sábado, 31 de agosto de 2013

Chacina de Unaí: Condenar pistoleiros foi o óbvio. Que venham os mandantes

Sanguessugado do Sakamoto

Quem diz que um jornalista não deve se envolver demais com um caso para evitar que sentimentos pessoais contaminem o seu trabalho é porque nunca fez reportagem ou cobertura longas, daquelas que a gente se entrega por inteiro. E, por isso, não consegue entender que é exatamente esse envolvimento que leva a carregar o tema pelo tempo que for. A Chacina de Unaí, no Noroeste mineiro, é um desses casos. Pelo que foi, pelo que representa.

Desde aquele infame 28 de janeiro de 2004, muitos jornalistas acompanharam de perto os desdobramentos do assassinato de quatro funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego durante uma fiscalização rural de rotina na região de Unaí. O motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local com o carro e chegar à estrada principal, onde foi socorrido. Levado até o Hospital de Base de Brasília, Oliveira não resistiu e faleceu no início da tarde. Antes de morrer, descreveu uma emboscada: um automóvel teria parado o carro da equipe e homens fortemente armados teriam descido e fuzilado os fiscais. Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva e João Batista Soares Lages morreram na hora. O caso ganhou repercussão nacional e internacional.

Ao longo desta semana, três pistoleiros contratados para a matança foram julgados e, na madrugada deste sábado (31), considerados culpados pelo júri popular em Belo Horizonte.

De acordo com Stefano Wrobleski, da Repórter Brasil, que não arredou pé do julgamento, Erinaldo de Vasconcelos Silva (que havia admitido participação nos assassinatos), Rogério Alan Rocha Rios e William Gomes de Miranda foram condenados a 76 anos e 20 dias, 94 anos e 56 anos de prisão, respectivamente. Eles podem recorrer da sentença, mas não em liberdade.

Os irmãos Norberto e Antério Mânica, família que é uma das maiores produtoras de feijão do país, são apontados como mandantes. Queriam ser julgados antes dos demais. Dessa forma, o conteúdo dos julgamentos não poderia ser usado contra eles. Durante nove anos, tudo foi protelado. O que me faz lembrar uma velha máxima: a velocidade de funcionamento de grande parte do sistema judiciário normalmente depende de quem é o réu/acusador. Se for rico, será rápido (se ele quiser que seja rápido) ou lento (se quiser que seja lento) e será julgado conforme suas conveniências, antes ou depois dos demais acusados (se assim for melhor para sua defesa). Se for pobre, a Justiça faz o caminho inverso.

A motivação do crime teria sido o incômodo provocado pelas multas milionárias impostas pelos auditores aos fazendeiros. Após a chacina, Antério foi eleito (em 2004, com 72,37% dos votos válidos pelo PSDB) e reeleito (2008) prefeito de Unaí. Em novembro de 2008, foi um condecorados com a Medalha da Ordem do Mérito Legislativo, em cerimônia promovida pela Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Também foram envolvidos o contratante dos matadores, Francisco Élder Pinheiro (conhecido como “Chico Pinheiro”, já falecido) e os supostos intermediários Humberto Ribeiro dos Santos, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro.

A comoção pública por conta da Chacina de Unaí levou à aprovação em primeiro turno da Proposta de Emenda Constitucional que prevê o confisco de propriedades flagradas com escravos e sua destinação à reforma agrária ou ao uso social urbano na Câmara dos Deputados, em 2004. A PEC, aprovada em segundo turno apenas no ano passado, voltou para o Senado. Em 2009, o 28 de janeiro se tornou oficialmente o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Durante uma semana, eventos sobre o tema são realizados em todo o país com o objetivo de que a chacina não fique impune e para sensibilizar pela erradicar a escravidão contemporânea.

Os outros réus têm julgamento marcado para 17 de setembro, inclusive Norberto. Já o júri de Antério não tem data definida.

Sinto certo alívio ao ver as primeiras condenações relacionadas ao crime saírem. Mas sei que botar pobre na cadeia é fácil, isso o Brasil faz bem. Então, creio que falo por muitos colegas que também acompanham o caso nos últimos anos, quando digo que um desfecho decente se faz necessário. Condenação e efetiva punição, de acordo com a lei.

Não apenas para fazer Justiça pela morte de quatro pessoas. Mas porque a impunidade dos assassinos de quem zela pelas condições de vida dos trabalhadores do campo, impedindo que a exploração do elo econômico mais fraco se justifique em nome do progresso, diz mais sobre um país do que o tamanho de seu PIB ou a quantidade de Copas do Mundo que possui.

Resolver de vez Unaí é imprescindível. Para entender o que somos. E o que podemos vir a ser.

Vasco da Gama: Tá pintando um novo Expresso da Vitória?

GilsonSampaio

Vasquim é tri da Taça BH de juniores

Vasco

Se o Vasquim conseguir a classificação para a Libertadores do ano que vem, terá sido um milagre.

Mas, porém, todavia, contudo e entretanto, no ano que vem, se o time não for desmanchado e Dorival não for mandado embora, nós vamos pras cabeças.

Tá pintando um novo Expresso da Vitória.

Vasco bate o Vitória, quebra jejum e leva o tri da Taça BH de juniores

 

Decolagem da Wall Street: 2012 – 2013

Via Diario.info

James Petras

Tradução: Jorge Vasconcelos

«Em 2013, os lucros capitalistas, especialmente no capital financeiro, crescem rapidamente enquanto a crise do trabalho continua, aprofunda-se e provoca a alienação política. Fora da América do Norte, especialmente na periferia europeia, o desemprego em massa e a degradação do nível de vida tem levado a protestos massivos e repetidas greves gerais.

Na primeira metade de 2013, os trabalhadores gregos organizaram quatro greves gerais de protesto contra o despedimento em massa de trabalhadores do setor público. Em Portugal, duas greves gerais levaram à exigência de demissão do primeiro-ministro e novas eleições. Em Espanha, a corrupção ao mais alto nível, a austeridade fiscal responsável por 25% de desemprego e a repressão levaram à intensificação da luta de rua e à exigência de queda do regime».

 

A 16 de julho, o Goldman Sachs, quinto maior banco por ativos, anunciou que os lucros do segundo trimestre ultrapassaram os do ano anterior por 1,93 mil milhões de dólares. O J. P. Morgan, o maior banco de todos, fez no segundo trimestre 6,1 mil milhões de dólares, cerca de 32% mais que no ano anterior, e espera fazer 25 mil milhões de lucros em 2013. Wells Fargo, o quarto maior banco, arrebanhou 5,27 mil milhões de dólares, mais 20%. Os lucros do Citigroup atingiram 4,18 mil milhões, mais 42% que no ano passado.

A elite dirigente, os Diretores Gerais financeiros, vê os seus vencimentos subirem em flecha. John Stumpf do Wells Fargo recebeu 19,3 milhões em 2012; Jamie Dimon do J. P. Morgan Chase empochou 18,7 milhões e Lloyd Blankfein do Goldman Sachs ficou com 13,3 milhões.

Os resgates da Wall Street por Bush e Obama tiveram como resultado o agravamento da financeirização da economia americana. A finança substituiu a indústria tecnológica como setor lucrativo da economia dos EUA. Enquanto a economia dos EUA estagna e a União Europeia se debate com a recessão e com mais de 50 milhões de desempregados, as grandes empresas financeiras americanas do índice 500 da Standard & Poor ganhavam lucros consolidados de 49 mil milhões no segundo trimestre de 2013, ao passo que o setor técnico anunciava 41,5 mil milhões. Para 2013, Wall Street projeta ganhar 198,5 mil milhões de dólares em lucros, enquanto as empresas técnicas esperam 183,1 mil milhões. Dentro do setor financeiro, os setores mais «especulativos», isto é, os bancos de investimento e as firmas de corretagem, são dominantes e com crescimento dinâmico de 40% em 2013. Mais de 20% dos lucros das empresas do índice 500 S & P estão concentrados no setor financeiro.

O crash financeiro de 2008-2009 e o resgate de Obama reforçaram o domínio da Wall Street sobre a economia dos EUA. O resultado é que o setor financeiro parasitário extrai rendas e lucros colossais da economia e priva as indústrias produtivas de capital e ganhos. A recuperação e boom dos lucros das corporações desde a crise estão concentrados no mesmo setor que provocou o crash alguns anos antes.

A Crise do Trabalho agrava-se – 2013

A nova bolha especulativa de 2012-2013 é um produto da política de juros baixos ou virtualmente nulos dos bancos centrais (nos EUA, a Reserva Federal), que permitem à Wall Street empréstimos baratos e especulação, atividades que inflacionam o preço das ações mas não geram emprego e, além disso, deprimem a indústria e polarizam a economia.

A promoção de lucros financeiros pelo regime de Obama é acompanhada das suas políticas de redução dos padrões de vida para os trabalhadores com vencimento e assalariados. A Casa Branca e o Congresso cortaram a despesa pública na saúde, na educação e nos serviços sociais. Cortaram fundos para o programa de senhas de alimentação (subsídios de alimentação para as famílias pobres), centros de dia, benefícios para desempregados, indexação à inflação da segurança social, Medicare e programas Medicare. Como resultado, o fosso entre os 10% do topo e os 90% abaixo foi alargado. Vencimentos e salários baixaram em termos relativos e absolutos, visto que os empregadores tiram vantagem do elevado desemprego (oficialmente 7,8%), subemprego (15%) e emprego precário.

Em 2013, os lucros capitalistas, especialmente no capital financeiro, crescem rapidamente enquanto a crise do trabalho continua, aprofunda-se e provoca a alienação política. Fora da América do Norte, especialmente na periferia europeia, o desemprego em massa e a degradação do nível de vida tem levado a protestos massivos e repetidas greves gerais.

Na primeira metade de 2013, os trabalhadores gregos organizaram quatro greves gerais de protesto contra o despedimento em massa de trabalhadores do setor público. Em Portugal, duas greves gerais levaram à exigência de demissão do primeiro-ministro e novas eleições. Em Espanha, a corrupção ao mais alto nível, a austeridade fiscal responsável por 25% de desemprego e a repressão levaram à intensificação da luta de rua e à exigência de queda do regime.

