forte”, pensaram, “não temos tempo de temer a morte”… Irmanados nos versos desta canção de conhecido menestrel do mesmo grupo litero/musical, o príncipe, o filósofo e o poeta, todos sempre prontos a disputar espaços nos mais conhecidos jornais do reino, acharam por bem – do alto de sua sabedoria – botar alguns pingos nos is e descer à ágora dos sacripantas para discordar do governo e sua corte e lançar um pouco de lenha na fogueira das vaidades e das intrigas antirepublicanas.

O povo trabalhador, de volta para casa após mais um dia de labuta, passa por aquelas figuras exóticas sem entender muito bem o que falam na ágora, mas puderam ouvir algumas frases soltas.

Dizia o príncipe envolto em seu fardão com filigranas douradas: “Marina Silva é uma reserva moral do país”… O filósofo, com cara de bravo, acenava com pedagogias democráticas: “Que ao menos fique a lição de que nenhuma invenção democrática neste país será possível sem um processo amplo, geral e irrestrito de combate à corrupção, no qual o último mensaleiro petista será, enfim, enforcado nas tripas do último mensaleiro tucano”… E como que a concordar com a animada retórica acadêmica, o poeta, de longos cabelos grisalhos, soltou o seu canto ditirâmbico: “Será que esse país tem medo de punir?”

Reserva moral, processo amplo geral e irrestrito, medo de punir, o que será que diziam aquelas sumidades, pensava a massa ignara. Alguns poucos passantes pararam para ouvir, mais pelo exotismo da cena do que propriamente pela peroração do trio.

Estava eu ali a observar todo o quadro, dividido entre falácias e sofismas de um lado e a quase perplexidade de cidadãos trabalhadores do outro, quando avistei um pouco à minha direita um senhor já de idade, atento ao discurso dos três cidadãos. Aproximei-me do senhor e perguntei-lhe se podia explicar o que diziam aqueles oradores tão empolgados e cheios de si.

O velho me olhou por detrás das lentes grossas de seus óculos, que revelavam dois olhinhos inquietos e percucientes, e disparou numa voz firme e convincente:

– Estão criticando o que se passa em nossa democracia…

– E quem são eles? Arrisquei.

– O senhor não sabe?

Considerei que fingir minha ignorância sobre tais celebridades pudesse me trazer sua opinião mais sincera, mesmo que apaixonada.

– Não, confesso que não os conheço ou, pelo menos, não conheço o que pensam.

– Ali estão um príncipe, um filósofo e um poeta, respondeu o velho senhor orgulhoso em mostrar seus conhecimentos. E vou responder em poucas palavras a sua pergunta:

– O príncipe é um senhor que conseguiu entrar para a Academia de Letras depois de pedir a todos nós que esquecêssemos o que ele escreveu, entendeu o paradoxo? Pertence a um partido político onde a honestidade está em baixa e, tal qual todo bom oportunista, resolveu puxar a brasa de uma moralidade até agora desconhecida da tal senhora que teve alguns milhões de votos na última eleição presidencial para tentar dar um respiro ao seu partido em frangalhos…

– Hum, balbuciei segurando o riso.

– O filósofo, continuou, não se sabe muito bem o que ele pensa, mas encheu-se de brios para criticar um caso de suposta corrupção ainda não esclarecido pedindo o enforcamento dos réus, sem nomeá-los, nas tripas uns dos outros, requentando uma velha e surrada expressão dos iluministas franceses que gostariam de ver o último rei enforcado nas tripas do último padre. E veja que ele, inconscientemente, usa a expressão de um general da nossa ditadura sobre abertura ampla, geral e irrestrita. Um ato falho, talvez, ou coisas de uma nova esquerda à qual ele julga pertencer…

Com uma esquerda assim, não é preciso direita, concorda?

– O velho senhor encarou-me sem fazer qualquer comentário.

– E o poeta?

– Bem, o poeta queria saber, tal qual o filósofo, porque a suprema corte de justiça do país se acovardou numa de suas últimas decisões e, segundo, ele, esquivou-se de punir o mais rápido possível, mesmo sem provas, os tais cidadãos que merecem ser enforcados nas tripas uns dos outros… O curioso é que esse mesmo poeta disse estar arrependido de ter sido comunista um dia e que se converteu à democracia. Supõe-se que ele ainda faz parte daquele grupo de pessoas que identificam democracia com capitalismo e ditadura com socialismo… Se estiver arrependido de seus pecados deveria se confessar a um padre, não acha?

Ato contínuo, o velho senhor escafedeu-se…

Fiquei pensando se não tinha conversado por cinco minutos com o desconhecido Stanley Burburinho.

PS: Aviso a alguns poucos comentários escritos com o fígado. Em política só acerta quem erra, pois é a prática que vai enriquecendo o aprendizado. Como dizia o poeta espanhol, o caminho se faz caminhando. Ou ainda, como diz o grande filósofo do STF, Luiz Fux, “A verdade é uma quimera”.

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Leia também sobre a AP 470 Justiça fora dos trilhos, A síndrome Safatle/Dutra 1 e 2, As drogas e a direita causam dependência, E a presunção da inocência? e O lado obscuro da democracia, na coluna de Izaías Almada no Blog da Boitempo.

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Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo e roteirista, é autor de Teatro de Arena (Coleção Pauliceia da Boitempo) e dos romances A metade arrancada de mim, O medo por trás das janelas e Florão da América. Publicou ainda dois livros de contos, Memórias emotivas e O vidente da Rua 46. Como ator, trabalhou no Teatro de Arena entre 1965 e 1968. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras.

PT caiu na privada!

Sanguessugado do Gilvan Rocha

A nossa desinformada esquerda direitosa tem como um dos seus postulados, o de que existe uma dicotomia entre o público e o privado. Para eles, devemos fazer a opção pelo público, que é do povo. Não enxergam que o público é o Estado e esse é uma instituição de classe. No capitalismo, o Estado representa o poder burguês e se organiza em torno da defesa desse sistema sócio-econômico. Portanto, trata-se de uma fantasia, de uma balela, pretender que o Estado seja do povo.

Fruto dessa falsa dicotomia entre o público e o privado, imagina-se construir dois projetos políticos. Um, pretensamente de esquerda, que se propõe a defender a bandeira da “coisa pública”, através do Estado, e o outro, que seria nesse caso a direita, que tem por proposta a defesa e a exaltação da iniciativa privada. Nessa dualidade, trafega a “nossa” esquerda direitosa que não se atreve a assumir uma postura anticapitalista, pretendendo apenas o exercício de governos estaduais, municipais e federal sem extrapolar o âmbito da ordem econômica e social vigente, sem ameaçar o poder real, o poder da burguesia, representado pelo Estado como já dissemos.

Fiéis a essa equivocada visão, o PT, o PCdoB e o PSB, autênticos representantes da esquerda direitosa, aferram-se ao discurso do público contra o privado, sem dizer que são faces de uma mesma moeda, são faces complementares da ordem capitalista.

Após tantos anos de gritaria contra as privatizações e a denúncia cerrada de que o caminho da privatização como política neoliberal, encarnava o direitismo, quando direita são, tanto uma como a outra das forças políticas em litígio. Aconteceu, porém, que o Estado brasileiro não teve condição de realizar obras de infra-estruturas principalmente nos quesitos portos, aeroportos, rodovias e ferrovias e isso levou a um grave estrangulamento da economia, impedindo a burguesia brasileira de ter um maior grau de competitividade.

Dessa maneira, o PT e os seus aliados, não tiveram outra saída senão recorrer à privatização que começou com os aeroportos e há de continuar em várias iniciativas de investimentos que se fazem necessários. Assim sendo, não é injusto dizer que o PT e a esquerda direitosa, terminaram por cair na privada, lugar de onde nunca deixaram de ter fortes laços, pois é a eles que seus governos prioritariamente servem.

Pela 22ª vez, Assembleia Geral da ONU pede fim de bloqueio a Cuba

Via Opera Mundi

Nos 51 anos de embargo dos EUA a ilha, prejuízo ocasionado aos cubanos chega a US$1,1 trilhão, estima governo

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou nesta terça-feira (29/10) o 22º projeto de resolução - em 22 anos - que pede o fim do bloqueio norte-americano a Cuba. Com voto de 188 dos 193 membros do organismo internacional, a decisão se baseou em um relatório do país caribenho sobre os impactos do embargo. Os pedidos têm sido repetidamente ignorados pela Casa Branca.
“O que se ganha com essa política velha e eticamente inaceitável que não funcionou nos últimos 50 anos?”, questionou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, perante a plenária. O ministro ainda afirmou que o bloqueio piorou sob a administração de Barack Obama – ironicamente, eleito “para a mudança”.
A resolução se baseia nos princípios de soberania, igualdade entre os Estados e não interferência nos assuntos internos de outros países da Carta da ONU. Cuba, junto de outras nações, denunciaram os Estados Unidos por violações do direito internacional, lembrando as consequências do embargo na sociedade civil cubana.
Carlos Latuff/Opera Mundi