O mundo bi-polar de banqueiros ricos no norte colhendo lucros record e por todo o lado trabalhadores recebendo uma parte cada vez menor do rendimento nacional mostra a base de classe da «recuperação» e da «depressão» com a prosperidade para poucos e a miséria para muitos. Pelo final de 2013, os desequilíbrios entre finança e produção antecipam um novo ciclo de boom e queda. É emblemática da morte da «economia produtiva» a declaração de falência de Detroit que, com 79.000 casas, lojas e fábricas vazias, parece Bagdad depois da invasão americana – nada funciona. A cidade devastada pela Wall Street, em tempos berço da indústria automóvel e do salto dos operários industriais organizados para a classe média, tem agora dívidas que totalizam 20 mil milhões de dólares. As três grandes companhias do automóvel deslocalizaram-se para o estrangeiro e para estados fora da união, enquanto os banqueiros bilionários «reestruturam» a economia, quebram os sindicatos, baixam salários, renegam pensões e governam por decreto administrativo.

Futebol, a alegria que tomaram do povo

Via Diario Liberdade

A anatomia da elitização dos estádios

Irlan Simões

Há décadas se institucionalizou um preconceito de classe brutal dentro dos estádios de futebol, e só após a instauração de uma verdadeira barbárie o debate da elitização do seu público parece ter vindo à tona de fato.

Colunistas esportivos, estudioso e não-estudiosos do futebol, gente que discute cultura em diversos aspectos e até jogadores já expressaram sua preocupação com esse assunto. Antes tarde do que nunca.

A verdade é que um bom número de torcedores já havia se antecipado ao problema, só não ganhou a devida atenção. Até certo ponto isolados, e tentando sempre alertar os companheiros de luta, algumas experiências de organizações supraclubistica de torcedores já denunciavam a elitização dos estádios antes do início das demolições das clássicas praças desportivas.

Hoje, em curso e com efeitos devastadores, essa pauta caiu na boca do povo e começa a ser disputada, inclusive, da parte daqueles que a promovem.

A elitização dos estádios brasileiros expõe aspectos claríssimos da nossa formação enquanto povo. Uma fenda abissal que parece dividir aqueles que tem direitos e aqueles que não tem.

(acompanhe a letra no final do texto)

Basta lembrar da jornalista que falou "coitado dos brasileiros" ao desqualificar uma médica cubana por ter "cara de empregada". É essa mesma "ideologia", que transferida ao futebol, aponta que o público deve ser elitizado através do encarecimento dos ingressos "porque sim, e pronto".

Veja o que fazem os "especialistas de gestão e marketing do futebol" (EGMF), dessa perspectiva. Como um ciclo viciosos, algumas etapas se complementam e seguem se repetindo desde o início dos anos 90.

No primeiro momento inventam os mais variados salamaleiques para garantir que suas propostas de mercantilização do futebol sejam tornadas unanimidades aos olhos dos leigos. São as pesquisas de mercado, as planilhas e os balanços e projeções, o exemplo ideal inglês etc.

No segundo momento se eximem de qualquer culpa por uma estagnação - ou pior, um retrocesso - do futebol dentro dos próprios termos que planejaram, com estadios cada vez mais vazios, atletas sem talento e jogos ruins. É assim porque a ideia de um EGMF é que não existem torcedores de clubes, mas uma massa homogênea de consumidores do futebol, seja ele qual for.

O terceiro momento, claro que não poderia faltar, é o apontamento de culpas. A violência das Torcidas Organizadas, a falta de profissionalização dos dirigentes, a teimosia dos clubes em não se tornar empresa... Tudo se torna uma causa, menos a ideologia do futebol mercado que não funciona no mundo real brasileiro.

Pelo contrário. No fim das contas, o que se vê é que só se repetem seus efeitos catastróficos, e de soluções tão óbvias, sem culpados, senão os bode expiatórios de sempre.

O caso recente da redução do valor dos ingressos do São Paulo Futebol Clube é elucidativo. Objeto de críticas dos EMGF e de outros exemplares de defensores do futebol-negócio, o clube nos brindou com um exemplo que, caso não vire o jogo temporariamente, por servir de arma numa batalha que será longa.

Numa das piores campanhas de sua história em campeonatos nacionais, o São Paulo colocou nada menos que 55 mil torcedores em sua casa. O motivo foi o baixo valor dos ingressos, num horário adequado para ir ao estádio: a tarde ensolarada de um domingo, horário predileto de todo e qualquer perfil de torcedor de futebol.

Para piorar o choque dos especialistas, a renda do jogo foi amplamente superior ao que o São Paulo vinha colocando com frequência no Morumbi. Como é surpreendente essa tal de lógica, não é mesmo?

Diante disso, não há como não pensar que a ideologia do marketing tem um lema muito claro: "O mundo está repleto de idiotas, que devem dar seu dinheiro para seres superiores que somos nós, os marketeiros".

Aqui É O País do Futebol

Milton Nascimento

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país

Ao longo das avenidas

Nos campos de terra e grama Brasil só é futebol

Nesses noventa minutos

De emoção e alegria

Esqueço a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

Dinheiro fica lá fora

A cama fica lá fora

Família fica lá fora

A vida fica lá fora

E tudo fica lá fora

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

Brasil está vazio na tarde de domingo, né?

Olha o sambão, aqui é o país do futebol

No fundo desse país

Ao longo das avenidas

Nos campos de terra e grama

Brasil só é futebol

Nesses noventa minutos

De emoção e de alegria

Esqueço a casa e o trabalho

A vida fica lá fora

Dinheiro fica lá fora

A cama fica lá fora

A família fica lá fora

A vida fica lá fora

O salário fica lá fora

E tudo fica lá fora

O senador traficante: a agressão à Bolívia

Via Diario Liberade

Laerte Braga

Em todo esse episódio a sensação que fica é que se alguém perguntar a Dilma Rousseff onde fica a Bolívia a suposta presidente do Brasil vai ficar em dúvida se na África ou na Ásia. Não tem a menor ideia do que se passa ao seu redor.

 

Uma operação de retirada de um senador traficante, condenado por corrupção em seu país, envolvido em treze outros processos inclusive assassinato da embaixada do Brasil até um avião que o trouxe a nosso País. Dinheiro público para violar o direito internacional e agredir um país amigo e dinheiro privado, do senador traficante, para comprar o encarregado de negócios do Brasil na Bolívia, isso depois que "li os salmos".

A bíblia hoje é desculpa para crimes como, por exemplo, os que Israel comete no Oriente Médio e em todo o mundo, inclusive aqui.

O direito de asilo é uma conquista das liberdades e dos direitos humanos, preserva o direito de opinião, a divergência política em níveis insuportáveis, a barbárie política como na ditadura militar, enfim, um acordo regulado entre as nações do mundo com esse objetivo.

As regras estabelecidas para a concessão do asilo são claras e precisas e via de regra cumpridas pela comunidade internacional. Nos últimos anos a prepotência norte-americana tem ameaçado essa conquista decisiva para a democracia.

Foi o caso do ex-presidente do Panamá, Noriega, asilado na embaixada do Vaticano que cercada por militares norte-americanos foi entregue pelo maior embuste dos últimos tempos, João Paulo II, diante da ameaça de revelação dos escândalos da Igreja.

De lá para cá, tanto se ofende esse direito básico, como no caso de Julian Assange, na embaixada do Equador na Grã Bretanha, como agora, um senador traficante condenado por crime comum em seu país, compra um encarregado de negócios que lê os salmos.

O argumento do diplomata Eduardo Saboia que Roger Molina Pinto estava doente foi desmentido num exame médico determinado pelo ministro da Justiça. São. Física e psicologicamente.

Assange não recebe o salvo-conduto e o senador traficante veio para o Brasil sem esse salvo-conduto, numa ação coordenada pelo encarregado de negócios Eduardo Saboia, em carro diplomático de La Paz a Corumbá, tudo sob a alegação que estava doente e não está. Num voo custeado com dinheiro público, à revelia da presidente da República (tem?), com o conhecimento do então ministro Anthony Patriot, que tem dupla nacionalidade (é brasileiro e americano) e participação direta do presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, Ricardo Ferraço, acusado de corrupção e outros crimes e de imediato recebe o apoio do senador Aécio Neves, que, se tratando de drogas não é surpresa para ninguém. De traficante então...

Celso Láfer, o ministro de FHC, o que tirou os sapatos no aeroporto de New York, porque já estava sem as calças, numa falando à FOLHA DE SÃO PAULO, edição de 29 de agosto, fez pesadas críticas a operação (esqueceram de avisar a ele que a oposição está a favor) e entende, como disse, que uma agressão à Bolívia, uma violação de normas internacionais.

O fato aconteceu dias depois que os últimos torcedores do Corinthians que assassinaram um menino com um sinalizador, foram soltos. O que se lhe acrescenta um ingrediente de represália.

São costumeiras as críticas ao sub-imperialismo brasileiro na América do Sul. Temos sido sub em tudo.

E o que faz a suposta presidente da República? Mostra-se irritada, demite o ministro das Relações Exteriores, diz que vai tomar providências enquanto é ameaçada pelo pai do diplomata que diz que se acontecer alguma coisa a ele vai complicar o governo e no final concede abrigo temporário ao senador traficante, ou traficante senador, a ordem é melhor assim.

Duas semanas antes o chefe de Patriot veio ao Brasil, John Kerry, dizer que os EUA querem monitorar o mundo e certamente dar aval à operação.

O que seria dos bancos sem os bilhões do tráfico de drogas? Será que alguém acha que Beira-mar é o todo poderoso? Dos latifundiários na fronteira com a Bolívia (rotas e plantações) e das empresas que direta ou indiretamente participam desse processo?

Dos milhões para subornar policiais? Políticos ligados ao tráfico (o senador Ricardo Ferraço passa a ser suspeito até prova em contrário)

O presidente da Bolívia quer o traficante na fronteira com seu país para que seja preso, comece a cumprir a pena a que foi condenado por crime comum e responda aos outros processos sobre tráfico, má gestão financeira e assassinato.

O que vai fazer o Brasil? Proceder como os EUA e ignorar o direito internacional? As leis internacionais?

Será que Ferraço e Aécio montam ou ajudam a montar uma ação semelhante para Julian Assange, ou Assange não interessa porque revela a podridão desse tipo de gente?

E Anthony Patriot? Foi para casa, vai ser embaixador do Brasil na ONU.

A bem da verdade Dilma deixou de ser apenas uma incompetente e passou a ser uma vergonha e uma piada para o Brasil com esse episódio. Houve envolvimento, claro, de policiais federais e militares. O traficante foi escoltado de carro da embaixada de La Paz a Corumbá com batedores. E a bandeirinha do Brasil nas laterais à frente.

Não somos de fato um país sério. Somos imensos, mas letras minúsculas.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Surreal: Igreja quer veto a enterro de cão em cemitério

Via IHU

O arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, foi recebido ontem na Prefeitura com uma missão: impedir a aprovação do projeto de lei que libera o sepultamento de animais domésticos, como cães e gatos, em jazigos comuns dos cemitérios municipais. A proposta, dos vereadores Roberto Tripoli (PV) e Antonio Goulart (PSD), visa a permitir o enterro dos bichos ao lado de seus donos.