Embargo econômico dos EUA a Cuba começou em 1962 e dura até hoje

Entre os afetados, estão os pacientes de um centro cardiológico em Havana que não podem ser atendidos com aparelhos de alta tecnologia porque sua compra não foi autorizada pelos EUA. Segundo o relatório formulado pelo governo cubano, o prejuízo ocasionado à ilha desde o começo do embargo, em 1962, chega a US$ 1,1 trilhão. 
O documento também sustenta em suas conclusões que, durante os últimos cinco anos, ocorreu um "persistente recrudescimento", especialmente de sua "dimensão extraterritorial". "Durante este período, a pertinaz perseguição e obstrução das transações financeiras internacionais de Cuba se transformou na prioridade da política de asfixia econômica mantida contra o povo cubano”, diz.
"A cada dia há um número maior de bancos no mundo que, por pressões norte-americanas diretas ou indiretas, se negam a realizar transações com Cuba", afirmou vice-ministro de Relações Exteriores, Abelardo Moreno, na apresentação do relatório. De acordo com o documento, em dezembro de 2012, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA multou o banco HSBC, com sede em Londres, por um montante de US$ 375 milhões, por realizar operações com Cuba.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

PCB LANÇA MAURO IASI PRÉ CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Via PCB

A Comissão Política Nacional do PCB, reunida nesta data, conforme decisão do Comitê Central, submete à apreciação da militância do Partido, de seus amigos e aliados, a proposta de lançamento da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi à Presidência da República, levando em conta as seguintes razões principais:

  • A necessidade de fazermos um contraponto à escancarada antecipação da campanha eleitoral de 2014, um teatro de mau gosto em que predominam falsas divergências entre políticos e partidos burgueses, negociatas, barganhas e toda sorte de cenas da mesma novela bianual da disputa por espaços na máquina estatal;
  • O desinteresse dos partidos com os quais compartilhamos a oposição de esquerda em construir uma frente permanente programática, para a unidade na luta para além das eleições e dos partidos com registro. Desde 2006, o PCB insiste nesta proposta, recusando-se a formar coligações efêmeras, engendradas às vésperas das eleições e apenas em função delas;
  • A necessidade de apresentarmos um programa político que denuncie a opressão e a violência do capitalismo e contribua com a construção do Poder Popular, dialogando com todos e todas cujas vozes se levantam nas ruas, respeitando suas formas de luta e sua recusa em participar do jogo institucional burguês;
  • O fato de a pré-candidatura de Mauro Iasi vir brotando da militância e de simpatizantes do PCB, inclusive angariando a simpatia de outros setores progressistas e de esquerda, desencantados com a postura eleitoreira de partidos e movimentos, parlamentares e candidatos de plantão.

Assim sendo, a CPN, ouvido o Comitê Central, resolve iniciar um processo de discussão no interior do Partido a respeito desta proposta, recomendando que os Congressos Regionais do PCB, que se realizarão no próximo mês de novembro em todo o país, nos marcos do XV Congresso Nacional do PCB, repercutam esta proposta, sem perder a centralidade dos debates no temário principal do Congresso.

O lançamento da pré-candidatura própria do PCB não é um expediente para barganhar com os partidos da oposição de esquerda, com os quais queremos construir uma frente de unidade na luta cotidiana, a partir das bases. Nos Estados em que essa unidade já se desenvolve, devemos estimular a possibilidade de alianças nas eleições regionais.

Nos dias 7 e 8 de dezembro próximo, mais uma vez o Comitê Central estará reunido e dedicará um espaço em sua agenda, voltada para o XV Congresso e outros temas, para conhecer a repercussão da proposta nas bases e, se for o caso, dar outros passos no sentido da pré-candidatura do camarada Mauro Iasi.

Comissão Política Nacional do PCB

Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2013

SP e Rio: quem aposta na violência

Sanguessugado do Outras Palavras

Antonio Martins

Assassinatos de garotos e ataques midiáticos a manifestações confirmam: há interessados em generalizar repressão. Black-bloc é complexo, mas pode estar sendo usado

 

Obra de Banksy com a colaboração dos grafiteiros brasileiros Gêmeos, em sua passagem por New York

Obra de Banksy com a colaboração dos grafiteiros brasileiros Os Gêmeos, em sua passagem por New York

Antonio Martins | Imagem: Banksy e Gêmeos

I.

Uma espiral de fatos graves e estranhos está se sucedendo em São Paulo desde sexta-feira (25/10), quando mascarados agrediram, num ato de violência gratuita, um coronel da Polícia Militar. Comandantes da PM emitiram declarações como se fossem o governo do Estado. Quase duzentas pessoas foram presas de maneira arbitrária e, ao que tudo indica, a esmo. Um jovem de 17 anos foi assassinado domingo pela polícia em ação torpe, provavelmente com intuito de provocar reações de revolta. Ontem (28/10), caminhões e ônibus apareceram em chamas na rodovia Fernão Dias, em horário propício a exposição nos noticiários de maior audiência – sem que apareçam indícios de quem os incendiou.

Episódios anteriores sugerem: pode estar em gestação uma crise fabricada, em que a população, insegura e temerosa, clama pela ação das “forças da ordem” – seja quais forem a truculência e os desdobramentos. Por isso, é importante soar o sinal de alarme e convidar a um exame mais amplo do cenário. Talvez ele revele que certas formas de radicalização artificial têm efeito contrário ao que imagina quem nelas se envolve. Na aparência, elas desafiam o Estado; na realidade, libertam seus mecanismos mais brutais de controle social, repressão e destruição da democracia.

Vale a pena recompor a sequência dos fatos, para tentar interpretá-los e identificar seu sentido comum.

1. Talvez a agressão black bloc ao coronel Reynaldo Rossi, no terminal de ônibus D. Pedro II, sexta-feira, tenha sido mais que um ato grotesco e covarde. Na mídia, as imagens do espancamento estão sendo repetidas à exaustão. Mas qual o contexto em que se produziram? Presente à cena, o repórter Piero Locatelli, de Carta Capital, fez um relato perturbador (1 2), do qual se destacam os seguintes trechos-chaves: “A Polícia havia acompanhado a manifestação com um efetivo de 800 policiais [...] No terminal, mais cedo, manifestantes utilizando a tática black bloc haviam queimado um ônibus e destruído catracas. [...] A polícia pouco agiu para conter a depredação – uma fila de policiais assistia ao que acontecia no local”.

Foram quebrados bilheterias, banheiros, quiosques, orelhões, extintores e 15 caixas eletrônicos. Só mais tarde a repressão e as prisões começaram: na Praça da Sé, a quase um quilômetro dali, tendo por alvo não os “vândalos”, mas manifestantes pacíficos.

Locatelli prossegue: “Os 800 policias que acompanhavam o ato [no Terminal D. Pedro II] esperaram o fim dele para agir com contundência. Instantes depois de um jogral na praça da Sé, os militantes cantavam em clima de festa ‘violência é a tarifa, fascista é a policia’. Foi quando ocorreu uma chuva de gás lacrimogêneo, vinda de todos os lados da praça. Milhares de pessoas tentavam correr dela, sob disparos de balas de borracha, muitas delas sozinhas. A depredação na região se intensificou, e o medo era a regra pelas estreitas ruas do centro. A partir dali, ocorreu uma série de ‘detenções para averiguação’”.

2. Quem fala em nome do Estado, num regime democrático: as autoridades eleitas? Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin calou-se no sábado (27/10), um dia depois da agressão ao coronel Rossi. Mas o chefe do Centro de Comunicação Social da Polícia Militar, major Mauro Lopes, convocou entrevista coletiva em que assumiu ares de chefe de governo. “O Estado vai dar uma resposta muito forte a este bando de criminosos”, disse. O jornalista Luís Nassif captou a mensagem percebeu o risco: “Essa história da PM anunciar que vai até as últimas consequências – respaldada por uma condenação generalizada contra os vândalos – provoca calafrios maiores do que assistir a um quebra-quebra de black blocs. Na última vez que a PM se comportou assim, em maio de 2006, foram assassinadas mais de 500 pessoas”. Agora, a polícia começou a barbarizar menos de 24 horas após a fala do major Mauro Lopes.

3. As circunstâncias em que se deu o assassinato do garoto Douglas Rodrigues, na tarde de domingo, em Jaçanã (zona norte) são espantosas – mesmo para quem está acostumado com a banalidade do mal, nas periferias brasileiras. A impressão nítida é de incitação à revolta. A polícia foi chamada para uma ocorrência vulgar: uma caixa de som em volume alto demais (“perturbação do sossego”). Mas o PM Luciano Pinheiro Bispo “desceu do carro e pá”, no peito de Douglas, segundo testemunhas (1 2), que negam com veemência a hipótese de disparo acidental. O garoto – estudante, trabalhador e querido dos moradores – chegou a indagar ao algoz, segundo a mãe: “Senhor, por que o senhor atirou em mim”?

4. A previsível reação começou de imediato. Os moradores queimaram três carros e enfrentaram a pedradas a tropa de choque, enviada pra reprimi-los. Houve saques de lojas. Algo menos claro – porém, muito mais visível – deu-se ontem, na região. Cerca de 500 pessoas participaram, em protesto, do velório de Douglas, próximo ao local onde morreu. A manifestação pelo garoto quase não foi noticiada pela mídia. Nos jornais da noite, as telas de milhões de telespectadores, em todo o país, foram ocupadas por outras imagens. Na rodovia Fernão Dias (SP-Belo Horizonte), a centenas de metros de distância da multidão, três grandes caminhões e seis ônibus arderam. As fotos de quem os incendiou são escassas; e a polícia não parece ter sido capaz de identificá-los (embora tenha prendido mais 90 pessoas…). Mas hoje, os três jornais mais vendidos do país apontam, em manchete (1 2 3), os “responsáveis”. Em todos eles, as palavras “manifestantes” e “protesto” estão repetidamente associadas a “quebra-quebra”, “violência” e “saques”…

II.