A reportagem é de Adriana Ferraz e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 30-08-2013.

Os parlamentares alegam que os proprietários dos animais os consideram membros da família. "Quando um deles vem a falecer, além do extremo sofrimento da perda, as pessoas em geral se desesperam sem saber para onde destinar o cadáver", diz a proposta da lei.

Ao prefeito Fernando Haddad (PT), d. Odilo argumentou que a presença de jazigos de animais entre túmulos comuns poderia provocar um processo de depreciação da dignidade humana ou reconhecer aos animais uma dignidade igual à dos humanos, o que seria inaceitável. Informal, a conversa sobre animal ter ou não alma não obteve um desfecho.

Apesar de aprovado em primeira discussão na Câmara Municipal, ainda não há data para nova votação do tema na Casa. Os autores da proposta aguardam uma manifestação de Haddad, o que ainda não ocorreu. A intenção é evitar o desgate de um possível veto do prefeito a uma lei sugerida e aprovada por vereadores da base aliada.

Velório

De acordo com Tripoli, a liberação é uma demanda da sociedade e um direito do cidadão, que paga para adquirir e manter um túmulo. "A pessoa que compra o espaço pode usá-lo como quiser. Se quiser enterrar um cachorro ali, qual é o problema? O Município não vai gastar nada com transporte."

O vereador ressalta ainda que os poucos cemitérios e crematórios particulares destinados a bichos domésticos na cidade cobram altíssimas taxas, praticamente inviabilizando o uso pela maioria da população.

Encontro de Lula com dono da Globo é péssimo para democratização da mídia no Brasil

Sanguessugado do Mello

O ex-presidente Lula teve um encontro reservado com o vice-presidente das Organizações Globo João Roberto Marinho em São Paulo. A notícia, divulgada pela jornalista Mônica Bérgamo em sua coluna na Folha, foi confirmada pelo Instituto Lula e pela Globo, que, em nota de sua assessoria, afirmou que ele ocorreu "a pedido do ex-presidente Lula" [Fonte].

O encontro deve ter acontecido mais ou menos na mesma época da divulgação da prévia da lista das pessoas mais ricas do Brasil da revista Forbes, com a seguinte informação:

A revista Forbes divulgou, na última sexta-feira (16), uma prévia da lista das 15 pessoas mais ricas do Brasil. No ranking, aparecem quatro barões da mídia: os três herdeiros de Roberto Marinho, das Organizações Globo, e Giancarlo Civita, herdeiro da editora Abril.[Fonte]

Também mais ou menos ao mesmo tempo, a blogosfera (e a Folha numa nota e a TV Record em algumas reportagens)  cobra do governo, do Ministério Público e da Polícia Federal o sumiço de um processo em que a Globo é ré e condenada a pagar R$ 650 milhões à época aos cofres públicos, por rombo (e roubo) na Receita federal.

O jornalista Altamiro Borges publicou em seu blog:

O que será que rolou nesta conversa do ex-presidente com um dos três filhos de Roberto Marinho? Será que Lula, com o seu conhecido estilo conciliador, tentou estabelecer uma nova ponte com o império global? Será que ele criticou a cobertura jornalística dos recentes protestos de rua, quando a TV Globo e seus "calunistas" tentaram pegar carona na onda de revolta para desgastar o governo Dilma? Será que pintou um novo acordo de bastidores que sabotará qualquer debate na sociedade sobre a urgência de uma lei democrática sobre os meios de comunicação?

E da parte do filho do Roberto Marinho, quais os temas que ele colocou na rodada "civilizada" de diálogo? Será que ele se queixou da acentuada queda de audiência do Jornal Nacional, do Fantástico e de outros programas da emissora? Será que explicitou seus temores com a perda de publicidade, principalmente diante do aumento do faturamento das empresas de tecnologia, como a Google? Será que pediu para ninguém mexer na propina do Bônus de Volume, o famoso BV? Será que deu alguma explicação sobre as denúncias de sonegação fiscal praticadas pelo império global? Será que rogou para que não se discuta qualquer projeto sobre a regulação democrática da mídia?

Só o futuro dirá o que rolou nesta misteriosa conversa. A conferir!

Sobre o teor da conversa podemos apenas especular, mas quanto à oportunidade dela podemos e devemos questionar.

Conversar, dialogar, mesmo com adversários históricos (leia sobre isso Globo sempre esteve na contramão do Brasil, ao longo da história. Cotas, ProUni, Getúlio, Lula ), é a arte da política. Mas tudo tem sua hora e lugar.

Se verdadeiro, o convite de Lula a um dos donos da Globo veio em má hora, num momento em que a Globo está nas cordas, com a blogosfera cobrando explicação sobre o tal processo, que sofreu uma Conceição, sumiu, ninguém sabe, ninguém viu.

O encontro veio em seguido ao recado direto das ruas enviado à Rede Globo. O povo não queria a reportagem da Globo nas ruas durante as manifestações e submeteu a mais poderosa emissora do país a uma "cobertura espacial".

A divulgação desse encontro joga água na fervura, coloca em pé de igualdade um ex-presidente com imensa aprovação popular e uma emissora cujo jornalismo não pode por os pés nas ruas.

Por isso, o encontro de Lula é péssimo para os que lutam pela democratização da mídia, menos pelo que conversaram do que pelo simbolismo, o significado político da conversa e do encontro.

Os demais grupos de mídia leem que o governo usou o presidente Lula para mandar uma mensagem à Globo. E que isso é bom para eles, por serem do mesmo time.

Deputados que já eram contra uma nova lei de mídia no Brasil têm motivo para comemorar. Os que estavam em cima do muro esperando a direção dos ventos entenderam para onde devem caminhar. E os que lutam por uma nova lei devem ter entendido de vez que ela não vem neste governo, neste mandato, talvez nem no próximo.

Fora do governo, Lula comete a segunda grande mancada (a foto com Maluf, a primeira. Friso a foto, porque defendi o acordo político com o partido de Maluf, que era bom para todos. A foto, só para Maluf) - pelo menos dessa vez sem foto.

De qualquer modo, o resultado é lamentável. O mal está feito. O recado foi dado. E o assunto caiu num esquecimento que me parece perturbador.

Será que as pessoas querem retirar a humanidade de Lula e transformá-lo num mito vivo, um ser que não erra? Mas Lula erra, sim, e já reconheceu isso várias vezes.

Livro conta tramóia da reeleição tucana

Sanguessugado do Escrevinhador

Palmério revela o Príncipe da Privataria: FHC pode olhar nos olhos do “Senhor X”?

 

“Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus” (quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio?) “Rameira, ponha-se daqui para fora” (quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?)

Rodrigo Vianna

Quem conhece a história recente do Brasil (e também o passado ‘republicano’ de nossas elites – com Convênio de Taubaté, Encilhamento etc…) sabe bem que o tal “mensalão do PT” está longe de ter sido o “maior escândalo da história política brasileira” – como pretendem augustos, mervais e outros quetais do jornalismo elitista. Mas quem ainda tinha dúvidas ganha, agora,  mais uma chance para desfazê-las: o novo livro do jornalista Palmério Dória.

Se Amaury Ribeiro Jr (com “A Privataria Tucana“) já havia lançado luzes sobre a vertente serrista do tucanismo, Palmério agora vai ao centro do esquema: “O Príncipe da Privataria” (Geração Editorial) traça, em quase 400 páginas de texto saboroso, o perfil de um homem vaidoso, simpático, com fama de mulherengo, e que dirigiu o Brasil com o propósito declarado de “enterrar a Era Vargas”. Fazia parte do pacote tucanista vender estatais a preços ridículos e, se fosse preciso, mudar as regras do jogo democrático usando todos os artifícios possíveis. FHC foi o presidente que fez o Real? Não. Este foi Itamar Franco. Mas FHC foi o presidente que quebrou o Brasil, vendeu nosso patrimônio público e transformou o Congresso Nacional numa feira de mascates.

Esse é o ponto alto do livro: a feira da reeleição. Em 1997, o repórter Fernando Rodrigues produzira uma série de reportagens históricas publicadas pela “Folha de S. Paulo”: nelas, um certo “senhor X” apresentava gravações de reuniões em que deputados federais falavam abertamente sobre a venda de votos para aprovar a reeleição de Fernando Henrique no Congresso. O preço do voto: 200 mil reais.

O “senhor X” entregou as gravações ao Fernando Rodrigues, mas jamais mostrou o rosto. Palmério Dória agora mostra quem é o “senhor X”. Ele tem nome, sobrenome e 16 anos depois dos fatos aceitou dar entrevista de peito aberto. Narciso Mendes, 67 anos, é empresário no Acre, e na época da reeleição de FHC era deputado federal. Por isso tinha acesso às reuniões em que se deu a tramóia.

Narciso Mendes recebeu o jornalista Palmério Dória, e relembrou toda a história – incluindo a forma como a base tucanista (no Congresso e na imprensa) conseguiu frear uma CPI para investigar a compra dos votos denunciada em 97:

“Nem Sérgio Motta queria CPI, nem FHC queria CPI, nem Luis Eduardo Magalhães queria CPI, ninguém queria porque sabiam que, estabelecida a CPI, o processo de impeachment ou no mínimo de anulação da emenda da reeleição teria vingado, pois seria comprovada a compra de votos“, disse Narciso a Palmério Dória.

O fim dessa história qual foi? CPI jamais foi instalada. O MPF jamais investigou nada.  Havia um relato escandaloso, com gravações e tudo: pelos menos seis deputados do Acre teriam vendido seus votos pela reeleição. A classe média indignada não moveu uma palha. Nada se fez…

Numa conversa recente entre Palmério Dória e alguns blogueiros sujos, um observador maldoso chegou a afirmar: “200 mil reais era o preço pelo voto acreano, imagine quanto não deve ter custado o voto de um deputado de São Paulo ou Minas para aprovar a reeleição?” Quanto? Quanto? Sergio Mota talvez pudesse esclarecer. Mas levou para o túmulo o segredo de polichinelo…

Nunca antes na história desse país, a não ser em ditadura, um presidente mudou as regras do jogo eleitoral de forma tão escandalosa. Um atentado contra a Democracia. Documentado. Como se sabe, FHC obteve o segundo mandato, quebrou o país, tentou vender todo o patrimônio público e – ao fim –  saiu do poder com o rabo entre as pernas. Nem Serra em 2002, nem Alckmin em 2006 tiveram coragem de defender o legado fernandista. Hoje, o ex-presidente tem coragem de sair por aí a dizer o que os tucanos devem ou não fazer na próxima eleição. Serra deve se remoer. Sabe bem quem é o ex-presidente que posa de príncipe de Higienópolis. Terminados os oito anos de FHC, o neoliberalismo estava em frangalhos na América Latina: Fujimori foi preso no Peru, Salinas exilado do México, Menem jogado no lixo da história argentina. FHC tinha virado um príncipe.  O livro de Palmério mostra que de príncipe ele tem muito pouco.

O livro também volta às privatizações, relembra a venda (ou doação?) da Vale, debruça-se sobre meandros e transações tenebrosas na telefonia…  Mas a obra não é uma coleção de fatos e notícias do octanato fernandista. Não. O jornalista costura a crônica política (e financeira) com o perfil privado do marido de Dona Ruth. Fofocas? Também não.

Por que o Brasil não ficou sabendo que FHC era apontado – já ao chegar ao poder – como pai de uma repórter da TV Globo? Que favores FHC ficou devendo à família Marinho (e ao grupo seleto de políticos que lhe deu ‘cobertura’ na história do filho) quando a Globo aceitou “exilar” a tal repórter num posto sem importância em Lisboa (e depois na Espanha)?

“Rameira, ponha-se daqui para fora”? Quem disse essa frase principesca, após um ataque de cólera dentro do Senado Federal?

“Olha, Fernando, quando você conversar comigo, por favor, nivele teus olhos aos meus.” Quem foi o homem que acusava FHC de ser um príncipe esquivo e escorregadio? 

Não são meros detalhes. Dezesseis anos depois de ter aparecido como “senhor X”, Narciso Mendes ressurge e confirma que a reeleição foi comprada. FHC pode “nivelar os olhos” e encarar Narciso de frente? Parece que não. E o Brasil, FHC pode encarar de frente? Leiam o livro do Palmério antes de dar a resposta definitiva.

Existe apenas um planeta, um só povo – queiramos ou não

Sanguessugado do Cidadão do Mundo

Washington Araújo

Com a crise correndo a céu aberto nos céus das Coreias do Norte e do Sul e o risco iminente de guerra, em que pderão ser usados artefatos nucleares, há que se destacar que todas estas situações têm como pano de fundo a interdependência entre povos e nações, consolidada através do processo de ‘globalização econômica’ posta em movimento desde meados dos anos 1980.

Desta forma, o efeito dominó é inevitável: sempre que um país europeu se torna insolvente – caso inicial da Grécia – os demais países do continente entram em zona de profunda turbulência e, também é o caso, uma instituição bancária de médio porte dos Estados Unidos com sérias dificuldades em honrar os compromissos pode levar ao contágio imediato de todo o sistema financeiro nacional, com graves repercussões na economia global.

Quando observamos, segundo a segundo, nas redes sociais da internet, o grau de desamparo em que sobrevive grande parte da humanidade e quando nossos olhos são violentados por crianças “vestidas de pele e osso” em tantas nações africanas e asiáticas em contraponto com o desperdício acumulado no leito da civilização ocidental, agora tremendamente colapsada em seus fundamentos principais, podemos aferir quão completamente se transformou nossa maneira de ver o mundo e seus sinais. Encontramos, então, formidável corolário de razões para mostrar tanto consternação quanto indignação com o status quo do planeta.

É nesse cenário do limiar da segunda década do século XXI que torna-se imperativo e urgente encontrar um interlocutor, um poder, um sentimento supranacional que vocalize os esforços de povos e governos para se alcançar entendimentos comuns sobre assuntos que afetam e colocam em risco o futuro da humanidade. Assuntos que não podem esperar e que não se resolvem por si mesmos. Assuntos que envolvem intrincada teia de interesses nacionais, comerciais, financeiros. Mas, acima de tudo, relacionados com a estabilidade e a paz mundial, a questão do superaquecimento planetário e a preservação do meio ambiente.

E nenhuma dessas questões requerem tratamento unilateral. Há que se construir o consenso internacional e através de organismos multilaterais devidamente legitimados pelo concerto das nações para enfrentar, propor e colocar em movimento políticas transnacionais que objetivem, muito acima dos interesses das partes, o bem-estar do todo. No caso, o bem-estar do mundo, como unidade planetária que é, sem contemplar interesses quase sempre mesquinhos que remontam aos antigos patriarcados, às milenares tribos e cidades-estados e as centenárias nações.

E se Joaquim Barbosa ganhasse um salário mínimo?

Sanguessugado do Sakamoto

A ministra do Planejamento Miriam Belchior divulgou, nesta quinta (29), que o salário mínimo de 2014 deve ser de R$ 722,90. Esse valor representa um aumento de 6,6% ou 44,9 mangos.

Enquanto isso, o salário mínimo mensal necessário para manter dois adultos e duas crianças deveria ser de R$ R$ 2.750,83 – em valores de julho deste ano. O cálculo é feito, mês a mês desde 1994, pelo Departamento Intesindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese).

O Dieese considera o que prevê a Constituição, ou seja: “salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim”.

Mas como todos sabemos, o artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federativa do Brasil, que trata dessa questão, é uma das maiores anedotas que temos na República. Rá!

O governo federal atrelou o ritmo de crescimento do PIB ao do salário mínimo, na tentativa de resgatar seu poder de compra. O combinado prevê reajustes baseados na inflação do ano anterior e na variação do PIB dos dois anos anteriores. Por isso, esse número divulgado é uma estimativa, uma vez que precisamos dos dados consolidados de 2013. O fato é que, por mais que ocorra um crescimento no poder de compra, estamos longe de garantir dignidade. Nas grandes cidades, são poucos os que recebem apenas esse piso. Contudo, segue referência para milhões de famílias que têm aposentados como arrimos.

Ninguém está pregando aqui a irresponsabilidade fiscal geral e irrestrita, mas o aumento do salário mínimo é uma das ações mais importantes para melhorar a qualidade de vida do andar de baixo.

Afinal de contas, salário mínimo não é programa de distribuição de renda, é uma remuneração mínima – e insuficiente – por um trabalho. Não é caridade e sim uma garantia institucional de um mínimo de pudor por parte dos empregadores e do governo. Mas precisamos nos esforçar mais. Para aumentar a remuneração. Ou, pelo menos, para garantir serviços públicos de qualidade de uma forma em que a população não precise gastar do seu bolso para alcançar o que o Estado não fornece (educação, saúde, cultura, lazer, transporte…) Quem defende Estado mínimo e salário mínimo insuficiente é, no mínimo, muito sangue ruim.

Dito isso, o que deve passar pela cabeça de uma pessoa que mora no interior do país, recebe pouco mais de um mínimo e tem que depender de programas de distribuição de renda para comprar o frango do dia a dia, quando vê na sua TV velha a notícia de que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, defendeu um aumento de 9,26% em seu próprio vencimento para 2014? Ou seja, de R$ 28.059,29 para R$ 30.658,42, o que representa 2599,13 mangos.

O Congresso Nacional já havia autorizado um reajuste de 15,8% em três anos. O aumento que cabia a 2014 era de 5,2%, mas Barbosa pediu 9,2, ou seja, mais 4%. Isso deve impactar a folha de pagamentos de membros dos Três Poderes, uma vez que o salário dos ministros do STF deveria ser o teto dos servidores públicos.

Compensar as perdas da inflação, justificou.

Ouvi de um funcionário de um tribunal superior que o mínimo já teve aumentos consideráveis e o salário dos ministros não. Bem, é claro que a pergunta no título deste post é retórica (se a educação fosse boa neste país, eu não precisaria explicar isso). Não estou defendendo o nivelamento por baixo. Mas em um país em que o salário mínimo é insuficiente para garantir dignidade, é questionável que um ministro da Suprema Corte, que – a meu ver – já ganha de forma razoável para a função, peça um aumento maior do que aquele que será concedido ao naco encardido da população. E arraste parte do funcionalismo com ele (ou seja empurrado pelo mesmo funcionalismo). Não é ilegal, mas meu radar de imoralidade apita feito louco.

Nesse momento, alguns desses que viram a notícia na TV velha engolem o choro da raiva ou da frustração e torcem para a novela começar rápido e poderem, enfim, esquecer o que acabaram de ver. Afinal de contas, pelo menos na ficção dos folhetins há a mão invisível do autor que garante, na maioria das vezes, a punição das injustiças.

Apesar de Junho, ainda não perceberam que, se quiserem, os que usam chinelo são mais fortes do que os que vestem terno e toga.

Izaías Almada: É doloroso ver médicos guevarianos vaiados por abdelmassihs

 

Médicos e monstros

Izaías Almada, especial para o Viomundo

Um dos momentos mais tocantes no filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, que narra a viagem do jovem Ernesto “Che” Guevara pela América do Sul na companhia do amigo Alberto Granado, é quando “Che” visita um leprosário da Amazônia peruana. Ainda estudante de medicina, Guevara, na noite em que comemora seu aniversário, atravessa um pequeno rio que separava os leprosos da convivência com outras pessoas e vai visitá-los. Um gesto de grandeza humana de quem estava prestes a se tornar um médico.

Essa aventura dos dois amigos argentinos se dá no ano de 1952, tempos antes de Guevara integrar-se à luta guerrilheira de Sierra Maestra em Cuba, sob o comando de Fidel Castro, revolução socialista vitoriosa e que mudou corações e mentes no mundo inteiro.

Alguns fatos e acontecimentos históricos menos ou mais relevantes são assim: trazem, com maior ou menor intensidade, os indícios de alguma transformação social significante. Configuram uma inflexão nos caminhos do homem e prenunciam novas alternativas para a humanidade. Os exemplos nesse quesito serão inúmeros e desnecessários, mas a lembrança dessa possibilidade nos remete a atual fase do desenvolvimento capitalista, bem como seus reflexos para o mundo atual, onde a exploração do homem pelo homem adquiriu novos e sofisticados contornos.

No Brasil de hoje, alguns desses fatos e acontecimentos mais recentes têm sido debitados, a meu ver, a dois fatores políticos e sociais de relevância: os quase doze anos de governo do Partido dos Trabalhadores por um lado e a tentativa oposicionista de interromper a caminhada vitoriosa desse governo, sob inúmeros aspectos, em particular os sociais.

Já é sobejamente conhecida a fúria com que alguns dos setores mais conservadores da sociedade brasileira atacam os doze anos de governos petistas em âmbito federal. Esses setores e não só estão representados majoritariamente em partidos como do PSDB, DEM, parte do PMDB e o penduricalho PPS. Contudo, não bastasse a verborragia, normalmente vazia de significados e argumentos sólidos de deputados e senadores de tais partidos, há uma vez mais que chover no molhado: o verdadeiro e mais articulado dos partidos de oposição, no entanto, é conhecido já há algum tempo entre nós pela sigla PIG, o Partido da Imprensa Golpista.