O comportamento da PM nos últimos dias, em São Paulo, não é exceção. Uma vasta reportagem da jornalista Tânia Caliari revela que, desde as manifestações de junho, as polícias militares têm mantido um comportamento apenas aparentemente ambíguo. Elas alternam dois tipos de desvios complementares. Em certos momentos (como em 13/6, em São Paulo), agem com selvageria cega. Em outros (como em 7/10, no Rio), desaparecem ou assistem, impassíveis, a cenas de enorme gravidade – como a tentativa de atear fogo à Câmara Municipal.

As duas atitudes policiais retroalimentam-se uma à outra, em espiral. A brutalidade da tropa exalta os ânimos dos manifestantes e leva pequenos grupos a reagir de modo violento. As depredações promovidas por estes, nos momentos em que a polícia se omite, amedrontam a população e sugerem que a saída, diante dos protestos, é mais repressão.

Este esforço para instigar apoio à violência do Estado é reforçado pela mídia. Os jornais e TVs já não pedem abertamente repressão aos protestos, como ensaiaram sem sucesso em junho. Agora, agem por sugestão e omissão. Cenas como a do espancamento do coronel Reynaldo Rossi, ou da depredação de bens públicos, são repetidas exaustivamente na TV e decoram as capas dos jornais. Mas procure encontrar, após cada episódio, uma única matéria examinando criticamente o comportamento da polícia. As manifestações repetem-se há cinco meses; os abusos policiais de ambos os tipos, também. Os jornais e TVs fecham os olhos…

III.

O surgimento, no Brasil, dos black-blocs, que praticam atos destrutivos nas manifestações de rua, não pode ser analisado apenas à luz da ciência política clássica. Militantes de quase todos os partidos de esquerda (do PT ao PSTU), além de inúmeros ativistas autônomos, produziram, nos últimos meses, dezenas de textos críticos ao bloco negro. Lembram, com base em fartos exemplos históricos, que a ação violenta de pequenos grupos, sem apoio popular maciço, foi sempre manipulada pelas classes dominantes para legitimar a repressão. Muitos dos autores ressaltam que não propõem atitude pacifista incondicional. Defendem as rupturas, quando as maiorias, convictas de que é preciso estabelecer novas relações sociais, são impedidas de fazê-lo por leis e instituições retrógradas. Mas se opõem a atos narcísicos, cujos praticantes tentam assumir condição de libertadores da multidão.

Se todos estes argumentos têm sido insuficientes para aquietar os black-blocs; se o apoio a eles, embora ínfimo entre a sociedade, mantém-se expressivo entre os que se reconhecem como parte das “Jornadas de Junho”, é preciso sondar as razões. Duas hipóteses, em especial, parecem promissoras.

A primeira é o descolamento nítido entre duas gerações da ativistas anti-capitalistas. Uma militou ou milita no amplo arco de organizações políticas de esquerda, amplamente predominantes até a queda do “socialismo real”. Outra começou a se formar na virada do século, sob influência dos protestos de Seattle (1999), dos Fóruns Sociais Mundiais (2001-2009, no Brasil) ou dos ecos do levante zapatista (1994). Entre ambas, há um intervalo de dez anos. Mas, muito mais importantes, um abismo teórico e de inserção política e social.

A geração histórica teve influência reduzida nas Jornadas de Junho. PT e PCdoB tornaram-se partidos de atuação principalmente institucional. Os sindicatos tiveram sua força devastada pela reorganização produtiva do capital pós-moderno. PSTU e PSOL, por ora, parecem tão incapazes de dialogar com a nova geração quanto a esquerda radical europeia. Os movimentos sociais clássicos, muito atuantes na primeira década do século (do MST às grandes redes, como a que lutou contra a ALCA), ainda não conseguiram situar-se na segunda.

A nova geração anticapitalista é extremamente ativa. Mas com raras exceções (como o Movimento Passe Livre – MPL) não fazem parte de sua cultura e preocupações conceitos como correlação de forças; estratégias e táticas; momentos de avanços ou recuo. Mais: ela sente o esvaziamento da democracia e a impermeabilidade das instituições. Não viveu o suficiente para enxergar as mudanças tímidas, mas inéditas, vividas pelo país na última década. Para quem tem 25 anos, por exemplo, o Bolsa-Família e a redução da miséria não são uma conquista – mas um dado da paisagem política, que precisa ser transformada. Por isso, a nova geração tende a ver a geração histórica como mais um grupo acomodado e participante do condomínio das elites no poder.

Esta hipótese – a do choque de gerações anticapitalistas – articula-se com outra. A ação truculenta da polícia é indispensável para explicar a relevância do black-bloc brasileiro. Ele está muito longe de ser majoritário, entre as novas gerações. Reúne, no máximo, algumas centenas de ativistas, em cada uma das maiores capitais. As críticas que recebem são constantes, nas redes sociais: por legitimarem a violência; por se julgarem heróis e superiores; por não dialogarem. Mas cada novo ato de violência policial parece ressuscitar sua legitimidade.

Há aqui algo que deveria alegrar a velha geração: consciência de classe. A agressão ao coronel Reynaldo Rossi devastou a popularidade do black-bloc por alguns dias, nas redes sociais. Era comum ver mensagens de ira contra eles, mesmo nos comentários das comunidades dos Facebook que os apoiam. Mas isso se desfez após o assassinato do garoto Douglas. Nos últimos meses, em meio ao debate, um poema do marxista Bertolt Brecht foi citado inúmeras vezes, por quem se julga anarquista: “Diz-se violento o rio, que tudo arrasta; mas não as margens, que o oprimem…”.

IV.

Não há problema algum em que as culturas políticas anticapitalistas sejam muito distintas entre si: a longo prazo, esta diversidade pode ser uma riqueza. Mas, numa época de crises e instabilidades um pré-requisito para a sobrevivência e o futuro é saber identificar ameaças comuns. Estamos todos, neste momento preciso, sob uma delas.

Armou-se uma cilada. As grandes mobilizações de junho refluíram e não parece possível retomá-las, ao menos no momento. O ataque aos símbolos do capitalismo, promovido pelos black-blocs, não é eficaz contra o sistema, ao menos por enquanto. Não há razões para duvidar das pesquisas de opinião, segundo as quais 95% da população opõem-se a estes atos. Recua rapidamente, além disso, o apoio ao próprio sentido das manifestações. Em junho, em São Paulo, 89% eram a favor delas; em poucos meses, este índice caiu para 66%.

A polícia e a mídia perceberam a oportunidade. Na madrugada desta terça-feira (29/10), mais um garoto foi morto por PMs em São Paulo, em circunstâncias muito semelhantes às de Douglas. Pouco mais tarde, mais uma manifestação de protesto ocorreu. Nas próximas horas, os meios de comunicação que (ainda) dominam, voltarão a associar “manifestantes” e “protesto” a “vandalismo”, “saques” e “quebra-quebras”.

Está se consumando, rapidamente, o cenário desastroso previsto por Luís Nassif. Ele pode dar-se tanto como tragédia (na forma de um novo morticínio “corretivo” contra a periferia, semelhante ao de 2006) quanto como drama arrastado (um longo sangramento dos movimentos sociais de todos os tipos, até que percam legitimidade junto à maioria e tornem-se impotentes para influir em 2014, que será decisivo para o futuro do país).

Ser incapaz de mudar de tática revelaria inteligência reduzida – como a das moscas que se batem contra o vidro, recuando a cada choque mas insistindo no mesmo trajeto, condenado de antemão. É preciso buscar outros caminhos, e esta responsabilidade cabe a todos, solidariamente.

Para que todos sejamos capazes de escapar à cilada, ninguém pode ser humilhado. Haverá muito tempo para os debates político-ideológicos entre as várias culturas anticapitalistas e suas nuances – mas insistir neles agora seria desastroso para todos.

A violência simbólica nas manifestações precisa refluir, rapidamente. Como os black-blocs não estão inseridos nos debates que outros coletivos travam costumeiramente entre si, será decisiva para isso a ação de grupos que souberam manter diálogo com eles – em especial o Movimento Passe Livre (MPL), um caso notável, por ligar-se simultaneamente às duas culturas políticas de esquerda. Mas este silêncio da tática do bloco negro não pode (inclusive para que funcione) significar que foram derrotados. Ao contrário, deve abrir espaço para incorporá-los ao debate.

São Paulo e Rio estão em sintonia, desde junho: as mesmas lutas, repressão, esperanças e angústias. A grande manifestação preparada pelos cariocas para a próxima quinta-feira (31/10), contra a violência policial e prisões arbitrárias das últimas semanas pode ser um ponto de virada. Uma resposta semelhante às de 17/6, quando milhares demonstraram que as ruas, geridas autonomamente, podem ser um espaço “sem polícia e sem violência”.

A PM e o controle da sociedade — Patricia Acioli e Patricia Amiero

Via Jornal do Brasil

Mauro Santayana

São esses dois nomes que nos vêm primeiro à lembrança, no momento em que tramita na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro lei que pretende modificar o código disciplinar da Polícia Militar e dos Bombeiros, para tornar mais branda a punição a membros dessas corporações que cometam crimes e infrações disciplinares. As duas Patricias são nomes emblemáticos, porque, ao contrário do que pensa quem acha que a PM só mata bandido, pertencem a uma extensa lista de cidadãos comuns, trabalhadores, formados em universidade, de classe média, que se tornaram vítimas da violência policial, no Rio de Janeiro, nos últimos anos.

Ressalte-se sua condição social, não porque façamos alguma distinção entre as vítimas as do asfalto e as da periferia. Patrícia Acioli, juíza, morreu porque investigava crimes de policiais bandidos. Patricia Amiero, engenheira, porque cruzou com uma radiopatrulha de madrugada nas ruas do Rio de Janeiro. Uma situação que ninguém enfrenta sem medo, mesmo quando acha que a polícia tem o direito de matar sumariamente suspeitos.

Com os controles e a legislação atual, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão vinculado à Secretaria de Segurança do Estado do Rio, mais de 10 mil pessoas foram mortas em confronto com a polícia entre 2001 e 2011. Na imensa maioria dos casos não há como provar que houve resistência, e em mais de 500 deles, investigados em determinado período, só um chegou aos tribunais.

Mais de 10 mil pessoas foram mortas em confronto com a polícia entre 2001 e 2011

Essa situação, que dá à PM do Rio de Janeiro o duvidoso título de polícia que mais mata no mundo — e fez a OAB lançar a campanha Desaparecidos da Democracia — Pessoas Reais, Vítimas Invisíveis” — não resolveu absolutamente nada do ponto de vista da segurança do cidadão. No mesmo período, os crimes aumentaram brutalmente, e também a sensação de insegurança.

Se, com o mínimo de controle existente — feito com corregedoria interna — e com investigações não divulgadas pela imprensa, maus policiais se envolvem em estupros,  tortura, associação com o tráfico, extorsão, roubo, etc, o que eles não farão se, como propõe a nova lei:

- For atenuada a “hierarquia disciplinar”, com a “flexibilização” das punições do dia a dia, como atrasos.

— For eliminada a regra que suspende o pagamento de salários a PMs aposentados e reformados que pratiquem crimes.

— Se garantir o direito de opinião aos militares nas redes sociais — permitindo o questionamento da autoridade pública, a apologia à quebra de disciplina, etc. 

A intenção, segundo os autores, é “evitar que a tropa fique desmotivada para agir”, também nas manifestações públicas, e dar mais liberdade para a realização de suas funções.     

Ora, o soldado que mata um juiz, um promotor, uma engenheira a caminho de casa e oculta seu cadáver, também mata, covardemente, um sargento, um tenente, um capitão, um coronel da PM de quem estiver sob o comando ou que esteja tentando mantê-lo sob controle. O desrespeito à lei não é condicional nem seletivo.  Quando um policial atravessa a linha que o separa da obediência — que deve, como agente do estado — a seus superiores, à hierarquia, à sociedade, não existem limites ao que ele pode fazer quando mergulha no crime e na marginalidade.

Como, já em princípio, é letal, e armada, aquilo de que a polícia necessita é de mais controle da sociedade, e não o contrário.

O Rio e os outros estados carecem é de uma Polícia Militar cada vez mais profissional e bem preparada, formada, com foco na cidadania, nas melhores universidades, que aja como braço do Judiciário e sob o império da lei. Uma polícia em que o soldado obedeça a seus superiores, à Constituição e ao poder civil, que é conferido a quem de direito pelo voto sagrado da maioria dos cidadãos. 

Uma polícia que trabalhe mais com a inteligência, e menos com o cassetete.

Que use o Taser elétrico para imobilizar o suspeito, e não como instrumento de tortura.

Que aja com mais intuição e malícia — no bom sentido — do que com um saco plástico e uma gominha no bolso para asfixiar prisioneiros desarmados.

Que trabalhe mais com câmeras ocultas, infiltração e disfarce do que com drogas e armas apreendidas, com numeração raspada, para justificar a prisão arbitrária ou o auto de resistência seguido de morte.

Uma polícia inteligente, de bom nível, como é a maioria da PM-RJ, hoje, e não como alguns de seus membros e ex-membros envolvidos com a milícia bandida que ocupa e extorque tantas comunidades e regiões do Rio de Janeiro.

O desrespeito à lei não é condicional nem seletivo

Sob regime especial de proteção de testemunhas — depondo, se possível, com máscaras e aos cuidados da Polícia Federal — seria importante que os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro ouvissem, além dos parentes e amigos das vítimas citadas no início do texto, as policiais que testemunharam, indiretamente, a tortura e morte de Amarildo de Souza, no contêiner da UPP da Rocinha no dia 14 de julho — antes de votar esse projeto.

Elas pertencem à corporação. E estão tão apavoradas quanto qualquer cidadão que tivesse presenciado um crime de tortura seguida de homicídio e fosse, em seguida, pressionado e ameaçado para esconder o que viu.

Cabe perguntar a elas — dignas policiais militares do Rio de Janeiro — se concordariam que os criminosos envolvidos continuassem a receber seus salários, ou em dar mais poder e liberdade de ação a esse tipo de “colegas” para fazer seu “trabalho”.

A Militarização do Discurso

Via Correio da Cidadania

RAPHAEL SANZ

A cada dia que passa, fica mais visível o pobre viés editorial da dita grande imprensa. É impressionante a falta de capacidade ou de boa fé dos jornais e portais de alto alcance e investimento em cobrir um momento histórico, político, cultural e social tão ímpar, inédito e rico de fatos, debates, idéias, disputas e reflexões. Eu me pergunto: que tipo de força apaga qualquer resquício de senso crítico em tais editorias, a ponto de todos os acontecimentos e debates serem tratados de uma forma maniqueísta, reduzindo uma questão infinitamente complexa a um roteiro enlatado hollywoodiano?

O quê se vê é a redução de um levante popular a uma batalha épica entre o “bem e o mal”, quando na verdade não há “bem e mal”, mas forças políticas com diferentes representações na sociedade, que cometem erros e acertos. A abordagem raramente permite esse tipo de reflexão, ao contrário, dá uma formula mágica (entenda-se bélica, jurídica e aterrorizante) para interpretar os fatos noticiados. E esse é o caminho mais curto para a manipulação do imaginário e da opinião pública.

Isso pôde ser visto, por exemplo, no caso da agressão ao coronel Reynaldo Rossi, ocorrida na última sexta-feira, no terminal Parque Dom Pedro, durante manifestação pela tarifa zero. Na ocasião, diversos manifestantes black blocks cercaram o militar e o golpearam, causando graves ferimentos no oficial e uma comoção generalizada da imprensa. Ao deparar com uma matéria publicada no portal Terra, me senti como se estivesse lendo um perfil de uma provável reencarnação de Jesus Cristo, a história de um velho hippie que sobrevive desde os anos 60 graças a uma floricultura montada no quintal de casa ou algo do tipo. A forma como foi descrito o coronel direcionava claramente a interpretação do texto para esse lado. Sejamos um pouco menos ingênuos, por favor.

É bem verdade que houve um uso desproporcional da força por parte dos manifestantes e, como defensores dos direitos humanos que somos, nós comunicadores não deveríamos nunca nos posicionar a favor de uma agressão brutal como essa. Mas um fato desta complexidade merece uma abordagem um pouco mais aprofundada. E refrescando a memória dos coleguinhas, vale lembrar que o coronel Rossi foi o comandante da operação “anti-manifestação”, lá atrás, na noite de 13 de junho, quando dezenas de jornalistas foram atacados pela Tropa de Choque, sob as ordens deste senhor. Naquela noite, o fotógrafo Sérgio Silva foi ferido nos olhos por uma bala de borracha atirada por um dos homens de Rossi e acabou cego. Uma fotógrafa da Folha também foi atingida nos olhos. Jornalistas eram revistados, presos para averiguação e até atacados fisicamente se portassem qualquer equipamento de proteção, como capacetes, máscaras de gás e vinagre. E mesmo assim os coleguinhas não se posicionam de uma maneira mais incisiva a respeito dos fatos. Mas tudo bem, seria pedir muito. Afinal, “tenho que garantir o meu, né? O mercado está muito ruim para todo mundo”.

Tudo bem, exigi demais. Mas então por que não podem simplesmente oferecer uma análise só um pouquinho mais crítica e menos maniqueísta? Ou dar a mesma atenção para tantos casos de abusos cometidos pela polícia militar contra jornalistas, advogados e manifestantes, pra não falar da imensurável barbárie nas periferias, longe dos holofotes? Ou sobre as revistas desumanas, como num caso fotografado recentemente no Rio, em que há uma garota cercada por policiais e sendo revistadas por um deles, homem. Detalhe: ela aparece arreando a calça e a calcinha, enquanto o agente do Estado usa uma lanterna para averiguar suas partes íntimas. Por acaso isso não é digno de ser noticiado pelo grande partido político que se tornou a imprensa corporativa brasileira? Até quando nossos comunicadores continuarão fazendo eco para as idéias mais baixas e obscuras presentes na nossa sociedade? Fazendo o bom e velho coro fascista, aquele que visa pautar os comportamentos e táticas de uma luta social da qual não faz parte, por falta de interesse e de sensibilidade?

Não estou dizendo para aplaudirem toda e qualquer coisa que venha das ruas. O apelo é para que nosso trabalho simplesmente não seja esvaziado por políticas editoriais maniqueístas e panfletárias e que, sendo a favor ou contra determinada pauta ou fato ocorrido, nosso dever é analisar com um mínimo de crítica. Deixemos os coros histéricos para os medíocres, a não ser que nossa escolha seja a de seguir o mesmo caminho de sensacionalismo e mediocridade.