É na redação de telejornais, revistas e jornalões da mídia brasileira que a matilha de cães hidrófobos é solta por seus patrões atrás dos ossos da discórdia, onde é possível identificar até alguns imortais da pior cultura brasileira, aquela que é preconceituosa, racista e de traços marcadamente fascistas.

Junte-se a isso os radicais de esquerda das novas gerações, muitos deles portadores de uma espécie de ejaculação precoce quanto a necessidade de transformação do país e que, na ânsia de um orgasmo revolucionário, mais atrapalham do que ajudam, por vezes oferecendo argumentos à tal matilha para a sua empreitada contra o novo Brasil, cujo parto tem sido dos mais difíceis.

O atual episódio envolvendo o programa ‘Mais médicos’ é emblemático: trouxe à tona a síndrome do grande romance de Robert L. Stevenson “O Médico e o Monstro”, liberando em boa parte da classe média e médica, insuflada e acobertada pela matilha, o seu lado mais egoísta e irracional, transformando uma questão humanitária num palavrório do mais baixo grau político e ideológico.

É triste perceber, em pleno século XXI, que o Brasil ainda acoberta em suas entranhas gente tão desclassificada e hipócrita, incapaz de olhar o país com olhos mais justos e minimamente solidários para com os mais necessitados. Não são os mesmos que criticam a questão da saúde no país? Que debochada e incivilizadamente sugerem que a presidente Dilma vá tratar o seu linfoma em Cuba? Não são os que repetem como papagaios o que reproduz o esgoto midiático, cujo nível de conhecimento da realidade em que vivem não ultrapassa as páginas de um Almanaque Capivarol?

Sinto calafrios quando penso que os representantes políticos dessa corja possam algum dia voltar ao poder político no Brasil. Já basta ver o que fazem no governo do Estado de São Paulo, onde se praticou e se pratica a maior corrupção e bandalheira de assalto ao erário público em proveito próprio, com o butin repartido há anos por integrantes da máquina administrativa do estado, sempre acobertados pela mesma mídia hipócrita e moralista que sistematicamente ataca os governos Lula e Dilma.

Espero, sinceramente, que o Brasil não se torne o único país do mundo que vergonhosamente repudie a missão solidária de milhares de médicos que para cá vieram de outros países, em particular os cubanos, numa atitude ímpar de egoísmo e sensibilidade para com ainda os milhares e milhares de compatriotas espalhados pelas regiões mais pobres, secularmente ignoradas pelos inúmeros monstros de jaleco branco que, ao se formarem, fizeram um juramento da boca para fora… Juramento de Hipócrates ou de hipócritas?

O episódio de Fortaleza é um tapa na cara do país, um escárnio que nos ridiculariza perante o mundo, pois apenas confirma aquilo que todos nós já sabemos: médico no Brasil, só para quem pode pagar. É doloroso ver alguns médicos de formação guevariana serem vaiados por um conjunto de abdelmassihs.

QUE SEJAM BENVINDOS OS MÉDICOS CUBANOS!

Nota do bloguezinho mequetrefe

Deixo minha discordância quanto a crítica à esquerda mais fiel aos seus próprios princípios. Ex.:  a condenação de Serra pelas privatizações foi das bandeiras mais agitadas por Dilma, o projeto de regulação da mídia feito por Franklin Martins foi solenemente guardado em algum nicho do esquecimento, enquadramento da Gang das Teles, enfim, no armário do esquecimento(?) há muitas promessas eleitorais as quais a esquerda coerentemente cobra.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Proteção a um corrupto notório

Sanguessugado do Porfírio

Atitude irresponsável na Bolívia suscita suspeitas de toda natureza e não pode ficar impune

Tem que ser um pigmeu estúpido, desonesto e mal intencionado para aplaudir a suspeitosíssima "operação de guerra"  conduzida por um "diplomata" irresponsável (no mínimo) que deu fuga a um bandido do colarinho branco, condenado na Bolívia por corrupção e respondendo a outros 19 processos, inclusive pelo envolvimento no massacre de 11 agricultores indígenas em 11 de setembro de 2008.

20 processos esperam este corrupto na Bolívia

Pelo que sei desse senador bilionário, tenho todo direito de suspeitar que rolou muita grana ao ponto de levar um secretário de Embaixada a arriscar sua própria carreira para envolver o Brasil numa situação desconfortável e gerar um clima beligerante entre dois países irmãos.

E pelo que sei da política intervencionista e colonialista dos Estados Unidos, não me surpreenderia se essa "fuga" tenha sido planejada e monitorada por uma dessas dezenas agências e empresas terceirizadas de espionagem a serviço de Washington, que tem investido pesado contra o governo do indígena socialista Evo Morales.

Se fosse num país de olhos azuis eu duvido que esse "diplomata" ousasse tal operação. Mas como a Bolívia é uma das nações mais pobres do Continente, como não tem bala na agulha, consumou-se uma das mais insólitas violações das relações internacionais, decorridas algumas semanas de outra humilhação, quando governos da Europa quase provocam um acidente fatal com o avião que conduzia o presidente Evo Morales, sob o pretexto de que ele estaria transportando o norte-americano que revelou ao mundo a espionagem cibernética dos Estados Unidos.

Afronta sem precedentes e indefensável

O que aconteceu neste último fim de semana foi uma afronta inqualificável e indefensável sob todos os aspectos. Feito maior autoridade da embaixada brasileira em La Paz, um medíocre e desconhecido Eduardo Saboia ( desses que entram na diplomacia por "herança", mas sem vocação) convocou dois fuzileiros navais e usou carros oficiais para transportar um políticoficha suja até Corumbá, do lado de cá da fronteira, mesmo sabendo que estava cometendo uma gravíssima violação dos seus deveres e comprometendo a seriedade da diplomacia brasileira.

Esse senador, corrupto de papel passado, gozava indevidamente de asilo diplomático e comandava seus negócios escusos de dentro da Embaixada, um edifício confortável conectado ao mundo, onde gozava de todas as regalias e comia do bom e do melhor.

Dono de muitas terras e considerado o maior pecuarista da região norte da Bolívia, na fronteira com o Brasil, teve sua fortuna multiplicada às custas de desvios de verbas federais como governador do Departamento de Pando e diretor da Zona Franca de Cobija, sua capital, onde se apossou irregularmente de muita grana, inclusive de recursos da Universidade Amazônica de Pando.

Percebendo que ia ser condenado já em junho passado, antecipou-se em maio e negociou com o ex-embaixador Marcel Biato sua entrada na embaixada brasileira, sob a alegação de estava sendo vítima de perseguição política. Ao mesmo tempo, mandou a família para o Acre, bem próximo dos seus latifúndios.

Ele já estava sob proteção diplomática quando foi condenado pela Justiça boliviana “por ter agido contra a Constituição e as leis, por prevaricação, e por causar prejuízos econômicos ao Estado de mais de 11 milhões de pesos bolivianos (US$ 1,6 milhão)”, de acordo com um relatório da Promotoria.

Cobertura inexplicável sob todos os aspectos

Mesmo assim, por decisão do controvertido ministro Antônio Patriota, que se tornou chanceler graças a um lobby intermediado pelo vice-presidente Michel Temer, o governo brasileiro formalizou a concessão do asilo diplomático, violando os termos da Convenção de Caracas, de 1954, sobre asilo político, que estabelece em seu Artigo III:

" Não é lícito conceder asilo a pessoas que, na ocasião em que o solicitem, tenham sido acusadas de delitos comuns, processadas ou condenadas por esse motivo pelos tribunais ordinários competentes, sem haverem cumprido as penas respectivas".

Não há pretexto que justifique esse contrabando, que pode muito bem estar forrado em milhões de dólares, e não há a menor condição moral do Brasil legitimá-lo agora, que esse senador corrupto terá de formalizar novo pedido.

À luz da legislação, ele está no Brasil sem qualquer sustentação legal, é protagonista de um complô que fere nossa soberania e deve ser recolhido ao presídio da Papuda ou deportado para seu país, já que dispensou o abrigo na embaixada.

Da mesma forma, esse diplomata picareta que violou as normas disciplinares da carreira deve sofrer uma punição exemplar, além de ser demitido por justa causa, por que seu gesto, alem de desmoralizar a gerar insegurança sobre o comportamento de uma diplomacia com fortes tonalidades de hereditária, compromete a credibilidade do Estado brasileiro na sua relação com o mundo.

Na mesma linha, é dever da Comissão de Ética do Senado abrir um procedimento contra  senador Ricardo Ferraço por ter envolvimento direto com a operação ilegal,  cabendo-lhe oferecer um jato executivo para o transporte do delinquente de colarinho branco até Brasília, onde está numa mansão de seu advogado esbanjando saúde.

A presidente Dilma Rousseff fez bem em livrar-se do seu chanceler incompetente, mas errou em nomeá-lo para nossa embaixada na ONU. Tudo indica que essa operação ilegal e irresponsável teve seu dedo, até por que ele sempre fez jogo duplo por suas íntimas ligações com a máquina externa dos Estados Unidos.

O que não pode é deixar isso tudo no barato, sob pena de afundar a diplomacia brasileira no lamaçal da picaretagem e da chicana. Esse Eduardo Saboia, que tem o suporte da pior direita e até medalha vai receber na Câmara do Rio por iniciativa do vereador Cesar Maia, numa descarada provocação, conta com a impunidade, o corporativismo e as fofocas que fazem do Itamarati uma casa de intrigas e baixarias, onde meio mundo tem rabo preso.

Mas se ficar por isso mesmo, ninguém poderá reclamar se os condenados do "mensalão", que tiveram um julgamento único num ambiente claramente politizado, pedirem asilo à Bolívia ou a qualquer outro país, como disse num descuido comprometedor o governador Eduardo Campos: "cumprimos uma tradição que é própria do povo latino e do brasileiro, que é a de abrigar".

Cuba: El valor de salvar una vida

Via CubaInformacion

Cuba Hoy.- La sala de terapia intensiva neonatal del hospital William Soler, en La Habana, constituye Referencia Nacional en el sector de la Salud. Esta historia de vida se acerca a la experiencia de un cubano que labora en este centro hace casi tres décadas.

Os EUA não se emendam.

Sanguessugado do Olhar o Mundo

Luiz Eça

Os EUA preparam-se para brindar o mundo com uma nova guerra do tipo da que moveram ao Iraque.

Dentro de alguns dias (talvez até amanhã, dia 30) eles devem atacar a Síria, sem provas e sem respeito às leis internacionais, como fizeram contra o país de Saddam Hussein.

Embora os EUA jurem ser incontestável a responsabilidade do governo sírio no bombardeio químico de Ghouta, os fatos não dizem o mesmo.

Obama e Kerry baseiam suas certezas apenas em vídeos e informações oferecidos pelos adversários do governo sírio, o Mossad e a CIA.

Os primeiros são evidentemente suspeitos.

Quanto à CIA, não foi ela que forneceu a Bush “provas insofismáveis dos projetos militares nucleares do Iraque?”

Os argumentos contra a tese americana são ponderáveis.

Como Adssad disse, jogando bombas químicas em Goutha uma zona de guerra instável- ora ocupada por um lado, ora pelo outro- seu governo estaria vitimando seus próprios soldados.

Além disso, agora que as tropas do governo estão ganhando em todos os fronts, seria absurdo porque desnecessário lançar mão das armas químicas.

Pior: seria um ato suicida, pois o uso das armas proibidas forneceria um bom pretexto para que EUA e aliados entrassem na guerra, com seu imenso arsenal bélico.

Especialistas em armas químicas duvidam das culpas do governo sírio, alegando que ele não possui o tipo de gás descrito pela mídia ocidental.

Um deles, Stephen Johnson, do Cranfield Forensic Institute, aponta inconsistências nos sintomas das vítimas.

Ele nota detalhes ”hiper-realísticos”, que poderiam ter sido preparados para parecerem reais. Estranha o fato da espuma de certos corpos serem excessivamente brancas e puras, quando, em caso de envenenamento por gases, deveriam ser amareladas e sangrentas.

Apesar disso, Johnson não descarta totalmente as acusações; apenas tem sérias dúvidas a respeito.

Por sua vez, Assad afirma que tudo se trata de uma armação dos rebeldes exatamente para convencer o hesitante Obama a partir para ações radicais.

E informa que soldados das tropas do governo, ao penetrarem em tuneis em perseguição aos inimigos, teriam deparado com nuvens de gás que os lesionaram seriamente.

Os russos são adeptos da mesma teoria. E até apresentam uma possível prova: os vídeos mostrando centenas de presumíveis vítimas de gases foram colocados no You Tube algumas horas antes do ataque.

Para alguns analistas, há duas hipóteses até mais prováveis.

A primeira implica elementos linha-dura do cercle intime de Assad que, temendo a disposição do presidente de fazer concessões pela paz, ordenaram um bombardeio químico justamente para acirrar os ânimos de vez.

O contrário também é possível. Ou seja, grupos jihadistas – aliados do exército da Frente Nacional Síria – lançarem bombas químicas  para jogar o Ocidente contra o governo de Damasco.

As dúvidas sobre a culpabilidade de Assad são reforçadas por Carla Del Ponte, membro da “Comissão de Inquéritos sobre a Síria”, da ONU, que declarou existirem fortes e concretas suspeitas – mas “provas ainda não incontroversas”- de que foram os rebeldes quem usaram gás sarim em Ghouta. Acha necessário mais investigações,  admitindo, inclusive, que possam surgir evidências contra Assad.

Para resolver a questão, seria necessário que a comissão de investigação da ONU fosse a Ghouta analisar os fatos.

Inicialmente era o que os EUA defendiam.

Assad tinha de permitir a entrada da ONU na área bombardeada.

Dois dias depois, o pedido formal da ONU foi entregue por Angela Kane, Alta Representante da ONU para Assuntos de Desarmamento, ao governo sírio.

Aí- surpresa ! Assad autorizou na hora.

Nova surpresa – o governo Obama mudou de ideia.

John Kerry declarou que os EUA já estavam convencidos das culpas de Assad, sendo, portanto, inútil a investigação da ONU. E uma autoridade do departamento de Estado pressionou Ban-Ki-Moon, o secretário-geral da ONU, a cancelar a investigação já que “não havia mais segurança para os inspetores permanecerem na Síria” (Wall Street Journal).

Kerry acrescentou que o governo sírio teria demorado (?) a aceitar a investigação de caso pensado- para que a passagem do tempo e os bombardeios sobre a região apagassem quaisquer vestígios químicos de suas perversas ações.

Seria mais uma prova da culpa de Assad.

Mas o Secretário-Geral da ONU rejeitou a solicitação americana: os inspetores da ONU continuariam seu trabalho.

Rebatendo Kerry, porta-voz da ONU declarou ser plenamente possível encontrar evidências apesar das condições aventadas pelos americanos.

Ralph Trapp, consultor em proliferação de armas químicas e biológicas, atestou: “Eles (os investigadores) podem definitivamente responder à questão da possível existência de um ataque químico, além de definir qual o agente usado.”

Diante disso, o certo seria esperar pelos resultados da investigação da ONU.

Mas os EUA nem pensam nisso.

Para Obama, está na hora de John Wayne sacar seus revolveres… e mandar brasa.

Por que tanta pressa? Afinal, conforme Ban-Ki-Moon, bastam 4 dias para se conhecer o resultado do trabalho da comissão da ONU.

Parece provável que Obama receie que a comissão inocente Assad, ou, pelo menos, lance grandes dúvidas sobre as culpas dele.

Aí, seria altamente desmoralizante para a Casa Branca.

Com uma chuva de mísseis, Ban-Ki-Moon será obrigado a mandar interromper o trabalho dos seus técnicos.

As tropas americanas estão de prontidão, esperando apenas pelas ordens do presidente.

E assim, Obama repete Bush que, em 2002 e 2003, rejeitou as conclusões da comissão da ONU de que não havia armas nucleares no Iraque.  E se recusou a dar mais tempo para as investigações, optando pelo ataque.

Como Bush, Obama viola as leis internacionais, dispensando a aprovação do Conselho de Segurança da ONU.

Alega que o faz por razões humanitárias e para garantir o cumprimento do tratado internacional de proscrição das armas químicas, datado de 1988. O qual, aliás, os EUA já desrespeitaram duas vezes.

A primeira vez, ainda em l988, quando forneceram imagens de satélites e mapas para Saddam Hussein usar em 4 ofensivas com gás sarim contra os iraquianos, na guerra entre os dois países.

Fato atestado, em entrevista, pelo coronel Rick Francona, então adido militar à embaixada americana em  Bagdá: “Os iraquianos nunca nos contaram que iriam usar gás sarim. Não precisava. Nós sabíamos”.

Em 2004, durante a guerra do Iraque, os EUA lançaram sobre a cidade rebelde de Faluja bombas com fósforo branco, material tão terrível que incendeia o ar.

No período 2007/ 2010, ou seja, entre 3 e 6 anos depois da invasão de Faluja, as bombas americanas continuaram a agir: mais da metade das crianças pesquisadas nasceram com defeitos de nascença. Antes a média era de apenas um caso em dez.

Também antes da invasão, 10% dos casos de gravidez terminavam em aborto.  Entre 2005 e 2006, esse número subiu para 45% (estudos da World Health Organization).

Parece certo que se repetirá a injustiça brutal do affair Iraque, mas não o principal erro da Casa Branca: serão evitadas perdas de vidas americanas, pois todo o ataque será feito por ondas de mísseis, disparados de vasos de guerra e bases militares no Oriente Médio.

Fala-se que os alvos seriam artilharias, mísseis, baterias anti- aéreas, concentrações de tanques até depósitos de armas químicas.

A hipocrisia americana chega ao ponto de dizer que não se visa derrubar o governo Assad, mas sim,  castigá-lo e evitar que reincida no seu “criminoso ato.”

É claro que, com a destruição a ser causada, o exército de Assad se enfraquecerá e a sorte da guerra poderá mudar. Se isso não acontecer, ninguém duvida que Obama aprofunde sua participação no conflito.

Quanto às negociações de paz que Kerry vinha montando com Putin, a Casa Branca adiou – ficam para as calendas.

Sempre fingindo um respeito pelas normas internacionais, coisa que não está demonstrando ter, Obama procura evitar a pecha de unilateralismo, convocando países satélites a aderirem à sua cruzada.

O Reino Unido e a França já toparam, até com entusiasmo.

A Arábia Saudita, nem se fala, já que tem sido a maior fornecedora de armas para os rebeldes e quem mais tem defendido a opção militar.

O mais grave é que, essas potências, ardorosas defensoras das leis internacionais, admitem que o ataque  será feito mesmo sem autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Pesa mais o interesse em destruir o principal aliado do Irã no Oriente Médio.

Isso é fundamental para a Arábia Saudita, que teme a influência da revolução islâmica nas manifestações que ameaçam os regimes feudais do Gôlfo.

E para Israel que vê no Irã um inimigo  poderoso , capaz de enfrentar suas forças militares no Oriente Médio, algo que Telaviv não admite.

Os EUA sempre quiseram acabar com Assad para enfraquecer o Irã, mas temiam que os jihadistas do exército rebelde tomassem o poder e lhes causassem maiores danos.

Parece que, sendo a grande fonte de armamentos e dinheiro desses grupos, o governo saudita ganhou controle sobre o movimento rebelde. No caso de vitória, teria meios para mantê-lo na linha. Foi, aliás, o que o príncipe Bandar, chefe da Segurança saudita, garantiu recentemente a Putin.

Talvez por isso, Obama tenha abandonado sua relutância em entrar na guerra.

A denúncia dos rebeldes forneceu um pretexto para ele se justificar perante a opinião publica.

Bem que precisa: de acordo com pesquisa Reuters recentíssima, 60% dos americanos são contra a ajuda dos EUA aos rebeldes. Mesmo no caso de Assad ter usado armas químicas, a oposição à intervenção vence: 46% x 25%.

O ataque à Síria tem desdobramentos difíceis de serem previstos.

Assad pode até retaliar, atacando bases americanas e alvos em Israel, mas acho improvável. Ele não é louco, como os americanos parecem acreditar.

Certamente, as perspectivas de entendimento do Ocidente com o novo governo iraniano ficam bastante prejudicadas.

Os elementos linha-dura do país ganharão força e Rouhani será fatalmente impelido para uma posição agressiva, que ele não quer.

A rejeição dos povos do mundo árabe aos EUA deve aumentar ainda mais. Note-se que embora muitos governos da região sejam favoráveis ao ataque à Síria, nenhum ainda teve coragem de manifestar seu apoio oficialmente.

A al-Qaeda vai ganhar duplamente: seus contingentes no exército rebelde passarão à ofensiva contra o exército de Assad, debilitado pela chuva de mísseis ocidentais, e seu recrutamento de jovens exaltados vai crescer substancialmente.