Falei.

Raphael Sanz é jornalista.

Ley dos Medios é aprovada pela Suprema Corte argentina

Sanguessugado do O Cafezinho

Miguel do Rosário

A “derrota” do kirchnerismo não durou 48 horas.

A festa do Clarín durou pouco.

A Corte Suprema de Justiça, após anos de espera, decidiu, nesta terça-feira, pela constitucionalidade da Ley dos Medios, que combate o monopólio dos meios de comunicação, e que afeta sobretudo o grupo Clarín.

A Justiça deu dois anos para que a lei seja aplicada em sua plenitude. De qualquer forma, a decisão configura uma das mais importantes vitórias políticas de Cristina Kirchner, que se empenhou pessoalmente para aprová-la.

Segue a nota publicada há pouco pela Reuters:

BUENOS AIRES – A Suprema Corte da Argentina declarou nesta terça-feira, 29, a constitucionalidade de quatro artigos da Lei de Mídia que eram contestados pelo Grupo Clarín, principal atingido pela medida. Com a decisão da Justiça, o governo da presidente Cristina Kirchner terá sinal verde para prosseguir com a aplicação integral da nova legislação.

As regras da Lei de Mídia obrigarão 21 grupos a vender parte de seus ativos sob o pretexto de “evitar a concentração da mídia”. O mais atingido será o Clarín, a maior holding multimídia da Argentina, que terá de ceder, transferir ou vender de 150 a 200 licenças, além dos edifícios e equipamentos onde estão suas emissoras.

Esses bens e licenças deverão passar a sociedades diferentes às quais pertencem atualmente. Segundo Martín Sabbatella, presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação Audiovisual (Afsca), os donos das empresas poderão dividir os grupos de mídia entre parentes e ex-sócios. Mas cada caso seria analisado durante vários meses pela Afsca, entidade encarregada de aplicar a Lei de Mídia.

O governo afirma, com ironia, que os donos do Grupo Clarín poderão repassar as empresas da holding aos filhos. Mas os analistas afirmam que dificilmente o governo autorizaria a passagem das empresas do grupo para os parentes. / REUTERS

Leia a notícia publicada pelo próprio Clarin.

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Cultura Inútil: O Conde d’Eu e a cabeça de porco

Via Boitempo

 

13.10.29_Mouzar Benedito_Cultura Inútil

 Mouzar Benedito.

O Conde d’Eu, casado com a Princesa Isabel, era tido como pessoa nada agradável, tratava muito mal as pessoas, nenhum “subordinado” gostava dele. E sovina. Ele era dono de um dos maiores cortiços do Rio de Janeiro, e no portal da entrada desse cortiço havia uma cabeça de porco de ferro. Morar no “cabeça de porco”, inicialmente, era morar naquele cortiço. Depois a expressão virou sinônimo de cortiço de maneira geral, usado até hoje no Rio.

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Em 5 de março de 1961, jogando pelo Santos, Pelé marcou contra o Fluminense o gol que seria considerado o mais bonito da história do Maracanã, depois de driblar quase que o time adversário inteiro. O evento mereceu uma placa comemorativa e passou a ser chamado de “Gol de Placa”.

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O sistema métrico decimal começou a ser usado na França, em 1862. No Brasil, ele foi adotado em 26 de junho de 1862. Antes disso (e até hoje em alguns lugares), usava-se medidas como o palmo, jarda, légua, alqueire… Alguns países insistem em usar jardas, polegadas, pés, milhas, e pesos como onça e libra, volumes como o galão, a medição da temperatura pela escala Fahrenheit (em que 32 graus equivale a zero grau centígrado, do sistema decimal, e 212º F equivalem a 100º C). Como foi escolhido o tamanho do metro? Ele foi definido como 1/10.000.000 da distância entre o equador e o polo.

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Mark Twain dizia que a couve-flor é um repolho que foi para a universidade.

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O genocídio que os colonizadores espanhóis promoveram na América (não só eles: aqui tivemos os portugueses, no norte os ingleses…) tem um exemplo impressionante: o das Bahamas. O arquipélago com 700 ilhas ao norte de Cuba, com uma área de 1.864 km2, foi visitado por Colombo na sua primeira viagem, em 1492, e logo começaram a levar seus moradores para trabalhar como escravos nas minas do Haiti. Deixaram quase zerada a população dessas ilhas: até 1508 tiraram 40 mil delas.

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O Amapá, disputado pelo Brasil e pela França, tornou-se definitivamente brasileiro em 1900, fruto da argumentação do Barão do Rio Branco na arbitragem feita pela Suíça.

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Macunaima (pronuncia-se macunáima, e não macunaíma, como teve o nome adaptado no romance de Mário de Andrade) é, para os povos indígenas de Roraima (também pronuncia-se Roráima, e não Rorãima, como pensa muita gente), o criador do mundo. Nas lendas indígenas, era brincalhão e gozador, mas não perdoava os inimigos: transformava-os em pedras.

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Os camponeses franceses não tinham sapatos, usavam tamancos. Durante um período, para se vingar dos grandes proprietários de terra que os exploravam, pisavam nas plantas recém-nascidas nas propriedades deles. Tamanco em francês é sabot, e isso era chamado de sabotage, que virou sabotagem em português, e também resultou no verbo sabotar. Nas lutas operárias do século XIX, qualquer danificação intencional de alguma coisa, com propósitos políticos ou sindicais, passou a se chamar sabotagem.

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Nos livros de História, estudamos que a primeira capital brasileira foi Salvador, depois a capital mudou para o Rio de Janeiro e finalmente para Brasília. Em relação aos estados, ficamos sabendo que Olinda foi a primeira capital pernambucana, antes de Recife, e que Ouro Preto precedeu Belo Horizonte, em Minas Gerais. Mas antes de Ouro Preto, Mariana foi capital mineira. E em outros estados? Muita gente nem imagina que Oeiras foi capital piauiense antes de Teresina, Barcelos foi a primeira capital do Amazonas, a cidade de Goiás foi capital antes de Goiânia, Niterói foi capital do estado do Rio de Janeiro (com a unificação dos estados do Rio e da Guanabara, a capital foi para a cidade do Rio de Janeiro), antes de Aracaju, São Cristóvão era capital de Sergipe e em Mato Grosso a capital, antes de Cuiabá, era Vila Bela da Santíssima Trindade.

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Levi Hutchins tinha 26 anos em 1787 e já era fabricante de relógios numa cidade da Pensilvânia (EUA). Ele se levantava religiosamente às 4h da manhã, mas às vezes dormia um pouco mais e passava o dia injuriado por isso. Mas como acordar na hora que queria? Inventou o despertador.

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Daniela Mercury, famosa cantora baiana, assumiu um amor homossexual no ano 2013. Tem gente que pensa que lesbianismo é coisa relativamente recente. Não é. Basta lembrar de Safo, poetisa grega que viveu por volta do ano 600 a.C. Algumas famosas que eram lésbicas: as escritoras Virgínia Woolf, inglesa (1882-1941), Madame de Stäel, francesa (1766-1817) e Gertrude Stein, estadunidense (1874-1946). E também a Rainha Cristina, da Suécia (1626-1689).

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“Mãos ao alto!” é uma expressão muito comum em filmes de bangue-bangue, mas a atitude de levantar as mãos como sinal de rendição, exibindo-as sem armas, é muito antiga. Há inscrições de séculos antes de Cristo mostrando vencidos de mãos levantadas, como gesto de submissão.

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Depois da derrota do exército de Napoleão Bonaparte, na Rússia – em que o inverno foi fator determinante e a fome também (no clima gelado, em que a população russa se refugiou longe, levando os alimentos) –, pensando em evitar que seu exército fosse novamente derrotado por falta de comida, Napoleão resolveu premiar quem inventasse um meio de conservar alimentos por longo tempo, e surgiram os alimentos enlatados. Isso foi uma revolução enorme. Depois, sem possibilidade de receber açúcar das Américas, durante a guerra com os ingleses que dominavam os mares, o prêmio era para quem descobrisse uma técnica de produção de açúcar sem que fosse da cana, planta que só dá em clima tropical, e surgiu o açúcar de beterraba. Um sucessor dele, Napoleão III, repetiu um feito assim: em 1869, às vésperas da guerra Franco-Prussiana, havia escassez de manteiga e ele decidiu premiar quem produzisse algo capaz de substituir a manteiga e pudesse ser conservado em navios. Um tal de Hyppolite Mewge-Mouries, então, inventou a margarina. A margarina primeiro se tornou popular na Europa e, com a escassez de manteiga nos Estados Unidos durante a Primeira Guerra, ganhou mercado lá também.

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O ditado “De boas intenções, o inferno está cheio” é um pouco mais amplo em espanhol: “De buenas intenciones está el infierno lleno, y de malas, infierno y medio”.

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Depois da Independência do Brasil, os brasileiros, na grande maioria, continuaram na mesma situação de penúria, a economia e o poder local em vários lugares continuava com os portugueses. Quando Dom Pedro I voltou para Portugal, surgiram movimentos de lusitanos querendo-o de volta. Em Cuiabá, eles eram chamados de “restauradores”. Sentiam-se ainda os mandões. Em 31 de maio de 1834 estourou na cidade uma revolta chamada “Rusgas de Cuiabá”, uma verdadeira explosão popular contra tudo que fosse português. Houve invasões de moradias e de casas comerciais, chacinas, queima de cadáveres, incêndios e violação de mulheres. Mais de cem pessoas foram mortas, na revolta que durou até 5 de junho.