Muito triste é que, mais uma vez, os EUA se sobrepõem à ONU e ao direito internacional. E se arrogam ao direito de atacar outro país, invocando provas que seu governo não se dá ao trabalho de revelar.

Talvez porque não existam.

As centenas de milhares de iraquianos vítimas de uma guerra injusta não bastaram para fazer Obama pensar duas vezes.

Afinal, eles estão mortos.

E os interesses imperiais americanos continuam bem vivos.

A Nona Cruzada*

Sanguessugado do Bourdoukan

A grandeza de Saladino incomoda até hoje os fundamentalistas do Ocidente

Em 1917, o general Allemby, comandante do exército britânico que ocupou a Palestina, proclamou ao atravessar os portões de Jerusalém: "Hoje terminaram as cruzadas". Três anos depois, outro general, o francês Gouraud, assim que suas tropas ocuparam Damasco, correu até o Mausoléu de Saladino e pronunciou uma frase que até hoje fere os ouvidos de árabes, sejam eles cristãos, muçulmanos ou judeus: "Voltamos... Saladino".

Os dois generais afogaram seus rastros com sangue, a exemplo de seus antecessores, os cruzados que, não satisfeitos em matar e estuprar, promoviam festins de canibalismo, como está fartamente documentado.

Confesso que reluto em crer que o terrível atentado contra o TWC tenha sido praticado por muçulmanos. Acredito que ele seja mais uma obra de fundamentalistas americanos ligados a Mc Veigh, o acusado de explodir o prédio de Oklahoma, porque um dos preceitos básicos do islamismo diz que, durante uma luta, as mulheres e as crianças são sagradas e devem ser poupadas. E o que não pode ser transportado não deve ser destruído.

O atentado ao TWT é a negação de tudo isso.

Me assusta também saber que as autoridades americanas estão mais preocupadas em produzir provas contra os muçulmanos do que investigar os reais autores do atentado. Sabe-se que a economia dos Estados Unidos vem minguando há algum tempo e que a indústria bélica, depois da Guerra do Golfo, necessita de novos campos de prova, já que o armamento utilizado para matar a população civil do Iraque (cifras independentes mencionam mais de 1 milhão de mortos) está se tornando obsoleto. Atualmente, a indústria bélica fatura cerca de 1 trilhão de dólares. Além de servir como espada de Dâmocles, serve para manter no poder governos títeres e autoritários, que não medem a brutalidade. São governos de todos os credos e sobrevivem graças à vassalagem. Sua irmã gêmea, a indústria do narcotráfico, fatura outro trilhão, que sustenta Wall Street. Ou alguém acha que se pode guardar 1 trilhão de dólares sob o colchão?

É verdade que, além da Inquisição, das duas guerras mundiais e das bombas atômicas sobre Hiroxima e Nagasaki, o Ocidente é responsável pela morte de milhões de pessoas pela fome e pela exclusão. Atualmente, o mundo está polarizado entre os que possuem e os excluídos. E quando os excluídos (que representam 80 por cento da humanidade) resolvem se organizar, como aconteceu durante o Fórum Social Mundial, no Brasil, a imprensa dos Estados Unidos os ignora olimpicamente, dedicando-lhes apenas três linhas, como generosamente fez o New York Times.

Hoje, vivemos sob a ditadura dos veículos de comunicação, cuja representante maior é a mídia dos EUA. É, sem dúvida, a maior empresa de press release do mundo. Ela, mais do que ninguém, é a imagem do Big Brother de Orwell. Se os americanos derrubam um avião civil egípcio, assassinando mais de trezentos passageiros, vale uma nota de duas linhas. Quando aviões americanos destroem um indústria farmacêutica no Sudão, ou atacam a população civil do Iraque durante o mês sagrado do Ramadã, os press releases inundam o mundo com o inexplicável. Se assassinam com bombas a filha de 5 anos de Kadhafi, mencionam-se falhas no ataque "cirúrgico". Quem mais, a não ser um governo arrogante, apoiado por uma imprensa títere, a falar em ataques "cirúrgicos" tentando equiparar assassinos a uma das profissões mais nobres como a dos médicos?

É muito mais do que uma questão de semântica.

É a cultura do dead or alive. Só mesmo quem não conhece a ideologia de um presidente WASP pode estranhar o abandono da conferência sobre o racismo em Durban. Ou o desprezo pelo Protocolo de Kioto ou a transformação do Alaska num enorme poço de petróleo. Isso sem falar no projeto Guerra das Estrelas e na manutenção da OTAN. Se não há mais o Pacto de Varsóvia, para que a OTAN? Só se for para manter os dois terços de excluídos em seus devidos lugares, ou seja, em currais denominados de fronteiras.

Bush e seus assessores entendem que só há uma maneira de recuperar a economia dos Estados Unidos e manter o poder sobre o mundo. Realizar a nona cruzada. Por isso, a paz não lhes interessa, caso contrário não manteriam no poder um terrorista e criminoso como Sharon, o Ariel que lava mais branco.

Quem é bin Laden?

"Nada, eles não sabem nada, nada querem saber.

Vês esses ignorantes, eles dominam o mundo."

Recorro a Omar Khayyam (1050-1122), amigo de Hassan As-Sabáh, inspirador de bin Laden, fundador da Confraria dos Assássin — plural de assás — (Al-Qá’ida), cujo significado é "fundamento". Assássin deu origem à palavra assassino em quase todas as línguas.

As-Sabáh era ismaelita, ramo xiita do islamismo, e vivia em Alamut, na Pérsia (Irã). Seus seguidores eram denominados de mártires, já que não abandonavam o local depois de executar o inimigo. Eram temidos porque não temiam a morte. Quando juravam alguém de morte, não descansavam enquanto não cumprissem a tarefa. Antes de executar a vítima na rua, nas mesquitas ou nos palácios, diziam que estavam ali para cumprir uma fátwa.Executaram cruzados e mongóis. Os militantes da Al-Qá’ida, de bin Laden, respondem que estão prontos para se tornar mártires.

Outra semelhança é o local escolhido, as montanhas do Afeganistão, já que Alamut, que abrigava os assássin, era também uma montanha. Alamut significa o ninho da águia.

"Vocês serão iguais se puderem ser diferentes sem estar ameaçados de tratamento desigual."

A luz vem do Oriente, já diziam os sábios. Talvez por se lembrarem do governante muçulmano Jalaluddin Muhamad (1542-1605), um filósofo, que transformou o Industão (seus limites iam do Afeganistão até a baía de Bengala, e do Himalaia até o rio Godâvari) na Andaluzia do Oriente. Isso, para citarmos apenas um exemplo. Jalaluddin, que passaria para a posteridade com o nome de Akbar (o Maior), além de responsável pela tradução doMahabharata, abriu as portas de seu império para os pregadores do zoroastrimo, do jainismo e, num exemplo único de tolerância religiosa, pediu a seus escribas que traduzissem o Novo Testamento, na mesma época em que os cristãos se matavam entre si. Os católicos assassinando os protestantes na França, os protestantes assassinando os católicos na Inglaterra, enquanto Giordano Bruno ardia na fogueira em Roma.

Séculos depois, o Império Britânico invadia a região e apresentava o seu cartão de visita na figura de Warren Hastings (1732-1818), que, graças à indústria bélica da época, iniciou um massacre sem paralelo na história. Mais de 120 milhões de vítimas, maior até do que os massacres levados a cabo por espanhóis, portugueses e norte-americanos contra os naturais da terra, os denominados índios. E dos belgas, franceses e holandeses na África. Não satisfeito, Hastings vendeu o soberano Shah Alam II por 25 milhões de rúpias. Mais tarde, informado de que as princesas muçulmanas da região de Auda, mãe e filha, possuíam um tesouro de 75 milhões de rúpias, prendeu, torturou e estuprou-as. Libertou-as mediante o pagamento de 30 milhões de rúpias.

A "terra maravilhosa cujas riquezas e abundância nem a guerra, nem a peste e nem a opressão poderiam destruir", no dizer de alguns historiadores, a terra da concórdia, da paz e da integração de culturas e religiões tão diversas, como hinduístas, zoroastrianos, jainistas, budistas, fetichistas, cristãos católicos, ortodoxos armênios, se converteu, no reino do terror, da repressão e da colonização cultural sob os britânicos nos séculos 19 e 20.

Além de várias etnias, o Afeganistão possui vários dialetos e sua resistência aos invasores é histórica, a começar por Alexandre, o Grande. Outros povos tentaram invadir o país mas foram rechaçados.

Em 1842, durante a resistência contra os britânicos, mais de 16.000 invasores foram abatidos nas batalhas de Cabul, em 6 de janeiro, e Gandamak, no dia 13. A história registra que houve apenas um sobrevivente entre os britânicos: o cirurgião Brydon, que chegou cego ao forte de Jalalabad.

O mais recente confronto foi contra o poderoso exército soviético, que depois de quase dez anos de luta acabou abandonando o país.

No Alcorão está escrito que quem salva uma vida salva a humanidade e que Deus não mudará a condição dos homens se eles não mudarem o que está neles.

Não creio que o atentado tenha sido praticado por muçulmanos, mas, ao desencadear a nona cruzada, Bush estará cometendo uma agressão que provocará um efeito dominó mais devastador ainda do que o proposto pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger durante a guerra do Vietnã.

E o mundo jamais será o mesmo.

*Artigo que escrevi em 2001 para a Revista Caros Amigos. Continua atual.

Escola Superior de Corrupção.

GilsonSampaio

Ruge, rua, ruge. Ou miaremos cada vez mais fraco.

corrupção

É senso comum dizer que as cadeias brasileiras são 'universidade do crime'.
Natan Donadon (PMDB-RO) saiu direto da cadeia da Papuda de algemas para defender seu mandato na câmara federal.
Saiu de lá agradecendo a Deus, ele é evangélico, por não ter sido cassado e voltou para a cadeia.
E a ansiada Reforma Política será perpetrada por essa 'universidade'.
Ruge, rua, ruge. Ou miaremos cada vez mais fraco.

Mais uma crise

Via Diario Liberdade

Adriano Benayon

01. Transcorreu agora o 59º aniversário do modelo dependente, implantado a partir de 24 agosto de 1954, data da deposição do presidente Getúlio Vargas.

 
02. O atual quadro da economia brasileira deixa clara a iminência de mais uma devastadora crise externa, tão ou mais profunda que as anteriores, como a que levou à moratória submissa em setembro de 1982 (cessaram os pagamentos por falta de divisas), e a do final de 1998 com o mesmo problema.

03. É o déficit (saldo negativo) com o exterior nas transações correntes (mercadorias, serviços e rendas) que faz explodir a dívida externa e suscitar a incapacidade de fazer face ao serviço dela sem sofrer a intervenção dos bancos estrangeiros e de seus colaboradores, como o FMI e o Banco Mundial.

04. De janeiro a julho de 2013, esse déficit ascendeu a U$ 52,5 bilhões, quantia quase igual à do déficit total de 2012 (US$ 54,2 bilhões). Em 2013, ele já corresponde a 4% do PIB, sendo que no caso do Brasil sequer o PIB é nosso, pois a economia tem sido grandemente desnacionalizada.

05. O déficit cresce demais nos últimos anos. De 2008 a 2012, somou US$ 204,1 bilhões. No atual ritmo, 2013 poderá ultrapassar 50% do total acumulado nesses cinco anos.

06. Os déficits nas transações correntes são causados pela volúpia das empresas transnacionais de transferir lucros às suas matrizes, nas sedes destas e em paraísos fiscais.

07. Os lucros transferidos como lucros, embora imensos, são muito menores que os transferidos disfarçadamente em contas do balanço de serviços e no de mercadorias, através do subfaturamento das exportações e superfaturamento das importações e até mesmo de operações fictícias.

08. A característica do modelo dependente é a progressiva entrega dos patrimônios nacionais às empresas transnacionais. O mercado foi o primeiro desses patrimônios doados, através de incríveis privilégios, ao capital estrangeiro, começando com a liquidação da indústria automobilística nacional e a entrega do mercado às montadoras transnacionais no governo de Juscelino Kubitschek.

09. O senador Vasconcelos Torres (1920/1982) publicou em 1977 o livro "Automóveis de Ouro para um Povo Descalço". Decerto "ouro" referia-se, não à qualidade dos automóveis, mas ao preço deles.

10. A p. 94 relatava o senador:

"a) No exercício de 1962 foi registrado, no balanço consolidado das onze empresas produtoras de veículos automóveis e caminhões, lucro de 65% em relação ao capital social, constituído por máquinas usadas, e aumentado posteriormente, com incorporações de reservas e reavaliação dos ativos."

11. De fato, como tenho mencionado, as empresas estrangeiras da indústria automotiva e de outras indústrias - favorecidas por instruções da SUMOC, o banco central à época) - puderam, a partir de janeiro de 1955, importar equipamentos usados, de valor real zero, pois estavam há anos amortizados, e registrá-los, como se fossem investimento em moeda, pelo valor que declarassem.

12. Isso significa que o Brasil lhes deu um privilégio incrível, semelhante ao dos bancos, que ganham dinheiro criando dinheiro do nada, com lançamentos contábeis, ao conceder empréstimos. Além disso, beneficiadas pelo custo real zero do capital e da tecnologia, as transnacionais esmagaram a concorrência de empresas locais.

13. Vasconcelos Torres, op. cit. p. 95, apresenta uma tabela referente aos balanços de 1963, comparativa de preços de venda da fábrica à distribuidora com os preços de venda do distribuidor ao público, abrangendo quatro montadoras, entre elas a Volkswagen, já então a maior produtora no Brasil.

14. O preço nas distribuidoras era mais de três vezes o preço na fábrica, valendo notar que os donos desta são os mesmos daquelas ou, no mínimo, têm participação naquelas.

15. Como se fosse pouco o que as transnacionais ganharam no Brasil nos anos 60, no final desse decênio, elas foram agraciadas com novos e colossais subsídios, através de isenções de IPI e ICM, nas importações de seus bens de capital e insumos, além de créditos fiscais, na proporção das exportações.

16. Até hoje, novos subsídios juntam-se aos antigos e caracterizam o modelo dependente como aquele em que as empresas transnacionais recebem imensos prêmios, doações e dinheiro para explorarem o mercado sem concorrência, com seus carteis e oligopólios.

17. Por enquanto, as reservas no exterior se mantêm em US$ 370 bilhões e acima da posição da divida externa, de US$ 314 bilhões. Mas isso significa desnacionalização galopante, pois decorre do brutal ingresso líquido de investimentos estrangeiros diretos (US$ 62 bilhões de janeiro a julho) e mais US$ 24 bilhões de investimentos estrangeiros em carteira (participações de capital).

18. Além disso, só é possível o balanço de pagamentos com saldos positivos, em vez de com enormes déficits, devido às aplicações estrangeiras em títulos de renda fixa.

19. Elas totalizaram US$ 20 bilhões de janeiro a maio. Dados os sintomas de crise, o Executivo suprimiu, em 04.06.2013, o imposto sobre operações financeiras - IOF sobre essas aplicações, além de aumentar a taxa de juros. Com isso elas atingiram US$ 7,1 bi em junho, mas voltaram a declinar para US$ 3,9 bilhões em julho. De janeiro a julho: US$ 31 bilhões.

20. Apesar de a maior parte das economias estrangeiras praticarem juros reais baixos e até negativos, no Brasil voltou-se a elevar a taxa básica dos títulos públicos: em julho, ela já foi para 8,5% aa, depois de ter baixado em 2012, ficando em 7,25% aa. até abril de 2013.

21. Nada pode justificar as elevações verificadas desde então, a não ser o fato de as autoridades monetárias agirem como serviçais dos bancos e dos aplicadores estrangeiros, ou a dependência de ingressos de capital para fechar as contas externas, devido ao déficit nas transações correntes, causados pelo modelo desnacionalizante.

22. Parece claro, sem excluir a primeira hipótese, que a segunda desempenha influência determinante. Tal como ocorre com os viciados em cocaína e outras drogas, o Brasil, submetido ao modelo dependente, agrava cada vez mais a dependência, recorrendo a doses cada vez maiores de drogas (capital estrangeiro). Para isso, oferece a ele cada vez mais benesses para atraí-lo.

23. A usual desculpa da inflação é mais furada que queijos Emmenthaler e Gruyère, pois, além de ela apresentar-se em queda antes dos aumentos na taxa de juros, estes não levam à redução da alta dos preços.

24. A maligna dependência não se limita a produzir crises externas, como as que contribuíram para pôr de joelhos os submissos governos brasileiros, como em 1982, culminando com os inqualificáveis Collor e FHC a entregar de graça às transnacionais patrimônios públicos inalienáveis, conforme exigiram os governos imperiais, coadjuvados por Banco Mundial e FMI. A política submissa continua sob os governos petistas.

25. Por que os desastres produzidos pela dependência não se limitam a isso? Porque ela faz crescer exponencialmente a dívida pública interna, o que ocorre não só quando o capital estrangeiro aplica em títulos do Tesouro - e este os emite - mas também em função das altas taxas de juros, expediente "justificado" pela "necessidade de atrair aquele capital".

26. Terminou o espaço, e assim não posso aditar ao que tenho escrito sobre a imperiosidade de se anular o último leilão de petróleo e de cancelar o marcado para outubro, na área do pré-sal. Tenho só de conclamar os compatriotas a participar das ações dos que estão lutando nessa direção. Não só as ações judiciais, mas também as que transcendam as atuais regras legais.

27. E ainda não é desta vez que resumirei a fraude em que os governos entreguistas transformaram o setor de energia elétrica, criando um caótico sistema de preços, "de mercado", com o intuito de favorecer grandes empresas, principalmente estrangeiras, as quais, enquanto sugam o País, extinguem o seu futuro, acabando com sua infraestrutura.

1989 – Um Ano que Não se Fechou (I)

Sanguessugado do Política, Economia e Cultura

 

Lula vai ao segundo turno, Covas e Brizola o apoiam (Chico Ferreira – 13.dez.1989/Folhapress)

Aquele ano começou diferente, logo em janeiro os agrupamentos regionais do Coletivo Gregório Bezerra, uma das muitas rupturas do PCB puxadas pela saída de Carlos Prestes, fez um congresso de unificação. Era o coroamento de um processo de 4 anos de idas e vindas, de abnegados quadros que buscavam um novo partido de esquerda, fora do PT, dentro da CUT e do Movimento Estudantil(UNE e UBES). Parecia que dali surgiria uma grande mudança, uma afirmação marxista e classista.

O mundo vinha sendo sacudido desde 1985 com a subida de Gorbachev ao poder na URSS, era uma nova burocracia que propunha a Perestroika, as reformas da economia e Glasnot, a abertura política. Naqueles quatro anos seguintes toda a geração de burocratas do leste europeu caiu, foi trocada, mas as agitações não iriam parar apenas neles. No começo de 1989, não se sabia bem o que acontecia de verdade no bloco “socialista”.

O ano era especial, também no Brasil, pois haveria a primeira eleição presidencial em 25 anos, depois do processo constituinte dominado pelo centrão a luta era aberta na sociedade, o PT, os sindicatos e a CUT se afirmaram como polo político mais dinâmico da luta de classes, teriam em Lula o seu candidato, era a primeira vez que a esquerda se uniria em torno dele, PC do B e PSB definiram seu apoio. PC do B depois de anos gravitando dentro e/ou aliado ao PMDB iria compor a Frente de Esquerda. Nosso agrupamento, a exemplo do que fizera na CUT, saíra com candidatura própria, desde que conseguisse registro legal, o que não aconteceu.

Mas aquele ano, que nunca acabou, ou pelo menos não se fechou, pulsava nervosamente em todos os campos, não apenas na política, mas na música, na TV. Uma politização inédita tomou conta do Brasil, os artistas tomando posição, se engajando nos debates. A  Globo que manipulara mais uma vez uma novela, criando o Sassá Mutema, como o contraponto ignorante ao movimento de massas, para justificar a candidatura de seu “caçador de marajás”, o Pachá, Collor de Mello. Não satisfeita, pôs no ar a novela “Que Rei Sou Eu”, era guerra sem fronteiras. Contraditoriamente, o seu programa mais revolucionário, a TV Pirata, aderiu em peso à candidatura de Lula.

Na música, Cazuza fazia grande sucesso com Burguesia, entretanto o disco daquele ano foi do Legião Urbana “As Quatro Estações”. Era uma ruptura e maturidade do grupo, os discos anteriores eram mais politizados e engajados com o momento do país, em sintonia com o mundo e com as ruas, refletia os momentos finais da ditadura, da constituinte e do Brasil que estava por surgir. Neste era diferente, o tom é de reflexão, distanciamento, ouvindo hoje, parece que ele é o disco que representa o ano que não fechou. A fluidez ideológica posterior aos 1989 é bem descrita naquele registro. O individualismo, as relações menores, em oposição aos movimentos coletivos.

De memória em memória vamos contando aquele ano que continua até hoje. Do que você se lembra daquele ano, meu amigo que chegou até aqui? Quais as suas lembranças, identificações, surpresas, emoções e dores? É um desafio, conte um pouco, uma frase, um depoimento, tudo vale.