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A primeira troupe negra dos Estados Unidos a se apresentar em Paris foi a La Revue Nègre, em 1925. Apesar de ter grandes nomes no grupo, quem se destacou foi Josephine Baker, que tinha 18 anos de idade. Filha de uma lavadeira, ela lançava murmúrios nos entremeios das músicas que cantava com voz de soprano. E dançava maravilhosamente. Os franceses se apaixonaram por ela.

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No Egito antigo, a cebola não era um “tempero”, mas sim o alimento básico dos escravos.

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A altura da pirâmide de Quéops é de 148,2 metros. A distância entre a Terra e o Sol é de 148,2 milhões de quilômetros. Coincidência?

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Provérbios persas: “Na hora de dormir, um leito de algodão vale mais do que um de pérolas”; “A morte só vem na hora certa para o nosso vizinho” e “Não se deve exigir perfeição da natureza humana, pois jamais as rosas florescem em pântanos”.

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Uma bailarina italiana, linda e sensual, provocou furor no Rio de Janeiro, em 1851. O nome dela era Marietta Baderna, e seus fãs exaltados passaram a ser chamados inicialmente de badernas, e depois de baderneiros. Foi assim que baderna virou sinônimo de bagunça, confusão. Viva a Marietta! Viva a baderna!

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Leia também, Cultura inútil I, II, III, IV, V e VI na coluna de Mouzar Benedito no Blog da Boitempo. Ou clique aqui, para ver todos de uma só vez!

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo,Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

Darcy Ribeiro: brasileiro e desenvolvimentista

Via CartaMaior

Darcy Ribeiro fez parte de uma geração de brasileir@s que deixaram como marca uma engajada militância em torno de um projeto diferente de país.

Paulo Kliass

Arquivo

Se ainda estivesse vivo em 26 de outubro passado, Darcy Ribeiro teria completado 91 anos de idade. Lamentavelmente, porém, ele nos deixou em fevereiro de 1997, ainda com 74 anos. Uma grande perda, de alguém que deixou um expressivo legado para as futuras gerações, contribuições elaboradas ao longo de um vida de muita luta e de muita criação. Entre livros acadêmicos, romances e os resultados de sua ação na esfera política e governamental, o mestre plantou sementes essenciais para a conformação da brasilidade.

Considerado como um dos mais importantes antropólogos brasileiros – sua vocação inicial, embora ele atuasse em áreas variadas -, Darcy fez parte de uma geração de brasileir@s que deixaram como marca de sua passagem por esse mundo uma engajada militância em torno de um projeto diferente de País. As décadas de 1950 e 60 foram um período em que se abriu uma tênue possibilidade de mudança do padrão histórico de se fazer política no Brasil.

O período coincidiu com a afirmação do terceiro mundo e a descolonização da África e da Ásia, no impulso desenvolvimentista do pós Segunda Guerra. O amadurecimento intelectual e ideológico a respeito de uma via brasileira, rumo a uma sociedade mais justa e menos desigual combinou-se a um aprofundamento da luta política e social. Em especial, o segundo governo Vargas e o mandato de João Goulart abriram a possibilidade de que algumas dessas propostas viessem a ser implementadas por meio de políticas públicas no plano federal. Pode-se dizer, sem exagero que ao período de substituição de importações na esfera industrial correspondeu uma espécie de “substituição de pensamento” na esfera das ciências sociais em boa parte da periferia do mundo.

Desde as idéias de Celso Furtado na economia, passando pelas experiências inovadoras na área da cultura (com o Centro Popular de Cultura, o Teatro de Arena, o Cinema Novo) esbarrando no encaminhamento da Reforma Agrária, tangenciando as importantes evoluções no setor da saúde, até as mudanças na área educacional. Como pano de fundo para todo esse processo de transformação, um embate duro em torno do desenho de um projeto nacional e desenvolvimentista. E isso implicava o abandono da forma antiga com que as elites sempre haviam tratado o Estado brasileiro, impedindo que ele se colocasse a favor de uma direção que levasse em conta os interesses e as necessidades da maioria de seu povo.

Esse período de acelerada efervescência política e intelectual conheceu vários processos em que uma parcela expressiva da população buscava conhecer melhor a essência mesma daquilo que seria uma alma brasileira, a forma brasileira de ser e os caminhos da transformação mais profunda da sociedade brasileira. O reconhecimento da natureza dependente de nosso modelo econômico frente ao modelo imperialista e à divisão internacional do trabalho sugeria a necessidade de adoção de um caminho que incorporasse graus mais elevados de autonomia e soberania. A identificação da profundidade dos desníveis sociais e econômicos verificados entre os diferentes setores e classes apontava para a urgência de reformas de base, que removesse obstáculos à uma modernização democrática

O caminho da mudança era árduo e as tarefas exigiam muita força política para se viabilizarem. Darcy percebeu que não poderia se negar a travar as batalhas também no interior do Estado. Aceitou o convite do Presidente recém-eleito Jânio Quadros para criar um projeto educacional inovador, que se materializaria na Universidade de Brasília em 1961. Não apenas o poder se interiorizaria, mas o saber buscaria nova legitimidade, fora do sul-sudeste litorâneo.

Em razão de seu envolvimento com a matéria, acabou por ser nomeado o primeiro reitor da UnB. Na seqüência foi indicado para chefiar o Ministério da Educação em 1962, ainda no breve período do parlamentarismo, que se seguiu à renúncia de Jânio. E quando João Goulart vence o plebiscito restaurador do regime presidencialista, Darcy passa a ocupar o estratégico cargo de Ministro Chefe da Casa Civil. Foi um período de intensa luta política, em razão da tentativa de implementação das reformas de base. As forças da reação não aceitavam tal marca progressista do governo de Jango. Essa trajetória será interrompida em 1 de abril de 1964, com o golpe militar, a cassação e o exílio.

A interrupção violenta do projeto transformador, por meio da repressão e da ditadura, não arrefeceu o ânimo de Darcy nem da maioria dos integrantes dessa geração de nacionalistas e democratas. Havia a percepção nítida da necessidade de articular a resistência e de continuar a luta por outras vias. Assim, o antropólogo brasileiro – e a essa altura educador, político e agitador cultural -  foi prestar assessoria para governos de outros países latino-americanos, cujos governos estavam buscando um caminho que os militares haviam impedido de continuar por aqui. Darcy cooperou com as experiências, também nacionalistas e desenvolvimentistas, de Allende no Chile e de Velasco Alvarado no Peru. Não por acaso, ambos foram alijados do poder por golpes militares de orientação direitista e conservadora, com forte apoio dos Estados Unidos.

Com os primeiros sinais da tendência de redemocratização no País, Darcy retorna e continua seu percurso – a eterna busca de conciliar a produção intelectual com a materialização de projetos pela via da política. Nas eleições de 1982, é eleito vice-governador do Rio de Janeiro, na chapa com Leonel Brizola, com quem estreitou afinidades no exílio. Ao longo dessa experiência vai concretizar um pouco de seu sonho mudancista na educação. Data dessa época o modelo do CIEPs (Centro Integrado de Ensino e Pesquisa), no qual se pretendia oferecer escola pública de qualidade, com horário integral e potencial de se prestarem serviços também à comunidade.

Em 1990, Darcy completa sua última etapa no ciclo político, ao se eleger Senador pelo Rio de Janeiro, sempre pelo PDT. Exerceu seu mandato até o final da vida, tendo conseguido aprovar, entre muitos outros, um importante projeto. Foi de sua autoria como Relator a versão definitiva da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, promulgada em 20 de dezembro de 1996, 3 meses antes de sua morte.

Darcy é autor de algumas dezenas de livros. Mas muitos analistas consideram “O povo brasileiro”, publicado em 1995, como sua obra síntese. Ali ele busca as raízes da formação popular da nacionalidade e, na tradição do pensamento crítico, os vetores básicos para a construção de um projeto desenvolvimentista inclusivo e soberano. Algo que ele chamava, com graça e vigor, de “socialismo moreno”.

(*) Doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal.

De Grandis e a PEC 37

Via Istoé

Paulo Moreira Leite

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan "PEC 37= impunidade", não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco.

A descoberta de que o inquérito sobre a Alston foi parcialmente interrompido, na Suíça, porque o procurador Rodrigo de Grandis não atendeu a uma solicitação das autoridades daquele país é um fato que merece um minuto de reflexão.

A explicação de Grandis é bisonha. Ele  não teria dado sequencia ao pedido das autoridades suíças, feito em fevereiro de 2011, porque a solicitação ficou guardada na gaveta errada – e nunca mais pensou no assunto.

Há, é claro, uma suspeita de prevaricação no caso.

Código Penal – Prevaricação (art. 319): Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:

Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.

Lei 8429/92 – Art. 11: Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:

(…) II – retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício;

Há três meses, em 25 de junho, o Congresso rejeitou, sob uma pressão que seria mais conveniente definir como chantagem, a PEC 37, que pretendia  garantir aos delegados de polícia a exclusividade sobre a condução de um inquérito policial. A votação foi um massacre: 430 a 9.

O monopólio dos delegados sobre uma investigação tampouco  era uma boa ideia, quando se recorda o histórico de nossas corporações policiais. Mas a PEC 37 ajudava a fazer um debate necessário e poderia permitir correções úteis.

Nos bastidores de Brasília, policiais, procuradores e representantes do ministério da Justiça tentavam chegar a um acordo, a partir da PEC, para assegurar os direitos da polícia sobre a investigação sem deixar de atender os principais pleitos do Ministério Público. Pensava-se em criar uma nova divisão do trabalho de apuração, mais inteligente e produtiva.

Mas, com o apoio dos meios de comunicação, que passaram a tratar a rejeição à PEC 37 como se fosse como se fosse uma reivindicação tão popular como a redução da passagem de ônibus, o Ministério Público  garantiu a votação em bloco, sem qualquer concessão à outra parte. Confusos, e mesmo acovardados, vários parlamentares preferiam omitir-se e votar errado para não ser criticados pelos jornais nos dias seguintes.

Naquele momento, o procurador geral da República, Roberto Gurgel, travava uma luta de morte para fazer o sucessor. Seu prestígio atingia o ponto máximo em função do julgamento da ação penal 470.

A denúncia ainda não havia sofrido a primeira (e até agora única) derrota, representada pela aceitação dos embargos infringentes para 12 condenados.

Acreditava-se em junho que qualquer arranhão na imagem do Ministério Público poderia chamar a atenção para incongruências e falhas do julgamento. Foi essa a motivação que impediu uma discussão civilizada, com argumentos ponderados.

Três meses depois, comprova-se uma verdade fácil de reconhecer, mas que não era conveniente admitir.

Enquanto os manifestantes acreditavam estar berrando contra a impunidade em Brasília, o pedido das autoridades suíças era esquecido na gaveta de De Grandis em São Paulo.

Ergueu-se, ao longo de vários anos, um muro de aço contra a apuração de um dos mais prolongados escândalos de corrupção da história política brasileira, formado por 45 inquéritos arquivados sem o devido esclarecimento (sim, 45!).

Ninguém ficaria sabendo o que estava acontecendo se não fosse o trabalho competente corajoso de meus colegas da IstoÉ Alan Rodrigues, Pedro Marcondes e Sérgio Pardellas sobre o propinoduto, capazes de produzir reportagens à altura dos fatos descobertos.

Não há instituição a salvo de pressões políticas nem de iniciativas estranhas a sua missão legal. Erros ocorrem. Desvios, também. E coisas piores, você sabe.

Se você acha que fez papel de bobo porque acreditou no slogan “PEC 37= impunidade”, não precisa ficar muito deprimido. Só um pouco.

Muita gente está se sentindo da mesma maneira.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dia do Saci-Pererê e Lançamento de Livro da jornalista Elaine Tavares

Sanguessugado do Palavras Insurgentes

A celebração do Dia Nacional do Saci-Pererê será no dia 31 de outubro, quinta-feira, das 15 às 17 horas, na Esquina Democrática, em frente à igreja São Francisco, na capital, Florianópolis. A promoção é  da Revista Pobres & Nojentas, com apoio do Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do Estado de Santa Catarina (Sintrajusc) e do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc). No dia também será lançado o novo livro da jornalista Elaine Tavares, da equipe da Pobres & Nojentas, intitulado "Olímpia Gayo visita o diabo". O trabalho conta a história da freira franciscana Olímpia Gayo, que iniciou um fecundo trabalho de organização das mulheres prostituídas em Lages (veja no final do release). No dia haverá música, contação de histórias, brincadeiras e distribuição de “sacizinhos”.

A lenda é assim! Basta que exista um bambuzal e, de repente, de dentro dos caniços, nascem os sacis. É como eles vêm ao mundo, dispostos a fazer estripulias. Conta a história que esses seres já existiam bem antes do tempo que os portugueses invadiram nossas terras. Ele nasceu índio, moleque das matas, guardião da floresta, a voejar pelos espaços infinitos do mundo Tupi-Guarani. Depois, vieram os brancos, a ocupação, e a memória do ser encantado foi se apagando na medida em que os próprios povos originários foram sendo dizimados.

Quando milhares de negros, caçados na África e trazidos à força como escravos, chegaram no já colonizado Brasil, houve uma redescoberta. Da memória dos índios, os negros escravos recuperaram o moleque libertário, conhecedor dos caminhos, brincalhão e irreverente. Aquele mito originário era como um sopro de alegria na vida sofrida de quem se arrastava com o peso das correntes da escravidão.

Então, o moleque índio ficou preto, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho, símbolo máximo da liberdade. Ele era tudo o que o escravo queria ser: livre! Desde então, essa figura adorável faz parte do imaginário das gentes nascidas no Brasil.

O Saci-Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade. Com o processo de colonização cultural via Estados Unidos – uma nova escravidão - foi entrando devagar, na vida das crianças brasileiras, um outro mito, alienígena, forasteiro. O mito do Haloween, a hora da bruxa e da abóbora, lanterna de Jack, o homem que fez acordo com o diabo. A história é bonita, mas não é nossa. Tem raízes irlandesas e virou dia de frenéticas compras nos EUA e também no Brasil. Na verdade, a lógica é essa. Ficar cada vez mais escravo do consumo e da cultura alheia. Jeito antigo de colonizar as mentes e dominar. É por isso que a Pobres & Nojentas quer recuperar o Saci, o brasileiro moleque das matas, guardião da liberdade, amante da natureza que hoje está ameaçada de destruição.

Queremos vida digna, um país soberano na política, na economia, na arte e na cultura. Cada região deste Brasil tem seus próprios mitos. Caipora, Boitatá, Curupira, Bruxa, Negrinho do Pastoreio... São os amigos do Saci que estão presentes na atividade do Dia do Saci Pererê, saudando e buscando a liberdade.

Mais informações: Míriam Santini de Abreu - 96207333

SOBRE O LIVRO

Olimpia Gayo visita o diabo é o sexto livro da jornalista Elaine Tavares, que atua no Instituto de Estudos Latino-Americanos/UFSC. O trabalho conta a história da Pastoral da Mulher Marginalizada criada na cidade de Lages pela irmã Olímpia. A teóloga Ivone Gebara é quem apresenta essa preciosa história de uma mulher que nunca se recusou a olhar o diabo de frente.

"Elaine Tavares tem o dom e a arte de contar histórias de mulheres apaixonadas pela vida. Mulheres que são parte da história oculta da bondade e da beleza e que atuaram intensamente para que esses valores continuassem a se manifestar nas vidas sofridas e silenciadas. "Olímpia Gayo visita o diabo" é mais uma preciosa narrativa que revela o percurso de uma mulher que cresceu vencendo o sofrimento que a vida punha em seu caminho. Desde criança vencia o sofrimento preparando-se e lutando pela dignidade da vida de outras sofredoras e sofredores.

O texto move o coração e convida a abrir os olhos para as vidas ocultas, aparentemente sem valor, para a escória humana que somos e criamos assim como para a salvação e libertação que também podem nascer de nós. Sim, somos salvadoras umas das outras, somos a mão estendida, o abraço apertado, o sentido da solidariedade, a misericórdia vivida. Somos a voz que denúncia, que grita até que os corações de pedra comecem a palpitar de novo e ver e ouvir o mundo ao seu redor.

Conheci Olímpia num encontro de estudos em Julho de 2013 em Lages. Sua congregação religiosa me convidara para uma semana de reflexão sobre espiritualidade ecofeminista. Desde as primeiras palavras que ouvi de Olímpia, a cumplicidade nas ideias, nas visões e, sobretudo, sua forma de "sentir a dor do mundo" ecoaram em mim. Cada uma do nós, de seu jeito, vivia a paixão pela vida manifestada através de muitas formas e expressa através de muitos nomes. Tínhamos muitas coisas em comum. Enfrentamos demônios parecidos, aqueles que atingem os corpos de mulheres e querem silenciar seus gritos de liberdade.

Nas visitas e encontros de Olímpia com os "diabos" da fome, da droga, da prostituição, seu nome, que faz lembrar o Olimpo, moradia dos deuses gregos, espantava os algozes e trazia algo apaziguador, algo ao mesmo tempo celeste e terrestre.  Os diabos fugiam e se descobria sua face oculta, sua beleza, sua momentânea integridade.  No encontro de coração a coração os diabos não ficam. Abrem o espaço para o amor e a justiça. Por isso tantas pessoas marginalizadas encontraram na presença de Olímpia a força para viver, levantar-se e seguir o caminho do resgate da vida.

Ao final da leitura do livro um sentimento de profunda gratidão e beleza tomou conta de mim. Gratidão à Elaine, à querida Olímpia e a tantas pessoas que no anonimato sustentam a vida e anunciam a grandeza do amor, único capaz de curar os corações partidos e renovar a face da terra".

Contato Elaine: 91516066

Revelan identidad de francotirador que asesinó a Kennedy: Mafioso, cubano y de la CIA

Via Cuba Debate

 

 

Herminio Díaz. Foto: The National Enquirer.

Herminio Díaz. Foto: The National Enquirer.

Un reportaje del tabloide norteamericano The National Enquirer reveló que el tiro fatal que cegó la vida del presidente John F. Kennedy lo disparó un cubano vinculado a la mafia y a la CIA.

En exclusiva, The Enquirer reveló que un francotirador cubano con lazos con la Mafia y con la CIA confesó haber participado la conspiración para matar a 35º presidente de los Estados Unidos.

La sorprendente nueva evidencia fue descubierta por el respetado autor Anthony Summers, quien reveló la identidad del asesino en una actualización de su clásico libro de 1998 sobre el asesinato de Kennedy, Not In Your Lifetime.

Según Summers, el segundo tirador fue Herminio Díaz, un asesino a sueldo que había trabajado para el notorio jefe de la mafia Santo Trafficante Jr. en Cuba, durante la dictadura de Fulgencio Batista. Díaz cometió al menos 20 asesinatos en su vida, de acuerdo con la publicación.

Díaz llegó a los EEUU a mediados de 1963, de acuerdo con documentos de la CIA, pocos meses antes de que Kennedy fuera abatido en Dealey Plaza el 22 de noviembre de ese año.

“Díaz era un asesino profesional con un récord de asesinatos políticos”, dijo Summers.

“También había trabajado para el jefe de la mafia Trafficante como director de seguridad del casino del Hotel Habana Riviera en Cuba.

“Él estaba en el país (EEUU) en el momento adecuado y participó en el movimiento anti-Castro. Muchas personas en ese movimiento pensaban que el presidente Kennedy lo había traicionado durante la invasión patrocinado por la CIA en Bahí de Cochinos en 1961 y durante la crisis de los misiles de Cuba en 1962 , y tenían un motivo para matarlo”, aseguró Summers a The Inquirer.

El coche presidencial momentos antes del asesinato del Presidente Kennedy.
“Francamente, todo suma”

Según Summers, Díaz reveló su papel en el asesinato de Kennedy a un amigo llamado Tony Cuesta. Los dos hombres se dirigían a Cuba en barco en una incursión terrorista el 29 de mayo de 1966 para asesinar al entonces presidente Osvaldo Dorticós, cuando Díaz contó los detalles sobre el plan de asesinato. ”Cuesta Díaz y hablaron en el barco mientras esperaban tocar tierra cubana”, dijo Summers.

“Durante sus conversaciones, Díaz admitió que había tomado parte en la muerte de Kennedy. ”

Díaz murió en el ataque contra las costas cubanas, en Monte Barreto, Miramar (costa norte de la Isla). Después, una foto publicada en un periódico Granma mostró que llevaba una licencia de conducir de la Florida válida y una tarjeta de Seguro Social, la evidencia de que el ataque había sido organizado en los EE.UU.

Su amigo Cuesta resultó gravemente herido en el ataque, capturado y encarcelado en la prisión de La Cabaña, en La Habana. Mientras era atendido en la enfermería de la cárcel, Cuesta confesó la historia del asesinato de Díaz a otro recluso cubano contrarrevolucionario, Reinaldo Martínez. Después de su salida de la cárcel, Martínez huyó a Miami, y en 2007 se puso en contacto G. Robert Blakey, quien fuera el asesor jefe del Comité Selecto de la Cámara sobre Asesinatos (U.S. House of Representatives Select Committee on Assassinations).

“Martínez pensó que iba a morir y quería dejar las cosas claras”, dijo Blakey a Enquirer .

“Creo que él estaba diciendo la verdad. No era solo Lee Harvey Oswald el que mató a Kennedy. Fue una conspiración, y Herminio Díaz fue el segundo tirador”.

Summers también entrevistó a Martínez durante dos días en Miami.

En la famosa película de Zapruder, que muestra la caravana presidencial a través Dealey Plaza, Kennedy es alcanzado primero por detrás, donde Oswald se encuentra en el Texas School Book Depository. Después, Kennedy fue golpeado por la parte frontal en un ángulo que indicaría la presencia de un tirador situado en la “loma cubierta de hierba”.

Otro experto que está convencido de que había un segundo tirador es el mundialmente famoso médico forense Cyril H. Wecht, quien ha pasado décadas estudiando el asesinato.

“En base a las pruebas médicas , físicas y fotográficas disponibles, todos los cuales he examinado varias veces, el asesinato del presidente John F. Kennedy se llevó a cabo por dos hombres -no sólo Lee Harvey Oswald-”, dijo Wecht Enquirer . Según su análisis, Wecht dice que dos hombres armados dispararon cuatro tiros, y uno de los asesinos se situó en la parte delantera de la caravana.

“Teniendo en cuenta la trayectoria inicial hacia atrás de la cabeza del presidente después de haber sido afectado por las explosiones de bala, creo que un francotirador operó desde la parte delantera derecha del vehículo, detrás de la valla en el montículo de hierba”, dijo.

“Los testimonios corroboran esto. “Si bien el Informe Warren descuenta ese escenario, varios testigos repitieron la misma historia a la comisión del Congreso entre 1977 y 1979 , de acuerdo con Blakey.

“En nuestras audiencias, había un montón de testimonios que advertían de que se disparó un tiro en el montículo de hierba”, añadió Blakey a The Enquirer. ”Creo que hubo cuatro disparos. El primero, segundo y cuarto disparo provenían del Texas School Book Depository. El tercer disparo desde el montículo de hierba.

“El comité tenía todo, menos los nombres de las personas involucradas en la conspiración. La historia de Martínez ha llenado las últimas piezas del rompecabezas. Había dos tiradores ” .

De acuerdo con Summers y Blakey, Martínez se acercó al FBI para contar su historia, pero le dijeron que la investigación de asesinato estaba cerrada. Blakey ha reconocido que este descubrimiento del papel de Díaz en el asesinato es un “avance de importancia histórica”. ”El libro de Summers merece ser leído y tomado en serio por todos aquellos que se preocupan por la verdad y la justicia”, dijo.

Summers, añadió: “Estoy totalmente convencido de las historias contadas por Reinaldo Martínez y Tony Cuesta sobre el papel de Herminio Díaz en el asesinato del presidente Kennedy”.

Del libro El chaiman soy yo, de Reinaldo Taladrid y Lázaro Barredo:

Dos días antes del magnicidio se encontraban en Dallas varios cubanos con armas y mirillas telescópicas, entre ellos, Eladio del Valle y Herminio Díaz, dos asesinos a sueldo y expertos tiradores, vinculados a la mafia y a la policía de Batista. A su vez, las características físicas de Del Valle y de Díaz coinciden con las descripciones que varios testigos hicieron a la Comisión Warren, de los dos cubanos vistos salir del edificio, momentos después de ser asesinado el Presidente.Lo realmente curioso es el destino final de ambos: Eladio del Valle fue brutalmente asesinado en Miami, en cuanto el fiscal de New Orleans, Jim Garrison, inició su investigación sobre el asesinato de Kennedy; Del Valle fue descuartizado y picado en pedazos con un machete; y aún más interesante fue el final de Herminio Díaz, quien murió en las costas de La Habana, en 1966, al chocar con un patrulla fronteriza, mientras trataba de infiltrarse en la isla con la misión de asesinar al entonces presidente Osvaldo Dorticós, y ametrallar, a su regreso a Miami, el hotel Riviera.

Para cumplimentar la misión a la que fue enviado, Díaz debía infiltrarse en plena capital cubana, en un momento en que, producto de un incidente en la Base Naval de Guantánamo*, el ejército cubano se encontraba en alarma de combate, y se había reforzado al máximo la vigilancia aérea y costera. A los ojos de los expertos, incluyendo la seguridad cubana, la operación era un verdadero suicidio. El organizador financiero y planificador de tan “peculiar misión”, no fue otro que Jorge Mas Canosa.

*El incidente tuvo lugar el 21 de mayo y resultó muerto el soldado del batallón fronterizo, Luis Ramírez López y heridos otros dos, por disparos efectuados por soldados norteamericanos desde la Base Naval de Guantánamo. (Ver Cronología del Terrorismo 1966/ Granma)

El primer disparo es desviado por un árbol y rebota en el cemento llegando a herir al testigo James Tague. 3,5 segundos después se produce el segundo disparo que llega a Kennedy por detrás y sale por su garganta,3 hiriendo también al gobernador de Texas, John Connally. El presidente deja de saludar al público y su esposa tira de él para recostarlo sobre el asiento. El tercer disparo ocurre 8,4 segundos después del primer disparo, justo cuando el auto pasa al frente de la pergola de hormigón. Cuando el tercer disparo impacta de lleno en el occipital derecho de la cabeza de Kennedy, Jackie Kennedy, se abalanza a la parte trasera del auto, donde recoge una sección del cráneo del presidente. Un ciudadano de nombre Abraham Zapruder, que filmaba la comitiva presidencial, logró captar en su película el momento en que Kennedy es alcanzado por los disparos. Esta película es parte del material que la Comisión Warren utilizó en su investigación del asesinato.

El primer disparo es desviado por un árbol y rebota en el cemento que hiere al testigo James Tague. 3,5 segundos después se produce el segundo disparo que llega a Kennedy por detrás y sale por su garganta, hiriendo también al gobernador de Texas, John Connally. El presidente deja de saludar al público y su esposa tira de él para recostarlo sobre el asiento. El tercer disparo ocurre 8,4 segundos después del primer disparo, justo cuando el auto pasa al frente de la pergola de hormigón. Cuando el tercer disparo impacta de lleno en el occipital derecho de la cabeza de Kennedy, Jackie Kennedy, se abalanza a la parte trasera del auto, donde recoge una sección del cráneo del presidente. Un ciudadano de nombre Abraham Zapruder, que filmaba la comitiva presidencial, logró captar en su película el momento en que Kennedy es alcanzado por los disparos. Esta película es parte del material que la Comisión Warren utilizó en su investigación del asesinato.

En Video, el asesinato de Kennedy:

Sonegação de impostos equivale a um pré-sal a cada dois anos

GilsonSampaio

SONEGAÇÃO

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